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Milho vive velho dilema da falta de uma política

Produção e estudos apontam que o biocombustível, especialmente a partir do cereal, é viável, mas a ausência de incentivos frustra a prática 

Diário de Cuiabá|Economia|Marianna Peres

O segmento produtivo mato-grossense, especialmente os produtores de milho, busca a todo custo agregar valor à superprodução estadual e definitivamente transformar o cereal em uma commodity de liquidez tal como a da soja, ou pelo menos, menos vulnerável às oscilações de oferta e demanda do mercado. Uma das alternativas, já em prática no Estado desde 2011 com um projeto pioneiro em Campos de Júlio, é fazer da cultura uma matriz energética, por meio do etanol de milho. Mas assim como o biocombustível derivado da cana-de-açúcar, o originado do milho, que mal nasceu, enfrenta o mesmo dilema: abastecer qual mercado e como concorrer com a gasolina?. 

A produção mato-grossense de etanol a partir da cana, prevista para mais de um bilhão de litros nesse ano, é suficiente para atender ao mercado local e ainda outros mercados, inclusive o exterior se houvesse logística, devido ao excesso de oferta. E o etanol do milho poderia trazer o litro na bomba para cerca de R$ 2. 

Como aponta o presidente da Câmara Setorial da Soja e diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Glauber Silveira, produção é o que não falta no Estado. No ano passado foram colhidas mais de 22 milhões de toneladas e o potencial estadual sustenta novos recordes de produção. “Na semana passada, a Céleres Consultoria e o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) bateram o martelo e disseram tudo aquilo que o segmento precisava ouvir: produzir etanol de cereais é extremamente viável no Centro-Oeste. A produção de etanol seria uma forma de pôr fim a um ciclo que temos, chega a safra e o preço do milho despenca e inviabiliza a produção seguinte”. Mas o próprio Silveira destaca que mesmo com estudos positivos, a realidade volta a falar mais alto: “Vamos vender para quem e em que condições?”. 

Conforme a Aprosoja/MT, Mato Grosso deve produzir nesta safra 15,4 milhões de toneladas com potencial de chegar a 34,9 milhões de toneladas nos próximos dez anos. O estudo “Oportunidades na cadeia de processamento de cereais para produção de proteínas e biocombustível – Uma avaliação das oportunidades do Centro-Oeste do Brasil” foi produzido pela Céleres Consultoria a pedido da associação. Para ‘batida do martelo’, o estudo considerou um investimento na usina no valor de US$ 68 milhões para o consumo de 500 mil toneladas de cereais (milho, sorgo etc.) ao ano, com um playback de seis anos e uma TIR (taxa interna de retorno) de 27,26%. “Temos uma aptidão enorme no Brasil de produzir etanol e hoje consumimos mais gasolina que etanol. Se estivéssemos na proporção 60% etanol e 40% gasolina, Mato Grosso teria hoje de importar etanol. Por que as pessoas deixaram de abastecer com etanol? A resposta está no preço do etanol e da gasolina, a diferença atual é menor que 30%, o que faz com que as pessoas optem pela gasolina em função do maior rendimento por quilômetro rodado”. 

Mas para Silveira, o dilema de “vender para quem” vai muito além de uma questão simples de mercado, entre preferir este ou aquele combustível e de ter etanol em excesso no mercado. “Temos escutado constantemente os usineiros dizendo que o problema é a intervenção estatal, pois o governo federal mantém um preço político à gasolina, preço este que deveria estar 20% mais alto. Se não fosse esse preço artificial, o etanol seria mais competitivo e aumentaria o consumo significativamente. Fica claro que o controle do governo sobre o preço da gasolina é um dos problemas”. 

FORMAÇÃO DE PREÇO – Como destaca Silveira, fica claro que para haver aumento do consumo de etanol é preciso aumentar a diferença do preço do derivado da cana para o derivado de petróleo. “As usinas vendem para a distribuidora atualmente, o litro entre R$ 1,40 e 1,60, valor que contabiliza custos e impostos, inclusive o frete até Cuiabá. O custo de produção industrial do etanol no geral fica em torno de R$ 0,40/litro e o preço nos postos varia de R$ 2,05 a R$ 2,45 reais. Há um acréscimo de quase R$ 1 por litro. Na minha cidade, Campos de Júlio, temos uma usina, a Usimat. Lá me informaram que eles vendem às distribuidoras, na safra, o litro de etanol a R$ 1,57 posto em Cuiabá e, pasmem, nos postos da minha cidade, que ficam a apenas 70 quilômetros da usina, o preço do etanol na bomba é de R$ 2,41, ou seja, R$ 0,84 de acréscimo. Um dos problemas desse acréscimo no preço é o ‘passeio’ dado pelo combustível: o etanol carregado na usina é transportado até Cuiabá e depois volta para os postos da região. Esse ‘passeio’ custa ao consumidor R$ 0,14 mais por litro”. 

Silveira frisa que há usinas quebrando por estarem com margens apertadas e consumidores que não usam etanol por considerarem o litro caro. “Na região Centro-Oeste, onde temos uma enorme aptidão para produzir milho e cana, poderíamos estar abastecendo 100% com etanol, e o consumidor estadual podia estar pagando cerca de R$ 1,90 a R$ 2 no litro de etanol”. 

Justiça libera uso do benzoato em MT

Anúncio foi bem recebido e é fruto de uma articulação feita por autoridades estaduais, mas vai-e-vem pode causar confusão no Estado

Diário de Cuiabá|Economia|Marianna Peres

A Justiça Federal autorizou o uso do benzoato de emamectina, nas lavouras mato-grossenses. A decisão do desembargador federal Jirair Aram Meguerian do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ocorreu na última sexta-feira (13) e foi confirmada ontem à tarde pelo Ministério da Agricultura. A molécula química é a mais recomendada para o controle e combate da lagarta Helicoverpa armigera, praga que há duas safras vem causando estragos na produção nacional de grãos e fibras e impondo perdas financeiras devido à alta sobre os custos de produção, especialmente da soja e do algodão. Nesta safra, a sojicultura mato-grossense registrou ataques severos em várias partes do Estado. 

O embasamento, para o parecer favorável à liberação do produto no país, foi apresentado por fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a pedido do titular da pasta, Neri Geller. Autoridades sanitárias locais, como a Comissão de Defesa Sanitária Vegetal (CDSV/Mapa) e Embrapa, tiveram participação decisiva para anulação do parecer que proibiu a utilização do benzoato nas lavouras, decisão que estava em vigor até a última sexta-feira.

Entre os argumentos expostos para derrubar a decisão, estava a fundamentação técnica da Embrapa. De acordo com a empresa, apesar de existirem outras moléculas capazes de controlar a proliferação da lagarta, é importante a utilização do benzoato juntamente com outros produtos para evitar que ocorram casos de resistência ao uso de um só. Além disso, a autorização especial para uso da substância é condicionada ao manejo integrado de pragas, divulgado amplamente no país pela Caravana Embrapa. 

Outro embasamento foi a decisão do Tribunal de Justiça da Bahia, que alegou não haver razão para vedar a utilização do agrotóxico, uma vez que a concessão de autorização de uso pelo Ministério da Agricultura já representa a observância das restrições legais impostas para a salvaguarda do meio ambiente e da saúde humana. 

“Dependendo do estágio de infestação da praga na lavoura, o benzoato é essencial. Há situações onde é preciso maior controle, quando o uso da substância mostra-se como a melhor alternativa. As ações do Mapa são para assegurar uma produção agrícola forte, mas preocupadas com a saúde pública e o meio ambiente”, explica o ministro Neri Geller. 

PROBLEMAS A VISTA – A liberação de uso em Mato Grosso chega em um momento, ao menos, delicado. Há cerca de quinze dias, o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea/MT) encerrou o recolhimento do benzoato de Emamectina que havia sido importado, com prévia autorização, pelos produtores de Mato Grosso. No início de maio, uma decisão da Justiça Federal proibiu o uso do químico – e obrigou o órgão e recolher o produto que ainda estivesse em mãos dos produtores. Agora, a mesma 

Das cerca de 41 toneladas importadas até a decisão de proibição, 38,8 toneladas foram recolhidas pelo Indea/MT. Por telefone, no final da tarde de ontem, o coordenador de Defesa Sanitária Vegetal do órgão, Ronaldo Medeiros, disse que o jurídico do Indea/MT estava avaliando a nova decisão para saber como proceder a partir de agora, já que o produto que havia nas mãos dos produtores foi recolhido. “Ainda não sabemos que haverá devoluções e nem como elas serão feitas, mas todo produto apreendido está separado por lotes e individualizado por produtor. Se a decisão envolver a devolução, temos condições de restabelecer a cada produtor o que foi retirado em maio, por força de decisão da mesma Justiça Federal. Será apenas uma questão de logística”.

O VAI E VEM – No dia 28 de abril deste ano, a juíza federal Vanessa Perenha Gasques, a pedido do Ministério Público Federal, determinou que o Indea/MT e o estado de Mato Grosso não poderiam expedir autorizações para aplicação de agrotóxicos que contivessem a substância benzoato de emamectina. 

O uso de benzoato é fundamentado na Lei nº 12.873/2013, que autoriza o Mapa a declarar estado de emergência fitossanitária na presença de risco de surto de praga quarentenária, como no caso da lagarta. Entre as ações permitidas, há a possibilidade temporária de uso e de importação de agrotóxicos, mesmo os não registrados segundo a Lei nº 7.802/1989, desde que preenchidos os requisitos estabelecidos – por exemplo, o emprego autorizado em países com práticas regulatórias conhecidas. 

Mato Grosso foi reconhecido em emergência fitossanitária em novembro de 2013, por meio da Portaria nº 1.130 do Mapa. Segundo Geller, todos os requisitos técnicos para a utilização da molécula não regulamentada no Brasil estão embasados, o que não justifica qualquer decisão contrária em relação ao benzoato. 

Gangorra das commodities

Relação entre produção e preço andou difusa entre 2011 e 2014. Altos e baixos marcaram o saldo da soja, do milho e do algodão 

Diário de Cuiabá|Economia|Marianna Peres

Da safra 2011 ao atual ciclo, as três principais culturas que são o carro-chefe do agronegócio mato-grossense – soja, milho e algodão – viveram momentos de altos e baixos quando se comparam as oscilações de preços com as variações da produção. A coincidência entre elas é que 2014 já é o ano em que os preços menos aumentaram, num claro reflexo da oferta dos anos anteriores. No caso da soja, a atual oferta de 26,07 milhões de toneladas é mais um recorde, sobre o recorde anterior. Mato Grosso é o maior produtor de grãos e fibras do país. Os dados fazem parte do primeiro relatório trimestral da Conjuntura Econômica, divulgado semana passada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). 

Na sojicultura, a maior expansão percentual da produção foi em 2013, com evolução de 13% sobre o ano anterior. Em relação aos preços, a maior variação foi em 2012, 14%, justamente no ano em que a oferta cresceu menos, apenas 4%. No levantamento do Imea, a soja mato-grossense cresceu 9% em oferta e 13% em valor. Em 2012, 4% e 18%, em 2013, 11% e 14% e em 2014, 11% e 1%, respectivamente. 

No caso do milho, cultura produzida em sua totalidade em segunda safra no Estado, a análise mostra que nos três primeiros anos desta série, o milho teve incremento anual de preços de 13%, 18% e 14%. Depois do recorde de produção da safra passada, quando Mato Grosso ofertou mais de 22 milhões de toneladas, o preço pressionado pela oferta, cresceu apenas 1% em 2014. Nos outros anos desta série do Imea – 2011, 2012, 2013 e 2014 – a produção recuou 17% e depois cresceu 4%, 11% e 11%, respectivamente. 

A cotonicultura, que nesta safra o Estado atinge a participação de 56% da produção nacional, é a única entre as três que teve um ano de preços em retração. Em 2012, como reflexo da grande oferta do ano anterior, os preços caíram 19% e a produção aumentou 15%. Na sequência da série, o algodão em 2011 teve incremento de 67% na oferta e de 23% no preço. Em 2012, 15% e -19%, em 2013, -36% e 18% e em 2014, 31% e 4%, respectivamente. 

PESO DO CUSTO – A soja, que é o carro-chefe da economia do Estado, só volta a ser plantada em setembro, mas desde já está exigindo muito atenção dos produtores. Como alertam os técnicos do Imea, a nova safra aponta para mais um ano de pressão que os altos custos dos insumos vão exercer sobre as margens de lucro. O custo de produção será tão recorde quanto a projeção de mais de 27,30 milhões de toneladas. 

Conforme o Imea o custo de produção da soja para a o novo ciclo é projetado inicialmente, em um desembolso total de R$ 2.452,70/ha para a soja transgênica e de R$ 2.437,78/ha para a variedade convencional. A despesa com os insumos (sementes, fertilizantes e defensivos) participará com mais da metade do total gasto na produção da oleaginosa, tanto na transgênica como na convencional, com a participação de 60% do total gasto com a produção. “Se for considerado o custo de produção da safra 2014/15 com a produtividade aguardada em 52,5 sc/ha para o próximo ciclo, o produtor terá um custo de produção de R$ 46,72 por uma saca. 

“Atualmente, a cotação da soja disponível gira em torno de R$ 56,35/sc, ou seja, o suficiente para cobrir o custo de produção e ainda gerar cerca de R$ 10/sc de margem de lucro. Porém, se formos considerar o preço paridade para março de 2015, que apresenta média para maio próximo a R$ R$ 45,37/sc, este se apresenta abaixo do que o produtor precisaria gastar para cobrir o custo de produção, podendo indicar uma redução na margem de lucro da próxima safra caso este cenário não se altere. Entretanto, a expectativa para a temporada 2014/15 não é muito animadora para as cotações, visto que a oferta será abundante, tanto internamente como no mercado externo”. 

Produtores acusam BB de fazer ‘venda casada’

O ESTADO DE S.PAULO|NIVALDO SOUZA|BRASÍLIA  

14 Junho 2014 

Representantes do setor agrícola dizem que banco só faz contrato de seguro se for junto com crédito de custeio; banco nega a prática

O Banco do Brasil (BB) é alvo de reclamações de agricultores, que acusam a instituição de travar o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O programa é usado para os produtores contratarem apólices para cobrir eventuais perdas gerada por problemas climáticos.

De acordo com os produtores, o banco estatal libera o seguro quando há a contratação de financiamento de custeio para o início da plantio e apenas quando a seguradora é a BB Mafre – joint venture com uma carteira estimada em R$ 10 bilhões. A chamada “venda casada” do custeio com seguro é proibida. “O Banco do Brasil está fazendo a venda casada, não libera recursos de custeio sem a contratação do seguro”, diz o diretor executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa.

As denúncias contra o BB foram levadas ao ministro da Agricultura, Neri Geller, na quarta-feira, por representantes da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e a Aprosoja Brasil. Segundo participantes da reunião, o ministro afirmou que, se não houver denúncia formal de produtores, nada poderá ser feito. A Aprosoja argumenta que os produtores têm medo de retaliações do BB, principal agente financeiro do agronegócio no País. Apesar do impasse, Geller se comprometeu a tratar o tema no governo.

O seguro representa em média 10% do valor do crédito dos agricultores como financiamento de custeio da produção. O governo assume até 60% do valor segurado. O governo liberou R$ 557,6 milhões pelo PSR no ano passado. Para a safra 2014/2015, a meta é empenhar R$ 700 milhões para 80 mil produtores.

Concentração. O líder da bancada ruralista no Congresso Nacional, deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), diz que o BB justificou que a suspensão se deve à falta de normas do Ministério da Agricultura para regulamentar o repasse dos R$ 700 milhões do Plano Safra 2014/2015. Segundo Heinze, há indicação as regras do seguro sejam definidas na próxima semana. “O Banco do Brasil já repassou R$ 150 milhões dos R$ 170 milhões e segurou até agora porque ainda não há uma definição de como a subvenção será feita”, diz o presidente da FPA.

Rosa, da Aprosoja, diz que a suspensão tem outro fundamento: o Banco do Brasil está pressionando o governo para não haver uma pulverização dos recursos. O BB Mafre tem cerca de 70% do mercado de seguro agrícola. O banco recebe repasses da Agricultura, desde o início do programa em 2005.

O modelo foi contestado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A Corte decidiu, em abril, que a subvenção deve ser repassada diretamente ao produtor e não às seguradoras. Ficou acertado que enquanto não houver sistema para repasse direto, o ministério deveria distribuir cotas iguais dos R$ 700 milhões às seguradoras. Com isso, o mercado tende a descentralizar e o BB pode perder a liderança. O BB nega, por meio de sua assessoria, a “venda casada”. O banco diz que também diz permite o seguro por outras seguradoras que não a BB Mafre.

Colheita da safrinha começa em MT

Colheitas voltam à cena. Menos de 2% da área plantada teve o cereal extraído até o momento. Expectativa fica por conta da produtividade

Produção da safra 2014 de milho será menor do que o volume ofertado no ano passado. Clima pode ter favorecido

MARIANNA PERES
Da Editoria de Economia do Diário de Cuiabá

A colheita do milho segunda safra teve início, neste mês, em Mato Grosso. Cerca de 2% de uma área cultivada de 3 milhões de hectares (ha) estão colhidos. O ritmo recém-iniciado já supera o mesmo período do ano passado, quando no começo de junho menos de 1% da área havia recebido as colheitadeiras. A expectativa é de que os trabalhos sejam finalizados até a última semana de agosto. 

Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a área de segunda safra semeada com o milho recuou menos do que o esperado e em maio, o órgão revisou as estimativas para cima. A safrinha 2014/15 teve ganho espacial de 35 mil hectares, todos localizados ao oeste e nordeste de Mato Grosso. 

A expansão apurada se deu em virtude da continuidade de semeadura de algumas áreas fora da janela ideal de plantio, ou seja, para além de fevereiro, mês limite para o bom desenvolvimento das plantas. A aposta no cereal foi motivada pela reação das cotações bem como pela continuidade do período chuvoso. Com isso, a nova área de milho do Estado foi alterada para 3 milhões de hectares, representando uma queda de 18,8% ou 695 mil hectares em relação à safra 2012/13. Até março, o Imea projetava área plantada de 2,97 milhões/ha. “Com as novas áreas estimadas para o milho, apesar de o Estado apresentar recuo em relação à 2012/13, as regiões oeste e nordeste do Estado apresentam ganho de área em relação à temporada anterior”. 

E foram justamente essas duas regiões que acreditaram na cultura e ampliaram a superfície – na contramão do registrado no Estado – e o clima ajudou o desenvolvimento, com chuvas atípicas para esta época. A região oeste é a mais adiantada na colheita, quase 4% da área de 392 mil/ha estão colhidos. Apenas a região nordeste não havia dado a largada. 

Mesmo com a expansão de área registrada entre as estimativas até março e o realizado no Estado, a segunda safra não será recorde como a do ano passado. Conforme o Imea – bem como números divulgados nessa semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)- a expectativa de produção nesta safrinha do cereal é de 15,38 milhões de toneladas (t), representando um recuo de 31,7% ou 7,16 milhões t em relação aos 22,54 milhões produzidos na safra passada. 

Essa pequena alteração nas projeções do cereal, também realizada pela Conab, neste mês, contribuiu para o saldo agrícola do Estado, que segue mais do que nunca como o maior produtor nacional de grãos e fibras, com 47 milhões t, 2,5% mais que o volume da última safra. O milho, que em maio foi avaliado em 15,70 milhões t pela Conab, passou a 16,41 milhões t. Mesmo assim, apresenta queda de 15,2% sobre a produção da safra passada em 19,35 milhões t. 

VENDAS – Ainda conforme aponta o Imea, a comercialização do cereal atingiu até final de maio 25,6% da produção estimada, percentual que correspondente a 3,95 milhões t. Na comparação anual, as vendas estão cerca de 3,1 pontos percentuais (p.p.) menores, já que o montante negociado representava 28,70%, de uma safra de mais de 22 milhões t. 

As vendas vão sendo cadenciadas pelas notícias vindas dos Estados Unidos, que está em pleno plantio e é o maior produtor mundial, e da movimentação dos preços da saca. “O preço médio praticado no Estado durante maio foi de R$ 15,07 a saca, cifras que apesar de inferiores ao do mês anterior, eleva o preço ponderado da comercialização para R$ 14,82/sc. O avanço das negociações durante maio foi de apenas 4,6 p.p. no comparativo com abril, a menor evolução mensal desta safra até então. Apesar de a diferença percentual com a comercialização do mesmo período do ano anterior ser de apenas -3,1 p.p., em valores absolutos o volume negociado até o momento é inferior em 2,5 milhões de toneladas. Desta maneira, faltando ainda quase 75% a ser vendido, os produtores mato-grossenses devem ficar atentos aos preços, que podem apresentar recuos devido à entrada da nova safra, e a queda do preço nos mercados nacionais e internacionais”. 

SEMEADURA EUA – No relatório divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a semeadura do milho da safra 2014/15 entra em reta final, Até o dia 1º de junho em 95% da área, 5 p.p. à frente da safra anterior e com evolução semanal de 7%. Dos 35,2 milhões/ha que foram semeados até então, 80% já estão emergidos. A condição das lavouras apresenta-se, em sua maioria, de bom a excelente estado, totalizando 76% do milho nestas condições, 13 p.p. a mais do que no mesmo período do ano anterior. 

“Diante da boa evolução da semeadura e do desenvolvimento do cereal nos Estados Unidos, o mercado tem sofrido pressões de baixa, perdendo importantes suporte em Chicago – Bolsa onde os preços são formados e que balizam todo o cereal comercializado no mundo – podendo impactar diretamente no preço em Mato Grosso. Isto pode ocorrer visto que o Estado é importante exportador, fazendo com que os preços oferecidos aos produtores sejam calculados através das cotações em Chicago”, alertam os analistas do Imea. 

 

 

Pelos próximos 90 dias, de 15 de junho a 15 de setembro, estará vetado em MT o cultivo da oleaginosa. Medida elimina a ‘ponte-verde’

‘Buquê’ de soja guaxa com ferrugem asiática foi ‘colhido’ pelo coordenador da CDSV/Mapa. Guaxa dissemina fungo

MARIANNA PERES
Da Editoria de Economia do Diário de Cuiabá

A partir do próximo dia 15, estará proibido o de soja em Mato Grosso, estado líder nacional na oferta do grão. De 15 de junho a 15 de setembro, ou seja, no período de 90 dias, estará em vigor o ‘Vazio Sanitário’, uma medida de defesa vegetal e visa evitar a disseminação da ferrugem asiática, doença fúngica que atinge a lavoura de soja e é disseminada a partir de plantas vivas. A existência de plantas neste período acabam servindo de alimento e de abrigo ao fungo, criando a chamada ‘ponte verde’, que carrega a doença de uma safra para a outra. 

Neste ano, para fazer valer o Vazio, a Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT) está conscientizando, além dos sojicultores, as prefeituras de municípios produtores do grão para o período proibitivo. “Além de estarem impedidos de plantar soja, os produtores devem eliminar a soja guaxa, aquela que nasce de forma voluntária, ao redor das propriedades e nas margens das rodovias e estradas por onde a produção é transportada”, explica o diretor técnico da Associação, Nery Ribas. De forma complementar, a Aprosoja/MT orienta as prefeituras de municípios produtores de soja sobre como proceder nos casos de surgimento de soja em margens de rodovias e no perímetro urbano, originadas de sementes caídas de caminhões, por exemplo. 

O impacto da doença, que limita a produtividade das lavouras e demanda altos investimentos para seu combate, não se limita á renda do agricultor. “Como a soja é a culturas de maior impacto econômico em Mato Grosso, a queda de produtividade pode significar menos impostos recolhidos e até uma redução na geração de renda nas cidades”, comenta o diretor técnico. No último ciclo, os prejuízos com a ferrugem asiática na região Centro-Oeste foram de US$ 1,9 bilhão em perdas diretas (produção) e US$ 600 milhões em aplicações extras de defensivos para controle da doença. 

AMEAÇA – Para o coordenador da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Ministério da Agricultura no Estado (CDSV/Mapa), Wanderlei Dias Guerra, a atual situação é grave e indica muito trabalho para a fiscalização nos próximos meses e o pior, a existência de muitas plantas vivas pelo Estado só aumenta a pressão da doença para a safra 2014/15 que começa a ser cultiva logo após o fim do Vazio. “Às vésperas do início do Vazio Sanitário, quando já se esperava que todas as plantas guaxas e lavouras de safrinha tivessem sido eliminadas, colhidas ou não semeadas, ainda nos deparamos, infelizmente com essa realidade”. 

Como aponta Dias Guerra, “isso é o retrato da ação de produtores inconscientes e da ineficiência da comunicação ou da fiscalização, porque por onde se anda no interior encontramos verdadeiras lavouras de guaxas dentro de propriedades, lavouras comerciais e plantas guaxas por toda a parte, tudo tomado pela ferrugem. Pior saber que ali, nestas inocentes plantas, estão hospedados milhões de esporos, certamente ainda menos sensíveis aos fungicidas, do que estavam nas lavouras anteriores e, o que é certo, são eles que chegarão primeiro nas lavouras da região, cada ano mais cedo e causando ano após ano, prejuízos cada vez maiores”. 

Em Campos de Júlio (noroeste do Estado), município onde a ferrugem chegou primeiro em lavouras comercias na safra passada a situação é mais crítica, revela o coordenador. “A entrada da cidade está ‘enfeitada’ pelas guaxas. De Sapezal, a Campo Novo do Parecis até Diamantino, a situação não é diferente. Conclamo os secretários de Agricultura a, assim com ocorreu em Primavera do Leste e Lucas do Rio Verde, adotarem ações visando à erradicação das guaxas, pelo menos nos limites das cidades”. 

SANÇÕES – Produtores que descumprirem a medida são sujeitos à autuação e à cobrança de multas, 30 UPFs (Unidade Padrão Fiscal) mais 2 UPFs por cada hectare com planta viva não destruída. 

Projeto de Zoneamento Ecológico Econômico é entregue na Assembleia de Roraima

Objetivo é orientar o planejamento e ocupação do solo, além de controlar a utilização dos recursos naturais

Governador de Roraima,  , durante assinatura do projeto.  Foto: Edinaldo Morais/Ascom

BOA VISTA – O projeto de Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) do Estado de Roraima foi assinado pelo governador Chico Rodrigues e encaminhado a Assembleia Legislativa de Roraima (ALE). O projeto está há mais de 20 anos em discussão e tem como principal objetivo orientar o planejamento de uso e ocupação do solo, além de controlar a utilização dos recursos naturais disponíveis em todo território estadual. Após a implantação da legislação, o ZEE  será responsável por regimentar a elaboração de planos de gestão, conservação de recursos naturais, redução de desmatamento e de problemas como grilagem, exploração ilegal de madeira, garimpagem, entre outros assuntos. A vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima, deputada Aurelina Medeiros (PSDB), recebeu o Projeto –Zoneamento Ecológico Econômico- do governador e agora os deputados estaduais serão responsáveis pela aprovação. A deputada afirmou que o projeto é um marco para o produtor rural. “Não somos como o Estado do Amazonas que vive do comércio. Nossa atividade mais forte é a agricultura, por isso é tão importante o Zoneamento, pois dá segurança ao agricultor”, disse a deputada. Segundo o governador Chico Rodrigues, o ZEE é um marco no setor produtivo do Estado, pois dá oportunidades reais de desenvolvimento para o produtor. “Vários produtos que estão hoje no mercado, 80% era importado. Hoje inverteu a equação em apenas dez anos. Cerca de 80% desses produtos são produzidos no Estado, através da agricultura familiar”, afirmou o chefe de estado.

 

Moçambique: um milhão de crianças trabalham

AFP PHOTO/ SIA KAMBOU|RFI

O alerta foi lançado em Maputo, pelo coordenador da OIT no país, que afirmou haver cerca de um milhão de crianças a trabalhar, em sectores como o garimpo, o comércio informal, a agricultura, ou ainda em trabalhos domésticos, um número que tem que ser reduzido.

Durante dois dias estão reunidos em Maputo representantes do Estado e não só, com o objectivo de recolher subsídios para a elaboração de um plano nacional de acção, destinado a eliminar o trabalho infantil no país até 206.

O coordenador da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Moçambique, lançou este alerta hoje (28/05) em Maputo ao afirmar “há mais ou menos um milhão de crianças que trabalham neste momento em Moçambique, é um número assustador, que temos que reduzir, e uma das maneiras é implementarmos todos juntos o plano contra o trabalho infantil, que vamos validar nestes dias“. 

Orfeu Lisboa, correspondente em Maputo
 
 

28/05/2014

Moçambique ratificou em 2003 a Convenção da OIT que proíbe “as piores formas” de trabalho infantil, incluindo a escravatura, trabalho forçado, prostituição infantil e o recrutamento de menores de 18 anos para as forças armadas.

Em Outubro de 2013 a OIT apontou Moçambique como um exemplo de combate ao trabalho infantil, que no ano passado atingia cerca de 10 milhões e meio de crianças em todo o mundo. 

Entidades avaliaram as novas condições e recursos para 2014/15 de forma positiva. PAP está mais próximo do campo

Diário de Cuiabá|Marianna Peres|Economia

O primeiro Plano Agrícola e Pecuário (PAP) feito com a ajuda direta de representantes de Mato Grosso agradou às entidades que representam o agronegócio estadual. Com o ministro Neri Geller e o secretário de Política Agrícola, Seneri Paludo – nomes saídos de Mato Grosso -, a frente da elaboração das novas condições e recursos para a safra 2014/15 houve foco em questões prioritárias como apoio estratégico aos médios produtores, à inovação tecnológica, ao fortalecimento do setor de florestas comerciais e à pecuária de corte, além de ajustes no seguro rural. 

Ao todo, serão disponibilizados R$ 156,1 bilhões – alta de 14,7% sobre os R$ 136 bilhões da safra 2013/14 –, dos quais R$ 112 bilhões são para financiamentos de custeio e comercialização e R$ 44,1 bilhões para os programas de investimento. O PAP foi lançado pela presidenta Dilma Rousseff e pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, ontem, em Brasília (DF). 

Pelo Programa de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) estão programados R$ 16,7 bilhões para as modalidades de custeio, comercialização e investimento. O valor é 26,5% superior aos R$ 13,2 bilhões previstos na safra 2013/14. Os limites de empréstimo para custeio passaram de R$ 600 mil para R$ 660 mil, enquanto os de investimento subiram de R$ 350 mil para R$ 400 mil. 

O governo federal pretende ainda instituir a Política Nacional de Florestas Plantadas no âmbito do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Entre as ações previstas para estimular o setor estão investimentos em pesquisa, assistência técnica e extensão rural, além de crédito específico para fomentar a prática – como já ocorre atualmente pelo Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), que financia em até 15 anos (sendo seis anos de carência) a implantação e manutenção de florestas comerciais. 

Em relação ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), proposta em que o governo federal atua por meio da redução de custos no momento da contratação da apólice, os recursos foram mantidos em R$ 700 milhões, volume suficiente para alcançar cerca de 10 milhões de hectares e mais de 80 mil produtores. 

Quanto aos incentivos à pecuária, agora os criadores poderão financiar a aquisição de animais para engorda em regime de confinamento, a retenção de matrizes (com até três anos para pagamento) e a aquisição de matrizes e reprodutores (limite de R$ 1 milhão por beneficiário com até cinco anos para pagamento, sendo dois de carência), com o intuito de aumentar a oferta de carne. 

Já para incentivar a inovação tecnológica no campo, serão aperfeiçoadas as condições de financiamento à avicultura, suinocultura, agricultura de precisão, hortigranjeiros (cultivos protegidos por tela de proteção contra granizo, estufas, etc.) e pecuária de leite por meio do Programa Inovagro. Por esta modalidade, foram programados R$ 1,7 bilhão em recursos (alta de 70%), sendo R$ 1 milhão por produtor para ser pago em até 10 anos, sendo três anos de carência. 

Outra novidade do PAP é que o Moderfrota foi revitalizado, com taxas de juros reduzidas de 5,5% para 4,5% e voltando a financiar a aquisição de máquinas agrícolas novas. Além disso, o Moderinfra teve aumento dos limites de crédito individuais de R$ 1,3 milhão para R$ 2 milhões e coletivos de R$ 4 milhões para R$ 6 milhões para projetos de infraestrutura elétrica e para reserva de água, além dos sistemas de irrigação na(s) propriedade(s). 

LIMITES/TAXAS – O limite de financiamento de custeio, por produtor, foi ampliado de R$ 1 milhão para R$ 1,1 milhão, enquanto o destinado à modalidade de comercialização passou de R$ 2 milhões para R$ 2,2 milhões. Em ambos os casos, a variação foi de 10%. A variação vai de 4% a 6%. “As taxas de juros do crédito rural foram em grande parte preservadas, uma vez que os ajustes foram inferiores ao aumento da taxa Selic”, explica o ministro Neri Geller. 

REPERCUSSÃO – O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Carlos Fávaro, e o vice da entidade, Ricardo Tomczyk, avaliaram positivamente o pacote governamental. “Entendemos que é um bom plano, atende às demandas do setor com o aumento de recursos e de limites e com taxas de juros compatíveis”, disse Tomczyk. Segundo ele, apesar do aumento da taxa Selic no período, o aumento na taxa de juros foi pequeno e, no caso do Moderfrota, houve até redução. 

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Rui Prado, entre as demandas enviadas pelo setor produtivo de Mato Grosso ao Mapa, dois pedidos foram atendidos integralmente e outros quatro parcialmente. “O aumento do volume de recursos foi positivo e a criação de novas linhas de crédito para a pecuária também, conforme o setor produtivo solicitou ao Mapa”. 

Menos de um quinto à venda

Com mais de 21 milhões t negociadas deste início do ciclo, produtor aposta na entressafra para ganhar mais no preço 

Diário de Cuiabá|Economia|Marianna Peres

Demorou, mas as vendas de soja da safra 2013/14 aceleraram o ritmo em Mato Grosso. Mesmo com a colheita encerrada desde o início de abril, muitos produtores ainda aguardavam bons preços para voltar a comercializar o grão, já que parte da produção é tradicionalmente negociada antes mesmo de ser plantada, como forma de adquirir os insumos da lavoura. Com esse avanço, mais de 21,3 milhões de toneladas (t) estão vendidas no Estado, restando menos de um quinto da produção para zerar o que ainda está nas mãos do produtor. 

O volume movimentado impressiona já que até o início da nova safra nacional, que coincide com a colheita dos Estados Unidos, em setembro, há uma janela temporal que pode melhorar ainda mais as cotações nos próximos meses. Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), nesta safra o Estado produziu cerca de 26,15 milhões t. 

As negociações até o início de maio comprometeram 81,4% de todo o grão produzido em Mato Grosso nesta temporada. Como apontam os analistas do Imea, a comercialização evoluiu 6 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mês anterior e apresenta apenas 1,6 p.p. de atraso no comparativo com 12/13 no mesmo período. “Apesar disso, em números absolutos o volume comercializado do ciclo 13/14 é 8,8% superior devido à maior produção estadual da oleaginosa, 10,9% superior em relação à safra passada”. 

O preço médio mensal registrado em abril foi o melhor desde o início das negociações desta safra, de R$ 55,17/sc, elevando o preço médio ponderado pela comercialização para R$ 48,02/sc. Até o final de novembro de 2013 48,8% da produção estadual da oleaginosa haviam sido negociados antecipadamente, abaixo dos 67,7% da soja 12/13 negociada até o mesmo período de 2012. “Entretanto, a partir de dezembro os preços mais atrativos incentivaram as negociações”.