Arquivo da tag: alegria

DHA Q BRADA CELEBRA 10 ANOS NA ROSAS DE OURO

Além do amor ao futebol de várzea, o time promove ações sociais na comunidade e também comanda há quatro anos, uma ala na Escola de Samba Rosas de Ouro.

Para celebrar o aniversário de 10 anos de história nos campos da várzea, o DHA Q Brada promove uma grande festa que acontece dia 23 de agosto na Freguesia do Ó, em plena Quadra da Rosas de Ouro. A festa conta com o show de bateria da Escola de Samba Rosas de Ouro e participação dos convidados Flavio & Fernando, DJ Lela, e o grupo Batuque de Corda.

Fundado em 2004, o clube já participou de vários campeonatos como a Copa Kaiser, Jogos da Cidade e Taça Brahma. Atualmente, o time possui uma fantástica torcida organizada apelidada de “Só os Lokos” que acompanha a equipe em todos os jogos e campeonatos. A idéia de montar um time de várzea surgiu a partir de uma roda de conversas de amigos moradores do bairro da Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo.

Todos os finais de semana, os amigos Eduardo Dudu, Cezar, Rafael Babão, Vladmir, Farias, Henrique Boy, Rafinha, Marcos Pardal, Lola, Cleiton Gula e Zulino,  se reuniam para assistir as partidas de futebol na beira dos terrões. Foi nessa época, que eles sentiram a necessidade de montar uma equipe de futebol que tivesse um envolvimento com o samba e que representasse com amor e alegria a sua estimada comunidade.

Infelizmente, Zulino, que fazia parte desta roda de amigos veio a falecer deixando saudades, porém, é sempre lembrado em todos os momentos especiais do clube.

Hoje, o clube DHA Q Brada é formado por um total de 33 pessoas, sendo 20 atletas, um técnico, um auxiliar e 10 diretores. O time também comanda há quatro anos, uma ala dentro da Escola de Samba Rosas de Ouro com 150 integrantes e quatro diretores Cezar, Sandra, Babão e Buiu.

Além do amor ao futebol, o time promove ações sociais na comunidade que incluem os eventos “Páscoa de Q Brada” onde há uma grande distribuição de ovos de páscoa para a criançada, “Q Brada Feliz” em comemoração ao dia das crianças e o “Célula” evento gospel que trabalha a disciplina e cidadania, por meio da religião, junto aos pequeninos. E em breve será inaugurado o novo projeto intitulado “Cine Q Brada” com cinema de rua para a diversão da garotada.

Confira o documentário que mostra as atividades do DHA Quebrada em sua comunidade.

AFP – Agence France-Presse

02/07/2014 

O Monty Python não vai ganhar novos fãs com o espetáculo apresentado na noite de terça-feira, no retorno aos palcos do grupo de comédia após 30 anos, mas os antigos admiradores deixaram a Arena O2 de Londres plenamente satisfeitos.

John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin, já septuagenários – Graham Chapman, o sexto Pyton, morreu de câncer em 1989 -, fizeram na terça-feira a primeira de 10 apresentações de reencontro e despedida.

O espetáculo “Monty Phyton Live (mostly)” conta com as antigas piadas e as velhas canções, e acaba com aquela que um crítico chamou de “hino nacional”, “Always Look on the Bright Side of Life”, tema de encerramento do filme “A Vida de Brian”, cantada com entusiasmo por atores e espectadores.

“Os Pythons chegaram, cambalearam, mas venceram”, escreveu o crítico do Daily Telegraph, que deu quatro estrelas ao espetáculo, em uma escala que vai até cinco, a maior nota dos principais jornais britânicos.

“O que falta em energia é compensado pelos esforços coreográficos de uma trupe 20 intérpretes jovens o suficiente para serem seus netos”, completou.

Os integrantes do Monty Python receberam muitos aplausos agradecidos e “saíram com uma ovação de pé”, destacou o Daily Telegraph.

“Não é ruim: dá às pessoas exatamente o que desejam, mas aposta excessivamente no amor do fã”, escreveu o crítico do jornal The Guardian, que deu três de cinco estrelas.

“O espetáculo não conquistará nenhum novo fã. Mas deixa satisfeitos os devotos”, completa o crítico, que admite estar entre eles e confessou ter vivido “um microssegundo de emoção com lágrimas ao vê-los juntos outra vez”.

A crítica do jornal The Times também deu três estrelas e apresentou duas perguntas – com suas respostas: “Eles têm a vitalidade cômica de 40 anos atrás? Não têm. Em duas horas e meia, converterão os infiéis da causa Python? Não conseguirão”.

“Mas há muitas risadas entre o público, sorrisos de reconhecimento mais do que de surpresa, com certeza, mas risadas genuínas do início ao fim”, completa o jornal.

Para o The Sun, o espetáculo “é inteligente e imaturo ao mesmo tempo, como eram os Pythons então”.

“É um show para os fãs, não para leigos. De todos os modos, quantas pessoas não conhecem os Python?”, questiona o crítico do tabloide.

Como constatou a crítica, o espetáculo reuniu os fiéis.

Muitos espectadores compareceram à Arena O2 da zona leste de Londres vestidos como os personagens favoritos do grupo, desde os membros da Inquisição espanhola aos cavaleiros medievais.

“Foi brilhante, melhor do que eu esperava”, disse David Mallinson, de 48 anos, que viajou de Manchester com os dois filhos para assistir o espetáculo.

“Ri até chorar, o ambiente estava formidável”, completou.

Seu filho James, de 17 anos, acrescentou: “quando eles esqueciam do texto e riam das próprias piadas, deixou o show ainda melhor”.

“A ideia de compartilhar o mesmo espaço e lembrar os mesmos diálogos é um grande acontecimento”, afirmou Dan Stead, um técnico em informática de Leeds, no norte da Inglaterra.

Richard Hillier, um diretor de marketing de Londres, de 39 anos, disse que aproveitou cada minuto.

“Foi muito bom, mas acabou muito rápido. Por sorte, tenho entradas para mais duas noites!”, acrescentou.

A última apresentação, no dia 20 de julho, será exibida em cinemas de todo o mundo.

O grupo ganhou fama com o programa de televisão “Monty Phyton’s Flying Circus”, que teve o primeiro episódio exibido em 5 de outubro de 1969. Na década de 1970, eles investiram no cinema, com “E agora para algo completamente diferente” (1971), que foi seguido por “Monty Python em busca do cálice sagrado” (1975).

Em 1979, lançaram “A Vida de Brian”, uma comédia que narra a vida de um homem com uma vida paralela à de Jesus. O último filme do grupo foi “O Sentido da Vida”, em 1983, ano da separação.

Em 1998, o grupo retornou para uma apresentação em um festival de humor nos Estados Unidos.

Otimismo à moda italiana no futebol

2/06/2014 Iliá Zubkó, especial para Gazeta Russa
Pela primeira vez nos últimos 12 anos, a seleção russa de futebol conseguiu garantir um lugar na Copa do Mundo. E, apesar estar na lista dos principais favoritos do campeonato, a equipe recebeu um bom prognóstico graças ao técnico Fábio Capello, sua única estrela internacional.

 

Otimismo à moda italiana no futebol
A equipe russa tem alguma chance na Copa, apesar de não ser predileta Foto: ITAR-TASS

Embora os russos não considerem pontualidade como característica própria do povo italiano, Fábio Capello conseguiu quebrar o preconceito após assumir o cargo de treinador da seleção da Rússia.

Ao contrário de outros técnicos estrangeiros que assumiram a equipe anteriormente e evitaram passar muito tempo no país, como Guus Hiddink e Dick Advocaat, Fábio Capello marcou presença em três ou quatro jogos de cada etapa dos campeonatos com a participação de seu time e, aos poucos, substituiu a metade de seus jogadores.

Andrêi Archávin, Roman Pavliútchenko e Pável Pogrebniak, os favoritos de Advocaat, foram obrigados a ceder lugares aos zagueiros Aleksêi Kozlov e Andrêi Eschenko, enquanto os papéis mais importantes na equipe foram atribuídos a Víktor Faizúlin e Dmítri Kombarov.

 

Além disso, no Brasil a equipe russa contará também com alguns jogadores desconhecidos do grande público. O principal objetivo dessa arriscada escolha está na constante motivação dos atletas para que demonstrem resultados cada vez melhores, firmando assim sua posição na equipe.

O esquema de trabalho de Capello baseia-se no em disciplina rígida, com o cumprimento da agenda diária sem atrasos, preparação da equipe de apoio e afastamento da imprensa, que só pode realizar entrevistas com os jogadores em eventos oficiais. 

Composição da equipe

A principal peculiaridade da atual seleção russa é a sua organização. Apesar de não serem badalados internacionalmente, os jogadores estão cientes de seus papéis no campo, e seu forte está no controle da bola e na defesa estruturada. 

“A equipe ficou mais sólida”, afirma o ex-técnico chefe da seleção russa Valéri Gazzaev. Outro antigo treinador da equipe, Iúri Sêmin, concorda.  “Sem dúvida, Fábio Capello conseguiu trazer união à equipe. Nossa seleção melhorou a defesa, embora alguns zagueiros não consigam concorrer com os jogadores mais novos que fazem parte de outras seleções.”

Sêmin faz referência a Serguêi Ignachevitch, já prestes a completar 35 anos, e Vassíli Berezutski, 32. A falta de jovens a sua altura mantém os dois na seleção em idade considerada avançada para tal.

 

Os especialistas da renomada casa de apostas “William Hill” não consideram a equipe da Rússia um dos principais favoritos do campeonato, colocando-a no 14o lugar do ranking geral das seleções participantes, com um coeficiente de 1:81 em caso de sua vitória no jogo final do evento. 

Mas não faltam opções para os zagueiros central e lateral, onde se podem escolher de dois a três candidatos.

A principal estratégia da seleção russa consiste na forte defesa de meio-campo, porém sua capacidade ataque gera dúvidas.

O papel do artilheiro da equipe foi atribuído ao melhor atacante russo da atualidade, Aleksandr Kerjakov, o único no time com experiência em uma  Copa do Mundo. Em 2002, Aleksandr marcou esteve no Japão, mas hoje, 12 anos depois já está prestes a se aposentar e passa a maior parte dos jogos do seu clube, o Zenit de São Petersburgo, no banco de reservas.

Outro candidato forte para a vaga de artilheiro é Aleksandr Kokorin que joga no Dinamo. Atleta talentoso, porém inexperiente, às vezes lhe falta estabilidade. Esses fatores tornam o ataque a principal vulnerabilidade da equipe da Rússia.

Em busca de uma saída

A equipe russa tem alguma chance na Copa, apesar de não ser predileta. O principal motivo para isso é seus adversários também não serem prediletos: Coreia do Sul, Bélgica e Argélia.

“Passar para a segunda fase seria uma consequência lógica que não nos surpreenderia. Acredito que a seleção da Rússia seja capaz de ganhar dos adversários na primeira fase da Copa”, afirma Viatcheslav Koloskov, presidente honorário da União de Futebol da Rússia.

O comentarista esportivo Vladímir Stognienko tem a mesma opinião: “Tenho toda a certeza de que nossa equipe não deixará de participar das oitavas de final. E se ela conseguir escapar de um encontro com os alemães, avançará ainda mais. De qualquer forma, a entrada na Copa já pode ser considerada uma grande conquista que não comemoramos desde 1986. O novo treinador da equipe, embora não seja perfeito, é considerado o ponto mais forte do time e passa muita segurança”.

“A seleção irá participar da Copa do Mundo após uma longa pausa”, lembra Fábio Capello. “Um bom desempenho na primeira fase nos colocaria no encontro de oitavas de final contra uma equipe como Alemanha ou Portugal. Mas só pensaremos nisso após cumprirmos nosso primeiro objetivo. Não teremos pressa, vamos passo a passo”, arremata.

A Copa é “uma festa de gosto amargo”

Por Daniele Mariani, swissinfo.ch 

No final de abril, a intervenção da polícia na favela Pavão-Pavãozinho, no Rio de Janeiro, provocou protestos depois da morte de um jovem, aparentemente pela polícia.

A partir de 12 de junho, centenas de milhões de telespectadores não vão desgrudar os olhos da televisão e exaltar qualquer proeza dos novos deuses dos estádios. Mas para a maioria dos brasileiros o fascínio pela Copa quebrou-se.

A célebre frase de Juvenal: “Apenas duas coisas o povo deseja com ansiedade, pão e circo”  – … duas tantum res anxius optat panem et circenses – volta regularmente à ribalta por ocasião dos grandes eventos esportivos. E os dirigentes do futebol mundial não parecem discordar do que afirma o poeta latino (nascido no primeiro século de nossa era).
 
Alegrem-se com o Mundial e parem de protestar, pelo menos durante um mês, disse em substância, no início de maio, o presidente da UEFA, Michel Platini. E, há um ano, quando, nas ruas e praças brasileiras, as multidões ferviam durante a Copa das Confederações, o presidente da FIFA, Joseph Blatter havia declarado que “o futebol é mais importante que a insatisfação das pessoas” e que “não deve ser usado para (respaldar) as próprias reivindicações.”
 
A maioria dos brasileiros não parece, entretanto, contentar-se com ‘pão e jogos circenses’. As enormes despesas da Copa – que passaram dos previstos seis bilhões de francos a 13,5 bilhões – atiçaram o fogo num país onde, apesar dos grandes progressos nos últimos anos, as diferenças na partilha de riquezas continuam enormes. Os 10% mais ricos da população possuem mais de 40% da renda, ao passo que os 10% mais pobres, menos de 1%. Na Suíça, as proporções são, respectivamente, de 19 e del 7,5%.

Uma vitrine de oportunidades

A Copa do Mundo consolidou toda uma série de reivindicações, relacionadas direta ou indiretamente ao acontecimento, realça Sérgio Haddad, economista e diretor da ONG Ação Educativa. E também entre os promotores do Campeonato Mundial de Futebol de Rua, previsto em São Paulo, de 1° a 12 de julho deste ano de 2014.
 
“Há muita coisa em jogo, como as violações dos direitos humanos e dos trabalhadores, expulsões forçadas, as imposições resultantes da lei geral da Copa (ou seja, o conjunto de normas concluídas com a FIFA que devem vigorar durante o Mundial). Ocorre também uma série de mobilizações que não estão diretamente ligadas à Copa, por exemplo, greves visando acordos sindicais, manifestações pela saúde, educação, água… Nesse caso, a Copa representa uma vitrina de oportunidades. Imagine uma greve dos transportes públicos durante o evento,” sublinha Haddad, com quem entramos em contato na Suíça, onde participou por duas semanas, em maio do corrente ano, de uma campanha de conscientização intitulada “Brasil, dia dos gols contra a injustiça.” Campanha organizada por E-CHANGER, ONG suíça que envia voluntários aos países em desenvolvimento.

“Acabou-se o fascínio”

“Que acontecerá durante a Copa? Acho que haverá protestos. Mas duvido que cheguem ao nível dos que ocorreram em 2013, pois a repressão aumentou muito e assiste-se a uma criminalização de todo o movimento por parte da mídia,” afirma Sérgio Haddad. Uma repressão denunciada também por Anistia Internacional, que lançou uma petição contra as restrições da liberdade de expressão e a violência da polícia.
 
“O deslumbramento terminou,” realça ainda. De 80% em 2007, quando a FIFA atribuiu ao Brasil a organização do Mundial, a proporção de brasileiros que veem com bons olhos a Copa caiu para 50%, sendo que a última sondagem foi feita em abril. “Há um sentimento de que a festa começa, mas que é de gosto amargo,” resume Haddad.
 
“Não tenho certeza de que em 2007 se soubesse muito bem o que o País podia esperar,” observa Celia Alldrige, coordenadora de E-CHANGER no Brasil. Não havia sido realizada a Copa na África do Sul (2010), onde se registraram aos olhos do mundo as violações dos direitos humanos que tais eventos podiam comportar, como, por exemplo, as expulsões dos habitantes de certos bairros, e as imposições da FIFA.” 

Que legados?

Não se pode falar de herança durante ou imediatamente após a Copa do Mundo. É somente alguns anos depois que se pode ver qual é realmente o legado. Existem legados de diferentes patamares. O primeiro diz respeito às infraestruturas do futebol. O Brasil irá dispor de estádios e centros de treinamentos de alto nível.  
 
Em seguida, as cidades evoluíram do momento em que foram escolhidas para sediar a Copa do Mundo até o período em que os jogos vão se realizar. A mobilidade urbana, o alojamento, a rede viária melhoraram. Na África do Sul, a vida das pessoas em certos centros urbanos mudaram, pois as cidades investiram muito capital para modificar as suas estruturas.
 
Está errado dizer que o dinheiro empregado na Copa do Mundo teria podido ser usado para outros projetos. Quando um país se candidata a sediar uma Copa, não o faz contra a própria vontade. É por seu interesse próprio. O Mundial é um meio de acelerar certo número de investimentos num país. É fácil criticar a FIFA, é fácil utilizar a Copa das Confederações da FIFA ou a Copa do Mundo para organizar manifestações. Mas se erra de alvo tornando a FIFA responsável pelo que se passa num país. Se candidata a sediar um Mundial, o faz com a ideia de desenvolver-se, não se destruir.
 
(Trechos de uma entrevista do Secretário-Geral da FIFA, Jérôme Valcke, publicada no site da FIFA dia 12 de maio de 2014).

Retrocesso nos direitos dos trabalhadores

Embora a anos-luz das cifras de “conflito bélico” registradas na construção dos estádios de Qatar (sede da Copa de 2022) – onde mais de 400 operários já teriam morrido, segundo indicou, no início de abril, Pierre Cuppens, um dos vice-presidentes da Federação Internacional dos Trabalhadores da Construção – também no Brasil aconteceram mortes (nove até o momento). “Há uma pressão para que se faça tudo muito rápido, o que se traduz num recesso dos direitos trabalhadores, que devem realizar muitas horas extras. O nosso receio é de que essa involução se mantenha depois da Copa,” observa Celia Alldridge.
 
A coordenadora de E-CHANGER realça ainda a crescente militarização, especialmente nas favelas, e o medo de um aumento exponencial da prostituição.
 
Há, então, pouco ou nada a salvar? Não tem havido avanços constantes na área da infraestrutura? Sérgio Haddad destaca que, na realidade, o Brasil afrontou a crise de 2008 com aumento das despesas públicas e não com medidas de reajuste estrutural, como ocorreu na Europa. “Devíamos, porém, construir 12 estádios, dos quais alguns, como o de Manaus, estão fadados a se tornarem ‘elefantes brancos’, em vez de investir em coisas bem mais úteis?”
 
“Muitas obras de infraestrutura já estavam previstas nos planos de desenvolvimento, e seriam de todo jeito realizadas,” acrescenta Celia Alldridge.
 
Numa entrevista publicada no site da FIFA, o Secretário-Geral da entidade, Jérôme Valcke, afirma, ao contrário, ser falsa a afirmação de que “as somas destinadas à Copa teriam podido ser utilizadas em outros projetos. Quando um país se candidata a sediar uma Copa do Mundo não o faz contra sua vontade. É pelo seu interesse. A Copa é um meio de acelerar um certo número de investimentos.”
 
“Houve progressos no que diz respeito à mobilidade urbana, alojamento e a rede viária,” prossegue Valcke.

A FIFA na mira

O ressentimento é, entretanto, grande com a FIFA, que ditou, como em outros Mundiais, toda uma série de condições, por exemplo, a zona de exclusão ao entorno dos estádios e às ‘Fan-Zone’, nas quais não é possível entrar sem ingresso e onde apenas os patrocinadores da Copa podem vender seus produtos.
 
“A lei brasileira prevê que no interior dos estádios não se pode vender bebidas alcoólicas. Pois bem, a norma foi suspensa para impor a cerveja que patrocina a Copa do Mundo,” lembra Sérgio Haddad.
 
Mas a FIFA não seria um bode expiatório? As normas relativas ao espaço acordado com os patrocinadores eram claras desde o início. E no que diz respeito aos estádios, “a FIFA exigia no mínimo oito. Foi o Brasil que decidiu construir 12,” rebate Jérôme Valcke. Uma decisão, como declarou o ministro brasileiro dos Esportes, Aldo Rabelo, motivada pela possibilidade de envolver todo o País no evento.
 
“Isso é parcialmente verdade. A perspectiva de conseguir a Copa agiu como um sortilégio. Muitos políticos ficaram fascinados com a ideia de acolher equipes, ter um estádio novo, colocar suas respectivas cidades em evidência,” observa Sérgio Haddad. “De outro lado, porém, a FIFA é um canal na estratégia dos grandes capitais financeiros. Quando atribui o Mundial ao Brasil, atribui a um país que tem dinheiro e pouco controle social. O mesmo vale para a África do Sul, o Qatar ou a Rússia, onde tudo estava ou está para construir, e se pode fazer imposições por uma cúpula sem qualquer ajustamento. Em países como os Estados Unidos – onde não se construiu nenhum novo estádio – ou a França ou a Alemanha, a infraestrutura já existia e os potenciais de lucros eram bem inferiores. Em suma, tudo isso é apenas um grande comércio e o futebol já passou definitivamente ao segundo plano.”

Adaptação: J.Gabriel Barbosa

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio