Cidadãos alemães auto organizam-se para apoiar refugiados

Movimento estende-se por todo o país e contrasta com os ataques dos grupos neonazis a vários centros de acolhimento. Alemães recebem refugiados com flores, cartazes de boas vindas e aplausos e asseguram a satisfação das suas necessidades básicas.

No passado fim-de-semana, o Borussia Dortmund levou 220 refugiados ao estádio para que eles assistissem ao jogo contra o Odds Ballklubb. Foto publicada na conta de twitter do Borussia Dortmund.

Perante a inacção das autoridades, as pessoas organizam-se através das redes sociais, como o Facebook e o Twitter, e criam documentos do Google onde vão fazendo o levantamento das necessidades das famílias, que incluem bebés, crianças e doentes e se encontram nos centros de acolhimento provisórios espalhados pelo país.

Estas estruturas não têm, em muitos casos, as condições mínimas para os receber e a distribuição de bens essenciais como água, comida e roupa é uma das principais preocupações daqueles que acabam por substituir o Estado alemão no que respeita ao apoio aos milhares de refugiados que continuam a chegar ao país.

De facto, os inúmeros voluntários ouvidos pelo eldiario.es defendem que o Estado “está a intervir de forma insuficiente”.

A par da distribuição de bem essenciais, projetos na internet para acolhimento de refugiados em casas particulares, como o “Refugiados bem vindos”,  estão a ter uma adesão massiva.

Também os médicos se têm auto organizado para assegurar a assistência aos refugiados.

Em declarações ao diário Hamburger Blatt, o presidente da Ordem dos Médicos da Alemanha, Ulrich Montgomery, advertiu que nas instalações de emergência reina o caos e que o serviço público de saúde não conta com os recursos necessários para momentos de crise como este.

Sublinhando que a carência de assistência aos refugiados não só representa riscos para a saúde dos mesmos como para a saúde pública, Montgomery destacou que “é inaceitável que num país rico como a Alemanha seja necessário esperar três meses por uma revisão médica para aclarar casos de tuberculoses, uma doença muito perigosa e de alto contágio”.

As mensagens de solidariedade repetem-se por todo o país, inclusive nos estádios de futebol.

No passado fim-de-semana, o Borussia Dortmund levou 220 refugiados ao estádio para que eles assistissem ao jogo contra o Odds Ballklubb.

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