Corrupção presente na Fifa nasceu no Brasil, diz jornalista britânico em CPI

Andrew Jennings é autor de livros que serviram de base para investigações do FBI

Jornal do Brasil

Em depoimento na CPI do Futebol, nesta quinta-feira, o jornalista britânico Andrew Jennings, da BBC, disse que, baseado nas investigações que realiza há anos, e da colaboração com o FBI desde 2009, o esquema de corrupção presente no futebol mundial nasceu no Brasil. “Começou na década de 70 quando João Havelange se elegeu para a presidência da Fifa. Joseph Blatter foi seu principal assessor e deu continuidade ao modus operandi”.

Ele informou ainda que as investigações do FBI e da polícia suíça “estão na metade e muita gente ainda vai acabar atrás das grades”. Ainda em seu depoimento, Jennings sugeriu que Blatter tem ligações com a máfia russa e ironizou assessores da CBF que acompanham seu depoimento pessoalmente na Comissão. “Fiquem até o fim, voltem para o Rio, fechem aquela entidade e a reabram redemocratizada para a sociedade brasileira”.

CPI do Futebol ouve o jornalista britânico Andrew Jennings
CPI do Futebol ouve o jornalista britânico Andrew Jennings

Andrew Jennings é o autor dos livros que serviram de base para as investigações do FBI — a polícia federal norte-americana — que levaram este ano diversos dirigentes do futebol mundial à prisão, entre eles o ex-presidente da CBF, Jose Maria Marin.

>> Marin, ex-presidente da CBF, e executivos da Fifa são presos por corrupção

Em seu depoimento, Jennings afirmou que a Polícia Federal e o Ministério Público brasileiro deveriam estar mais envolvidos em investigar a corrupção no futebol. Ele defendeu também que essas instituições colaborassem com as polícias suíça e norte-americana. “Essa pode ser a caixa de Pandora que pode mudar o futebol aqui e na América do Sul”, disse.

O jornalista ressaltou que a má gestão do futebol prejudica a sociedade em diversos aspectos, inclusive socioeconômicos. Para ele, é “absurdo” por exemplo, o fato da Seleção Brasileira quase nunca disputar partidas em nosso território, com a exceção dos jogos eliminatórios para a Copa do Mundo.

“É preciso investigar a razão disso aí. Sua seleção se apresenta no mundo todo e quase nunca por aqui. Por que isso?”, indagou.

Jennings defendeu que as investigações também devem se dar sobre os contratos de transmissão e marketing desses jogos, assim como dos aviões e hotéis que são utilizados como estrutura no deslocamento do time. Ele ainda sugere um olhar minucioso sobre os contratos ligados à organização da Copa do Mundo no ano passado.

Romário vai refazer requerimentos para investigar contratos da CBF

Em entrevista coletiva concedida após a reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol, o senador Romário (PSB-RJ), presidente da comissão, anunciou que deverá refazer os pedidos de acesso aos contratos feitos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) relacionados à negociação dos jogos da Seleção.

Esses requerimentos também tratam de contratos de outra natureza, com patrocinadores, e deverão especificar cada empresa e o período de vigência. O objetivo é se contrapor a uma liminar obtida pela CBF no Supremo Tribunal Federal (STF), que a desobriga de enviar os documentos à CPI. “É mais um sinal de que eles têm o que esconder”, disse o senador.

Os bastidores da Fifa nas vendas de ingressos para a Copa no mercado negro 

Em junho de 2014, o Jornal do Brasil publicou reportagem sobre o suspeito sistema de venda de ingressos para a Copa do Mundo adotada pela Fifa.  O que era segredo estava nos bastidores obscuros da distribuição dos bilhetes, envolvendo troca de favores e agentes do mercado negro. A verdade foi revelada pelo jornalista britânico Andrew Jennings, em seu livro “Um jogo cada vez mais sujo”, que dá detalhes das transações ilegais que enriqueceram os representantes das maiores instituições ligadas ao Futebol, incluindo os nomes dos brasileiros Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e João Havelange, ex-presidente da Fifa.

As investigações de Jennings apontam os irmãos Jaime Byrom e Enrique Byrom, do México, como os grandes vilões nas negociações fraudulentas de ingressos da Copa, desde o Mundial realizado em 1986. Os Byrom são acionistas majoritários das empresas Match Services e Match Hospitality, que prestam serviços para a Fifa na distribuição dos tickets e hospitalidade durante as competições. De acordo com Jennings, atualmente há três tipos de contrato entre a Fifa e as organizações Byrom: um que trata da distribuição dos ingressos para os jogos da Copa no Brasil; outro específico para a acomodação do público estrangeiro no país sede e dos próprios brasileiros que vão se deslocar pelas cidades das competições; e um contrato para a ocupação dos novos e luxuosos camarotes de vidro nos estádios, com todas as mordomias oferecidas como comidas, bebidas e decoração arrojada. Esse último contrato foi feito através da Match Hospitality, que tem como um dos sócios o sobrinho de Joseph Blatter, presidente da Fifa, Philippe Blatter, e movimenta a maior soma de valores.

Segundo Jennings, os Byrom tinham o controle dos ingressos, e o esquema deles no Brasil incluía os Grupos Traffic e Águia. O dono da Traffic, José Hawilla, é um dos detidos em Zurique nesta quarta (27). Hawilla devolveu US$ 151 milhões (R$ 473 milhões) em um acordo com a Justiça, em dezembro do ano passado, quando confessou a sua participação no esquema. Contra ele tem as acusações de extorsão, conspiração por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça. Em 14 de maio deste ano foi considerado culpado por fraude bancária.

Com Agência Senado

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