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França ordena extradição de suspeito de ataque a museu judaico belga

Chegada ao Tribunal do suposto autor do atentado contra o Museu Judaico de Bruxelas, Mehdi Nemmouche.

Chegada ao Tribunal do suposto autor do atentado contra o Museu Judaico de Bruxelas, Mehdi Nemmouche|REUTERS/Benoit Tessier
RFI

A justiça francesa ordenou, nesta quinta-feira (26), a extradição para a Bélgica do suspeito de ser o autor do atentado que matou quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas, no dia 24 de maio. O franco-argelino Mehdi Nemmouche, de 29 anos, preferia ter sido julgado na França.

A defesa alegava que o suspeito temia ser enviado da Bélgica para Israel, país de duas das vítimas. Mas o Tribunal de Versalhes, que julgou o caso, decidiu acatar o pedido de mandado de prisão europeu por assassinato no contexto de uma ação terrorista.

O suposto atirador disse que vai recorrer da decisão. Ele tem três dias para entrar com o recurso. “É direito dele e ele pretende exercê-lo”, declarou o advogado, Apolin Pepiezep. Após a deposição do recurso, justiça pode levar 40 dias para se pronunciar.

A justiça concedeu a extradição por considerar o procedimento das autoridades belgas “regular”. A Bélgica emitiu um mandado de prisão europeu contra Nemmouche por “assassinatos em um contexto terrorista”.

Reação silenciosa

O acusado, de 29 anos, chegou à audiência sorridente e relaxado, levado por agentes penitenciários de elite. Ele acenou para familiares que estavam na sala. Diante da do anúncio da decisão, o suspeito ficou em silêncio.

Nemmouche, que já tinha cumprido pena de prisão por outros crimes, ingressou no islamismo radical durante a detenção. Ele é suspeito de ter aberto fogo contra o museu judaico e depois ter fugido a pé do local. Além dos dois israelenses, uma aposentada francesa e um funcionário belga do estabelecimento foram mortos no ataque. O acusado foi preso ao chegar em Marselha, de ônibus. Ele levava uma sacola na qual estava a arma do crime. 
 

 
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França ordena extradição de suspeito de ataque a museu judaico belga

Chegada ao Tribunal do suposto autor do atentado contra o Museu Judaico de Bruxelas, Mehdi Nemmouche.

Chegada ao Tribunal do suposto autor do atentado contra o Museu Judaico de Bruxelas, Mehdi Nemmouche.

REUTERS/Benoit Tessier
RFI

A justiça francesa ordenou, nesta quinta-feira (26), a extradição para a Bélgica do suspeito de ser o autor do atentado que matou quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas, no dia 24 de maio. O franco-argelino Mehdi Nemmouche, de 29 anos, preferia ter sido julgado na França.

 

A defesa alegava que o suspeito temia ser enviado da Bélgica para Israel, país de duas das vítimas. Mas o Tribunal de Versalhes, que julgou o caso, decidiu acatar o pedido de mandado de prisão europeu por assassinato no contexto de uma ação terrorista.

O suposto atirador disse que vai recorrer da decisão. Ele tem três dias para entrar com o recurso. “É direito dele e ele pretende exercê-lo”, declarou o advogado, Apolin Pepiezep. Após a deposição do recurso, justiça pode levar 40 dias para se pronunciar.

A justiça concedeu a extradição por considerar o procedimento das autoridades belgas “regular”. A Bélgica emitiu um mandado de prisão europeu contra Nemmouche por “assassinatos em um contexto terrorista”.

Reação silenciosa

O acusado, de 29 anos, chegou à audiência sorridente e relaxado, levado por agentes penitenciários de elite. Ele acenou para familiares que estavam na sala. Diante da do anúncio da decisão, o suspeito ficou em silêncio.

Nemmouche, que já tinha cumprido pena de prisão por outros crimes, ingressou no islamismo radical durante a detenção. Ele é suspeito de ter aberto fogo contra o museu judaico e depois ter fugido a pé do local. Além dos dois israelenses, uma aposentada francesa e um funcionário belga do estabelecimento foram mortos no ataque. O acusado foi preso ao chegar em Marselha, de ônibus. Ele levava uma sacola na qual estava a arma do crime. 

Deslize antissemita de Le Pen estremece partido da extrema-direita

Imagem do vídeo retirado do site do partido FN em que Jean-Marie Le Pen faz brincadeira antissemita.

Imagem do vídeo retirado do site do partido FN em que Jean-Marie Le Pen faz brincadeira antissemita|Captura de imagem do site laprovence.com

No domingo (8), Jean-Marie Le Pen, fundador e presidente de honra do partido de extrema-direita francês Frente Nacional (FN), causou polêmica mais uma vez ao fazer declarações antissemitas no site do partido. O fato desagradou à sua filha, Marine Le Pen, atual presidente do FN, que tenta dissociar a formação vencedora das eleições europeias da tendência antissemita. Associações anunciaram que vão dar queixa na justiça.

No vídeo de domingo, que foi retirado do site do partido, Jean-Marie Le Pen, com o ar alegre e bonachão de sempre, comenta com uma jovem interlocutora a decisão de diversos artistas de não se apresentarem em cidades com prefeitos da Frente Nacional: o cantor francês Yannick Noah, o comediante Guy Bedos e até a pop star Madonna. A moça ri e responde…”todos os que juraram ir embora da França em caso de vitória da Frente Nacional”, e lembra, rindo também, o nome do cantor Patrick Bruel, que é judeu.

“Escute, da próxima vez faremos uma ‘fornada’!”, diz Le Pen, dando risada. A frase foi considerada uma alusão às câmaras de gás usadas para matar os judeus durante o nazismo, o que Le Pen negou: “O uso da palavra ‘fornada’ não tinha nenhuma conotação antissemita”, declarou, alegando que “as denúncias midiáticas de suas ‘derrapagens’ fazem parte do arsenal de combate dos inimigos da Frente Nacional”. 

Le Pen é abertamente antissemita e suas frases são conhecidas, sendo a mais famosa delas que “as câmaras de gás foram um detalhe da Segunda Guerra Mundial”.

Queda de braço entre Le Pen x Le Pen

A frase infeliz do pai, presidente de honra da Frente Nacional, foi dita no momento errado. O partido venceu as recentes eleições europeias de maio com o índice histórico de 25,41% de votos; e Marine Le Pen, atual presidente do partido, vem tentando dissociar a imagem do FN do antissemitismo, um impecilho para ela conquistar novas alianças com partidos extremistas de direta de outros países para se fortalecer no Parlamento Europeu.

A queda de braço entre pai e filha já começou. Marine classificou a declaração do pai como “um erro político”, sendo apoiada por outros líderes do seu partido, a começar por seu vice-presidente e companheiro, Louis Alliot, que também considerou “uma frase ruim a mais. É estúpido politicamente e constrangedor”, disse. A resposta não demorou, Le Pen o chamou de imbecil.

Já o famoso advogado Gilbert Collard, que apoia Marine Le Pen, aconselhou a Jean-Marie Le Pen a se aposentar, considerando as declarações inaceitáveis e intoleráveis, “que fazem mal a quem ouve e também ao partido”.

Revolta de associações

Depois da repercussão do caso, diversas associações anunciaram que vão dar queixa na justiça contra Jean-Marie Le Pen: SOS Racismo, Movimento contra o Racismo e pela Amizade entre os Povos (Mrap), União dos Estudantes Judeus da França (UEJF) e o Conselho Representativo das instituições judaicas da França manifestaram sua revolta.

A Liga internacional contra o racismo e o antissemitismo (Licra), também resumiu em uma frase o significado da declaração do fundador do partido de extrema-direita: “O antissemitismo é o DNA da Frente Nacional”.

Justiça belga pede ajuda da população para encontrar autor do ataque a museu judaico

Homenagem às vítimas do ataque ao Museu Judaico de Bruxelas

Homenagem às vítimas do ataque ao Museu Judaico de Bruxelas

REUTERS|RFI|Eric Vidal

A Justiça belga fez um apelo neste domingo (25) para que testemunhas ajudem a encontrar o autor do ataque contra o Museu Judaico de Bruxelas, ocorrido ontem, que deixou três mortos. O presidente francês François Hollande prometeu que fará tudo para lutar contra “o antissemitismo e o racismo.”

O ataque acontece dois anos depois do atentado perpretado pelo militante extremista Mohamed Merah em um escola judaica em Toulouse, lembrou o Congresso Judaico Europeu. De acordo com a Promotoria belga, a ação foi premeditada em detalhes, provavelmente por um homem sozinho. A Justiça pediu a ajuda da população para encontrar o autor do crime.

Os habitantes da capital belga depositaram flores e velas hoje, em frente ao museu, em homenagem às vítimas. As autoridades belgas decidiram elevar o nível do alerta de segurança na cidade e reforçar o controle em locais frequentados pela comunidade judaica.

Nesta tarde, a polícia deverá divulgar as imagens captadas pelas câmeras de segurança do museu. O ataque por enquanto não foi reivindicado. O suspeito que havia sido preso neste sábado, no final do dia, foi libertado. A porta-voz da Promotoria belga indicou que entre os mortos estão dois israelenses e uma francesa, que trabalhava como voluntária no museu. A quarta vítima, internada em estado grave, trabalhava na recepção do estabelecimento.

Os dois israelenses mortos eram um casal de turistas de Tel Aviv, segundo o governo do país. Ontem, o premiê israelense Benjamin Netanyahu afirmou que o ataque é resultado da ‘incitação ao ódio’ permanente contra os judeus e Israel. Para o presidente François Hollande, “não há dúvidas” sobre o caráter antissemita da ação.

O chefe de estado francês se declarou solidário ao premiê belga Elio di Rupo e fez um apelo para que “tudo seja feito” para lutar contra o antissemitismo e o racismo. “É uma causa da França e de toda a Europa”, declarou em Tulle, cidade onde esteve hoje para votar nas eleições europeias.

O Conselho Representativo das Instituições Judaicas na França (Crif) convocou uma manifestação no fim do dia em frente à embaixada da Bélgica em Paris para condenar o ataquee pedir “uma resposta europeia ao terrorismo antissemita.”

Na França, dois homens são agredidos na saída de uma sinagoga

Em Créteil, na região parisiense, dois homens foram atacados na saída de uma sinagoga neste sábado. O ataque aconteceu por volta das 23h. Dois irmãos em trajes tradicionais foram agredidos por dois homens e levados ao hospital, mas não correm risco de vida. Ainda não há evidências sobre uma possível conexão com o ataque ocorrido em Bruxelas.

Em um comunicado, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, também pediu que a segurança nos locais de culto fosse reforçada.

Judeus na Espanha apresentam denúncia por 17.500 tuítes antissemitas

AFP – Agence France-Presse

20/05/2014 

Várias associações judaicas da Catalunha, no nordeste da Espanha, apresentaram nesta terça-feira uma denúncia por 17.500 tuítes com mensagens antissemitas após a vitória do Maccabi de Tel Aviv sobre o Real Madrid na final da Euroliga de basquete.

Depois da disputada partida de domingo, vencida pela equipe israelense na prorrogação (98-96), uma onda de mensagens com conteúdo antissemita inundou a rede social Twitter na Espanha, a ponto de a hashtag ‘#putosjudíos’ se converter em uma das mais populares do país.

“Ao ver reações após a vitória do Maccabi como ‘judeus aos fornos’ ou ‘judeus aos chuveiros’, decidimos apresentar esta denúncia”, explicou à AFP Rubén Noboa, do grupo Israel na Catalunha e impulsionador da ação judicial, à qual 11 associações se somaram.

Os demandantes apresentaram ao Ministério Público mais de 17.500 mensagens supostamente antissemitas enviadas após a partida, cinco delas por usuários que puderam ser identificados com nome e sobrenome.

As associações acusam estas cinco pessoas de “incitação ao ódio e à discriminação”, crime punível com entre um e três anos de prisão na Espanha, e pedem para identificar e ampliar a denúncia aos outros usuários anônimos.

Para Noboa, estas mensagens demonstram o “substrato antissemita” da sociedade espanhola que, segundo um relatório da organização Antidifamation League publicado recentemente, é o terceiro país europeu depois de Grécia e França com maior antissemitismo.

“Aqui quase ninguém conhece um judeu, mas se reproduzem os clichês e esterótipos, também alimentados pelo catolicismo”, afirma Noboa.

Esta polêmica ocorre pouco depois da detenção de três usuários de redes sociais por crimes de apologia ao assassinato, após o assassinato no dia 12 de maio da líder provincial do Partido Popular, conservador, Isabel Carrasco.

Após uma onda de insultos à mulher assassinada e à classe política espanhola em geral, o ministro do Interior, Jorge Fernández Díaz, anunciou uma investigação para perseguir toda “apologia do crime e incitação do ódio” nas redes sociais.

Diretor de filme sobre DSK nega acusações de antissemitismo

AFP internacional– Abel Ferrara, diretor do polêmico filme “Welcome to New York”, inspirado no escândalo DSK, rebateu acusações de antissemitismo em entrevista à AFP neste domingo. 

“Eu não sou antissemita. Espero que não seja. Fui criado por mulheres judias”, disse o norte-americano Ferrara. 

O jornal francês Le Monde e a ex-mulher de Dominique Strauss-Kahn, Anne Sinclair, avaliaram que a descrição da esposa do protagonista, interpretada pela britânica Jacqueline Bisset, é antissemita. 

A personagem é apresentada como uma mulher rica, que ajuda o estado de Israel e herdou uma fortuna acumulada durante a guerra. 

Em entrevista ao site The Huffington Post, a jornalista Anne Sinclair falou sobre seu “desgosto ao ver o suposto cara-a-cara dos protagonistas, onde os autores e produtores do filme projetam seus fantasmas sobre o dinheiro e os judeus”. 

“As alusões à minha família durante a guerra são particularmente degradantes e difamatórias. Elas contam exatamente o contrário do que aconteceu. Meu avô (o comerciante de arte Paul Rosenberg, ndlr) teve que fugir dos nazistas, e teve a nacionalidade francesa retirada pelo governo de Vichy. Meu pai entrou na França Livre e lutou até a Liberação. Dizer outra coisa que não isso é calúnia”, continua Sinclair, chamando os ataques de “claramente antissemitas”. 

A jornalista explica que, mesmo assim, não pretende levar o caso à justiça. “Eu não ataco a sujeira, eu a vomito”. 

Questionado pouco antes da publicação da entrevista de Sinclair, Abel Ferrara se defende e diz não ter manchado a memória do pai da ex-mulher de DSK. “Não foi um colaborador. Ele quase foi morto pela Gestapo. Ele foi justamente o oposto disso, e quase teve o mesmo destino que outros seis milhões de judeus”.