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Bombardeio mata oito crianças palestinas que brincavam num parquinho em Gaza

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza, espera por atendimento no hospital.

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza, espera por atendimento no hospital.

REUTERS/Finbarr O’Reilly/Files

Dez palestinos, incluindo oito crianças, morreram nesta segunda-feira (28) em um bombardeio ao campo de refugiados de Al Chati, na cidade de Gaza. As crianças teriam sido atingidas quando brincavam no parquinho do campo, na beira da praia. Quatro civis israelenses morreram, por sua vez, devido à explosão de um morteiro lançado de Gaza. O artefato caiu perto da fronteira, na região de Eshkol, no sul de Israel.

 

O bombardeio ao campo de refufiados de Al Chati deixou 40 feridos. Os corpos das crianças e de dois adultos foram levados para o hospital de Chifa, o maior do enclave palestino, que também foi alvo de uma explosão. Apenas um muro do estabelecimento foi danificado. O Exército de Israel acusa o Hamas pelos dois incidentes. Um comunicado militar afirma que eles foram provocados por “foguetes mal direcionados pelos terroristas de Gaza”.

Durante a madrugada e o período da manhã, os bombardeios diminuíram de ambos os lados, dando a impressão que havia uma trégua não-declarada entre os beligerantes. Porém, à tarde, os disparos recomeçaram.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a declaração do Conselho de Segurança da ONU exigindo um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza “não atende às exigências de segurança de Israel, principalmente no que diz respeito à desmilitarização” do território palestino.

Netanyahu conversou por telefone com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e lamentou que o texto do Conselho não faça alusão “aos ataques contra a população civil israelense nem ao uso dos palestinos como escudos humanos pelo Hamas”.

Ban Ki-Moon pede “humanidade” aos dirigentes

Ban Ki-Moon reiterou o apelo para que Israel e o Hamas ponham um fim ao conflito em Gaza, insistindo na necessidade de ambas as partes “honrarem” os pedidos de cessar-fogo da comunidade internacional. “Em nome da humanidade, a violência tem de parar”, disse o secretário-geral da ONU.

Ontem, reunidos emergencialmente em Nova York, os 15 países do Conselho de Segurança da ONU pediram que Israel e o Hamas aplicassem uma trégua humanitária durante e depois da festa muçulmana do Eid al-Fitr, que marca, nesta segunda-feira, o fim do jejum do Ramadã. O Conselho pediu assistência humanitária à população de Gaza, com o aumento das contribuições ao escritório da ONU para os refugiados palestinos.

Palestinos de Jerusalém pedem fim da ofensiva

Cerca de 45 mil palestinos se reuniram na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, para manifestar neste último dia do Ramadã um fervoroso apoio aos moradores de Gaza.

Muitos participantes usavam camisetas com frases de solidariedade aos vizinhos, como “estamos com vocês nesta festa do Eid al-Fitr” e “daremos nosso sangue por Gaza”. Outros vestiam camisetas de apoio ao braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, com dizeres do tipo “sequestrem mais soldados israelenses”.

A polícia israelense se manteve à distância dos manifestantes.

Faixa de Gaza tem trégua não-declarada para festa religiosa muçulmana

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza.

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza.

REUTERS/Finbarr O’Reilly/Files

O Conselho de Segurança da ONU adotou na madrugada desta segunda-feira (28) uma declaração unânime exigindo um “cessar-fogo humanitário imediato e incondicional” na Faixa de Gaza. Desde ontem, as hostilidades praticamente pararam, por conta da festa muçulmana do Eid al-Fitr, que marca o fim do jejum do Ramadã.

 

Os 15 países reunidos emergencialmente em Nova York pediram que Israel e o Hamas apliquem essa trégua “plenamente”, não só durante a data religiosa, mas depois também. E, que respeitem o direito internacional, principalmente no que diz respeito à proteção dos civis.

O Conselho pediu assistência humanitária à população de Gaza, com o aumento das contribuições ao escritório da ONU para os refugiados palestinos. Em alusão ao bombardeio de uma escola das Nações Unidas, o comunicado frisa que instalações civis e humanitárias devem ser respeitadas e protegidas. Único membro árabe do Conselho, a Jordânia pediu que a declaração seja adotada solenemente sem demora.

O embaixador palestino na ONU, Ryad Mansur, lamentou que o Conselho não tenha pedido o fim do embargo israelense a Gaza e que tenha optado por uma simples declaração no lugar de uma resolução. Do lado israelense, o embaixador Ron Prosor condenou o texto por não citar o Hamas nem seus foguetes. Ele voltou a acusar o movimento islâmico de usar a população como escudo humano.

Desde ontem à noite, os ataques praticamente cessaram, por ocasião da festa muçulmana. Um porta-voz do Hamas afirmou que “Israel será responsabilizado por qualquer escalada durante o Eid al-Fitr”. De acordo com o exército israelense, desde as 23 horas do domingo, o Hamas não atira nenhum foguete e Israel não realiza nenhum ataque aéreo.

Apesar disso, hoje de manhã, dois palestinos que haviam sido feridos na semana passada morreram na Faixa de Gaza. Com isso, o número de palestinos mortos desde o início da operação Limite Protetor, em 8 de julho, chega a 1.035. Os hospitais de Gaza receberam 6.200 feridos. Do lado israelense, o conflito deixou até agora 43 soldados mortos e três civis, atingidos pelos foguetes do Hamas.

Israel rejeita plano de trégua em Gaza, diz mídia local

Secretário de Estado norte-americano John Kerry pedia uma trégua temporária, paran realização de conversações indiretas sobre o alívio do bloqueio a Faixa de Gaza

Meios de comunicação israelenses disseram que o gabinete de segurança do país rejeitou por unanimidade uma proposta dos Estados Unidos para uma pausa temporária nos combates entre Israel e Hamas. 

A proposta apresentada pelo secretário de Estado norte-americano John Kerry pedia uma trégua temporária, durante a qual Israel e o Hamas realizariam conversações indiretas sobre o alívio do bloqueio a Faixa de Gaza. O Hamas exige que as passagens de fronteira com o território costeiro sejam abertos. 

A televisão israelense informou que na noite desta sexta-feira o gabinete de segurança de Israel, que agrupa os principais Ministérios relacionados a questões de segurança, rejeitou a proposta principalmente porque ela significaria que Israel teria de interromper seus atuais esforços para destruir os túneis do Hamas, que ligam Gaza ao território israelense. 

O governo de Israel não havia se pronunciado oficialmente sobre o assunto. Fonte: Associated Press.

Fonte: Agência Estado

Disparos israelenses contra escola da ONU em Gaza deixa nove mortos

Corpos foram levados ao necrotério do hospital de Jabaliya, perto de Beit Hanoun

Duas crianças seguram cartazes perto do escritório das Nações Unidas em Beirute<br /><b>Crédito: </b> Joseph Eid / AFP / CP
Duas crianças seguram cartazes perto do escritório das Nações Unidas em Beirute 
Crédito: Joseph Eid / AFP / CP

Nove palestinos, sendo uma criança de um ano, morreram nesta quinta-feira em uma escola da ONU em Beit Hanoun, norte da Faixa de Gaza, onde vários palestinos estavam refugiados, segundo contagem de um fotógrafo da AFP.

Os corpos foram levados ao necrotério do hospital de Jabaliya, perto de Beit Hanoun. O porta-voz da agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA), Chris Gunness, confirmou em seu Twitter que há “um certo número de mortos e feridos” no local.

Fonte: AFP

Ministro francês diz que atos antissemitas em manifestações pró-palestinas serão punidos

Manifestação pró-palestina será realizada nesta quarta-feira (23) em Paris.

Manifestação pró-palestina será realizada nesta quarta-feira (23) em Paris.

REUTERS/Philippe Laurenson
RFI

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, afirmou nesta quarta-feira (23) que “provocadores” em manifestações pró-palestinas serão castigados. “Não vamos aceitar que se grite ‘morte aos judeus’ em uma marcha. Se isso acontecer hoje, os manifestantes serão punidos”, sublinhou. A capital francesa abriga nesta noite a primeira marcha autorizada, após a proibição dos protestos no último fim de semana.

 

Cazeneuve reconheceu que as dezenas de manifestações autorizadas foram realizadas de forma pacífica em todo o país. Apenas dois protestos, proibidos pelo governo, terminaram em atos de vandalismo e agressões antissemitas, em Paris, no último sábado (19), e em Sarcelles, no último domingo (20).

Interrogado sobre as provocações dos integrantes da Liga de Defesa Judaica (LDJ), que se juntaram à primeira manifestação pró-palestinos parisiense, no dia 13 de julho, o ministro classificou os atos como “repreensíveis”. A invasão do grupo judaico teria incitado a revolta de manifestantes pró-palestinos, que, em seguida, foram protestar diante de uma sinagoga.

O presidente francês François Hollande reafirmou hoje que a responsabilidade do Estado “é de fazer respeitar a ordem republicana”. Criticado por uma parte da opinião pública por proibir as manifestações e agravar a tensão entre judeus e muçulmanos, o chefe de Estado é repetiu que o governo não vai aceitar “slogans que exprimam o ódio”.

Manifestações em toda a França

Várias manifestações em apoio aos palestinos estão programadas para esta quarta-feira (23) na França, em Paris, Lyon, Lille ou Toulouse. O governo francês autorizou uma passeata na capital, organizada pelo Coletivo Nacional pela Paz Justa e Durável entre Israelenses e Palestinos, apesar das agressões ocorridas no último fim de semana contra judeus em atos que estavam proibidos.

O trajeto da manifestação parisiense, a partir das 18h30 locais (13h30 pelo horário de Brasília), foi alterado para evitar passar em frente a sinagogas. A polícia francesa contará com o apoio de seguranças treinados por Israel para proteger os judeus de agressões. Não se trata de uma milícia, mas de voluntários não armados de uma organização judaica francesa, treinados em lutas marciais.

O último ato organizado pelo Coletivo, há uma semana, reuniu 900 pessoas em Invalides, no centro da capital. Os policiais prevêem que o número de participantes será maior hoje.

Novo antissemitismo

Em editorial, o jornal Le Monde aponta para o surgimento de um novo fenômeno na França: “o novo antissemitismo”. Em sua edição de hoje, o diário lembra que a maioria das manifestações realizadas em solo francês foram pacíficas, mas que as agressões antissemitas em três delas trouxeram a tona slogans “intoleráveis” como “Morte aos judeus” ou “Hitler tinha razão”.

Para Le Monde, há 15 ou 20 anos, esse tipo de violência erra inadmissível, mas atualmente, ela não é “excepcional”. “É o novo antissemitismo banalizado, normalizado, geralmente expressado por uma parte da população muçulmana ou por seguidores de extrema direita”, publica.

O jornal acredita que é compreensível que o conflito israelo-palestino sensibilize particularmente os muçulmanos e os judeus franceses, suscitando uma solidariedade natural. Mas que “essa maneira mecânica de se alinhar sem nuances sobre o conflito” mostra que o “antissionismo nada mais é que a face escondida do antissemitismo”.

Franceses a favor da proibição

Uma pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop) para o jornal Le Figaro, aponta que 62% dos franceses são a favor da proibição das manifestações. Para o público entrevistado, os protestos geram atos violentos.

Ataques de Israel em Gaza já tiraram a vida de 121 crianças

Um a cada seis mortos é menor

O DIA

Israel – Pelas ruas das cidades da Faixa de Gaza, crianças já não brincam ou sorriem, e pouco falam. Muitas andam apressadas e apavoradas, olhando para o céu. E, ao entrarem em casa, não raro se escondem sob mesas e camas, como se fosse possível escapar. Nos ataques de Israel à Faixa de Gaza, que já duram 15 dias, morreram pelo menos 616 palestinos. Deles, no mínimo 121 eram crianças, sendo 80 com menos de 12 anos de idade. 

Bomba causa destruição em Gaza

Foto:  Efe

Os números foram divulgados ontem pelo Unicef (organismo da ONU para a proteção da infância). Ainda segundo o relatório da agência, pelo menos 904 outras crianças ficaram feridas. De acordo com voluntários que atuam na Faixa de Gaza, cerca de 107 mil menores precisam de tratamento psicológico especializado devido aos traumas que sofreram ao ver suas famílias sendo mortas e suas casas, destruídas. Equipes de emergência só estariam conseguindo oferecer apoio mental a cerca de 900 crianças. O Escritório de Assuntos Humanitários da ONU descreveu como “devastadora” a situação para a população de Gaza. “Não há um espaço que seja seguro para os civis”, destacou o porta-voz, Jens Laerke.

NÃO A CESSAR-FOGO 

Ontem Israel rejeitou formalmente um pedido de cessar-fogo humanitário em Gaza, que serviria para equipes ajudarem as vítimas com tratamento médico e entrega de remédios e alimentos. A decisão segue a do grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza. A organização rejeitou no início da semana passada proposta de trégua mediada pelo Egito. Do lado israelense, morreram 27 soldados e dois civis, atingidos por foguetes lançados de Gaza por militantes do Hamas.

Voos para Israel cancelados

Companhias aéreas norte-americanas, europeias, canadenses e suíças suspenderam voos para o Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, Israel. A medida foi tomada após o Hamas disparar um foguete que atingiu Yehud, perto do aeroporto. Foi a primeira vez que um foguete de Gaza acertar edifício no centro de Israel, o que provocou ferimentos leves em um civil. Duas pessoas ficaram em estado de choque. Chegaram ontem a Tel Aviv o secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, e o secretário de Estado americano, John Kerry. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que “o povo de Gaza é vítima do brutal regime do Hamas”, comparando o grupo militante palestino à Al-Qaeda.

Gaza: Unicef aponta 121 crianças mortas em ataques

De acordo com balanço, as crianças mortas no conflito têm idade entre cinco meses de vida e 17 anos

Unicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeios / Said Khatib/AFPUnicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeiosSaid Khatib/AFP

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançou um apelo nesta terça-feira pelo fim da violência na Faixa de Gaza, que teria provocado a morte de ao menos 121 crianças desde o dia 8 de julho, quando Israel colocou em prática uma ofensiva militar. 

De acordo com o balanço do fundo, que contabiliza as vítimas entre os dias 8 e 21 de julho, as 121 crianças mortas são: 84 meninos e 37 meninas com idades entre cinco meses de vida e 17 anos. A instituição afirma que uma a cada três crianças mortas nos ataques tem menos de 12 anos de idade. O Unicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeios e que 107 mil precisem de apoio psicológico especializado para superar o trauma que estão vivendo. 

O porta-voz da ONU em Genebra, Jens Laerke, disse que “não há, literalmente, nenhum lugar seguro para civis” na Faixa de Gaza neste momento. Ele definiu a situação como “devastadora”. 

Nesta terça-feira, a agência de notícias palestina al-Ray, ligada ao Hamas, informou que subiu para 605 o número de mortos nos confrontos e para 3,7 mil o de feridos. Um porta-voz militar israelense disse, por sua vez, que, desde o início da ofensiva militar, foram atingidos 1.388 alvos e mortos 183 “terroristas” do Hamas. 

Milhares de pessoas fugiram nesta terça-feira do norte da Faixa de Gaza devido a bombardeiros israelenses iniciados durante a noite. Enquanto isso, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, deve prolongar por um dia sua visita ao Cairo, no Egito, onde discute a crise no Oriente Médio. Também está previsto para esta terça-feira um encontro entre o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. 

 
 
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terça-feira, 22 de julho de 2014 – 10h37 Atualizado em terça-feira, 22 de julho de 2014 – 10h37

Gaza: Unicef aponta 121 crianças mortas em ataques

De acordo com balanço, as crianças mortas no conflito têm idade entre cinco meses de vida e 17 anos
Unicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeios / Said Khatib/AFPUnicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeiosSaid Khatib/AFP

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançou um apelo nesta terça-feira pelo fim da violência na Faixa de Gaza, que teria provocado a morte de ao menos 121 crianças desde o dia 8 de julho, quando Israel colocou em prática uma ofensiva militar. 

 

De acordo com o balanço do fundo, que contabiliza as vítimas entre os dias 8 e 21 de julho, as 121 crianças mortas são: 84 meninos e 37 meninas com idades entre cinco meses de vida e 17 anos. A instituição afirma que uma a cada três crianças mortas nos ataques tem menos de 12 anos de idade. O Unicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeios e que 107 mil precisem de apoio psicológico especializado para superar o trauma que estão vivendo. 

 

O porta-voz da ONU em Genebra, Jens Laerke, disse que “não há, literalmente, nenhum lugar seguro para civis” na Faixa de Gaza neste momento. Ele definiu a situação como “devastadora”. 

 

Nesta terça-feira, a agência de notícias palestina al-Ray, ligada ao Hamas, informou que subiu para 605 o número de mortos nos confrontos e para 3,7 mil o de feridos. Um porta-voz militar israelense disse, por sua vez, que, desde o início da ofensiva militar, foram atingidos 1.388 alvos e mortos 183 “terroristas” do Hamas. 

 

Milhares de pessoas fugiram nesta terça-feira do norte da Faixa de Gaza devido a bombardeiros israelenses iniciados durante a noite. Enquanto isso, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, deve prolongar por um dia sua visita ao Cairo, no Egito, onde discute a crise no Oriente Médio. Também está previsto para esta terça-feira um encontro entre o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. 

Histórico

A operação militar na Faixa de Gaza foi colocada em prática após a morte de três jovens israelenses na Cisjordânia, seguida pelo assassinato de um adolescente palestino, incendiado vivo com gasolina. O governo israelense culpa o Hamas pela morte dos jovens, mas o grupo nega ter envolvimento. Os crimes ocorreram dias após o Hamas e o Fatah terem anunciado um acordo histórico de reconciliação para um novo governo de unidade nacional palestino.

Gaza continua somando mortos, apesar de apelos para trégua

Bombardeios já mataram mais de 500 palestinos e 20 israelenses

Bombardeios já mataram mais de 500 palestinos e 20 israelenses<br /><b>Crédito: </b> Mahmud Hams / AFP / CP
Bombardeios já mataram mais de 500 palestinos e 20 israelenses 
Crédito: Mahmud Hams / AFP / CP

O conflito entre Israel e o Hamas continua se intensificando nesta segunda-feira na Faixa de Gaza, após seu dia mais sangrento e apesar dos apelos da comunidade internacional por uma trégua. O Conselho de Segurança da ONU pediu no domingo “o fim imediato das hostilidades”, que já deixaram mais de 500 palestinos e 20 israelenses mortos – 18 deles soldados – desde o início do conflito, no dia 8 de julho.

Na manha desta segunda-feira, ao menos nove palestinos de uma mesma família, entre eles quatro crianças, perderam a vida em um ataque aéreo israelense contra sua casa em Rafah (sul da Faixa). Em Khan Yunes, também no sul, foram encontrados os cadáveres de 16 pessoas sob os escombros de uma casa também alvo de um bombardeio.

Ainda hoje, as localidades israelenses localizadas perto da Faixa de Gaza foram colocadas em estado de alerta e seus habitantes foram alertados a não sair de suas casas. Na frente diplomática, o Conselho de Segurança da ONU pediu o retorno “ao acordo de cessar-fogo de novembro de 2012” entre Israel e o Hamas e convocou “o respeito às leis humanitárias internacionais, especialmente sobre a proteção de civis”.

O presidente americano, Barack Obama, disse que enviará seu secretário de Estado, John Kerry, ao Cairo nesta segunda-feira e declarou buscar um cessar-fogo. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, atualmente no Oriente Médio, pediu em Doha que Israel faça muito mais para evitar as vítimas civis, denunciando a ação atroz do exército em Shejaiya. Ban visitará nesta segunda-feira o Kuwait e também deve viajar ao Cairo, a Jerusalém, Ramallah (Cisjordânia) e Amã.

Crime contra a humanidade 

Mais de 140 palestinos faleceram nesse domingo, a metade deles em Shejaiya, um bairro periférico do leste da cidade de Gaza (norte) atacado duramente pelo exército israelense. Ao sul de Israel, o exército matou nesta segunda-feira dez combatentes palestinos que conseguiram se infiltrar por dois túneis do reduto controlado pelo movimento islamita Hamas. Segundo a rádio militar, soldados israelenses foram atingidos durante a troca de tiros, sem informar se haviam sido mortos ou feridos.

O presidente palestino, Mahmud Abas, que se reuniu no domingo em Doha com Ban Ki-moon, classificou em uma mensagem televisionada o bombardeio de Shejaiya de “crime contra a humanidade”, cujos autores devem ser julgados e punidos. Os ataques contra este bairro foram os mais sangrentos desde a guerra de 2008-2009 no reduto palestino. “Shejaiya é uma zona civil onde o Hamas mobilizou seus foguetes, constrói seus túneis e tem seus centros de comando (…) Advertimos os civis a deixarem o local, mas o Hamas ordenou que permanecessem…”, justificou o exército israelense.

Para Israel, o dia de domingo também foi sombrio: treze soldados da brigada de elite Golani morreram em combate, elevando a 18 o número de militares mortos, uma quantidade sem precedentes desde a guerra do Líbano de 2006. Também há 55 militares feridos.

Dois civis israelenses faleceram desde o início da operação “Barreira Protetora”. O braço armado do Hamas afirmou no domingo ter sequestrado um soldado israelense, provocando manifesta~]pes de alegria nas ruas da cidade de Gaza, mas a informação foi desmentida pelo embaixador israelense da ONU, Ron Prosor.

Israel mobilizou 53, 2 mil  homens dos 65 mil reservistas autorizados pelo governo para a ofensiva neste pequeno território de 362 km2, onde vivem na miséria 1,8 milhão de habitantes, ou seja, uma das densidades de população mais elevadas do mundo.

A nova espiral de violência foi desencadeada após o sequestro e o assassinato de três estudantes israelenses em junho, atribuídos por Israel ao Hamas, seguidos pelo assassinato de um jovem palestino, queimado vivo em Jerusalém.

Fonte: AFP

Israel acusado de ‘crime de guerra’ após ataque sangrento a Shajaya, em Gaza

 20/07/2014

Os líderes palestinos e a Liga Árabe acusaram neste domingo Israel de cometer um “massacre atroz” no bairro de Shajaya, na periferia leste da cidade de Gaza, deixando dezenas de mortos no 13º dia de operações no enclave palestino.

Segundo os serviços de emergência, ao menos 62 pessoas foram mortas e mais de 200 ficaram feridas nesses bombardeios, os mais mortais desde o conflito de 2008-2009. Com 87 mortos em toda a Faixa de Gaza, este também é o dia mais sangrento desde o lançamento, em 8 de julho, da ofensiva israelense para neutralizar as capacidades militares do Hamas, que controla este território.

Em Shajaya, um jornalista da AFP descreveu cenas de carnificina e caos, como um homem que teve a cabeça arrancada. As ruas estavam cheias de carros queimados, incluindo uma ambulância, e vários corpos continuam a ser retirados dos escombros sem cessar.

“O bombardeio brutal e a ofensiva terrestre em Shajaya são crimes de guerra contra civis palestinos e representam uma escalada perigosa que poderá ter sérias consequências”, denunciou a Liga Árabe.

O governo palestino também condenou “de maneira firme o massacre atroz cometido pelas forças de ocupação israelenses contra os civis inocentes de Shajaya”, chamando a comunidade internacional a “reagir imediatamente contra este crime de guerra”.

Obstinação do Hamas

Frente ao número alarmante de mortos, o Exército israelense justificou sua ofensiva contra este bairro localizado perto da fronteira.

“Shajaya é uma área civil, onde o Hamas tem posicionado seus foguetes, os seus túneis, centros de comando”, afirmou o Exército, ressaltando que “há dias temos avisado os civis de Shajaya para que deixem o local”.

Uma frágil trégua humanitária, intermediada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), para evacuar de Shajaya os mortos e feridos foi rompida de forma intermitente. Finalmente, o Exército israelense anunciou estender o cessar-fogo às 14h30 GMT (11h30 no horário de Brasília).

O secretário de Estado americano, John Kerry, declarou por sua vez que o movimento islâmico Hamas recusou na semana passada uma proposta de cessar-fogo, e ele está “obstinado a atrair a fúria” de Israel.

No total, a ofensiva israelense fez ao menos 425 mortos e 3.000 feridos palestinos, em sua maioria civis, apesar dos repetidos apelos da comunidade internacional para a contenção.

A ONU em Gaza indicou por sua vez que acomoda mais de 63.000 deslocados, mais do que durante o conflito de 2008-2009 que teve 1.400 palestinos mortos.

Intensificação

O Exército de Israel anunciou a intensificação de sua ofensiva terrestre, lançada na quinta-feira, para neutralizar os disparos de foguetes e os túneis subterrâneos do movimento palestino.

Este conflito, o mais sangrento desde 2009 no enclave palestino sob cerco há anos, é o quarto entre o Hamas e Israel em menos de uma década.

O Exército de Israel reconheceu a morte de cinco de seus soldados, a maioria durante um confronto no sábado contra um comando palestino que se infiltrou em Israel por um túnel, enquanto 55 outros ficaram feridos.

O ministro das Finanças israelense, Naftali Bennett, declarou à rádio pública que os túneis escavados pelo Hamas tinham a intenção de “atacar simultaneamente de sete a oito kibutz” (aldeias cooperativas), afirmando que Israel estava “pronto para pagar um preço terrível para evitar que civis israelenses sejam vítimas desta catástrofe”.

O Exército de Israel informou ainda a morte de 70 “terroristas” desde quinta-feira e treze túneis descobertos. Além disso, cerca de 60 foguetes atingiram Israel no sábado.

Estratégia de saída

Na esperança de obter um cessar-fogo, Abbas deve se reunir em Doha neste domingo com o líder exilado do Hamas, que exige o levantamento completo do bloqueio a Faixa de Gaza, a abertura da fronteira de Rafah com o Egito e a libertação de prisioneiros. Uma proposta egípcia para um cessar-fogo havia sido rejeitada pelo movimento islâmico palestino.

Na frente diplomática, Ban Ki-moon era esperado neste domingo na região. Durante uma breve visita a Israel, o chefe da diplomacia francesa Laurent Fabius salientou a “prioridade absoluta” para se chegar a uma trégua.

A imprensa israelense ainda apoia em grande parte a ofensiva, mas alguns títulos questionam se o governo estava verdadeiramente preparado para todos os cenários.

“Precisamos de coragem, precisamos de um verdadeiro compromisso físico, frontal, real (…) Sim, isso fará com que tenhamos perdas do nosso lado”, insistiu Ben Caspit no jornal Maariv “é de sua responsabilidade chegar lá”, diz ele a Netanyahu.

Segundo Nahum Barnea ao Yedioth Ahronoth, o governo ainda pondera se deve avançar ainda mais sobre Gaza ou se deve limitar suas operações: “A questão de uma estratégia de saída tem sido objeto de intermináveis discussões que ainda não resultaram numa decisão real”.

 

Líderes palestinos denunciam massacre cometido por Israel em Shajaya

Chefe da Liga Árabe pediu “fim imediato” a ofensiva israelense contra o enclave palestino

Chefe da Liga Árabe pediu fim imediato a ofensiva israelense contra o enclave palestino<br /><b>Crédito: </b> Thomas Coex / AFP / CP
Chefe da Liga Árabe pediu fim imediato a ofensiva israelense contra o enclave palestino 
Crédito: Thomas Coex / AFP / CP

O governo e a presidência palestinas denunciaram neste domingo um “massacre atroz” no bairro de Shajaya, periferia leste da cidade de Gaza, onde ao menos 62 palestinos foram mortos nos bombardeios israelenses. “O governo palestino condena de maneira firme o massacre atroz cometido pelas forças de ocupação israelenses contra os civis inocentes de Shajaya”, afirma um comunicado, que chama a comunidade internacional a “reagir imediatamente contra este crime de guerra”.

Por sua vez, o chefe da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, chamou de “crime de guerra” os bombardeios a esta localidade, apelando ao “fim imediato” da ofensiva israelense contra o enclave palestino. 

Fonte: AFP