Arquivo da tag: AIR FRANCE

Greve dos controladores aéreos afeta voos na França nesta terça-feira

Prevista greve dos controladores aéreos a partir desta terça-feira, 24

Prevista greve dos controladores aéreos a partir desta terça-feira, 24

sncta.fr|RFI

Uma greve anunciada para esta terça-feira (24) pelo Unsa-ICNA, o sindicato minoritário de controladores aéreos na França, poderá provocar uma redução de 20% dos voos previstos em vários aeroportos franceses. As regiões sul e sudoeste serão as mais afetadas.

A paralisação parcial deverá durar até o próximo dia 29. De acordo com a Direção Geral de Aviação Civil francesa, haverá redução do tráfego aéreo nos aeroportos de Lyon, Marselha, Toulouse e Bordeaux. Em Paris, os voos com destino ao sul da França, Espanha, Portugal, Marrocos, Tunísia e Argélia também poderão sofrer atrasos ou cancelamentos.

Segundo a companhia Air France, a greve afetará apenas 10% dos voos internos e os transatlânticos não serão alterados. De acordo com a Secretaria dos Transportes francesa, cerca de 75% dos voos serão assegurados durante a semana. A lei do serviço mínimo implementada na França determina que pelo menos 50% do tráfego aéreo seja garantido.

Sindicatos protestam contra diminuição de investimentos

Os sindicatos protestam contra a redução dos recursos alocados ao setor a partir de 2015. O plano de investimentos será apresentado pela França até o dia 20 de junho em Bruxelas. O principal deles, o SNCTA, que representa 41% dos 4 mil controladores aéreos, retirou seu pré-aviso de greve neste domingo, mas também se queixa das condições de trabalho.

Uma das críticas da categoria, que reúne cerca de 4 mil controladores, é em relação aos instrumentos de navegação, considerados obsoletos. O calculador do sistema de Informática, por exemplo, data dos anos 80, e deverá ser substituído por um programa de gestão de voos desenvolvido pela empresa Thales, chamado Co-Flight.

Além disso, lembra o sindicato, as telas dos radares do centro de controle de Aix en Provence foram trocadas em regime de urgência em razão de diversas panes nos últimos 18 meses. 

Cinco anos depois, acidente do AF447 ainda gera disputa jurídica

Flores são colocadas em memorial das vítimas do AF447 no cemitério Père Lachaise

Flores são colocadas em memorial das vítimas do AF447 no cemitério Père Lachaise|Reuters|Taíssa Stivanin

Na noite de 31 de maio de 2009, o voo AF447, com 228 passageiros a bordo, deixava o Rio em direção a Paris. Eles jamais chegariam a seu destino. Cerca de três horas depois da decolagem, uma série de incidentes técnicos resultou na queda do Airbus330 da Air France no meio do oceano Atlântico.

Neste fim de semana, no Brasil e na França, duas cerimônias aconteceram em memória às vítimas do acidente. Em Paris, uma homenagem aconteceu às 15h do sábado no cemitério Père Lachaise; e no Rio, flores serão colocadas sobre o monumento construído no Alto Leblon.

As Associações dos Familiares das Vítimas, entretanto, não escondem sua decepção em relação ao último documento divulgado pela Justiça francesa, no processo penal contra a Airbus e a Air France.

O relatório, encomendado pela Airbus e aceito pela juíza francesa Sylvia Zimmerman, foi divulgado há cerca de duas semanas. Ele atesta que o acidente ocorreu por falha humana e que a responsabilidade é dos pilotos, que não tiveram as reações “apropriadas” que possibilitariam salvar a aeronave.

A culpa é dos mortos

Uma conclusão que revolta os familiares e até mesmo a companhia aérea, que considerou o documento unilateral. O próprio BEA, a agência civil francesa, responsável pela investigação do acidente, concluiu em seu relatório final divulgado em 2012 que o acidente não teria ocorrido se os sensores Pitot, que medem a velocidade do avião, tivessem funcionado corretamente.

No voo 447, o congelamento desses sensores provocou uma sucessão de panes que levaram à desestabilização do avião, que acabou caindo. Os pilotos também não ouviram o alarme de perda de sustentação, o que levou a agência a incluir uma recomendação no relatório final propondo a instalação de um sinal visual, além do sonoro, no cockpit.

“É preciso indiciar pessoas físicas, para que elas respondam pessoalmente pelos seus erros neste caso. Como você sabe, todo mundo se esconde atrás dos cadáveres dos pilotos. É a melhor opção para todos!”, diz o ex-piloto da Air France Gérard Arnoux, representante das famílias brasileiras na França.

Anulação do relatório

A Associação francesa das Vítimas, Entraide et Solidarité AF447, pretende entrar com um recurso na Justiça em julho. Uma audiência está prevista no Palácio de Justiça de Paris, explica um de seus membros, Laurent Lamy: “Como parente de uma das vítimas, eu não posso aceitar esse relatório. Vamos pedir aos advogados que ele seja anulado”, garante.

O presidente da Associação Brasileira das Vítimas do AF447, Nelson Marinho, concorda. “Este relatório mostra, parodiando De Gaulle, que a França não é um país sério”. Ele também pretende lançar uma ação paralela no país para contestar a responsabilidade da Airbus, acusada de negligência. Elas alegam que o excesso de automatização do avião foi responsável por vários incidentes envolvendo as aeronaves da fabricante.

Livro de memórias

Para lembrar os cinco anos do acidente, as famílias das vítimas pretendem lançar no fim de julho um livro reunindo depoimentos e fotos dos passageiros mortos no acidente. “O livro não terá fins comerciais”, explica Deborah Barochel Pereira Leite.

Ela mora em Munique e ajuda a organizar a publicação, ao lado da Associação Alemã das Vítimas. De acordo com ela, “trata-se de uma homenagem póstuma aos nossos entes queridos, com uma tiragem limitada”.

Europa pode ser “upgrade” na carreira de prostituta brasileira, diz antropóloga

 
Funcionário da Air France é acusado de manter rede de prostituição de brasileiras.

Funcionário da Air France é acusado de manter rede de prostituição de brasileiras.

REUTERS
Patricia Moribe

notícia ganhou destaque em toda a imprensa francesa, a respeito da prisão de um funcionário da Air France, acusado de manter uma rede de prostituição de brasileiras. O furo foi do jornal local Le Parisien, na semana passada. Também foram detidos a mulher brasileira do empregado da empresa aérea e um amigo do casal, também brasileiro.

Para a antropóloga Soraya Simões, ligada ao Laboratório de Etnografia Metropolitana da UFRJ e presidente da ONG Davida, criada há 20 anos para defender os direitos de prostitutas no Brasil, o caso pode estar ligado à política de contenção de imigração na França.

A denúncia partiu de uma jovem brasileira, que alega ter sido forçada a se prostituir desde 2010, quando chegou a Paris. Ela relatou à polícia francesa que recebia até cinco clientes por dia, cobrando 150 euros (cerca de 450 reais) por programa.

A Air France confirmou à Rádio França Internacional que um funcionário está sob investigação no caso, mas a empresa se recusa a fornecer mais detalhes.

Sonho europeu

“Não dá para saber se a pessoa foi constrangida a exercer uma atividade contra a vontade”, diz Soraya Simões. “Na França, por ser um país bastante visado por imigrantes, há muitas pessoas trabalhando em regime clandestino e até mesmo escravo, sem necessariamente ser prostituição. É um debate que tem a ver com políticas de contenção de imigração, sem a obrigação de envolver tráfico de pessoas”.

Ela lembra que há pessoas que desejam e procuram esse tipo de deslocamento, ou seja, viajar para a Europa. “No ramo da prostituição, para muitas mulheres e travestis, passar por cidades como Paris, Milão e Londres é quase um upgrade na carreira”, compara Soraya.