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PRESIDENTE UCRANIANO DEPOSTO IANUKOVITCH PEDE QUE SE EVITE “UM BANHO DE SANGUE”

por LusaHoje
 
Homens armados pró-russos guardam o escritório da segurança estatal em Luhansk, no leste da Ucrânia, depois de este ter sido invadido
Homens armados pró-russos guardam o escritório da segurança estatal em Luhansk, no leste da Ucrânia, depois de este ter sido invadidoFotografia © Reuters

O presidente ucraniano deposto Viktor Ianukovich pediu às autoridades ucranianas para retirarem todas as forças armadas das regiões do leste da Ucrânia para evitar “um banho de sangue”, numa mensagem publicada hoje pelas agências russas.

“Dado o brusco agravamento da situação no leste da Ucrânia, exijo que todas as forças armadas ucranianas regressem às bases (…) e que seja imediatamente aberto um diálogo de paz com os dirigentes escolhidos pelas populações das regiões do leste”, disse Ianukovitch.

“Estão a um passo de um banho de sangue (…) Parem!”, acrescentou.

Dirigindo-se “aos militares e aos membros das forças especiais”, Ianukovich pediu-lhe que “não ultrapassem os limites” e “não executem ordens criminosas”.

Na mensagem, a quarta desde que foi destituído e se exilou na Rússia, Ianukovich defendeu a necessidade de cada região da Ucrânia organizar um referendo sobre a federalização do país e o reforço das competências regionais.

O ex-presidente voltou também a defender a realização de um referendo nacional sobre o sistema político — presidencialista ou parlamentar — e outra consulta sobre uma reforma constitucional.

Só então, sustentou, é possível realizar eleições legislativas e presidenciais.

“Esta é a única via para manter a integridade da Ucrânia. Se isto não for feito, o nosso país ver-se-á condenado à desintegração, dificilmente pacífica. Provavelmente através de uma guerra civil”, disse.

Ianukovich fugiu para a Rússia depois de ter sido deposto, em finais de fevereiro, ao fim de três meses de contestação nas ruas pela sua decisão de suspender a aproximação à União Europeia e de reforçar laços com a Rússia.

O seu afastamento e a subida ao poder em Kiev de partidos apoiados pelo Ocidente desencadearam forte contestação nas regiões do leste e sudeste da Ucrânia, a que se seguiu a anexação da península da Crimeia e, nas últimas semanas, pela ocupação de edifícios governamentais por forças pró-russas em várias cidades.