Estudo analisa areia de creches, praças e praias no Rio

Agência Fiocruz | Regina Castro

Um estudo coordenado pela pesquisadora Adriana Sotero Martins, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), em parceria com a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), revelou que creches, praças e praias frequentadas por crianças na cidade apresentam índices de coliformes muito acima do limite recomendado. Segundo o levantamento, que pesquisou a presença de coliformes, parasitas e fungos, apenas em dois dos 15 locais analisados não apresentam risco para a saúde.

O estudo, que contou ainda com a participação dos pesquisadores Antonio Duarte, da Ensp, e Maria Inez Sarquis, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), foi realizado a pedido da Comissão pelo Cumprimento das Leis da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a “Comissão do Cumpra-se!”. O resultado foi apresentado em ato público pelo presidente da Comissão do Cumpra-se!, deputado Carlos Minc (PT), em 28 de agosto, na Praça do Leme, Zona Sul do Rio, um dos pontos de amostragem.

O ato marcou também o envio de um projeto lei de Minc (que contou com a colaboração técnica dos pesquisadores da Fiocruz) para monitoração da quantidade desses espaços públicos e privados de recreação. Caso seja aprovado, o projeto, que se encontra em tramitação na Alerj, será um instrumento que garantirá a limpeza, conservação e combate aos agentes transmissores de doenças nas áreas de areia de contato primário: estão previstos  padrões e sansões legais, visando garantir a proteção da saúde dos usuários de parques, praças públicas, praias, creches no estado do Rio de Janeiro.

O local mais contaminado, de acordo com a análise, foi na creche em um espaço de Horto, na Praia Vermelha, onde a areia teria 2.500 UFC/g de coliformes: na praça próxima a creche, o índice estava em 2.000 UFC/g. O Bosque da Freguesia, na Zona Oeste, também apresentou altos níveis de coliforme, fungos e parasitas, assim como  a Praça Saens Peña e uma creche no Morro do Borel, na Zona Norte.

Veja tabela com os resultados:

De acordo com Adriana Sotero, os frequentadores desses locais podem contrair doenças como: ancilostomíase (popularmente conhecida como “bicho geográfico” ou larva migrans cutânea), verme que  no solo evolui para fase larval que penetra nas camadas superficiais da pele, percorrendo o tecido subcutâneo; toxoplasmose (devido à  ingestão de  ovos do protozoário, que pode ser eliminado nas fezes de gatos contaminados); candidíase (devido a um fungo, que pode provocar micoses); ascaridíase (devido a um parasita intestinal, comumente conhecido como lombrigas); criptococose (devido a um fungo que pode ser eliminado das fezes de pombos, leva lesão cutânea e pulmonar); e gastroneterites (devido a bactérias patogênicas, presente nas fezes de animais e humanos), dentre outras doenças relacionadas e transmitidas por meio do contato com excrementos de cães, gatos e, sobretudo, pombos. Os sintomas de algumas dessas doenças relacionadas podem ser dor abdominal, micose, sapinho e diarreia aguda.

“Os níveis contaminantes encontrados nos locais investigados foram assustadores. Mais de 90% das amostras coletadas foram positivas. Existe a Lei Orgânica do município do Rio que trata sobre isso, mas não existe uma lei específica para creches e praças. O projeto normatizaria os padrões, principalmente de qualidade, que poderiam colocar em risco a saúde da população, sobretudo de crianças, que é o grupo mais exposto a contrair essas doenças, no caso do contato com a pele ou pela ingestão”, afirmou Adriana Sotero.

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