Stiglitz: “A União Europeia está a destruir o seu futuro”

Em entrevista ao Le Monde, o Prémio Nobel da Economia defendeu que “a obsessão com a austeridade e a fobia da dívida” têm como objetivo atacar o Estado Social. Para Joseph Stiglitz, as “desigualdades são o resultado de escolhas políticas e não uma fatalidade”.

Por ocasião da apresentação da edição francesa do livro The Great Divide, Joseph Stiglitz afirmou que uma das causas da “estagnação secular” é a “anemia na procura global”, causada, particularmente, pelas políticas de austeridade impostas na Europa.

Para o economista norte americano, o terceiro pacote de assistência à Grécia “é a garantia de que o país se vai afundar numa depressão longa e dolorosa”.

“A dívida é encarada como um travão aocrescimento, quando, pelo contrário, é ogarante da prosperidade futura, quando utilizada para financiar investimentos essenciais”, advogou o Prémio Nobel da Economia em entrevista ao Le Monde.

Segundo Stiglitz, “uma parte da direita do Velho Continente alimenta esta histeria em torno da dívida, por forma a atingir o Estado Social. O seu objetivo é simples: reduzir o escopo dos Estados”.

“É muito preocupante. Alimentando essa visão de mundo, a obsessão com a austeridade e a fobia da dívida, a UE está a destruir o seu futuro”, alerta.

“Desigualdades são o resultado de escolhas políticas e não uma fatalidade”

O economista norte americano defendeu que as desigualdades, que, segundo alega, estão na origem da crise do subprime de 2007, “são incompatíveis com o crescimento saudável”.

“As desigualdades são o resultado de escolhas políticas e não uma fatalidade”, referiu o Nobel da Economia.

Defendendo que os países industrializados, e em concreto os EUA, devem investir em inovação, infraestruturas e educação, Stiglitz assinalou que “o endividamento para construir o futuro não é um travão ao crescimento”, sendo que “não fazê-lo é que é um presente envenenado para as gerações futuras”.

O economista lembrou ainda que, “nos EUA, as taxas de juro reais são negativas, e as mesmas são muito baixas na Europa”. “O momento nunca foi tão propício ao investimento”, frisou.

Sobre a suposta “recuperação dos EUA”, Joseph Stiglitz apontou que não passa de “uma miragem”, sendo unicamente sustentada pela queda do dólar e a bolha do mercado de ações.

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