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Dois terços dos investidores russos devem apostar no Brics

Aleksêi Lossan, Gazeta Russa

De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Ernst & Young, 73% dos empresários russos estão planejando investir nos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) nos próximos 12 meses. Do total, apenas 6% deles pretendem investir nos mercados desenvolvidos.

Dois terços dos investidores russos devem apostar no Brics
Vice-primeiro-ministro da Rússia, Arkádi Dorkovitch, e vice-presidente da China, Li Yuanchao, durante recentes negociações Foto: ITAR-TASS

Nos próximos anos, a China vai se tornar uma prioridade para os investimentos russos em mercados estrangeiros, revelou o estudo da Ernst & Young intitulado “Barômetro de segurança das empresas: um pouco de sol em água fria” (em russo). Segundo o documento, 40% das empresas indicaram a China como a sua prioridade. Depois da China, vêm os mercados do Brasil e da Índia.

As alterações nas preferências estão relacionadas com a melhoria das relações bilaterais entre a Rússia e a China, que acontece em meio à assinatura de uma série de grandes transações, segundo os autores do documento.

“Mas essa não é uma conjetura de hoje”, explicou ao jornal “RBC Daily” o secretário-executivo da Câmara de Comércio Rússia-China, Serguêi Sanakoev. “Se não levarmos em conta o período de crise, o nosso comércio com a China tem crescido entre 30 a 40% por ano durante as últimas duas décadas. Com a onda de sanções do Ocidente, dá a sensação que a China surge como uma alternativa, mas isso é mais fofoca propagandista do que qualquer outra coisa”, acrescenta.

Escalada econômica

Um dos principais indicadores do clima de investimentos no país é o ranking sobre a facilidade de se fazer negócios elaborado anualmente pelo Banco Mundial. Em 2014, a Rússia entrou no grupo dos três países que mais ativamente enveredaram pelo caminho das reformas. O país subiu 19 posições de uma só vez e passou a ocupar a 92ª posição no ranking deste ano. Além disso, foi a primeira vez que a Rússia entrou para o grupo dos 100 melhores nessa relação, batendo os outros três países do Bric – China (96ª), Brasil (116ª) e Índia (134ª).

Na semana passada, a Gazprom assinou um contrato histórico de fornecimento de gás à China e, ao entrar para a lista negra das sanções dos EUA, o empresário Guennádi Timtchenko comprou uma fonte de água na China e não exclui a possibilidade de criar uma empresa local para comercialização da água.

Os investimentos na Índia são também explicados por fatores de mercado. De acordo com a Macquarie Research, desde 2009 que o comércio eletrônico da Índia vem crescendo a uma taxa de 30% por ano, e, em 2015, o seu volume atingirá US$18 bilhões.

Exemplo disso é a maior loja on-line da Índia, a Flipkart, que já atraiu investimentos no montante de US$ 210 milhões de uma comunidade de investidores, cujo principal deles é a fundação DST Global, pertencente ao magnata russo Iúri Milner.

Visão geral

Outro resultado importante obtido no estudo é a atitude geral dos investidores russos. Sessenta e quatro por cento dos entrevistados da Rússia avaliam com otimismo as perspectivas para a economia global, embora 41% dos entrevistados verifiquem um aumento na instabilidade política mundial e 27% falem de um novo abrandamento nos principais mercados emergentes.

Mesmo assim, 53% dos entrevistados estão confiantes na estabilidade do mercado global a curto prazo, enquanto 65% acreditam que o lucro das empresas vai aumentar em um futuro próximo. Além disso, 76% dos participantes do estudo acham que os empréstimos se tornarão mais acessíveis.

“Os resultados desse estudo indicam uma recuperação gradual da confiança das empresas russas nas perspectivas de crescimento econômico como resultado da melhoria do estado tanto da economia mundial, como da economia interna”, explica o sócio da Ernst & Young e chefe de operações dos serviços de consultoria em transações na CEI, Aleksêi Ivanov.

Segundo o especialista, as dificuldades em fazer negócios na Rússia, e que se têm mantido ao longo dos últimos anos, “não só contribuíram para a otimização de custos das empresas, como também estimularam a busca por novas formas que permitam aumentar a rentabilidade”.

Essa confiança permite uma abordagem pragmática ao planejar o desenvolvimento futuro dos negócios, avaliam os autores da pesquisa. Enquanto 60% dos entrevistados consideraram como prioridade a redução dos custos, o aumento da eficiência operacional e a manutenção dos negócios nos níveis atuais, 36% esperam um crescimento nos negócios em breve.

 

Com material dos jornais “Kommersant” e RBC Daily

Iniciativas apostam em medos e estereótipos

DEMOCRACIA DIRETA

Diante do Palácio Federal, 117.000 assinaturas para uma iniciativa da Juventude Socialista contra a especulação dos gêneros alimentícios.

Diante do Palácio Federal, 117.000 assinaturas para uma iniciativa da Juventude Socialista contra a especulação dos gêneros alimentícios. (Reuters)

Por Frédéric Burnand, swissinfo.ch 
30. Abril 2014 

Várias iniciativas populares dos últimos anos colocaram abertamente os estrangeiros como bode expiatório. Será preciso restringir este direito? Um debate que tem agitado a opinião suíça desde o primeiro uso desse instrumento emblemático da democracia direta, em 1893.

“As boas almas que acreditaram distinguir no novo artigo constitucional tendências humanitárias, aceitando a jogada dos antissemitas com sua aprovação, devem reconhecer que estavam erradas. (…) Não é porque não foram avisadas.”
 
Assim, um artigo no Journal de Genève comenta a aprovação, por 60% dos eleitores, de uma iniciativa lançada pelas sociedades de proteção dos animais de língua alemã, em 20 de agosto de 1893. Combatida pelos poderes executivo e legislativo do país, o artigo constitucional proibia “o abate de animais sem serem atordoados antes” ou “o abate de bovinos em uso entre os judeus”, como especificado pelos adversários desta primeira iniciativa popular da história da Suíça.
 
Nos arquivos do Journal de Genève (hospedado no site do jornal Le Temps), lemos este aviso de um comitê de adversários aos “zoófilos”, como são chamados na época os defensores dos animais: “O direito de iniciativa que se inicia hoje não deve se tornar um instrumento de opressão nas mãos de uma raça contra outra, de uma fração do povo contra outra”.
 
Como observa Johanne Gurfinkiel, secretário-geral da Coordenação Intercomunitária contra o Antissemitismo e a Difamação (CICAD), para alguns iniciantes e eleitores tratava-se de “punir os judeus da Suíça que haviam acabado de se tornar cidadãos suíços, graças principalmente à pressão da França e dos Estados Unidos”.
 
No início de 2000, o Conselho Federal (governo) tentou revogar esta lei com efeitos discriminatórios. O governo acabou abandonando o projeto para evitar uma campanha que prometia ser violenta e discriminatória, desta vez contra os muçulmanos.

O ESTRANGEIRO EM CARTAZ

Do perigo vermelho ao perigo muçulmano

“A Suíça para os suíços”, proclamava um cartaz de 1919. Ao longo da história moderna da política suíça, o tema da imigração volta regularmente. O estrangeiro é um dos temas prediletos dos cartazes de campanha eleitoral.  […]

 

Xenofobia

Nos anos 70, uma série de iniciativas visando os trabalhadores imigrantes alimentou campanhas particularmente virulentas. Começando com a chamada iniciativa Schwarzenbach, que pretendia limitar o número de estrangeiros na Suíça. “Depois de debates acalorados, a iniciativa foi rejeitada por pouco pelo povo em 1970”, diz o Dicionário Histórico da Suíça.
 
Durante a década de 2000, os estrangeiros foram novamente objeto de diversas iniciativas populares, na maioria das vezes iniciadas ou apoiadas pelo SVP (Partido do Povo Suíço, na sigla em alemão) e contestadas por outros partidos políticos. Mais uma vez, as campanhas para os referendos estigmatizavam os estrangeiros, com destaque especial para a iniciativa contra a construção de novos minaretes, que ganhou 57,5% dos votos em novembro de 2009.
 
Sem alvejar uma comunidade em particular, o artigo constitucional impondo quotas de estrangeiros adotado em 9 de fevereiro de 2014 também reflete uma desconfiança com relação à Europa e aos estrangeiros que vêm à Suíça. O que levou o presidente alemão a reagir publicamente na própria Suíça. Um fato inédito.
 
No início de abril, Joachim Gauck fez questão de frisar que não queria e não podia imaginar que um país como a Suíça, tão diversa e que nunca tinha passado por uma ditadura, se distanciasse da Europa.

Direitos humanos

Alguns observadores e políticos suíços se dizem preocupados com o crescente número de iniciativas que misturam medo e estereótipos, como a que pretende reduzir drasticamente o número de estrangeiros autorizados a morar na Suíça, a iniciativa ECOPOP, que será votada este ano.
 
Isto fez o constitucionalista Andreas Auer fazer a seguinte observação: “O clima bélico no qual alguns partidos empurram nossas relações com os estrangeiros me preocupa. Há um aumento de iniciativas problemáticas em termos de direitos humanos”.
 
Será necessário, portanto, limitar a democracia direta para se proteger das paixões políticas e da xenofobia que ela permite expressar?
 
Como observou o Dicionário Histórico da Suíça, vozes se levantaram nos primórdios do direito de iniciativa para assinalar “os perigos de uma instituição que poderia servir como instrumento nas mãos de demagogos ou dar uma influência indevida a pequenos grupos bem organizados”.
 
Presidente da Comissão Federal contra o Racismo, Martine Brunschwig Graf ressalta o primeiro filtro que é o Parlamento suíço: “Um texto racista ou discriminatório será invalidado pelo parlamento. Debates são realizados para determinar se uma iniciativa é contrária ao direito internacional e aos compromissos internacionais assumidos pela Suíça”.
 
A ratificação pela Suíça da Convenção Europeia dos Direitos Humanos (em vigor desde 1974) e a adoção pelo povo, em 1994, da norma antirracista – o artigo 261bis do Código Penal Suíço – representam um marco, pelo menos para os defensores dos direitos humanos.
 
“Até 1974, os direitos humanos eram garantidos no nível da Constituição Federal e das constituições cantonais”, diz Andreas Auer.
 
Ao ratificar a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, os países europeus concordaram em não serem soberanos nesta área, beneficiando assim o Tribunal de Estrasburgo. “Um cidadão poder processar o governo do seu país em uma instância internacional é uma realização extraordinária da proteção dos direitos humanos”, diz Andreas Auer.

Arbitrariedade

Em outros círculos políticos, alguns acreditam que após a votação de 9 de fevereiro, que surpreendeu toda a classe política, seria bom reforçar as condições para o exercício do direito de iniciativa.
 
Propostas que deixam Andreas Auer em dúvida: “Sempre que surge a questão, aparecem dezenas de propostas, seja na administração, na política ou no meio acadêmico. Mas o problema enfrenta os mesmos obstáculos. Tentamos colocar novas barreiras ao direito de iniciativa. Supondo que ela passe pela dupla maioria (do povo e dos cantões), a questão é saber quem vai fiscalizar seu cumprimento. A Assembleia Federal como corpo político não é capaz de fazê-lo. Para dar esse poder à Justiça Federal é preciso revisar a Constituição”.
 
Martine Brunschwig Graf enfatiza os efeitos perversos do aumento do controle do direito de iniciativa: “Não podemos impedir preventivamente uma iniciativa sob o pretexto de que ela seria susceptível de desencadear um debate indesejado. Não podemos legislar as intenções das pessoas. Senão, cairíamos em um sistema de censura levando à arbitrariedade”.
 
“Num sistema democrático, cada ator (iniciantes, partidos, políticos, meios de comunicação) e todos aqueles que participam de uma campanha de votação têm a responsabilidade de manter o debate em um contexto apropriado”, diz.
 
Em outras palavras, não se deve quebrar o termômetro que representa a democracia direta, mesmo em caso de febre alta entre a população suíça.

Adaptação: Fernando Hirschy

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