Ativista anti-despejos exilado da cidade de Bolonha

Gianmarco De Pieri, ativista de mais de 20 anos das lutas sociais em Bolonha, foi proibido de residir em Bolonha a partir das 19h de dia 30 de Agosto. Em declarações à imprensa, Gianmarco é inequívoco: “É uma sentença política. Por Precários Inflexíveis.

Gianmarco de Pieri, ativista italiano anti-despejos do Centro Social TPO (Teatro Polivalente Occupato), recebeu na semana passada ordem de exílio da cidade de Bolonha.

Gianmarco de Pieri, ativista italiano anti-despejos do Centro Social TPO (Teatro Polivalente Occupato), recebeu na semana passada ordem de exílio da cidade de Bolonha, onde vive, trabalha e tem uma família. Em causa está o processo de resistência de dezenas de ativistas sociais ao despejo de um edifício na viale Aldini, que tinha sido ocupado por sem-abrigo, refugiados, desempregados e precários. A pena medieval aplicada a Gianmarco é um resquício de legislação fascista italiana e priva abertamente cidadãos politicamente activos de direitos políticos e sociais.

A centralidade da questão da habitação – e veja-se em Portugal os casos de despejos violentos como os de Santa Filomena – coloca em contradição absoluta os direitos humanos (relativos) e os direitos de propriedade (absoluta). A acção política na defesa do direito aos direitos humanos e à habitação em concreto, que levou ativistas como Ada Colau à conquista da Câmara Municipal de Barcelona vê agora em Itália erguer-se o que há de mais primitivo na sociedade capitalista, com o banimento, o desterro dos activistas mais ativos das causas sociais dos seus próprios territórios. Outros 22 ativistas envolvidos no processo aguardam ainda sentença.

De Pieri, ativista de mais de 20 anos das lutas sociais em Bolonha, foi proibido de residir em Bolonha a partir das 19h de dia 30 de Agosto. Em declarações à imprensa, Gianmarco é inequívoco: “É uma sentença política. Numa cidade onde várias centenas de pessoas estão desempregadas, sem água, sem eletricidade (…) está-me a ser negada a cidadania por razões políticas”.

O centro TPO emitiu uma declaração “É atribuída a Gianmarco e a muitos de nós a resistência frente ao cobarde despejo da Villa Adelante, onde durante 9 meses famílias, reformados, jovens desempregados e precários encontraram uma casa, onde tentaram não se vergar à crise. Mas não foi só por isto: o maior crime de Gianmarco foi estar presente em todos os lugares onde se luta por direitos, pela dignidade das pessoas, pela possibilidade de construir uma cidade mais livre.”.

Artigo publicado no site dos Precários Inflexíveis

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