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Operação para destruir armas químicas sírias começa na Itália

As armas químicas da Síria estam a bordo do cargueiro Ark Futura, da Dinamarca (foto) e serão transferidas para o navio Cape Ray, dos Estados Unidos, na próxima quarta-feira(3).

As armas químicas da Síria estam a bordo do cargueiro Ark Futura, da Dinamarca (foto) e serão transferidas para o navio Cape Ray, dos Estados Unidos, na próxima quarta-feira(3)|REUTERS/Ciro De Luca
RFI

A destruição das armas químicas do regime sírio começou nesta quarta-feira (2) pela manhã no porto italiano de Gioia Tauro, na Calábria. Os 78 contêineres que chegaram transportados pelo navio dinamarquês Ark Futura estão sendo transferidos para o navio americano Cape Ray, que destruirá o arsenal químico em alto mar.

Uma fragata da marinha italiana e um helicóptero das Forças Armadas estão supervisionando a operação. Os inspetores da Organização para a Proibição de Armas Químicas montaram a bordo do navio americano para controlar a quantidade, o tipo e as embalagens das armas.

O navio dinamarquês deixou o porto de Latáquia, na Síria, no dia 23 de junho. A operação de transferência do material químico para o navio americano deverá durar cerca de 20 horas. O Cape Ray dispõe de equipamentos necessários para destruir o arsenal sem risco para o meio ambiente.

Vias de acesso são bloqueadas

As vias de acesso ao porto calabrês foram bloqueadas e bombeiros estão de plantão para agir em caso de incidente. “Não se trata de uma operação de rotina, é uma operação militar e a preocupação é grande”, explicou um dos sindicalistas do porto, Domenico Macri.

Os bombeiros foram encarregados de verificar eventuais vazamentos tóxicos e a agência de aviação italiana proibiu os voos até amanhã em um raio de 1,1 quilômetros em torno do porto Gioia Tauro.

A destruição das armas químicas sírias foi decidida em setembro do ano passado, em um acordo assinado entre os Estados Unidos e a Rússia, aliada do regime de Damasco. O acordo evitou uma intervenção militar no país, palco de uma guerra civil desde março de 2011 que já deixou mais de 150 mil mortos.

As potências ocidentais ameaçaram invadir a Síria depois do ataque químico em Ghouta, na periferia de Damasco, no dia 21 de agosto, que deixou dezenas de vítimas. Esse atentado foi considerado a “gota d’água” para muitos países, até então reticentes a uma ação militar contra o governo sírio.

Gregos temem destruição de armas químicas sírias no Mediterrâneo

Manifestação ocorreu na ilha grega de Creta contra a destruição de armas químicas sírias.

Manifestação ocorreu na ilha grega de Creta contra a destruição de armas químicas sírias|Flirck’/ Creative Commons|RFI

Os moradores da ilha de grega de Creta, no sudeste do mar Mediterrâneo, temem os efeitos da destruição das armas químicas da Síria, prevista para acontecer em breve na região, a bordo de um navio americano. Nesta quinta-feira (26), os habitantes protestaram contra a escolha do local para a operação.

O navio americano MV Cape Ray deve chegar nos próximos dias ao porto de Gioia Tauro, no sul da Itália, onde vai ser carregado com as armas e produtos químicos sírios. Em uma segunda etapa, o material será destruído no leste do Mediterrâneo, perto de Creta.

“Vai ser a primeira vez que uma destruição tão importante acontecerá em um navio. O risco de acidentes é evidente”, afirmou Dimitris Petrakis, membro da associação Heraklion, contrária à operação.

Na quarta-feira, os militantes já tinham organizado um show na cidade para protestar contra a destruição das armas na região. Cerca de 1.000 pessoas participaram do ato.

Ontem, Washington indicou que o navio deixou o porto espanhol de Rota em direção a Gioia Tauro, onde deve chegar no início de julho. A embarcação havia sido enviada pelos Estados Unidos em 27 de janeiro.

A população de Creta manifesta há vários meses contra o procedimento de destruição das armas químicas sírias no Mediterrâneo. “No sul da Itália também houve protestos, mas poucos, afinal um mínimo de informações sobre o assunto foi divulgado”, lamentou Vaguelis Pissias, membro da associação grega. Os governos grego e italiano garantiram que a operação não tem riscos ambientais.

Armas químicas

A Síria entregou um total de 1.300 toneladas de agentes químicos à comunidade internacional. Os elementos mais perigosos, chamados de “prioridade Un” e que são usados para a composição de gás mostarda e sarin, serão destruídos a bordo do navio americano, num total de 700 toneladas, conforme o sub-secretário americano da defesa, Franck Kendall.

As operações devem durar entre 45 e 90 dias, segundo o Pentágono. O Cape Ray leva dois sistemas de hidrólise desenvolvidos pelas forças armadas americanas, capaz de neutralizar os mais perigosos agentes químicos. Os resíduos serão em seguida jogados no mar.

Essa será a primeira vez que uma operação dessa amplitude acontecerá no mar. A tecnologia, entretanto, é conhecida há muitos anos, conforme Adam Baker, químico do Centro Americano para a Eliminação de Armas Químicas.