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Felipe VI é o novo rei de uma Espanha com sede de abertura

O novo rei da Espanha Felipe VI, sua esposa, a rainha Letizia, e as princesas, Sofia e Leonor, durante a cerimônia de posse no Parlamento em 19 de junho de 2014.

O novo rei da Espanha Felipe VI, sua esposa, a rainha Letizia, e as princesas, Sofia e Leonor, durante a cerimônia de posse no Parlamento em 19 de junho de 2014|REUTERS/Juan Medina

A partir desta quinta-feira (19), Felipe VI é o novo rei da Espanha, recebendo a coroa de seu pai, Juan Carlos, que surpreendeu no início do mês ao anunciar que abdicaria do cargo. A mudança é vista como uma estratégia para a  família real espanhola recuperar sua popularidade e acabou gerando uma onda de manifestações no país em prol de um regime republicano. 
 

Luisa Belchior, correspondente da RFI Brasil em Madri

Felipe VI foi proclamado rei nesta manhã (19) no Parlamento, após ler um juramento ao cargo. Este foi o último trâmite oficial da transição da coroa de Juan Carlos I a seu filho. Na quarta-feira (18), o antigo rei assinou seu pedido de abdicar do trono, que havia sido aprovado por maioria no Parlamento espanhol. Então, a partir de hoje, Felipe VI começa oficialmente seu reinado. No início da tarde, ele receberá dois mil espanhóis de vários setores para comprimentá-los em cerimônia no Palácio Real.

Expectativas

O que já se diz é que o rei Felipe VI deve modernizar a monarquia em muitos aspectos e torná-la mais ativa e ligada a temas atuais. Mas, sobretudo, criar um diálogo maior com o Parlamento, um caminho aberto pelo seu pai. Juan Carlos I, vale lembrar, renunciou a seus poderes plenos para incentivar a formação de uma democracia constitucional no país após o fim da ditadura franquista. Felipe VI vai tentar dar um ar mais dinâmico também à coroa espanhola, já que agora ele é o rei mais jovem da Europa.

Reação popular

Por enquanto, o que essa transição provocou foi uma maré de manifestações por um referendo sobre a instauração de uma República na Espanha, o que na prática significaria o fim da monarquia. O país, desde o fim da ditadura de Francisco Franco, no fim da década de 1970, tem um regime de monarquia parlamentar. Os protestos acontecem nesta quinta-feira novamente em todo país e em cidades fora dele, como Paris e Berlim.

Papel de Juan Carlos I

Juan Carlos entregou a coroa e com ela todos os papeis de decisão, de apoio ao governo e de mensagens aos espanhóis que tinha. Mas também não se aposenta. Ele passará a ser capitão geral do Exército da Espanha, embora ficará na reserva.

Na sexta-feira (20), o governo tentará aprovar a lei que garantirá sua imunidade parlamentar; depois disso, ele deve tirar uns dias para descansar mas já prometeu à população de seu país que não voltará a caçar elefantes, como fez em uma viagem à Àfrica em 2012, gerando uma das maiores polêmicas de seu reinado.

Congresso aprova lei de abdicação de Juan Carlos

Diário de Notícias|Hoje 

Deputados da Izquierda Plural mostram cartazes pedindo um referendo à monarquia
Deputados da Izquierda Plural mostram cartazes pedindo um referendo à monarquiaFotografia © Reuters

O Congresso de Deputados espanhol aprovou hoje com ampla maioria a norma, de um só artigo, que formaliza a abdicação do rei Juan Carlos, durante uma sessão histórica da câmara baixa das Cortes Gerais espanholas.

A norma foi aprovada com 299 votos a favor, 19 contra e 23 abstenções e sobe agora ao Senado, onde será sujeita a nova tramitação urgente, na próxima semana.

A lei refere, na primeira das duas partes do artigo único, que Juan Carlos I abdica da Coroa de Espanha e refere, no segundo, que essa abdicação será efetiva quando for publicada no Boletim Oficial do Estado (BOE).

“S. M., o rei Juan Carlos I de Borbón, abdica da Coroa de Espanha. A abdicação será efetiva no momento da entrada em vigor da presente lei orgânica”, refere a primeira parte, concluindo o texto: “A entrada em vigor terá lugar no momento da sua publicação no Boletim Oficial de Estado”.

O plenário do Senado deverá votar o texto no próximo dia 17 de junho, documento que será, posteriormente, assinado pelo rei Juan Carlos a 18 de junho, antes da sua publicação no BOE.

Finalmente, a 19 de junho, as Cortes Gerais, reunidas em sessão conjunta do Congresso e do Senado, celebram o ato solene de proclamação de Felipe VI, durante a qual o monarca jura desempenhar fielmente as suas funções, guardar e fazer guardar a Constituição e as leis e respeitar os direitos dos cidadãos e das Comunidades Autónomas.

Depois da cerimónia, em que não deverão estar quaisquer outros chefes de Estado, o rei presidirá a um desfile militar a que assistirão as principais autoridades do Estado.

ASP // ARA

Lusa/Fim

Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.