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Folha cobra mais respostas de Aécio sobre pistas

Em editorial desta sexta-feira, o jornal “Folha de S. Paulo” cobra mais esclarecimentos do presidenciável tucano Aécio Neves, apesar de recentes declarações sobre a construção e uso do aeroporto em Cláudio, MG. Segundo a publicação, o episódio, de todo modo, mostra como o tucano, hoje candidato, reage a perguntas –ainda que simples e “irrelevantes”. Leia: 

As pistas de Aécio

Após dez dias evitando uma pergunta simples e que ele mesmo classificou como irrelevante, o senador mineiro Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, enfim deu sua resposta: sim, usou, “umas poucas vezes”, a pista de pouso da cidade de Cláudio (MG).

A admissão veio em conversa com jornalistas na quarta-feira (30) e em artigo publicado ontem nesta Folha, na seção Tendências/Debates: “Todo homem público”, escreveu o tucano, “[tem] a obrigação de responder a todo e qualquer questionamento (…) e o direito de se esforçar para que seus esclarecimentos possam ser conhecidos”.

Com uma dose descomunal de boa vontade seria possível ver, no prolongado período em que não cumpriu sua “obrigação”, um esmero igualmente descomunal no exercício de seu “direito”. Para os menos dispostos a tamanha candura, ficam as esquivas e uma outra declaração de Aécio: “Vou responder sempre que achar adequado”.

Embora o candidato tenha procurado transformar o tema num pormenor, entende-se por que tentou ocultar a aterrissagem em Cláudio. Será mais difícil negar o óbvio: a pista de pouso, no mínimo, é conveniente para ele e seus parentes.

Como esta Folha revelou, Aécio construiu o aeroporto quando era governador de Minas. O terreno, desapropriado pelo Estado, pertencia a um tio-avô do tucano, e o uso da pista dependia de autorização de seus familiares –característica própria dos aeródromos privados, nos termos do Código Brasileiro de Aeronáutica.

Situado a 6 km da Fazenda da Mata, refúgio preferido do senador, custou, no entanto, R$ 13,9 milhões aos cofres públicos.

Diante disso, Aécio reitera que “a obra foi não apenas legal, mas transparente, ética e extremamente importante para o desenvolvimento do município e da região”.

Com 25 mil habitantes, Cláudio é uma cidade afortunada que viu seu aeródromo ficar pronto em dois anos. Quando lançou o ProAero, em 2003, o governador previa inaugurar 14 aeroportos. Só dois saíram do papel. O outro está na Zona da Mata. Destinado a atender os mais de 500 mil moradores de Juiz de Fora, demorou quase dez anos para receber voos regulares.

Ademais, segundo o jornal “O Tempo”, de Minas, o ProAero pretendia reformar e ampliar 85 aeroportos, mas apenas 29 foram contemplados em mais de dez anos.

A questão, como se vê, não está “mais que esclarecida”, como supôs Aécio. O episódio, de todo modo, mostra como o tucano, hoje candidato, reage a perguntas –ainda que simples e “irrelevantes”.

 

Autor/Fonte: Brasil247 

Aécio será investigado por usar dinheiro público para interesses particulares

Reprodução

Deputados cobram ação do Ministério Público e CPI

Brasil de Fato|Joana Tavares, de Belo Horizonte (MG)

A denúncia de  que o governo de Minas construiu um aeroporto no município de Cláudio, por R$ 14 milhões, em terreno que era da família do senador Aécio Neves, publicada pela Folha de S. Paulo no último domingo (20), motivou reações. O primeiro elemento suspeito é o local: o terreno teria sido desapropriado em 2008, mas era de propriedade de um tio avô de Aécio, Múcio Tolentino. A 6 km do aeroporto, fica a fazenda da Mata, do espólio da avó Risoleta Neves. Além disso, a chave do aeroporto não fica com nenhum órgão público, mas com a família de Múcio. Para o jornal paulista, Fernando Tolentino, filho de Múcio, declarou que o senador frequenta a fazenda da família “seis a sete vezes por ano” e que sempre vai de avião.

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), órgão regulador responsável pela operação dos aeroportos, não concedeu homologação da pista que funciona, então, de forma irregular. A ANAC divulgou nota dizendo que vai solicitar documentos ao governo do estado e à prefeitura. Cada operação irregular no aeroporto pode ser multada em R$ 10 mil.

Deputados de oposição de Minas Gerais, reunidos no Bloco Minas sem Censura, levaram ao Ministério Público documentos que questionam a construção e operação do aeroporto, além da desapropriação da fazenda, que pode ter passado por três decretos: um ainda na década de 1980, outro em 2008 e um terceiro em 2013. Múcio questiona na Justiça o valor de R$ 1 milhão da desapropriação, mas deputados chamam a atenção de que pode ter havido mais de um processo para o mesmo terreno. Eles pedem que seja aberta uma ação de improbidade administrativa, por mau uso de dinheiro público.

O promotor Julio César Luciano, da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, recebeu os documentos e garantiu que vai investigar as denúncias. “Vou fazer contato com meus colegas do Ministério Público para ver se essa matéria já é objeto de procuração, me certificar dos documentos que me foram entregues e tentar auferir em que eles podem contribuir nessas apurações. Vamos começar a trabalhar para dar notícias sobre o caso”, afirmou, na terça-feira (22).

CPI

O deputado Pompílio Canavez (PT), líder do bloco, explica que há também uma tentativa de aprovar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para investigar o caso. “Esperamos que os deputados assinem, porque o povo mineiro ficou muito assustado e preocupado com esse estado de coisas. Como alguém que foi governador e é candidato a presidente utiliza dinheiro público dessa maneira?”, indaga.

Um dos  questionamentos dos deputados é a utilidade da obra, em uma cidade de pouca expressão comercial e econômica. “Cláudio é uma cidade de pequeno porte, o que tem lá é o setor agropecuário. Outras cidades do centro-oeste têm setor industrial e já têm aeroportos com essa finalidade, de aviões de carreira. A única justificativa que pode existir é essa: ali fica a fazenda do ex-governador. Me parece evidente que é uso do dinheiro público para questões privadas. Isso nos lembra muito a época do coronelismo”, denuncia o deputado estadual Rogério Correia (PT).

PSDB inverte denúncia

A Coligação “Muda Brasil”, que representa a candidatura de Aécio à presidência, emitiu nota no dia 21 dizendo que vai entrar com representação na Justiça Eleitoral contra Dilma Rousseff. A coligação entende que a candidata à reeleição pelo PT estaria usando da máquina pública, no caso a ANAC, para questões eleitorais, ao questionar a regularidade do aeroporto.

A ANAC explica, em nota, que é “ um órgão de Estado e uma agência reguladora que tem como objetivo principal garantir a segurança da aviação civil no país. A ação de fiscalização anunciada é decorrente de uma denúncia pública sobre operações aéreas em uma pista não autorizada pela Agência”.

“O Aécio quer inverter o processo, essa é a maneira que ele sempre fez em Minas Gerais. Ele tem mania de grandeza, acha que pode ignorar até as agências reguladoras. Quer também com isso desqualificar as denúncias como eleitoreiras, e não de improbidade administrativa, de favorecimento de particulares, como ele fez com a rádio Arco Íris e outros casos”, afirma o deputado federal Padre João (PT).

Entenda o caso

ProAereo

Em 2003, o primeiro do mandato de Aécio à frente do governo de Minas, foi lançado o “Programa Aeroportuário de Minas Gerais”, o ProAero, cuja principal meta era resumida assim: “Em 2011, 92% dos municípios mineiros estarão distantes até 100 quilômetros de um aeroporto”.Em 2006, quando começou a implementação do programa, o estado contava com 151 aeroportos, que passariam por “conservação e manutenção”e melhorias. Além dessas reformas, estava prevista a construção de novos aeroportos. O custo estimado do programa – de 2007 a 2011 – era de R$ 327.712.248 e a previsão era que o estado teria então 163 aeroportos.

Reforma do aeroporto de Divinópolis

Um dos aeroportos contemplados no programa foi o Brigadeiro Cabral, em Divinópolis, na região central do estado, que passou por reformas em 2009. Na festa de reabertura, em março de 2010, o então governador Aécio Neves e seu vice, Antonio Anastasia, reforçaram a importância do aeroporto para a região. “Um aeroporto como este atrai investimentos, ajuda e facilita a vida daqueles que já estão aqui instalados e portanto é uma demanda importante para uma cidade polo como é Divinópolis”, disse Aécio, no evento.Foi feita a reconstrução da pista de pouso, modernização da sinalização luminosa, prevenção contra incêndio e reforma na cerca. A pista seguiu com 1.540 metros de comprimento e 30 de largura,  mas, com a construção do acostamento, passou a ser permitido o pouso de aeronaves com capacidade de até 50 lugares. A obra custou R$ 12 milhões.Em 2014, nova reforma do aeroporto, desta vez via programa do governo federal, pode fazer com que o aeroporto receba também voos comerciais.

O caso de Cláudio

O aeroporto de Divinópolis, “a cidade polo da região”, contemplaria muitos municípios vizinhos. Lagoa da Prata, por exemplo, deixou de ter um aeroporto próprio devido à proximidade com a cidade, conforme justificou o subsecretário de regulação de transportes em 2012. No entanto, a menos de 60 quilômetros de Divinópolis, Claudio, uma cidadezinha de 27.321 habitantes, segundo o IBGE, foi contemplada com a construção de pista. No edital divulgado em dezembro de 2008 no Departamento de Obras Públicas do Estado de Minas Gerais,  o valor total da empreitada era de R$ 13, 5 milhões, vencido pela Vilasa Construções Ltda. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, a empresa doou R$ 67 mil para a campanha de Aécio em 2006, e R$ 20 mil para a campanha de Anastasia, em 2010. A coligação “Muda Brasil”, da candidatura de Aécio à presidência, confirma a doação, mas nega qualquer tipo de favorecimento.A mesma coligação responde em nota que o município de Cláudio foi escolhido na categoria de “aeroportos locais”, porque ele é um “próspero município da região centro-oeste de Minas Gerais”. (JT)

Governo de MG construiu aeroporto em terra de tio de Aécio

Obras foram executadas em 2010

O jornal afirma que, para pousar no aeroporto, é preciso pedir autorização a familiares de Aécio. (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters)

O governo de Minas Gerais construiu, em 2010, um aeroporto dentro de uma fazenda de um parente do senador e candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB), na cidade de Cláudio. A obra, que custou R$ 14 milhões, foi feita no fim do segundo mandato do tucano como governador do Estado. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a publicação, o aeroporto é administrado por familiares de Aécio. A família de Múcio Guimarães Tolentino, 88 anos, que é tio-avô do tucano e ex-prefeito de Cláudio, guarda as chaves do portão do local. 

O jornal afirma que, para pousar no aeroporto, é preciso pedir autorização aos filhos de Múcio. Segundo um deles, Fernando Tolentino, a pista recebe pelo menos um voo por semana, e seu primo Aécio Neves usa o aeroporto sempre que visita a cidade. Múcio é irmão da avó de Aécio, Risoleta Tolentino Neves, que foi casada por 47 anos com Tancredo Neves.

Segundo a publicação, a pista do aeroporto tem um quilômetro e pode receber aeronaves de pequeno e médio porte, com até 50 passageiros. Sem funcionários, o local é considerado irregular pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que afirmou que ainda não recebeu do governo estadual todos os documentos necessários para a homologação do aeroporto.
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Ao jornal, Aécio afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a construção do aeroporto seguiu critérios técnicos, e que o governo de Minas Gerais não levou em consideração o fato de o proprietário do terreno ter parentesco com ele.

Fonte: Terra

A ‘turma dos anos 90’ e a pigarra da história

O maior desafio de Aécio Neves reside naquilo que fez a convenção do PSDB parecer uma daquelas tertúlias de aposentados gabolas.

Carta Maior|Saul Leblon 

A convenção do PSDB  que oficializou  Aécio Neves como candidato  tucano, no último sábado, foi tão marcante que o  principal destaque ficou por conta do que não houve.
 
O partido adiou, mais uma vez,  o anúncio do  vice em sua chapa.
 
A 19 dias de esgotar o prazo para o registro das candidaturas, o problema de Aécio é saber quem desagrega menos.
 
Não é uma escolha fácil.
 
O repertório vai  de um impoluto Paulinho ‘Boca’, da Força Sindical,  ao demo Agripino Maia, ou talvez o híbrido de  pavão e tucano, Tasso Jereissati , ambos, como se sabe, referências  de enorme apelo popular. Correndo  por fora, a opção puro sangue,  Aécio – Serra, reúne afinidades  equivalentes  à convergência entre o  fósforo e a pólvora.
 
O dilema não é novo no PSDB. O  ex-governador  José Serra viveu problema semelhante em 2010.
 
A indecisão quanto ao nome que o acompanharia na derrota para Dilma  começou justamente quando  Aécio tirou o corpo fora, recusando a vaga que hoje oferece ao rival.
 
Sem opções que agregassem voto, tempo de TV ou base no Congresso (caso, pelo menos, do marmóreo vice de Dilma, o pemedebista Michel Temer), Serra postergou a decisão até o limite final, para então protagonizar  o abraço de afogado com um jovem demo.
 
Tal qual emergiu, Índio da Costa (DEM-RJ) submergiria  para a eternidade do anonimato após a derrota.
 
A dificuldade com o vice é sintomática da representatividade dos aliados.
 
Mas não é o principal obstáculo  para ampliar o teto da candidatura conservadora.
 
Passada a fase alegre da postulação interna contra rivais destroçados,  Aécio  terá que dizer ao país a que veio.
 
Seu maior desafio  reside naquilo que fez  a convenção de sábado  parecer uma daquelas tertúlias típicas de  aposentados  gabolas.
 
O celofane da mocidade mineira talvez seja insuficiente para conter o cheiro de naftalina que irradia das imagens  sempre que a ‘turma dos anos 90’, integrada por Serra, FHC, Pimenta da Veiga, Agripino e assemelhados  se junta para renovar o formol do velho projeto.
 
Por mais que a palavra mudança seja evocada por entre cenhos franzidos, comissuras enérgicas e punhos  erguidos, não cola.
 
Não há pastilha Valda que conserte a pigarra da história.
 
A  esperança em um futuro crível  para a economia e a sociedade  é incompatível com a regressão  apregoada pelos defensores de um modelo  que, a rigor,  não dispõe mais de força nem de consentimento para se repetir.
 
Para entender o porquê  é preciso enxergar os ingredientes que fizeram o fastígio da hegemonia neoliberal no final do século XX.
 
A saber.
 
Três décadas de arrocho sobre o rendimento do trabalho nas principais economias ricas, facilitado pela ascensão industrial chinesa; um contrapeso de crédito farto ao consumo  –e em muitos casos, irresponsável, como se viu na gota d’água das subprimes e, finalmente, por sobre o conjunto, uma untuosa camada de mimos tributários que rechearam os cofres dos endinheirados , contribuindo para a superliquidez  que caracterizou a praça mundial  durante décadas.
 
Foi sobre essa base de Estado mínimo com desonerações para os ricos, renda e trabalho esfacelados, que se deu o auge e o colapso do modelo. Um movimento inscrito dentro do outro, como em uma sinfonia.
 
O arranjo  só não desafinou  antes, repita-se, graças à válvula de escape de endividamento maciço de Estados e famílias, propiciado pela desregulação  que liberou a banca de controles e permitiu a lambança do crédito lastreado em derivativos tóxicos.
 
Era tanto dinheiro que permitia viver hoje como se não houvesse amanhã.
 
Em vez de salários e direitos, créditos sobre créditos para famílias quebradas.
 
Em vez de arrecadar  mais dos ricos, tomar  emprestado deles  na  forma de endividamento público, para suprir a anemia fiscal de Estados obrigados a dar conta de  serviços não lucrativos, por isso não privatizados.
 
O endividamento público lubrificado, no caso brasileiro,  por um juro real superior a 10% ao ano durante o ciclo do PSDB (hoje é de 5%), supria os cofres dos governos  e alegrava o rentismo.
 
 A tentativa atual de ‘limpar’  a implosão do modelo removendo apenas seus ‘excessos  na ponta do crédito  resulta no filme de terror  em cartaz na Europa.
 
Preservar  para cima, com arrocho para baixo, associando à seca do crédito cortes sobre direitos e salários, ademais da retração do emprego, significa  uma carnificina econômica e social.
 
No caso brasileiro há  o inconveniente adicional de que  –nos marcos do regime democrático–   essa operação  talvez não seja mais viável depois de 12 anos de governos do PT.
 
A ‘mensagem mudancista ‘  de Aécio está visivelmente emparedada nessa encruzilhada.
 
De um lado, ele precisa atender o camarote vip que encarna e que o patrocina.
 
Engajados em uma cruzada de preconceito belicoso  contra  Dilma e o PT, os endinheirados exigem compromissos com medidas  heroicas .
 
Aquelas que Aécio prometeu tomar  –‘se der, no primeiro dia’, como afirmou  às papilas empresariais famintas, reunidas  num regabofe na casa do animador de eventos, João Dória Jr, (conforme a Folha 02/04).
 
A esperança  conservadora é a de que a baixa atividade decorrente de uma paulada imediata no juro, com consequente recuo do crédito e compressão  do salários real,  devolva  a  senzala ao seu lugar.
 
E o país aos bons tempos.
 
O trânsito ficaria menos carregado; os aeroportos recuperariam o velho charme .
 
Não só.
 
Um desemprego ‘funcional’  de 12,5%, como no ciclo do PSDB (hoje é da ordem de 5%), estalaria a chibata da redução do custo Brasil nas costas de quem tem 500 anos de familiaridade com o assunto.
 
Mais quatro anos, que diferença faz?
 
Novidades  no front sugerem talvez não seja tão simples assim rodar  o modelo original  no azeite do arrocho.
 
Um Brasil formado por dezenas de milhões de famílias antes apartadas na soleira da porta, do lado de fora do país,  agora cobra  a sua vaga no mercado e na cidadania.
 
No seleto clube  do juro alto  essa gente figura como estorvo.
 
No ciclo de governos do PT o estorvo tomou gosto da mobilidade social.
 
No cálculo político do candidato tucano a precaução recomenda que não se diga em público aquilo que se afirma na casa do animador do ‘Cansei’, Dória Jr.
 
Instala-se assim um malabarismo de alto risco no picadeiro do circo conservador.
 
Aécio, ora assume  o estereótipo  de mineirinho afável, ora  tenta distrair  a plateia acusando  pecadores com o fogo dos savonarolas  de passado inflamável.
 
Enquanto isso, operadores de mercado que o representam  costuram  o peru recheado de arrocho servido nos regabofes  da plutocracia insaciável.
 
O principal personagem  dessas tertúlias é Armínio Fraga, espécie de ‘é com esse que eu vou lucrar até cair no chão’ da nação rentista.
 
O  prestígio não é obra do acaso.
 
Armínio carrega no currículo o feito de ter elevado a taxa de juro brasileira de 25% para  45%, em março de 1999.
 
O colosso se deu  quando esse quadro reconhecido como ‘nosso homem no Brasil’  pela alta finança  internacional  –Timothy Gartner, ex-secretário do Tesouro americano, sugeriu o seu nome a Obama para presidir  o Fed — assumiu a presidência do BC brasileiro, no governo Fernando Henrique Cardoso.
 
Em declarações para o público mais amplo,  Armínio, que também possui cidadania americana, procura demonstrar serenidade e comedimento. Veste o figurino do Aécio afável e apregoa um caminho gradual, ‘sem choque’, para  recolocar as coisas nos eixos.
 
Nas entrelinhas do comedimento, porém,  ressoa o  ‘matador dos mercados’, que parece falar diretamente ao camarote vip do ‘Itaquerão’.
 
Na hipótese de uma extrema eficiência na lavagem cerebral  promovida pela mídia, a ‘turma dos 90’ pode até vencer em outubro.
 
Mas conseguiria governar emparedada nesse duplo torniquete,  entre o compromisso com a alta finança, de um lado, e a pressão ascendente de um Brasil que tomou gosto pela cidadania, de outro? 
 
Confira, abaixo, trechos das dubitativas respostas de  Armínio , em entrevista ao Valor, nesta 2ª feira:
 
Sobre baixar  a meta da inflação (leia-se, sobre o  tamanho da paulada nos juros num eventual governo tucano):

‘Tem que ter uma sequência. Primeiro, chegar a uma situação de preços normais, não tabelados, não reprimidos, levar essa inflação para a meta e, depois, decidir o que fazer. Acho que a meta deveria cair um pouco e lentamente…Vamos ter que tirar o remédio do paciente, que está dopado.

Sobre a conveniência de Aécio dizer que está pronto para tomar  ‘medidas impopulares’

‘Sincericídio’, acho que não. É um pouco de ‘honesticídio’, isso sim. Temos que cair na real: as coisas não estão dando certo.

Sobre o futuro dos salários num governo tucano.

 Acho os salários no Brasil ridiculamente baixos porque o Brasil é um povo pouco educado e pouco produtivo. Por isso é que os salários aqui correspondem a 20% dos salários dos países ricos. Há algumas áreas que ganham salários parecidos, mas o salário médio aqui é muito baixo porque somos um país pobre. E por que somos pobres? Porque o país não está crescendo. O salário tem que guardar alguma relação com a produtividade. Isso está nas atas do Copom e nas melhores cabeças que estão no governo. O país não está crescendo, caia na real! Qualquer coisa que eu diga vão interpretar como arrocho enquanto o arrocho já está aí, está sendo feito pela inflação.

Sobre a fuga de capitais que estaria em curso no país enquanto o investimento privado vive uma greve branca.

 O brasileiro gosta do seu país, gosta de morar aqui, de investir aqui. Mas o grau de incerteza hoje é tal que as pessoas estão pensando em investir fora do Brasil, estão pensando até em sair do Brasil. Há um medo que vai além da economia, é medo político também. Há uma sensação de medo que as pessoas não têm coragem de manifestar abertamente. Medo de uma atitude contra a liberdade de imprensa, contra a democracia.

Aécio é o novo nome da barbárie na política brasileira

Ao comemorar a agressão inominável e machista à presidenta, na abertura da Copa, Aécio Neves revela que a barbárie é seu verdadeiro nome na política.

Arquivo

Foi Vivianne Forrester em seu belo livro “Horror econômico” quem nos ensinou, definitivamente, que a legitimação de um ato de barbárie é mais grave ainda do que o ato em si. O livro foi escrito sob este sentimento civilizatório de indignação quando leu a notícia, típica da era neoliberal, que as ações de uma tal empresa subiram de valor após ela ter iniciado um programa de demissão em massa de trabalhadores. Para um economista neoliberal, como é Aécio Neves, isto seria  um promissor “choque de gestão”.

Mais do que a legitimação – a comemoração – com que Aécio Neves comentou publicamente em São João Del Rei, do solar da casa de seu avô, a agressão a Dilma Roussef não deve ser banalizada nem esquecida. “Talvez a forma não tenha sido a melhor para expressar esse mau humor, essa discordância. Mas o fato é que vale o ditado. Acho que ela colheu um pouco aquilo que plantou nos últimos anos. Alguém que governa com mau humor permanente, com enorme arrogância, sem dialogar com a sociedade brasileira, achando que por ter a caneta na mão pode tudo.” 

A declaração inaceitável para um homem público poderia gerar vários comentários. O primeiro deles  é que a mentira extrema parece ser o modo típico de Aécio Neves mentir. Como opera sempre, na linha  de uma certa publicidade, como a Coca Cola enche sempre a sua propaganda de saúde e de vida. Pois o partido de Aécio Neves, junto com o DEM e o PPS, está  justamente tentando derrubar no Congresso Nacional uma lei que institucionaliza a participação popular no governo federal.

O segundo comentário é que seu avô – certamente  ao contrário do neto – repudiaria a agressão inominável e pública a uma presidente brasileira democraticamente eleita. Isto não fazia parte da melhor tradição liberal conservadora do PSD mineiro.

Uma terceira observação é que a expressão “colheu o que plantou” apareceu simultaneamente na boca de Eduardo Campos, falando em campanha para a rádio CBN. Tanta coincidência parece combinada. Mas aqui vale o reiterado sempre por Lula: o neto de Arraes está hoje descentrado, não sabe hoje bem o que é e o que não é em seu trânsito incerto em busca de um personagem que talvez nem exista. 

Mas Aécio, não: ele bem colheu o que tanto plantou. O discurso do ódio ao PT, à Lula e à Dilma, é tão orgânico a sua candidatura como a Rede Globo ou o Banco Itau.  Este ódio, a princípio, não tem limites como todo fenômeno extremo na política. Na cena da abertura da Copa, ele veio à tona.

Os que agrediram Dilma de forma tão machista são os mesmos  que na escravidão e  depois dela , sem trabalhar, insultavam  e insultam os negros de preguiçosos e vadios. É a mesma voz dos que alertam que o salário-mínimo está alto demais e que algo precisa ser feito antes que seja tarde, como disse Armínio Fraga, principal consultor econômico de Aécio Neves. Ou  que proclama que o Brasil não é capaz nem deve realizar uma Copa do Mundo.

Ressentimento do mundo

Há na cultura política brasileira o hábito de transigir, perdoar e esquecer.  No país em que a presidente foi torturada durante uma ditadura militar, ainda não prevalece o direito internacional de que os crimes contra a humanidade não prescrevem.

Não devemos transigir, perdoar ou esquecer o gesto público de Aécio Neves ao legitimar e até comemorar o inominável. Fazer isso é permitir que um sentimento extremo da barbárie continue a crescer na cena pública da democracia brasileira. 
Pois se até isso é permitido, legitimado e comemorado pelo candidato oficial da oposição neoliberal, o que virá depois?

É o oposto o que devemos agora fazer.  Como uma cena que surrealisticamente escapa às manchetes  dos jornais, das revistas, das tevês e das rádios, as ruas estão  vivas e pulsando um sentimento genuíno de alegria verde e amarela. Quando o nacional se faz popular à contra-discurso, este sentimento, mais do que nunca, é esquerdo.

Assim, quanto mais extrema a barbárie, mais alta, cívica, republicana, popular e socialista democrática deve ser a nossa atitude.

Por esta razão, nenhum mineiro digno pode consentir que Aécio fale ao Brasil em nome de todos os que nasceram em Minas e são filhos de sua tradição de liberdade.  Se a vida de Dilma Roussef  encarna uma vera inconfidência – a sua memória ,hoje pública,  logo assimilou a agressão verbal inominável  à tortura que sofreu nos cárceres da ditadura – , o sentimento de Aécio se parece ao de seus algozes.

Não há aí nenhum sentimento do mundo, na linha humanista radical de Drummond. Mas só o ressentimento, este “oceano sem água”, dos que temem perder os privilégios. 
 
(*) Cientista político, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

PSDB confirma Aécio Neves como candidato à Presidência

O ESTADO DE S. PAULO|ELIZABETH LOPES, ERICH DECAT 

14 Junho 2014 

Convenção contou com a presença de José Serra, que defendeu a unidade do partido; Aloysio Nunes (SP) e Tasso Jereissati (CE) são os mais cotados para vice

O PSDB nacional aprovou hoje a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República, em evento realizado em São Paulo que contou com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ex-governador paulista José Serra e do atual titular do Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin.

Foram 447 votos pela candidatura de Aécio, 3 votos brancos e 1 nulo. A convenção também deu poderes para a executiva nacional do partido referendar, nos próximos dias, o nome escolhido por Aécio para ocupar a vaga de vice em sua chapa. Os dois nomes mais cotados são o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e o ex-senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

O CANDIDATO DO PSDB À PRESIDÊNCIA

Werther Santana/Estadão

O PSDB nacional aprovou neste sábado, 14, a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República, em evento realizado em São Paulo que contou com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ex-governador paulista José Serra e do atual titular do Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin.

Aécio diz que nunca usou cocaína e editor sugere um exame toxicológico

Correio do Brasil

Aécio se irritou ao ser perguntado, durante o programa Roda Viva, se era usuário de cocaína

O presidenciável tucano Aécio Neves culpou o ‘submundo da web’ pela ‘infâmia’ de classificá-lo como usuário de cocaína e álcool. As afirmações ocorreram durante entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura, encerrado na madrugada desta terça-feira. Neves diz que nunca cheirou, apenas experimentou maconha quando ainda jovem. Para tirar qualquer dúvida, o jornalista Paulo Nogueira, editor do blog Diário do Centro do Mundo (DCM), sugere que ele se submeta a um exame toxicológico. As chances de que isso aconteça são mínimas, diante do fato que Aécio se recusou asoprar um bafômetro, ao ser flagrado em uma blitz da Lei Seca no Leblon, Zona Sul do Rio.

– A internet é a maior revolução do nosso tempo. Mas ela não impede a atuação de quadrilhas virtuais, de terrorismo. Há nesses casos o cometimento de crimes. Robôs eletrônicos são usados para propagar mentiras. São os absurdos de sempre – disse, sem paciência alguma com as dúvidas do editor da revista mensal Piauí, Fernando Barros e Silva, que lhe fez a pergunta. “O desconforto jorrou em golfadas de Aécio”, repercutiu o jornalista Paulo Nogueira, editor do DCM, a partir de Londres.

Aécio, aos telespectadores do programa apresentado por Augusto Nunes, um dos colunistas da revista semanal de ultradireita Veja, em linha com a ideia de que exista um submundo na web, disse que espera encontrar na disputa eleitoral “todo tipo de leviandade e acusações”.

– Essa guerrilha vai continuar: Jamais (fui usuário de cocaína). Tenho uma vida da qual me orgulho muito. Tenho uma família extraordinária. Os que me conhecem vêm me reelegendo há 30 anos. Não conseguem dizer que sou desonesto, que sou incompetente. Têm de dizer alguma coisa – respondeu.

O ex-governador mineiro, embora tenha-se declarado usuário de maconha, disse que agora é contra a descriminalização da droga:

– (O ex-presidente e líder tucano) Fernando Henrique está à vontade para fazer esse debate, mas não é a minha posição. Não é uma agenda que atenda à expectativa do cidadão brasileiro. Não sou à favor da descriminalização – disse.

Ainda na repercussão do fato no DCM, Nogueira afirma que “Aécio tem um problema”.

“Mesmo num ambiente superprotegido como foi o Roda Viva ontem, a questão da cocaína o assombrou. Me ocorreu a reação histórica de FHC quando, como candidato a prefeito de São Paulo, ouviu de Boris Casoy num debate pela tevê o seguinte: ‘O senhor acredita em Deus?’. Naquela época, FHC não acreditava.

– Mas, Boris: nós tínhamos combinado antes que você não faria essa pergunta – respondeu ele.

“Fernando Barros – o único dos entrevistadores que fez ontem algo parecido com jornalismo – perguntou. A resposta de Aécio – disse, perturbado e irritado, que nunca usou cocaína – não foi a mais convincente que ele deu na vida, com certeza. Aécio, numa demonstração de que Minas não o acostumou a lidar com perguntas embaraçosas de jornalistas, acusou Fernando Barros de já ter candidato. Depois, ele confiou na desinformação das pessoas. Afirmou que os elos que o unem à cocaína são fruto do ‘submundo’ da internet. Temos aí uma visão ampla do ‘submundo da internet‘, então. Incluí o Mineirão lotado. Em 2008, num amistoso da seleção contra a Argentina, a torcida gritou: ‘Ei Maradona, vai se fxxx, o Aécio cheira mais do que você”, lembrou o editor.

E continua: “Pausa para rir”.

“Bem, o editor da Piauí fez menção ao coro do Mineirão. Serra também teria que ser incluído no ‘submundo da internet’. Um jornalista ligado a Serra publicou no Estadão, quando este e Aécio disputavam a indicação do PSDB para a eleição presidencial de 2010, um artigo cujo título era: ‘Pó pará, governador‘. (Aécio era governador de Minas). Serra, pelas costas de Aécio, sempre trouxe a cocaína à cena para boicotá-lo em disputas internas tucanas. Barros lembrou um artigo de Serra que, do nada, quando mais uma vez se avizinhava uma competição entre ele e Aécio pela nomeação à eleição presidencial, anunciava logo na primeira frase que o “consumo de cocaína” seria debatido no Brasil. Aécio claramente não está preparado para discutir a cocaína. Ele parece não ter feito nenhum treinamento com especialistas para se safar deste tipo de pergunta. Ou, se fez, o treinamento foi inútil, pelo menos a julgar por ontem”, acrescentou.

“Aécio, desde o início, era uma candidatura de alto risco para o PSDB pela fama de festeiro inveterado. Ou o partido subestimou o risco, ou simplesmente não tinha alternativa. Podia terminar em Serra, mais uma vez. Para Aécio se livrar do assunto, a única solução é ele fazer um exame toxicológico. Mas, pelo menos até aqui, ele não mostrou nenhuma disposição para fazer isso”, concluiu Nogueira.

Assista à entrevista completa:

 

Aécio elogia desoneração de folha anunciada por Dilma

“A desoneração é positiva e é importante sobretudo devido à série de erros que o próprio governo federal cometeu prejudicando a indústria e outros setores da economia brasileira”, disse Aécio

Agência Estado

28/05/2014 

Brasília – O senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato tucano à Presidência da República, elogiou a decisão da presidente Dilma Rousseff em tornar permanente a desoneração da folha de pagamento para 56 setores da indústria, do comércio e do setor de serviços. A decisão foi anunciada na noite dessa terça-feira, 27, após reunião da presidente com 35 representantes do empresariado no Palácio do Planalto.

“A desoneração é positiva e é importante sobretudo devido à série de erros que o próprio governo federal cometeu prejudicando a indústria e outros setores da economia brasileira. É uma medida que vai contribuir para reduzir o custo, melhorando a competitividade desses setores”, disse Aécio.

O presidenciável tucano, contudo, disse que na última década tem sido mais difícil pagar impostos no País. Enquanto Dilma tem comparado a gestão petista com a tucana do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – a presidente tem usado a expressão “há 12 anos” para criticar o governo do PSDB -, Aécio focou na última década do PT na Presidência. “Hoje, no Brasil, é muito mais complicado pagar impostos do que há 10 anos”, afirmou.

O economista Mansueto Almeida, pesquisador do Ipea e um dos interlocutores econômicos do pré-candidato tucano, foi mais incisivo nas críticas à desoneração. Segundo ele, há “dois pequenos problemas” na renúncia fiscal. De um lado, o governo privilegia com a medida apenas alguns setores da economia.

De outro, não “criou espaço fiscal para essa medida”. Almeida aposta em aumento de outros impostos para compensar a desoneração. “Esperem aumento da Cide (imposto da gasolina), aumento de impostos sobre bebidas, etc. A melhor forma de reduzir carga tributária é reduzindo o gasto. O governo não mostrou medidas de redução do gasto, mas foi em frente com a desoneração permanente”, disse.

Para sustentar as desonerações da folha de pagamentos nos quatro primeiros meses do ano, o governo já abriu mão de R$ 7,663 bilhões. Isso porque a desoneração da folha de pagamentos permite que as empresas contempladas deixem de pagar 20% da folha de pagamento como contribuição patronal à Previdência Social e passem a pagar 1% ou 2% do faturamento, dependendo da atividade. Em 2014, a expectativa é que a renúncia chegue a R$ 21,6 bilhões.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou que novos setores podem ser contemplados com a medida a partir de 2015, mas não precisou quantos segmentos. Ele previu um maior custo com as novas adesões. “Deverá ser esse o número que vai se replicar nos próximos anos. É claro que nos próximos anos você vai ter um aumento da força de trabalho e, portanto, pode ser que a renúncia seja um pouco maior”.

Dilma se recupera após propaganda, mas adversários sobem mais, mostra Ibope

Presidente sobe de 37% para 40%, mas Aécio e Campos têm maior crescimento, e diferença da petista para rivais cai para 4 pontos

22 de maio de 2014 | ESTADÃO
José Roberto de Toledo, Daniel Bramatti e Lucas de Abreu Maia – Estadão Dados

SÃO PAULO – A sequência de programas partidários na TV despertou mais eleitores para a eleição presidencial e derrubou a parcela de votos brancos e nulos, que estava no patamar mais alto da história recente. Última a aparecer na propaganda, Dilma Rousseff (PT) melhorou de 37% para 40% sua taxa de intenção de votos entre abril e maio, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira, 22. Seus adversários diretos, porém, cresceram mais, o que eleva as chances de segundo turno.

No cenário com a lista dos oito pré-candidatos que já manifestaram intenção de concorrer, Aécio Neves (PSDB) subiu de 14% para 20% e Eduardo Campos (PSB), de 6% para 11%. A vantagem que Dilma tinha sobre a soma dos adversários diminuiu de 13 pontos porcentuais para apenas 4. Para se reeleger já no primeiro turno, ela precisará da maioria absoluta dos votos válidos (metade mais um) em outubro.

A pesquisa mais recente do Ibope foi feita entre os dias 15 e 19 de maio. No dia 13, o PT começou a exibir na televisão uma polêmica peça de propaganda com o mote “O Brasil não quer voltar atrás”, na qual exaltou o risco da “volta dos fantasmas do passado”, entre eles o do desemprego. Na noite do dia 15, o partido teve 10 minutos em rede no horário nobre, no qual levou esse vídeo de novo ao ar, além de discursos de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A pesquisa atual do Ibope também capta os efeitos do programa de 10 minutos do PSDB, exibido no dia 17 de abril. O levantamento anterior do instituto havia sido encerrado no dia 14, três dias antes de os tucanos ocuparem o horário nobre para promover Aécio. Já o PSB de Campos foi à TV no fim de março.

Com essa invasão da propaganda partidária nos meios de comunicação, a soma de quem pretendia votar em branco, anular ou não sabia responder despencou entre as pesquisas Ibope de abril e maio. Foi de 37% para 24% e voltou ao patamar histórico esperado para esta época da campanha eleitoral.

Foi na faixa do eleitorado com renda superior a 5 salários mínimos que Dilma se recuperou mais. Nesse grupo, a presidente foi de 26% a 38% das intenções de voto, enquanto Aécio oscilou um ponto para baixo, de 26% para 25%. Nas demais faixas de renda, Dilma tem pior desempenho entre quem ganha de 2 a 5 salários mínimos. Apenas 35% desses eleitores pretendem votar na presidente. Seu melhor desempenho é entre os mais pobres: 56% dos eleitores que ganham até 1 salário mínimo por mês declaram voto na petista.

No corte por regiões, Dilma vai pior no Sudeste, seguindo a tradição dos candidatos petistas desde 2006. Ela tem hoje 33% das intenções de voto na região, contra 24% de Aécio e 8% de Campos. É no Nordeste que Dilma e Campos se saem melhor, com 51% e 15%, respectivamente. Aécio tem 11% entre os nordestinos.

Dilma ampliou sua taxa de intenção de votos no último mês, mas não conseguiu reduzir a parcela do eleitorado que não admite votar nela de jeito nenhum  –  o porcentual ficou estável, em 33%. Já a situação de seus adversários melhorou: a rejeição a Aécio caiu de 25% para 20%, e a Campos, de 21% para 13%.

Segundo turno. Nas simulações de segundo turno, o quadro manteve-se praticamente inalterado na comparação com a pesquisa de abril. Dilma tem hoje os mesmos 43% das intenções de votos que recebia no mês passado, já Aécio oscilou dois pontos para cima e foi de 22% para 24%.

Se o adversário da petista no segundo turno fosse Eduardo Campos, os índices são parecidos: Dilma receberia 42% dos votos, contra 22% do ex-governador de Pernambuco, que subiu cinco pontos em comparação à pesquisa de abril.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 140 municípios. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%  –  ou seja, há 95% de probabilidade de os números retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O levantamento foi custeado pelo próprio Ibope e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00120/2014. / COLABORARAM RODRIGO BURGARELLI E DIEGO RABATONE

Campos busca eleitor lulista e PSB fala em romper acordo com Aécio em Minas

Para reforçar diferenças com pré-candidato tucano e arregimentar eleitores insatisfeitos com a gestão Dilma, aliados do ex-governador pernambucano passaram a questionar publicamente o palanque conjunto no 2º maior colégio eleitoral do País

11 de maio de 2014 |ESTADÃO|Eduardo Bresciani, Daiene Cardoso e Pedro Venceslau 

No momento que as pesquisas de opinião apontam o crescimento de Aécio Neves (PSDB) e a estagnação de Eduardo Campos (PSB) na disputa pelo Palácio do Planalto, a cúpula da pré-campanha pessebista decidiu que chegou a hora de romper o “pacto de não agressão” entre os pré-candidatos.

Além de disparar críticas ao senador mineiro para buscar os eleitores “lulistas” insatisfeitos com a gestão da presidente Dilma Rousseff, aliados de Campos passaram a questionar publicamente a construção de palanques conjuntos em Pernambuco e Minas Gerais.

Nos discursos, a palavra de ordem é levantar bandeiras que constrangem Aécio entre o eleitorado que se considera de esquerda – como a defesa “intransigente” da CLT e a manutenção da maioridade penal. Em encontros com empresários, o senador mineiro defendeu a flexibilização da CLT em alguns setores e a redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos.

Eduardo Campos está convencido de que o PSDB e o PT têm um objetivo em comum: colar nele a agenda política de Aécio para circunscrever a candidatura no campo da oposição e forçar uma polarização. Dessa forma, o voto útil desidrataria a terceira via e haveria um segundo turno plebiscitário. Para evitar que isso aconteça, membros da cúpula do PSB lembram que as trajetórias dos dois foram completamente diferentes. “Em 20 anos, eles só estiveram juntos nas Diretas”, afirma Carlos Siqueira, secretário-geral do PSB. Em 2010, por exemplo, Campos e Aécio travaram uma dura disputa política pela instalação da fábrica da Fiat, que acabou ficando em Pernambuco.

Implosão. O PSB liberou seus quadros nacionais para instigarem o movimento de aliados que tentam implodir o acordo de formação de palanques conjunto entre PSB e PSDB em Minas Gerais e Pernambuco. “Finalmente estamos sendo tomados pelo óbvio e ululante: que o candidato precisa ter o maior número de candidatos nos Estados”, afirma o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

“Em Minas, uma candidatura nossa (PSB) seria ainda mais útil do que em São Paulo. Lá é claro que o Pimenta (da Veiga, pré-candidato do PSDB ao governo) vai trabalhar só pelo Aécio e do outro lado tem o PT. Falta a terceira via para dividir espaço”, reforça Márcio França, presidente do PSB paulista e um dos dirigentes do partido mais próximos de Campos.

Ele advoga tese de romper a negociação de aliança com os tucanos em Minas e lançar a candidatura do deputado Júlio Delgado. “Qualquer terceira via viável terá 15%, 20% dos votos e o Júlio Delgado é um ótimo nome porque é bem votado, tem uma base forte em Juiz de Fora e o respeito político pela boa votação para a presidência da Câmara”, afirma. Com o cuidado de reforçar que as alianças estaduais não precisam, necessariamente, repetir o quadro nacional, o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, ressalta que a aliança com Aécio não é um fato consumado.

“Quem foi que disse que não vai ter candidatura do PSB em Minas? Há uma discussão intensa lá e espero que seja proveitosa para encontrar o melhor caminho para o projeto nacional”, afirma.

Fiel ao roteiro, ele ressalta: “Aécio é de centro, nós somos de centro-esquerda”. Delgado não comenta a possibilidade de disputar o governo. Ressalta apenas que não há qualquer formalização de apoio ao PSDB. “Não existe nada fechado e estanque na política. Tudo está em negociação”, diz.

Para os tucanos mineiros, porém, a hipótese de um rompimento da aliança é remota. “O PSB é um aliado do PSDB em Minas. O plano regional tem outra dinâmica”, afirma o deputado Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro.

Linha de frente A cúpula da campanha de Campos decidiu pôr sua vice, a ex-ministra Marina Silva, na linha de frente do embate. Coube a ela a tarefa de deixar claro que só ele seria capaz de derrotar o PT num eventual segundo turno. Isso porque há a avaliação de que o eleitor de Aécio migraria quase por completo para Campos por ter uma característica antipetista.

“Ela tem posições firmes e isso pontualmente pode colocá-la em situação de confronto”, diz o coordenador da Rede, Bazileu Margarido.