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América Latina endurece posição contra operação de Israel em Gaza

Durante a 46ª cúpula do Mercosul, os presidentes dos países do bloco expressaram sua posição contra os ataques de Israel à população palestina e exigiram um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Durante a 46ª cúpula do Mercosul, os presidentes dos países do bloco expressaram sua posição contra os ataques de Israel à população palestina e exigiram um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Roberto Stuckert Filho/PR
RFI

Enquanto os Estados Unidos continuam vendendo munições ao exército israelense e autoridades europeias tentam relativizar a sangrenta operação Limite Protetor com inócuos pedidos de cessar-fogo em Gaza, países da América Latina figuram como os maiores críticos do governo de Israel até o momento. Hoje (31), a Bolívia foi além dos protestos e incluiu Israel na lista de “estados terroristas”.

 

A Bolívia, que rompeu suas relações diplomáticas com Israel em 2009, após a violenta operação “Chumbo Fundido”, já havia feito um pedido à ONU para que abrisse um processo contra Tel Aviv de crime contra humanidade, logo nos primeiros dias da atual ofensiva. Ontem, o presidente boliviano, Evo Morales, declarou que incluiu Israel na lista de “países terroristas”.

“Israel não é um Estado que garante os princípios de respeito à vida e os direitos básicos para a coexistência pacífica e harmoniosa na comunidade internacional”, afirmou Morales. “Nós declaramos Israel como um Estado terrorista”, ratificou.

Outros países reagiram à continuidade das violências contra os civis em Gaza nos últimos dias. O Chile classificou as operações militares israelenses como uma “agressão coletiva contra a população” da região. Já o Peru diz estar profundamente decepcionado com a violação dos vários cessar-fogos dos últimos dias e a continuidade da operação militar de Israel em Gaza.

Na terça-feira (29), durante uma reunião privada da 46ª cúpula do Mercosul, na Venezuela, os integrantes do bloco divulgaram um comunicado contra os ataques à população palestina e exigiram um cessar-fogo. Além do presidente venezuelano Nicolás Maduro, assinaram a declaração os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Brasil, Dilma Rousseff, do Uruguai, José Mujica, do Paraguai, Horacio Cartes, e da Bolívia, Evo Morales.

Brasil critica Israel

Na semana passada, o governo brasileiro condenou  “energicamente” o uso desproporcional da força de Israel na Faixa de Gaza, “do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças”. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil também reiterou seu chamado a um imediato a uma trégua. Além disso, Brasília convocou seu embaixador em Tel Aviv para consultas.

O porta-voz do governo de Israel, Yigal Palmor, ironizou a posição brasileira. “Desproporcional é perder uma partida de futebol por 7 a 1”, disse, em entrevista ao Jornal Nacional. Já em declaração ao The Jerusalem Post, Palmor, afirmou que a convocação do embaixador brasileiro em Israel “era uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”.

As declarações do governo israelense contra o Brasil não intimidaram outros países da América Latina, como Equador, Chile, Peru e El Salvador que convocaram igualmente seus embaixadores em Tel Aviv para consultas.

Desde o início da operação

A reação dos países latinos não é tardia. Desde o começo da ofensiva israelense contra o movimento islâmico Hamas em Gaza, vários países do continente americano já haviam se posicionado contra o governo de Israel. Uma semana após o início dos ataques, o ministério mexicano das Relações Exteriores pediu a proteção dos palestinos e condenou o uso da força e a operação militar.

Há três semanas, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, classificou a ofensiva de “guerra de exterminação” contra o povo palestino. Já em Cuba as autoridades pediram que “a comunidade internacional exija que Israel cesse a escalada de violência”. Ambos os países também romperam as relações com Tel Aviv em 2009.

Logo nos primeiros dias da operação Limite Protetor, o ministério das Relações Exteriores do Uruguai condenou a “resposta desproporcional” dos israelenses aos tiros lançados pelos palestinos. Em meados de julho, o Equador “condenou com energia todos os atos de violência” na região e pediu “o fim imediato das hostilidades”.

OCDE: América Latina atravessa “momento decisivo” para relançar economia

Agência Brasil

O secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Ángel Gurria, disse nesta segunda-feira que a região da América Latina e do Caribe atravessa atualmente “momento decisivo” para impulsionar as reformas que permitem assegurar o crescimento depois da chamada década de ouro.
 
“É preciso aproveitar a desaceleração dos motores externos para levar a cabo um plano regional de reformas bem entrosadas, para construir economias mais resistentes, inclusivas e sustentáveis”, acrescentou o líder da OCDE, na abertura em Paris do Fórum Internacional da América Latina e do Caribe.
 
No discurso, Guria lembrou que depois de “uma das fases de expansão econômica mais importantes de sua história”, com taxa de crescimento de 5% nos últimos anos, o crescimento deve ficar, este ano, entre 2% e 2,5%.
 
“Os ventos estão mudando na região”, disse Gurria, destacando que uma parte importante desse crescimento estava baseado em fatores externos e conjunturais, como o crescimento acelerado das importações da China ou a entrada de investimentos de curto prazo, que hoje “mudaram e estão gerando um nível maior de incerteza”.
 
Para garantir o crescimento sustentável dessas economias, ele defendeu o fortalecimento dos sistemas fiscais, a melhoria da infraestrutura de transporte e a eficiência dos procedimentos aduaneiros, além do desenvolvimento de uma política logística integrada.
 
“Temos uma oportunidade entre 2012 e 2015, quando 14 países desta região promovem eleições. No passado, dissemos que as eleições são elementos de instabilidade e turbulência, mas hoje são motivos de legitimação dos mandatos para levar a cabo essas tarefas”, disse Gurria.

Movimentações em portos da América Latina crescem 1,7% em 2013

AFP

As movimentações de carga nos portos da América Latina e do Caribe cresceram 1,7% em 2013, percentual que indica uma desaceleração do comércio exterior da região. Um total de 46,6 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) foram movimentados durante o ano passado nos complexos portuários latinos.

Os números fazem parte de um levantamento divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). O ranking de movimentação de contêineres registra a atividade de 80 terminais da região.

Em 2010 e 2011 a expansão da atividade portuária foi de 14% ao ano. Já em 2012, o crescimento do setor foi de apenas 5,9%. A retração na atividade em relação aos anos anteriores se concentrou sobretudo em portos de cinco países do Caribe.

Na Colômbia, a queda anual foi de 6,9%, enquanto na Jamaica e na Venezuela, a redução foi de 8,2% nas operações, respectivamente. Já no Panamá a baixa foi de 4,1% e a República Dominicana foi o País que mais reduziu a movimentação de cargas através dos portos. Neste caso, a retração foi de 21,7%.

Por outro lado, os terminais de cinco países da América do Sul e de um da América Central mantiveram seu nível de crescimento. Argentina teve alta de 9,8% em comparação a 2012. O Brasil cresceu 6,2%, enquanto Uruguai ampliou a movimentação de cargas em 9,7%. Chile, Equador e Costa Rica ampliaram em 6%, 3,9% e 37,5% as operações portuárias, respectivamente.

O porto com maior crescimento em 2013 na região foi o de Caldera, na Costa Rica, com um avanço de 246%. Em seguida, surge Coronel, no sul do Chile, com alta de 135%, e Itapoá (SC), que cresceu 72,1%.

As maiores quedas foram nos portos de Puerto Plata, com redução de 83,2% e Santo Domingo, na República Dominicana, que registrou redução de 58,5% e de São Francisco do Sul (SC) que reduziu em 37,2% suas operações. (France-Presse)

América Latina tem 32% da população vivendo na classe média

Agência Brasil

Pela primeira vez em dez anos, o percentual de integrantes da classe média na América Latina chegou a 32% da população que vive na região, cerda de 580 milhões. Antes desse período, o total da população com ganhos acima de 50 dólares por dia na região era de menos de 20%.  As informações foram apresentadas nesta sexta-feira pelo vice-presidente do Banco Mundial para América Latina e Caribe, Jorge Familiar.

Para o gerente regional de Relações Internacionais para a América Latina do banco, Sergio Jellinek, o avanço da classe média deve ser comemorado, mas apresenta novos desafios para os gestores da região. “Os números que mostram o aumento da classe média se devem a programas de caráter social, mas, mesmo assim, o maior desafio é manter essas conquistas”, ressaltou.

Os representantes do Banco Mundial participam, na Cidade do México, da segunda conferência da Globe Internacional sobre mudanças climáticas, que começou hoje. A organização reúne parlamentares de vários países e apoia iniciativas de avanço nas leis e estímulo a modelos de desenvolvimento sustentável.

Até domingo mais de 100 congressistas irão discutir na capital mexicana compromissos de deputados e senadores ao redor do mundo, em especial dos representantes dos países em desenvolvimento, de promover respostas eficazes em seus países para levar à 21ª Conferência da Partes sobre o Clima, da Organização das Nações Unidas, que acontecerá em 2015, em Paris.

Segundo Familiar, apesar dos países da região terem avançado nas políticas econômicas e melhorado a qualidade das políticas fiscais nos últimos 10 anos, é preciso um esforço maior para que essas nações estejam em condições de firmar acordos e alianças entre si e com os países desenvolvidos frente aos impactos provocados pelas mudanças climáticas.

O executivo do Banco Mundial ressaltou que, ainda que as metas de pobreza extrema tenham sido alcançadas reduzindo pela metade a pobreza na região nesse período, é preciso construir condições de desenvolvimento sustentável e de manutenção do ritmo de erradicação de pobreza nos países latino-americanos. O que, segundo ele, significa levar em conta os impactos das mudanças climáticas em todas as dimensões das políticas públicas dos países.

“É preciso elevar os investimentos em infraestrutura e diminuir os custos de logística. Nos países latino-americanos se gasta duas ou quatro vezes mais com logística que nos tigres asiáticos”, comparou.

Familiar também defendeu investimentos em educação de alta qualidade, em especial na capacitação dos trabalhadores para garantir os empregos e postos de trabalho existentes. O mexicano é o primeiro latinoamericano a ocupar a vice-presidência do Banco Mundial.

O Brasil está representado na reunião internacional pelo senador Antônio Carlos Valadares, (PSB-SE), presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, pela senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM), presidente da Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas do Congresso e pelo deputado federal Márcio Macêdo (PT-SE).

Investimentos estrangeiros diretos na América Latina batem novo recorde em 2013

AFP – Agence France-Presse

29/05/2014 

A América Latina e o Caribe receberam em 2013 184,92 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros diretos (IED), em um novo recorde que significa 5% a mais do que no ano anterior, de acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

O crescimento dos investimentos foi sustentado pelo aumento da demanda interna e pelos altos preços dos produtos primários exportados pela região, de acordo com o relatório apresentado nesta quinta-feira na sede da Cepal, em Santiago, no Chile.

Nos últimos dois anos, contudo, o preço dos metais registrou queda, e a expansão econômica desacelerou. Por isso, a Cepal “prevê que em 2014 as entradas de IED terão leve queda”.

No ano que vem “podemos ter um crescimento (do IED) muito fraco, de 1% ou uma queda de 9%”, disse Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal, em sua apresentação do estudo.

Brasil é o terceiro país em banda larga na América Latina

O Brasil é o terceiro lugar no ranking de banda larga na América Latina, é o que aponta uma pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Segundo o jornal O Globo, a análise será divulgada nesta quarta-feira e mostra o País com índice de 5,32 (a escala vai de 1 a 8) atrás de Chile (5,57) e Barbados (5,47) em uma lista com 26 nações da América Latina e Caribe – quando são analisados os parâmetros de alcance e penetração do serviço.

Ao comparar com outros 63 países analisados pelo BID, o Brasil aparece na 30ª posição. No mundo, Suécia (7,28), Coreia do Sul (7,18) e Islândia (7,05) lideram o ranking. De acordo com o especialista em telecomunicações e idealizador do Índice de Desenvolvimento de Banda Larga, Antonio Garcia-Zaballos, o Brasil ainda tem um “caminho grande a percorrer” e uma maneira de aumentar o alcance da banda larga no País é “por meio de infraestruturas móveis”.

Na avaliação da instituição, é possível aumentar o uso do celular para acesso à internet e o leilão da faixa de frequência de 700 MHz (para os serviços de internet móvel 4G) seria um começo para contribuir no aumento da banda larga no Brasil. Garcia-Zaballos ainda afirma que o estudo descobriu no Brasil um baixo uso da internet em áreas rurais e por pessoas com idade acima de 34 anos. 

Fonte: Terra

Brasil tem o 2º passaporte mais valorizado da América Latina

AFP

Nos últimos meses, diversas mudanças na política de vistos da União Europeia e dos Estados Unidos fizeram com que alguns passaportes da América ganhassem mais peso no cenário mundial.

Alguns chilenos, por exemplo, vão poder entrar em território americano sem visto. Mas, afinal, qual o passaporte mais valorizado na América Latina?

Em um índice sobre cidadãos de um país que podem viajar a mais destinos sem a necessidade de visto, o Brasil aparece em segundo lugar, ficando atrás da Argentina.

No ranking, organizado pela consultoria Henley & Partners e pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), o Chile fica em terceiro lugar, seguido México e Uruguai, empatados.

No outro extremo da lista estão os haitianos, dominicanos e cubanos, que precisam se submeter a mais trâmites para obter vistos.

Mundo
O índice leva em conta o número de países para os quais a população daquela nação pode viajar sem visto.

No caso dos brasileiros, por exemplo, em 2008 eles podiam viajar para 122 países sem visto; número que subiu para 146 em 2013. Já na Argentina, os números são 127 e 147, respectivamente.

A lista contempla 219 destinos no mundo, incluindo países e territórios. A máxima pontuação possível é de 218, já que não se conta o próprio país de quem viaja.

No ranking geral, entretanto, o Brasil ocupa o 19º lugar, enquanto a Argentina está em 18º e o Chile, em 21º.

Nessa listagem, três países ocupam o primeiro lugar: Finlândia, Suécia e Reino Unidos, cujos cidadãos podem viajar sem visto para 173 destinos.

Nas últimas posições estão Afeganistão (28 destinos sem a necessidade de visto), Iraque (31), Paquistão e Somália (ambos com 32).

Critérios

Mas o que influencia o fato de que um espanhol pode viajar a 170 países sem se preocupar com visto, enquanto um nepali tem apenas 37 destinos “liberados”?

“Há a incidência de uma série de fatores, como a situação internacional de um país e suas relações com outras nações”, explica Amanda Philip, chefe de Publicações da Henley & Partners, a consultoria co-responsável pelo levantamento.

“Os principais critérios para a expedição de vistos são as considerações sobre segurança e sobre economia.”

Segundo ela, em geral, a política de vistos se baseia nas relações históricas ou diplomáticas, em tratados de comércio e no comércio bilateral entre as nações.

Segundo o Informe de Abertura de Vistos Turísticos da Organização Mundial de Turismo (OMT), a porcentagem da população que precisa de visto para viajar caiu de 77% em 2008 para 64% em 2013.

A OMT, que vê na facilitação da expedição de vistos como uma forma de estimular o crescimento do turismo, afirma que em 2013, 18% da população mundial viajou sem precisar de visto, enquanto que 15% pôde obtê-lo ao chegar no país de destino.

Em geral, segundo a organização, as economias emergentes tendem a ser mais abertas que as mais avançadas, sendo que os países do sudeste asiático, do leste da África, do Caribe e da Oceania são os com maior abertura, enquanto os da África central e do norte e da América do Norte são os que possuem as políticas mais restritivas.

FAO: mudanças climáticas na América do Sul afetam alimentação mundial

AFP – Agence France-Presse

07/05/2014 

As secas e o aumento da temperatura provocados pelas mudanças climáticas na América do Sul, considerada o celeiro do mundo, afetarão a segurança alimentar do mundo todo, alertou a FAO nesta quarta-feira.

“Não é um tema do futuro, mas do presente, e os impactos são muito maiores do que pensávamos”, disse a jornalistas estrangeiros José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, que abre nesta quarta-feira sua 33ª reunião regional em Santiago.

As repetidas secas, como a que castiga atualmente o sul do Brasil, já é um sinal de que as mudanças climáticas não são coisa do futuro.

“A América do Sul se tornou o celeiro do mundo. O impacto na América do Sul afeta a segurança alimentar do planeta. E já estamos vendo isso”, destacou o diretor da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação.

Como as mudanças climáticas vão afetar a economia? Principalmente, reintroduzindo a incerteza, advertiu.

“Tinha-se a ideia de que o mundo tinha se transformado em um grande supermercado, que a gente podia comprar o que quisesse, quando quisesse (…) Tínhamos alcançado uma situação de pleno abastecimento. Agora, as mudanças climáticas reintroduzem o tema de que não sabemos o que vai acontecer”, resumiu Graziano.

A incerteza afetará todo o comércio, determinará a volatilidade dos preços internacionais das ‘commodities’ e a quase obrigação dos países em assegurar o abastecimento interno, com políticas que já tinham sido abandonadas como ter estoques de emergência, explicou.

— Transgênicos como solução?–

Até agora, o mundo está se alimentando sem transgênicos, alimentos geneticamente modificados para resistir a secas ou potencializar seu crescimento ou aparência.

São uma novidade, e à exceção do milho e da soja, não são relevantes, segundo Graziano, que insistiu em separar a polêmica política dos avanços científicos que podem ajudar a combater as mudanças climáticas.

“Transgênicos não são apenas sementes da Monsanto (multinacional de sementes transgênicas). Essa confusão acaba com o assunto, o transforma em um tema político, o do monopólio das sementes, que é outra coisa”, insistiu, taxativo.

Os transgênicos não atingem apenas a agricultura: há alguns exemplos de aplicação da tecnologia da transgenia em mosquitos, que ajuda a combater a dengue, ou em plantas de tabaco que geram insulina para os humanos.

Para Graziano, o importante é continuar pesquisando e guardar todos os avanços que possam servir no futuro.

“É como a energia atômica, está aí, guardada. Tem seus riscos e é preciso ter todo o sistema de proteção para isto. A FAO investe muito no tema da biossegurança com transgênicos e em dar ao consumidor o direito de escolha: que fique claro na rotulagem se o produto tem ou não transgênicos”, explicou.

Para conseguir que os 47 milhões de latino-americanos (7,9% da população) que passam fome atualmente consigam superá-la, o diretor da FAO não abre mão de nada.

“Não descarto nenhuma arma contra a fome. É uma luta sem trégua e sem quartel. Podemos erradicar a fome, temos que utilizar todos os esforços, e se os transgênicos são uma possibilidade no futuro, não temos que descartá-los agora”, afirmou.

No entanto, na região do planeta que mais alimentos produz, a fome hoje não é um problema de produção, mas de acesso, devido à baixa renda e à falta de recursos como terra ou água, concluiu.

Brasil crescerá menos que a média na AL, diz FMI

Excluindo a Argentina e Venezuela, apenas países pequenos da região – Santa Lúcia, Jamaica, Granada, Antígua e Barbuda, Dominica, Barbados e El Salvador – devem ter expansão menor que a economia brasileira

Agência Estado

24/04/2014 

O Brasil deve continuar com a economia em marcha lenta e a inflação elevada em 2014, apesar da forte alta de juros promovida pelo Banco Central, destaca o Fundo Monetário Internacional (FMI) em um relatório divulgado nesta quinta-feira, em Lima, no Peru, chamado “Perspectiva Econômica Regional para o Hemisfério Ocidental”. A previsão do FMI é de que o Brasil cresça 1,8% este ano, uma das menores taxas de expansão das Américas.

Excluindo a Argentina e Venezuela, apenas países pequenos da região – Santa Lúcia, Jamaica, Granada, Antígua e Barbuda, Dominica, Barbados e El Salvador – devem ter expansão menor que a economia brasileira este ano, segundo o relatório do Fundo. No continente, os Estados Unidos devem ser um dos destaques e crescer 2,8% este ano. A Argentina deve se expandir 0,5% e a Venezuela encolher 0,5%, segundo as projeções do FMI, que não tiveram alterações em relação às divulgadas na reunião de primavera do Fundo em Washington, no começo do mês.

 

O Brasil deve se expandir menos que a média da América Latina, com crescimento previsto de 2,5% este ano. O destaque na região entre as grandes economias deve ser o México, com expansão estimada de 3%. Já o Panamá deve ficar com o maior crescimento do PIB, de 7,2%.

O FMI atribui o fraco desempenho do Brasil a um conjunto de fatores. A fraca confiança dos empresários continua pesando negativamente no investimento privado, que vem mantendo desempenho pífio. O Fundo também cita os gargalos na infraestrutura, que desestimulam o investimento privado e contribuem para a perda de competitividade do País.

No caso da inflação, o relatório do FMI destaca que ela deve permanecer no topo da meta do Banco Central, apesar do aperto monetário significativo desde abril do ano passado. Os economistas do Fundo citam alguns fatores para explicar a persistente alta de preços, que incluem os estrangulamentos na infraestrutura, inércia inflacionária e reflexos da desvalorização passada do real.

A recomendação do Fundo para os países com inflação persistentemente alta é de que ambas as políticas, monetária e fiscal, sejam usadas para conter a pressão nos preços e reforçar a credibilidade da política econômica.

Brasil lidera luta contra a hegemonia americana na internet, diz Le Monde

A conferência Netmundial acontece em São Paulo dos dias 23 e 24 de abril.

A conferência Netmundial acontece em São Paulo dos dias 23 e 24 de abril.
Adriana Brandão

O Brasil, que organiza a conferência internacional sobre a governança da internet, é o principal destaque de capa do jornal Le Monde, que chegou às bancas na tarde desta terça-feira (22). O suplemento de economia do vespertino traz um grande artigo sobre a realização, nos próximos dias 23 e 24 de abril, do evento batizado de NETmundial, em referência à Copa do Mundo de futebol. O jornal afirma que o Brasil, que está na vanguarda do movimento de reforma da internet, “quer desamericanizar a net”.

 

Le Monde escreve que no início desse movimento global pela reforma da internet está “a grande indignação” da presidente brasileira, Dilma Rousseff, com o escândalo de escutas revelado por Edward Snowden. O resultado dessa indignação, que levou Dilma Rousseff inclusive a cancelar uma viagem oficial aos Estados Unidos no ano passado, é a organização da conferência internacional sobre a governança da internet, que acontece esta semana em São Paulo, com a ambição de lutar contra a “hegemonia americana na web”.

A iniciativa de Dilma obteve a adesão de vários países. Ao todo, onze países são coorganizadores do evento, entre eles a Alemanha, a França e até os Estados Unidos. O objetivo oficial de Brasília, informa, é conseguir a adoção uma declaração comum sobre os princípios de uma nova governança que deve ser “democrática, transparente, responsável e respeitosa da diversidade cultural”. Isto é, “desamericanizar” os organismos que controlam o funcionamento global da Web que, por razões históricas, estão sob a tutela dos Estados Unidos.

Brasil na vanguarda

Essa reforma é uma reivindicação antiga, diz Le Monde, que ganhou força depois do escândalo das escutas pela agência americana NSA, principalmente após o apoio da Alemanha.

O vespertino acredita que a lei brasileira da internet, votada em março pela Câmara dos Deputados, poderá servir de modelo para os países que participarão da NETmundial. O texto brasileiro, informa Le Monde, garante a liberdade de expressão, a proteção da vida privada e a igualdade de tratamento de qualquer tipo de conteúdo.

Recuo americano

Em março deste ano, os Estados Unidos surpreenderam ao decidir abandonar, antes do fim de 2015, o controle do Icann (Internet Corporation for Assignet Names and Numbers), responsável por designar os nomes dos domínios e endereços da internet. Essa decisão é interpretada como um recuo americano.

Especialistas ouvidos pelo Le Monde acreditam que o momento é favorável para conseguir avançar na reforma da governança da internet. Antes mesmo de acontecer, a “NETmundial já obteve sucesso ao obrigar Washington a participar a um processo de divisão de poder para não chegar a São Paulo isolado”, aponta o artigo.

Mas, outros especialistas ressaltam que os Estados Unidos continuam em posição de força e querem que a futura governança do setor seja dominada pelo setor privado, principalmente pelos gigantes mundiais da Web que são, majoritariamente, americanos. Para complicar um pouco mais a situação, deputados do partido republicano já anunciaram sua oposição ao projeto de “internacionalização da internet” que eles consideram uma nova prova de “fraqueza do presidente Obama”, revela o Le Monde.

A França discreta

O vespertino lamenta a discreção da França no debate, apesar de ser um dos coorganizadores do evento. O governo francês preferiu não enfrentar os Estados Unidos e não denunciar as escutas da NSA. 

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio