Refugiados: Hungria, a face brutal da União Europeia

Milhares de pessoas refugiadas estão bloqueadas nos comboios da Hungria, em Budapeste e Bicske. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, de extrema-direita e filiado no PPE, justifica-se dizendo que Merkel não quer que ninguém deixe “a Hungria sem ser registado”. O presidente do conselho europeu, Donald Tusk, afirma: “Orbán tomou medidas para fortalecer as fronteiras da União Europeia”. #welcomerefugees

Refugiados bloqueados em Bicske, na Hungria, próximo da fronteira com a Áustria – Foto de Herbert P. Oczeret/flickr

Autoridades húngaras enganam refugiados e bloqueiam-nos em Bicske

Centenas de pessoas refugiadas tomaram um comboio em Budapeste, com intenção de seguirem para a Áustria. Porém, na localidade de Bicske, perto da fronteira com a Áustria, o comboio foi bloqueado pela polícia húngara e todas as pessoas foram obrigadas a abandoná-lo. As pessoas que não eram imigrantes ou refugiados puderam seguir noutro comboio. Em Bickse há um chamado centro de detenção de imigrantes e é intenção das autoridades húngaras levar os refugiados para lá.

Alguns dos refugiados tentaram fugir, foram perseguidos e agredidos pela polícia da Hungria. Muitos outros resistiram a sair do comboio e todos resistem a ir de autocarro para o centro de detenção.

As cenas dramáticas são registadas pela comunicação social, como se pode ver neste tweet:

This all we can see of the refugee train. We know standoff is coming to end, remaining occupants being brought out

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Migração em massa e alterações climáticas

“Não estamos a dizer que a seca causou o conflito na Síria. Estamos a dizer que, somando todas as outras agravantes, ajudou a ultrapassar os limites, levando a um conflito interno”, diz um estudo sobre a seca severa de 2006. Por Ellie Mae O’Hagan, The Guardian

O Mediterrâneo, neste século, continuará a ficar cada vez mais seco, com consequências socioeconómicas bastante negativas. Foto de Gary Sauer-Thompson
O Mediterrâneo, neste século, continuará a ficar cada vez mais seco, com consequências socioeconómicas bastante negativas. Foto de Gary Sauer-Thompson

 Tenho acompanhado a forma como a crise de migração está a ser debatida pelos políticos e os media. É esta palavra – crise – que é particularmente chocante. Sugere queaquilo a que assistimos ao longo da Europa éuma aberração, um desastre temporário para ser “resolvido” por políticos. Mesmo as tendas periclitantes montadas em Calais sugerem um fenómeno que poderia ser resolvido a qualquer momento
Na obra “O Conceito do Político”, o filósofo Carl Schmitt argumenta que, quando confrontadas com uma crise, as democracias liberais colocarão as subtilezas constitucionais de parte, de forma a sobreviver. O público concede que o seu governo viole valores liberais, porque uma crise é um estado de exceção que requer medidas desesperadas.

Talvez isto explique o motivo de ter havido tão pouco alarido quanto a supostas sociedades civilizadas terem usados termos como “pilhagem” e “enxames”, por terem feitos escolhas políticas que resultam em centenas de pessoas que se afogam ou que ficam retidas em centros de detenção.

Pensamos que estas coisas não refletem o que somos como pessoas. São apenas respostas necessárias a esta crise atual.

Há apenas um problema quanto a chamar este fenómeno de crise: é que não é temporário, é permanente. Graças ao aquecimento global, a migração massiva poderá ser a nova normalidade.

Graças ao aquecimento global, a migração massiva poderá ser a nova normalidade.

Há muitas estimativas em relação ao que poderemos esperar no futuro próximo, mas a perspetiva mais conhecida (e mais controversa) vem do Professor Norman Myers, que afirma que as alterações climáticas poderão causar a deslocalização de 200 milhões de pessoas em 2050.
Aliás, já está a acontecer. De acordo com o Pentágono, as alterações climáticas são um multiplicador de conflitos e, de facto, parece aumentar o risco de conflitos.

Um novo estudo, publicado em março, sugere que foi o que realmente aconteceu na Síria, após uma severa seca em 2006. Como explica o coautor do artigo, o Professor Richard Seager: “Não estamos a dizer que a seca causou o conflito na Síria. Estamos a dizer que, somando todos as outras agravantes, ajudou a ultrapassar os limites levando a um conflito interno. E uma seca tão severa foi, muito provavelmente, causada pela atividade humana que acabou por secar a região.”

A Síria tem agora o maior número de refugiados no mundo. Um novo relatório, levado a cabo pelo governo, sobre a iminente penúria causada pelo clima, sugere que “a ascensão do Estado Islâmico deve-se muito à crise alimentar que provocou a Primavera Árabe.
No seu livro “Colapso: Como as Sociedades Escolhem Falhar ou Prosperar”, Jared Diamond sublinha que as zonas mais afetadas pelas alterações climáticas são as mais prováveis de viver conflitos, o que origina refugiados. Rápidas alterações climáticas irão pressionar, climaticamente, muitos países em desenvolvimento.

Não serão apenas conflitos, exacerbados pelas alterações climáticas, que criarão refugiados. As alterações climáticas provocarão a migração massiva. Como diz Simon Lewis, professor de ciência de alteração global na University College de Londres, “as zonas climáticas e as vegetais estão a deslocar-se, assim o Mediterrâneo, neste século, continuará a ficar cada vez mais seco, com consequências socioeconómicas bastante negativas. Será duro para a Espanha, Itália e para a Grécia, onde um número significativo de pessoas se deslocarão para norte e, claro, os refugiados/ deslocalizados não permanecerão no Mediterrâneo, continuarão a deslocar-se para norte.

Os países mediterrâneos que estão atualmente a lidar com os migrantes, viverão um dia uma crise migratória. Um dia poderá haver italianos e gregos nos campos de Calais, à medida que os seus países se tornam cada vez mais quentes e áridos.

Noutras palavras, os países mediterrâneos que estão atualmente a lidar com os migrantes, viverão um dia uma crise migratória. Um dia poderá haver italianos e gregos nos campos de Calais, à medida que os seus países se tornam cada vez mais quentes e áridos.

Num artigo de 2014, Migration as Adaptation (migração como adaptação), Kayly Ober sugere que a migração é uma boa forma de lidar com os efeitos iminentes das alterações climáticas. Ela afirma que a comunidade internacional deveria “concentrar-se não só em como lidar com as emissões de gás com efeito de estufa, mas também em como lidar como um mundo já alterado”.

A ideia de milhões de migrantes a serem assistidos para virem para a Europa ocidental poderá escandalizar o Daily Mail, mas não deveria – porque a migração poderá vir a ser uma forma de adaptação a considerar, para os britânicos. De acordo com a Agência Ambiental, 7.000 propriedades poderão perder-se devido ao aumento do nível do mar, no virar do século. Estas pessoas também necessitarão de se realojar.
Então, o que faremos em relação à migração climática? O primeiro passo é mudarmos a nossa perceção. Precisamos de processar o facto de o problema da migração não desaparecer nem vir a ser “resolvido”. Provavelmente, tornar-se-á mais comum, uma nova normalidade.

O segundo passo é óbvio – todos temos de ser mais ativos a pressionar os governos, para que eles tomem decisões que reduzam a emissão de gases com efeito de estufa, para que mais pessoas possam permanecer nas suas casas e comunidades, salvaguardadas. No que toca à Grã-Bretanha, terá de aderir aos compromissos internacionais para reduzir as emissões, assim como terá de manter o aquecimento a níveis inferiores aos níveis perigosos (em outras palavras, acima dos níveis pré-industriais), terá também de providenciar os fundos necessários à adaptação. A Grã-Bretanha terá de procurar um acordo global equitativo, na cimeira climática de Paris, em dezembro, vista por muitos como a última hipótese de evitar uma transformação climática catastrófica.

Finalmente, precisamos de abordar urgentemente as estratégias adotadas para lidar com a migração, pelos países ocidentais e dos comentários fanáticos que frequentemente acompanham estas estratégias.
Existe um forte motivo para que a Grã-Bretanha aceite um grande número dos refugiados climáticos: como primeiro país a industrializar-se, precisamos de assumir a histórica responsabilidade pelas alterações climáticas, precisamos de ter em conta a nossa histórica emissão de carbono e os seus efeitos quando respondemos à migração massiva.
A migração a que assistimos não é um estado de exceção, é o início de um novo paradigma – e a resposta que dermosrefletirá o que verdadeiramente somos como sociedade. Precisamos de lidar com as vítimas desta crise permanente com compaixão, não só pela sua humanidade mas também para a nossa.

Publicado no The Guardian

Título original: A migração em massa não é nenhuma “crise”: é a nova normalidade, à medida que o clima muda

Tradução de Tomás Nunes para o Esquerda.net

150 milhões fizeram greve geral na Índia

Sindicatos contestam as alterações à legislação laboral que o governo de Narendra Modi quer aplicar, acusando-as de facilitar os despedimentos e atacar o emprego. Foi a maior greve desde há

Os sindicatos acusam o governo de ameaçar o emprego. Foto de K.R.Deepak
Os sindicatos acusam o governo de ameaçar o emprego. Foto de K.R.Deepak

Na quarta-feira, o sistema financeiro paralisou e uma poderosa greve geral envolveu minas, fábricas, construção civil e transportes. “A greve foi magnífica”, disse o secretário do Congresso dos Sindicatos de Toda a Índia, Gurudas Dasgupta, estimando que participaram mais de 150 milhões de trabalhadores.

Foi a primeira prova de força entre os sindicatos e o primeiro-ministro Narendra Modi, que assumiu a chefia do governo no ano passado.

Foi a primeira prova de força entre os sindicatos e o primeiro-ministro Narendra Modi, que assumiu a chefia do governo no ano passado.

Legislação antilaboral

Os sindicatos contestam as reformas na legislação laboral que Narendra Modi quer aplicar, com o argumento de atrair o investimento estrangeiro para o país. O governo afirma que é preciso simplificar as leis laborais, que vêm dos tempos da dominação colonial britânica. Mas os sindicatos acusam o governo de ameaçar o emprego, promovendo o encerramento de fábricas improdutivas e facilitando os despedimentos.

A greve foi pacífica na maior parte das cidades, mas houve confrontos entre a polícia e ativistas em vários locais do estado de West Bengal. Cerca de 200 pessoas foram presas neste estado.

Gaza poderá tornar-se inabitável em 2020, alerta a ONU

Um estudo das Nações Unidas alerta que a Faixa de Gaza poderá tornar-se totalmente inabitável em menos de cinco anos, devido às três guerras de destruição do exército israelita nos últimos seis anos e ao bloqueio económico imposto por Israel, que dura há oito anos.

Gaza (American International School) – foto de Begemot/flickr

O relatório da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), divulgado no dia 1 de setembro de 2015, alerta que a Faixa de Gaza pode tornar-se inabitável em 2020 e que as condições socioeconómicas no território estão no nível mais baixo desde 1967.

O documento aponta que a situação é insustentável, após oito anos de bloqueio económico e três guerras lançadas pelo exército israelita contra a Faixa, em seis anos.

Segundo o organismo da ONU, a economia de Gaza sofreu, em 2014, a primeira recessão desde 2006 e a segunda queda consecutiva do PIB per capita. Desde 1994, o PIB de Gaza caiu 30%. Além disso, o número de colonos israelitas quadruplicou desde os Acordos de Oslo e já superam os palestinianos na zona C.

O documento refere que, nos quatro primeiros meses de 2015, Israel voltou a reter as receitas aduaneiras palestinianas, que representam 75% das entradas de dinheiro na Faixa, e aponta que a crise de liquidez desacelerou as atividades económicas e afetará mais uma vez negativamente o PIB de 2015.

A UNCTAD sublinha ainda que os “esforços de reconstrução são extremamente lentos em relação à magnitude da devastação”, salientando que a economia de Gaza não teve oportunidade de recuperar.

O documento assinala que os ataques de Israel contra a Faixa de Gaza destruíram a sua capacidade de produzir para exportar, arruinaram as suas infraestruturas e agravaram o empobrecimento do Território Palestiniano Ocupado.

Quase metade da população total de Gaza depende das agências da ONU para se alimentar

O estudo calcula que as perdas diretas causadas pelas três guerras de Israel contra Gaza, entre 2008 e 2014, representam o triplo da produção do território, tendo o setor agrícola perdido cerca de 550 milhões de dólares

O documento realça também as graves crises de água e eletricidade, em consequência dos ataques de Israel no verão de 2014. 95% da água dos aquíferos costeiros da Faixa não tem condições para ser bebida.

Os ataques militares de Israel em 2014 provocaram meio milhão de deslocados e a destruição de 20.000 casas, 148 colégios, 15 hospitais e 45 centros de saúde.

Oito em cada mulheres jovens palestinianas não têm emprego e o desemprego global atingiu 44% em 2014.

O documento da UNCTAD aponta ainda que o número das pessoas que dependem das agências da ONU para se alimentarem aumentou de 72.000 em 2002 para 868.000 em maio de 2015, quase metade da população total de Gaza.

Ninguém resiste 3 anos e meio com esse índice de popularidade, diz Temer

Da Agência Brasil

Ao participar de um debate promovido pelo Movimento Política Viva, na noite dessa quinta-feira (3), em São Paulo, o vice-presidente da República, Michel Temer, disse, ao ser indagado sobre a atual baixa popularidade do governo, que ninguém resiste três anos e meio com esse índice, de acordo com áudio, de parte do debate, desponibilizado pelo Portal G1.

“Hoje, realmente o índice é muito baixo. Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo. Muitas vezes, se a economia começar a melhorar, se a classe política colaborar, o índice acaba voltando ao patamar razoável”, afirmou.

Temer disse ainda que não basta torcer para o índice de popularidade melhorar,  é preciso trabalhar para isso. “O que nós precisamos não é torcer, é trabalhar para que nós possamos estabilizar essas relações. Se continuar assim, eu vou dizer a você, para continuar 7%, 8% de popularidade, de fato fica difícil passar três anos e meio”.

Edição: Aécio Amado

Operação do feriado da Independência começa hoje nas rodovias federais

Da Agência Brasil
A Polícia Rodoviária Federal estima que 180 mil veículos devem deixar o DF no feriado prolongado. Segundo a PRF, o movimento é maior na BR-040, em direção a Minas Gerais e Rio de Janeiro (Valter Campanato/Agência Brasil)
O excesso de velocidade, a embriaguez ao volante e as ultrapassagens indevidas serão o foco das fiscalizações– Valter Campanato /Agência Brasil

A operação especial da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para o feriado da Independência começa hoje (4) em todo o país. A ação vai até segunda-feira (7), com o reforço do policiamento nas rodovias, em locais e horários de maior incidência de acidentes.

O excesso de velocidade, a embriaguez ao volante e as ultrapassagens indevidas serão o foco das fiscalizações. Durante o feriado, a Polícia Rodoviária vai também restringir a circulação de alguns veículos.

De acordo com a PRF, caminhões bitrens, com dimensões excedentes, e caminhões-cegonha não poderão circular em pistas simples nesta sexta-feira, das 16h à meia-noite, no sábado (5), das 6h às 12h, e na segunda-feira (7), das 16h à meia-noite. A multa é R$ 85,13, e o condutor será impedido de seguir viagem até o fim da restrição.

A PRF fará ainda uma ação integrada de educação para o trânsito com prefeituras de cerca de 300 cidades. O objetivo é mostrar os pontos críticos de violência no trânsito nos municípios.

Edição: Graça Adjuto

Congresso no Rio debate legado social dos Jogos Olímpicos

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil
A um ano dos Jogos Olímpicos Rio 2016, alunos e professores da rede municipal participam de desfile olímpico no Parque Madureira, na zona norte da cidade (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Um dos temas do encontro, o estudo Lonrio Project, sobre o legado dos Jogos de Londres, vai identificar o que pode ser transferido para o Rio Tânia Rêgo/Agência Brasil

O estudo Lonrio Project, financiado pela União Europeia, sobre o legado social dos Jogos Olímpicos de Londres, começa a ser discutido hoje (4) à noite, durante o 17º Congresso Internacional SM Fitness & Wellness, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio. O levantamento – que vai identificar o que pode ser transferido para o Rio de Janeiro, de modo a permitir um trabalho mais positivo nas favelas – está sendo feito pelos cientistas da Coventry University, de Londres – Leonardo Mataruna, Ian Brittain e Renan Petersen -, que estudam a organização e a transferência de legado de megaeventos esportivos.

Doutor em educação física e estrategista da Seleção Brasileira Olímpica de Judô, Leonardo Mataruna disse que, nessa primeira etapa do projeto, a intenção é levar um conhecimento direto às comunidades do Rio, no sentido de fazer com que os Jogos não sejam apenas para o exterior ou para as pessoas que têm maior acesso ao evento. Ele destacou que mais importante que o legado tangível dos Jogos Olímpicos, que são as obras de infraestrutura e mobilidade, é a questão social, que “é relegada”.

Para corrigir isso, o Comitê Olímpico Internacional (COI) lançou, no ano passado, a Agenda Olímpica 2020, que aprovou 40 recomendações destinadas a transformar o futuro olímpico nas próximas décadas. “Visa a modificar a realidade do legado dos megaeventos”, disse o pesquisador brasileiro. Segundo Mataruna, entre as falhas observadas em Londres que não devem ocorrer na Rio 2016 estão a cobrança pelo uso de espaços olímpicos e a falta de comunicação com o público sobre a utilização dos equipamentos construídos para o evento. Ele defendeu que o legado seja utilizado pela população e também por profissionais de educação física e esportes.

Outra questão é o transporte. Em Londres, houve ampliação das malhas rodoviária e ferroviária (metrô e trens). A medida, porém, ao mesmo tempo em que facilitou o deslocamento dos moradores dos subúrbios, ampliou a circulação de pessoas que não transitavam pelos locais, o que gerou especulação imobiliária. O desenvolvimento econômico decorrente do maior custo de vida forçou os moradores a sair para outros bairros, afirmou Mataruna.

Um ponto positivo dos Jogos de Londres foi a criação de uma agência específica, ligada ao governo, mas com independência para organizar e promover o legado social. “A questão que a gente traz para o Brasil é o diálogo”, De acordo com o pesquisador, muitas vezes, quando o governo planeja uma política pública, ela não é discutida com a sociedade. Propostas que são tidas como inovadoras, no sentido de melhorar a vida dos moradores, muitas vezes partem de opiniões abstratas e não da realidade das comunidades. Esse é um dos maiores aprendizados dos Jogos de Londres”, afirmou.

Os cientistas vão procurar, nos próximos dois meses, as autoridades brasileiras e o Comitê Organizador dos Jogos de 2016 para apresentar os indicadores do estudo. A promoção da atividade física no Brasil preocupa os pesquisadores. Embora a prática do exercício físico faça parte da cultura de grande parte dos brasileiros, Mataruna disse que o interesse é que a Olimpíada possa potencializar os exercícios diários no Rio de Janeiro e no país, ao contrário do que ocorreu em Londres, onde houve uma expansão dos praticantes de exercícios diários e, após os jogos, uma queda significativa. “A sociedade tem que se envolver com esse projeto e cobrar a proposta”.

O presidente do congresso internacional, Bruno Castro, afirmou que a ideia é abrir uma discussão sobre como o legado dos jogos vai causar impacto no mercado de trabalho para o profissional de educação física – “se a Olimpíada vai reverter em aumento da prática de atividade física e do mercado de trabalho para o profissional de educação física, que é o mediador do processo”. Além da motivação para os professores, o congresso pretende analisar se os projetos e as plataformas de aulas de educação física estão chegando às escolas, como estão sendo utilizados e qual o impacto que têm sobre os alunos.

Estão registrados no Conselho Federal de Educação Física (Confef) 364.135 profissionais de educação física no Brasil, dos quais 43.824 trabalham no estado do Rio.

Edição: Graça Adjuto

ONU pede à UE cotas obrigatórias para distribuir pelo menos 200 mil refugiados

Da Agência Lusa
Migrantes na Estação Ferroviária de Bicske, na Hungria (EPA/Herbert P. Oczeret/Agência Lusa/Direitos Reservados)
Migrantes e policiais durante distribuição de alimentos na Estação Ferroviária de Bicske, na HungriaEPA/Herbert P. Oczeret/Agência Lusa/Direitos Reservados

O alto comissário das Nações Unidas para os refugiados, Antônio Guterres, apelou hoje (4) à União Europeia (UE) para a distribuição de pelo menos 200 mil refugiados, defendendo que todos os estados-membros deviam ter a obrigação de participar neste programa.

“[É preciso] um programa de reinstalação em massa, com a participação obrigatória de todos os estados-membros da União Europeia. Uma estimativa bastante preliminar parece indicar a necessidade de aumentar as oportunidades de reinstalação de até 200 mil lugares”, escreveu Antônio Guterres em comunicado.

“A Europa enfrenta o maior afluxo de refugiados em décadas”, afirmou, ao destacar que “a situação requer um esforço conjunto enorme, impossível com a atual abordagem fragmentada” existente no âmbito da UE.

Mais de 300 mil pessoas atravessaram o Mediterrâneo desde o início do ano, e mais de 2.600 morreram no trajeto, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

“Após a chegada às costas e fronteiras da Europa, elas continuam a sua viagem para o caos”, continuou Guterres, denunciando o tratamento indigno que os imigrantes recebem.

Ele explicou que se trata “principalmente de uma crise de refugiados, e não apenas um fenômeno de migração”, porque a maioria das pessoas que chegam à Grécia é oriunda de países onde há conflitos como a Síria, o Iraque e Afeganistão.

O alto comissário acredita que a única maneira de resolver o problema é a implementação de uma “estratégia comum baseada na responsabilidade, solidariedade e confiança”.

“Concretamente, isso significa tomar medidas urgentes e corajosas para estabilizar a situação e encontrar uma maneira de compartilhar verdadeiramente a responsabilidade, a médio e longo prazo”, adiantou.

“A UE deve estar pronta com o consentimento e apoio dos governos em questão – principalmente na Grécia e na Hungria, mas também na Itália – para a criação de capacidade de acolhimento e de registo de pessoas”, defendeu. Guterres também lembrou que os migrantes que não têm nenhuma razão para ficar na Europa devem ser devolvidos aos seus países de origem.

Num contexto de crescente tensão entre os europeus, a Alemanha e a França lançaram na quinta-feira uma iniciativa conjunta para “organizar o acolhimento dos refugiados e uma distribuição equitativa na Europa” dessas famílias, que fogem sobretudo da guerra na Síria.

Embora o presidente François Hollande não tenha usado a expressão utilizada pela chanceler Angela Merkel de “cotas obrigatórias”, aceitou a ideia de um “mecanismo permanente e vinculativo”.

Na quinta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, apelou aos estados-membros da UE para aceitar pelo menos 100 mil refugiados, de modo a aliviar a pressão nos países da chamada “linha da frente”.

Também na quinta-feira, fontes comunitárias revelaram que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, vai apresentar medidas de resposta à situação causada pela chegada de refugiados na próxima quarta-feira, durante o discurso sobre o estado da União.

A Comissão Europeia vai também pedir que os estados-membros dividam entre si os 120 mil refugiados que se encontram na Hungria, Grécia e Itália.

O plano do Executivo comunitário, que ainda é uma proposta sujeita a mudanças, sugere que esses 120 mil refugiados sejam acrescentados aos 32.256 que os estados-membros da UE já tinham se comprometido a acolher em julho.

Em relação a uma proposta anterior, a nova versão beneficia a Hungria, país que muitos refugiados pretendem cruzar para realizar o objetivo de chegar à Alemanha, para além da Grécia e Itália, os Estados mais afetados pela situação.

O plano da comissão vai ser examinado na sexta-feira pelos chefes dos governos checo, eslovaco, polaco e húngaro, que integram o designado Grupo de Visegrado, durante uma reunião em Praga, para acordar uma posição comum contrária às cotas obrigatórias na distribuição dos refugiados que chegam à UE.

Edição: Graça Adjuto

McDonald’s no Japão investiga denúncia de cliente sobre plástico em alimento

Da Agência Lusa

A McDonald’s no Japão anunciou hoje (4) que investiga incidente envolvendo uma cliente, que teve ferimentos na boca causados por pedaços de plástico encontrados dentro de uma bebida.

A empresa informou que fechou temporariamente o restaurante em Osaka nesta semana e enviou aviso a mais 95 estabelecimentos que oferecem o mesmo tipo de bebida fria, de leite com chá verde, servida à cliente de Osaka.

Dezenas de pedaços de plástico foram encontrados, disse um porta-voz da empresa à Agência France Press, acrescentando que um instrumento de plástico usado para fazer a bebida pode ter causado o problema.

“Neste momento, é apenas uma hipótese, mas achamos que esse instrumento de plástico caiu na misturadora usada para fazer o frapê, acrescentou.

A McDonald’s no Japão tem sido atingida por vários escândalos, incluindo o de um dente humano encontrado no meio de batatas fritas.

No verão passado, foi descoberto que um fornecedor chinês misturava carne fora de validade com carne fresca, o que fez com que as vendas caíssem e levou a uma rápida mudança de fornecedor.

Edição: Graça Adjuto

Publicado decreto que garante adiantamento de parte do 13º salário a aposentados

Daniel Lima – Repórter da Agência Brasil

O Diário Oficial da União publica hoje (4) o decreto da presidenta Dilma Rousseff que garante o adiantamento de parte do décimo terceiro salário dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

De acordo com o decreto, a primeira parcela, de até 50% do valor do benefício relativo ao mês de setembro, será paga juntamente com os benefícios correspondentes a este mês. A segunda parcela, correspondente à diferença entre o valor total do abono anual e o valor da parcela antecipada, será paga juntamente com os benefícios do mês de novembro.

Anteriormente, a intenção do governo era fazer o adiantamento em duas parcelas, de 25% cada uma, pagas nos meses de setembro e outubro.

Desde 2006, segundo o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical, a antecipação era creditada em agosto.

De acordo com calendário divulgado pelo Ministério da Previdência, para os que ganham acima de um salário mínimo, o pagamento começa no dia 24 deste mês e vai até 7 de outubro. Acima de um salário mínimo, o pagamento começa no dia 1º de outubro e termina no dia 7 do mesmo mês.

O pagamento da segunda parcela do décimo terceiro será feito a partir do dia 24 de novembro, para quem ganha até um salário mínimo, e vai até 7 de dezembro. Para quem ganha acima desse valor, o pagamento começa no dia 1º de dezembro e vai até o dia 7.O texto foi ampliado às 15h42

Edição: Graça Adjuto

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio