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Cabine inunda e obriga Airbus a voltar para aeroporto

Um avião da companhia aérea australiana Qantas foi obrigado a retornar por causa de um vazamento. Na foto, uma outra aeronave da empresa.

Um avião da companhia aérea australiana Qantas foi obrigado a retornar por causa de um vazamento. Na foto, uma outra aeronave da empresa.

qantas.com.au
RFI

Um Airbus A380 da companhia australiana Qantas teve de retornar para o aeroporto de Los Angeles (EUA) meia hora depois da decolagem, rumo a Melbourne (Austrália), devido a uma infiltração de água que inundou parcialmente a cabine. O incidente aconteceu na noite de quarta-feira e foi relatado hoje pela empresa e os passageiros.

 

Um comunicado divulgado pela Qantas explica que o problema não comprometeu a segurança do voo, mas o piloto decidiu voltar “para o maior conforto dos passageiros”. O avião se dirigia para Melbourne.

“A tripulação fez de tudo para ajudar os clientes, inclusive levando-os para áreas não afetadas e fornecendo cobertores para que não se molhassem”, explicou a companhia, que diz estar em contato com a Airbus para compreender as razões do problema. De volta a Los Angeles, os passageiros foram levados para hotéis da cidade enquanto os engenheiros da companhia resolvem o defeito.

“Nós vimos a água vazando dos compartimentos do teto. Jorrava água da escada para o andar superior”, contou Ken Pricen, um passageiro australiano, entrevistado pela Fairfax Media.

“Foi a coisa mais assustadora que eu já vi”, comentou à emissora CNN a atriz americana Yvette Brown, que também estava a bordo da aeronave, o maior aparelho comercial do mundo. ”No início, parecia apenas um vazamento e eu pensei que alguém tivesse deixado cair um refrigerante. Mas depois aumentou e encheu os dois corredores. Ficou literalmente como se fosse um rio correndo no avião”, afirmouLIA

Cinco anos depois, acidente do AF447 ainda gera disputa jurídica

Flores são colocadas em memorial das vítimas do AF447 no cemitério Père Lachaise

Flores são colocadas em memorial das vítimas do AF447 no cemitério Père Lachaise|Reuters|Taíssa Stivanin

Na noite de 31 de maio de 2009, o voo AF447, com 228 passageiros a bordo, deixava o Rio em direção a Paris. Eles jamais chegariam a seu destino. Cerca de três horas depois da decolagem, uma série de incidentes técnicos resultou na queda do Airbus330 da Air France no meio do oceano Atlântico.

Neste fim de semana, no Brasil e na França, duas cerimônias aconteceram em memória às vítimas do acidente. Em Paris, uma homenagem aconteceu às 15h do sábado no cemitério Père Lachaise; e no Rio, flores serão colocadas sobre o monumento construído no Alto Leblon.

As Associações dos Familiares das Vítimas, entretanto, não escondem sua decepção em relação ao último documento divulgado pela Justiça francesa, no processo penal contra a Airbus e a Air France.

O relatório, encomendado pela Airbus e aceito pela juíza francesa Sylvia Zimmerman, foi divulgado há cerca de duas semanas. Ele atesta que o acidente ocorreu por falha humana e que a responsabilidade é dos pilotos, que não tiveram as reações “apropriadas” que possibilitariam salvar a aeronave.

A culpa é dos mortos

Uma conclusão que revolta os familiares e até mesmo a companhia aérea, que considerou o documento unilateral. O próprio BEA, a agência civil francesa, responsável pela investigação do acidente, concluiu em seu relatório final divulgado em 2012 que o acidente não teria ocorrido se os sensores Pitot, que medem a velocidade do avião, tivessem funcionado corretamente.

No voo 447, o congelamento desses sensores provocou uma sucessão de panes que levaram à desestabilização do avião, que acabou caindo. Os pilotos também não ouviram o alarme de perda de sustentação, o que levou a agência a incluir uma recomendação no relatório final propondo a instalação de um sinal visual, além do sonoro, no cockpit.

“É preciso indiciar pessoas físicas, para que elas respondam pessoalmente pelos seus erros neste caso. Como você sabe, todo mundo se esconde atrás dos cadáveres dos pilotos. É a melhor opção para todos!”, diz o ex-piloto da Air France Gérard Arnoux, representante das famílias brasileiras na França.

Anulação do relatório

A Associação francesa das Vítimas, Entraide et Solidarité AF447, pretende entrar com um recurso na Justiça em julho. Uma audiência está prevista no Palácio de Justiça de Paris, explica um de seus membros, Laurent Lamy: “Como parente de uma das vítimas, eu não posso aceitar esse relatório. Vamos pedir aos advogados que ele seja anulado”, garante.

O presidente da Associação Brasileira das Vítimas do AF447, Nelson Marinho, concorda. “Este relatório mostra, parodiando De Gaulle, que a França não é um país sério”. Ele também pretende lançar uma ação paralela no país para contestar a responsabilidade da Airbus, acusada de negligência. Elas alegam que o excesso de automatização do avião foi responsável por vários incidentes envolvendo as aeronaves da fabricante.

Livro de memórias

Para lembrar os cinco anos do acidente, as famílias das vítimas pretendem lançar no fim de julho um livro reunindo depoimentos e fotos dos passageiros mortos no acidente. “O livro não terá fins comerciais”, explica Deborah Barochel Pereira Leite.

Ela mora em Munique e ajuda a organizar a publicação, ao lado da Associação Alemã das Vítimas. De acordo com ela, “trata-se de uma homenagem póstuma aos nossos entes queridos, com uma tiragem limitada”.