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Israel promete punir Hamas por morte de três adolescentes

Protesto em Nova York, diante da sede da ONU, pela morte dos três jovens israelenses.

Protesto em Nova York, diante da sede da ONU, pela morte dos três jovens israelenses|REUTERS/Lucas Jackson

Os três jovens israelenses sequestrados no dia 12 de junho foram encontrados mortos em Halhoul, no sul da Cisjordânia ocupada. O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, reforçou nesta terça-feira (1°), as ameaças de retaliação feitas na véspera pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

“Vamos continuar a caçar os assassinos, não vamos descansar ou nos silenciar até colocarmos as mãos nos responsáveis”, disse Yaalon. “O Hamas é responsável e o Hamas irá pagar”, declarou Netanyahu . Ele convocou uma sessão do seu gabinete de segurança para decidir manobras militares contra o grupo islâmico, que nem confirmou nem negou as alegações de Israel.

Os corpos de Gil-Ad Shaer, Naftali Fraenkel, ambos de 16 anos, e Eyal Yifrah, de 19 anos, foram encontrados em um campo próximo de Hebron, um reduto de militantes e cidade-natal de dois membros do Hamas identificados por Israel como os sequestradores. Os suspeitos ainda estão foragidos, informaram fontes de segurança.

Aparentemente, os adolescentes foram mortos a tiros pouco depois de serem raptados enquanto pediam carona, disseram as autoridades. “Estavam sob uma pilha de rochas, em um campo aberto”, declarou o tenente-coronel Peter Lerner, um porta-voz dos militares.

Na noite de ontem, milhares de militares israelenses cercaram Halhoul e a cidade de Hebron. O exército destruiu as casas dos dois principais suspeitos em Hebron.

Repúdio

Netanyahu aproveitou para exigir que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, revogue o acordo de reconciliação firmado em abril com o Hamas, adversário de longa data, e que levou à formação de um governo de unidade em 2 de junho.

Abbas repudiou o sequestro e pediu a cooperação de suas forças de segurança, atraindo críticas do Hamas. O presidente americano, Barack Obama, condenou o que chamou de “ato de terrorismo absurdo contra jovens inocentes”. 

EUA: Obama pedirá US$ 2 bi para conter imigrantes

29/06/2014

Washington, 29 – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pedirá ao Congresso mais de US$ 2 bilhões para conter a entrada de crianças imigrantes da América Central, informou a Casa Branca.

O pedido representa uma tentativa da administração Obama para responder ao recente aumento de imigrantes ilegais, que entram pela fronteira Sul do País.

Barack Obama foi criticado recentemente por congressistas republicanos, que dizem que ele não toma medidas suficientes para conter a imigração e que sua política, inclusive, incentiva a prática.

Segundo informações da Casa Branca, a administração também avalia, junto com advogados da imigração, o bem-estar das crianças, que escapam da violência da América Central.

Desde outubro do ano passado, mais de 52 mil crianças da Guatemala, Honduras e El Salvador atravessaram a fronteira dos Estados Unidos pelo Rio Grande Valley, no Texas.

Além dos recursos financeiros, a Casa Branca informou que irá tomar medidas que acelerem a deportação das crianças. Fonte: Dow Jones Newswires.

Putin volta atrás e pede retirada de autorização para intervir na Ucrânia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu ao Parlamento russo, nesta terça-feira (24), que cancele a autorização de intervenção militar na Ucrânia.

REUTERS/Alexei Druzhinin/RIA Novosti/Kremlin|RFI

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu ao Parlamento russo, nesta terça-feira (24), que cancele a autorização de intervenção militar na Ucrânia.Em um sinal de apoio às negociações de paz na Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, pediu nesta terça-feira (24) que o Parlamento russo cancele a autorização para que Moscou intervenha militarmente no país vizinho. A resolução havia sido solicitada pelo próprio Putin, em 1º de março, no auge da crise ucraniana.

O objetivo da decisão é ajudar na normalização da situação na Ucrânia, informou o porta-voz do presidente. A resolução foi aprovada sob o argumento da defesa das populações russas que vivem na Ucrânia. O texto deve ser revogado na quarta-feira, conforme um parlamentar.

O pedido acontece no dia seguinte a uma conversa telefônica entre os presidentes russo e americano. Ontem, Barack Obama voltou a pedir a Putin para apoiar a paz e parar de fornecer armas aos separatistas. Já o russo reiterou esperar o fim dos ataques por parte do exército ucraniano contra os separatistas e defendeu o início de um diálogo direto entre os envolvidos no conflito.

Separatistas aceitam trégua

Sinais de redução das hostilidades também vieram do leste da Ucrânia. Os chefes separatistas aceitaram ontem um cessar-fogo provisório, até a próxima sexta-feira (27), para dar uma “chance às negociações com o presidente ucraniano”, Petro Porochenko.

O presidente havia proclamado um cessar-fogo unilateral e apresentado um plano de paz para o leste separatista na última sexta-feira, composto de 14 itens. Hoje, Porochenko comemorou o pedido de Putin para cancelar a autorização de intervenção na Ucrânia. Para ele, a solicitação “é um primeiro passo concreto” dos russos depois do apoio, manifestado por Moscou, à proposta de paz feita por Kiev.

O plano ucraniano foi aprovado ontem pelos ministros das Relações Exteriores da União Europeia, que voltaram a pressionar a Rússia por mais cooperação e a ameaçar o país de novas sanções, por sua participação na crise com o país vizinho. 

Acordo sobre programa nuclear do Irã pode demorar além do previsto

Mohammad Javad Zarif (e) garante que o prazo de 20 de julho ainda é plausível

Mohammad Javad Zarif (e) garante que o prazo de 20 de julho ainda é plausível|REUTERS/Heinz-Peter Bader|RFI

Os representantes do 5+1 (Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) e do Irã se reúnem nesta segunda-feira (16) em Viena para uma nova rodada de discussões sobre o polêmico programa nuclear da República Islâmica. A data limite para a obtenção de um acordo é o dia 20 de julho e, embora Washington garanta que sua redação já está em curso, a última cúpula, em maio, terminou com menos avanços do que o esperado.

A representante da diplomacia europeia Catherine Ashton, que comanda as negociações, se encontra com o chefe da diplomacia iraniana, Mohammad Javad Zarif durante o dia. De acordo com o próprio Zarif, também participa da reunião a delegação americana que, desta vez, conta com a participação de Bill Burns, chefe adjunto da diplomacia.

Mais uma vez, o objetivo das conversas é que Teerã aceite limitar o enriquecimento de urânio afim de garantir o fim pacífico de seu programa nuclear, além de apresentar seus dados com máxima transparência. Em troca, seriam suspensas as sanções sobre o país impostas pelas potências ocidentais, que desconfiam que a República Islâmica esconda um projeto para obter a bomba atômica.

Sem respostas

Durante vários meses, as duas partes deram sinais de avanços e Zarif garantiu hoje que 20 de julho permanece um objetivo realista. Uma fonte diplomática ocidental garantiu, no entanto, “ainda há muito trabalho pela frente”: “Sobre os pontos mais importantes, não há nem sinal de uma solução”.

O principal deles – o enriquecimento de urânio nas centrífugas que, a partir de determinado grau permite fabricar combustível para a bomba atômica – continua sem resposta. Ao contrário do que deseja o ocidente, o Irã pretende ampliar o número de reatores para, de acordo com Teerã, produzir mais energia para fins civis. Um argumento que, evidentemente, não convence os negociadores.

Risco político

O acordo provisório que determina o prazo prevê uma prorrogação de até seis meses para as conversas. Mas essa é uma opção politicamente arriscada. Para Barack Obama, significa negociar a sequência do diálogo com o Congresso que será renovado em novembro e, ao que tudo indica, terá menos boa vontade do que o atual com relação ao Irã.

Do lado de Teerã, o tempo também joga contra o presidente Hassan Rohani, que está sob pressão da ala conservadora de seu regime, preocupada com o futuro do programa nuclear.

Para piorar, os dois países têm de lidar com o risco de desintegração do aliado iraquiano, ameaçado pelo rápido avanço de radicais islâmicos em direção a Bagdá. Este assunto também deve estar na ordem do dia das conversas em Viena, informam fontes dos dois países.

Hollande recebe Obama, Putin e rainha Elizabeth 2ª em Paris

Rainha Elizabeth II da Inglaterra chega à estação Gare du Nord em Paris, nesta quinta-feira, 5 de junho de 2014.

REUTERS/Benoit Tessier|ARFI

A Rainha Elizabeth II da Inglaterra chega à estação Gare du Nord em Paris, nesta quinta-feira, 5 de junho de 2014.O presidente francês, François Hollande, começa a receber a partir desta quinta-feira (5), em Paris, cerca de 20 chefes de Estado e de governo que vão participar das comemorações dos 70 anos do desembarque aliado na Normandia, o Dia D, celebrado amanhã, 6 de junho. Vladimir Putin estará presente, assim como Barack Obama, a rainha da Inglaterra Elizabeth 2ª e o novo presidente ucraniano, Petro Porochenko.

Não há um encontro previsto entre Obama e Putin, mas Hollande espera unir os dois líderes pelo menos para a fotografia oficial do evento. Putin não descarta a hipótese de conversar com Porochenko.

Na delicada tarefa de ser o anfitrião das celebrações em um momento de alta tensão entre americanos e russos, devido à crise na Ucrânia, o presidente francês terá uma agenda intensa hoje em Paris. Hollande vai chegar a jantar duas vezes, primeiro com Obama, às 19h, e depois com Putin, às 21h. Antes, ele recebe a rainha Elizabeth, que desembarca de trem na Gare du Nord, vinda da Inglaterra de Eurostar.

Rainha vem de trem

A viagem de trem sob o Canal da Mancha carrega todo um simbolismo político, já que a construção do Eurotunel foi uma das maiores realizações em conjunto entre França e Inglaterra. Depois de desembarcar na estação de trem mais movimentada da Europa, a rainha e o príncipe Filipe vão se dirigir ao Arco do Triunfo e em seguida desfilar pela avenida Champs Elysées rumo ao Palácio do Eliseu, onde serão recebidos por François Hollande.

O casal real será transportado em um carro adaptado, mais alto do que o utilizado habitualmente por chefes de Estado na França, para que a rainha não precise se curvar demais. Aos 88 anos, Elizabeth 2ª tem viajado cada vez menos, mas a França é um dos seus destinos preferidos.

A primeira visita ocorreu em 1948 e, a partir daí, a rainha já se encontrou com nove chefes de Estado franceses diferentes, em cinco viagens oficiais, fazendo da França o país mais visitado por ela, à exceção dos países do Commonwealth. Assim como essa pode ser a última grande celebração do Desembarque da Normandia com veteranos do combate ainda vivos, especialistas na monarquia inglesa afirmam que, por causa da idade avançada, essa poderá também ser a derradeira visita de Elizabeth ao país.

O convite de Hollande à coroa inglesa também redime o país do constrangimento do aniversário dos 65 anos do desembarque, quando o então presidente Nicolas Sarkozy não convidou o casal real. O Desembarque da Normandia foi a gigantesca operação militar que marcou o início da libertação da França do jugo dos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Pró-russos promovem mega-ofensiva no leste da Ucrânia

Padre segura uma bandeira russa diante do prédio da administração local de Lugansk, ocupado por separatistas

Padre segura uma bandeira russa diante do prédio da administração local de Lugansk, ocupado por separatistas|REUTERS|Stringer|RFI

Nesta segunda-feira, centenas de atiradores pró-Rússia atacaram um campo da guarda fronteiriça em Lugansk, no leste da Ucrânia. A ação, que contou com atiradores de elite, lança granadas e morteiros, foi uma das maiores ofensivas da insurgência que Washington acusa Moscou de apoiar e patrocinar.

O ataque extremamente bem organizado começou logo nas primeiras luzes do dia e se estendeu pela tarde. Homens armados de fuzis de fabricação russa compuseram a linha de frente, cobertos por snipers experientes, posicionados sobre dois prédios de nove andares no entorno do campo. Um destes atiradores foi morto, além de quatro outros rebeldes, informou a guarda fronteiriça em comunicado. Ainda de acordo com o texto, oito pró-russos ficaram feridos. Do lado ucraniano, foram oito feridos, quatro sem gravidade.

No início da tarde, as duas partes negociaram um cessar-fogo para que os feridos pudessem ser retirados em ambulâncias. Um porta-voz do que a Ucrânia chama de “operação antiterrorista” afirmou que a guarda recebeu apoio aéreo, que conseguiu destruir duas equipes de lançadores de morteiros.

De fato, testemunhas viram crateras no chão ao redor de um prédio administrativo de Lugansk que está ocupado por separatistas desde o dia 6 de abril. De uma das janelas do edifício, era possível ver nuvens de fumaça, que poderiam ter sido causadas por uma explosão ou por bombardeio.

Teste para Porochenko

Para o presidente-eleito Petro Porochenko, a ofensiva de hoje serviu para lembrar o quanto vai ser difícil manter sua promessa de campanha de salvar o país da desintegração territorial e do colapso econômico. O empresário pró-ocidente de 48 anos conseguiu um trunfo político inesperado na manhã de segunda, com a decisão da gigante estatal russa Gazprom de prorrogar o prazo para Kiev pagar sua dívida de quase US$ 2,5 bilhões com Moscou.

Inicialmente, a Ucrânia poderia ter seu suprimento interrompido já na terça-feira, com consequências catastróficas não apenas para a ex-república soviética, mas para toda Europa, altamente dependente do gás russo, que transita majoritariamente por território ucraniano.

Mas, duas horas antes de os dois lados se encontrarem para discutir o preço do gás – que subiram drasticamente depois de a derrubada do presidente pró-Kremlin Viktor Yanukovich, em fevereiro -, a Gazprom confirmou ter recebido uma primeira parcela de US$ 786 milhões de Kiev e estendeu em uma semana o ultimato.

Às margens da Normandia

No plano político, as potências ocidentais procuram pressionar o presidente russo Vladimir Putin, para que ele pare de jogar lenha na fogueira ucraniana. Hoje, a diplomacia britânica informou que o primeiro ministro David Cameron se encontrará com mandatário russo às margens das comemorações dos 70 anos do Dia D, na Normandia.

Barack Obama também participa da celebração e já tem uma reunião marcada com Petro Porochenko, a quem expressará seu apoio. O presidente-eleito ucraniano prometeu uma conversa com Putin, mas o Kremlin negou que tal encontro esteja sendo negociado. Oficialmente, o presidente russo não conversou com nenhum membro do executivo da Ucrânia, desde que o regime de Yanukovich foi deposto.

Guerra Fria

De acordo com o secretário americano do Tesouro, Jacob Lew, Washington proporá novas sanções à Rússia durante a cúpula dos países do G7 que acontece nesta terça (3) em Bruxelas. “Há evidências de que a Rússia continua permitindo um fluxo livre de armas, fundos e soldados através de suas fronteiras e até agora não sabemos quais serão os próximos passos do presidente Putin”, disse Lew.

Diante deste cenário, ele acrescentou que o presidente Obama “deu seu aval para que tomemos ações ainda mais drásticas caso a Rússia continue a apoiar separatistas armados no leste da Ucrânia”. Poroshenko agora procura novas alianças militares no ocidente para se afastar do abraço de Putin, mas o presidente norte-americano já declarou que priorizará a diplomacia sobre as armas no caso da expansão russa.

Por outro lado, os oficiais americanos insistem que seu compromisso com a Ucrânia permanece forte. De acordo com o Pentágono, Washington discute um plano de ajuda militar de 13 milhões de euros para que a Ucrânia constitua “forças armadas de alta eficácia”.

Acordo de troca de presos entre EUA e talibãs causa tsunami político

Entre os pais do sargento Bowe Bergdahl, refém de talibãs há cinco anos, Barack Obama anuncia acordo de troca de presos

Entre os pais do sargento Bowe Bergdahl, refém de talibãs há cinco anos, Barack Obama anuncia acordo de troca de presos|REUTERS/Jonathan Ernst|RFI

O acordo fechado pelos Estados Unidos no Afeganistão para conseguir a libertação do sargento Bowe Bergdahl, há cinco anos em poder de talibãs deixou a oposição – e mesmo partidários do governo – em polvorosa. Mike Rogers, presidente republicano da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes, acusou a administração Barack Obama de barganhar com terroristas ao aceitar trocar o militar americano por cinco líderes do regime fundamentalista que governou o país entre 1996 e 2001. Eles estavam presos na base naval de Guantánamo e foram enviados para o Qatar, país que mediou a negociação.

Essa tratativa inédita foi divulgada no sábado pelo presidente e pelo ministro da Defesa, Chuck Hagel. “Quando negociamos desta maneira, enviamos uma mensagem a todos os braços da Al-Qaeda no mundo – alguns deles certamente tem reféns americanos – segundo a qual estes reféns têm (ainda mais) valor do que antes”, disse Mike Rogers em entrevista à CNN.

Mudança de política

“Preocupa-nos esta mudança na política dos Estados Unidos de não negociar com terroristas”, lamentou o republicano. De fato, Washington sempre repreendeu países que, por exemplo, pagam resgate para recuperar seus cidadãos sequestrados por grupos extremistas. O acordo de sábado muda esta perspectiva e, aos olhos de Rogers, “encoraja terroristas do mundo inteiro a optar pelo sequestro de americanos”.

Até um antigo conselheiro de segurança nacional do presidente Obama, o general da reserva Jim Jones, criticou a troca. Para ele, ela coloca em risco militares e civis americanos em zonas de conflitos: “Se (inimigos) percebem que este tipo de ação pode ser frutífera, eles o farão”.

Decisão arbitrária

A associação americana IntelCenter emitiu um comunicado afirmando que “isso aumenta de maneira espetacular a ameaça contra todos os americanos do mundo que são os alvos prioritários da Al-Qaeda e suas filiais”. Para o senador republicano John McCain, que enfrentou Barack Obama nas urnas em 2008, pediu que o presidente garanta que “esses extremistas talibãs cruéis e violentos não voltarão jamais a combater os Estados Unidos e seus parceiros”. Para ele, os cinco islamitas de Guantánamo são de alta periculosidade e “podem ser responsáveis pela morte de milhares”.

Outros opositores acusaram ainda o presidente de tocar o procedimento de maneira arbitrária, por não ter informado o Congresso com um mês de antecedência. “Ao executar essa transferência, o presidente viola claramente as leis que estipulam que ele deve informar o Congresso 30 dias antes da transferência de terroristas de Guantánamo e explicar por que razão a ameaça que estes terroristas representam foi consideravelmente atenuada”, argumentou o senador James Inhofe.

Processo de paz

O argumento foi descartado pelo todo-poderoso do Pentágono, Chuck Hagel: “O presidente dos Estados Unidos, como comandante-em-chefe, tem o poder e a autoridade para tomar a decisão que tomou, de acordo com o artigo II da Constituição. O sargento Bergdahl era um prisioneiro de guerra. Isso é uma troca de prisioneiros. Como secretário de Defesa, eu autorizo a libertação de cinco detentos talibãs”.

Na mesma entrevista, concedida à rede de televisão NBC durante uma visita surpresa ao Afeganistão no domingo, Hagel afirmou que o gesto pode significar a reabertura de um processo de paz. Mas essa possibilidade foi imediatamente descartada pelos talibãs afegãos que afirmaram tratar-se de um procedimento simples, sem qualquer conotação política, ainda que a libertação destes cinco militantes fosse uma das principais condições impostas pelos talibãs para retomar os diálogos, suspensos desde 2012.

O Afeganistão, que talvez fosse a parte que poderia ficar mais satisfeita com o acordo, também tem suas críticas. Em nota, o ministério das Relações Exteriores condenou o fato de que “a administração americana envia cidadãos afegãos ao Qatar sem acordo prévio com o governo afegão, o que contraria as regras internacionais”. Por isso, o governo exige a libertação imediata dos prisioneiros, em solo afegão.

Kiev acusa Rússia de propaganda “pró-agressão” no leste

Combatente passa diante de caixões de milicianos pró-russos após batalha no aeroporto de Kiev

Combatente passa diante de caixões de milicianos pró-russos após batalha no aeroporto de Kiev|REUTERS/Yannis Behrakis|RFI

Neste sábado (31), a Ucrânia acusou Moscou de lançar uma campanha de propaganda para justificar sua “agressão” ao leste do país, incentivar o separatismo pró-russo e abalar a legitimidade do novo presidente pró-ocidental, Petro Porochenko. Depois dos violentos combates do início da semana no aeroporto internacional de Donetsk, os conflitos entre forças pró-Kiev e separatistas se multiplicam pelo território. Desde o início da semana, oito observadores da Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) estão desaparecidos.

Para os russos, a origem da violência é uma “operação punitiva” de Kiev, que se recusa a dialogar com os separatistas e opta pela via das armas. A acusação é rechaçada pelas autoridades ucranianas: “O Kremlin não para de fazer declarações baseadas na emoção e de inventar informações com o único objetivo de legitimar a agressão russa”, escreveu hoje no jornal de língua inglesa Kyiv Post o ministro das Relações Exteriores Andrii Dechtchitsa.

Em sua coluna, ele denunciou ainda uma “campanha massiva de informação lançada nos últimos dias pelo Kremlin contra a operação antiterrorista (ucraniana), com um discurso dúbio, repleto de falsas informações”. De acordo com ele, o discurso do vizinho mostra que a Rússia está desesperada para aproveitar sua “última chance de influenciar a opinião pública internacional”.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, pediu mais uma vez que o secretário de Estado norte-americano John Kerry convença Kiev a cessar sua ofensiva no leste. Mas, de acordo com o conselheiro adjunto de segurança nacional dos Estados Unidos, Ben Rhodes, o presidente Barack Obama “expressará diretamente ao presidente eleito Porochenko seu apoio” à Ucrânia. Os dois se encontram na Polônia na próxima quarta-feira (4), antes de seguirem para a França para participar das comemorações da tomada da Normandia, no dia 6. Vladimir Putin também estará presente.

Armas e remédios

Nos últimos dias, o presidente russo multiplicou as conversas telefônicas com dirigentes ocidentais, entre eles o francês François Hollande. Ele acusa Kiev de violar a Convenção de Genebra de 1949 no que tange a obrigação dos estados de proteger os civis. De acordo com Putin, a Ucrânia usa deliberadamente seus meios militares contra a população do leste e se opõe à ajuda humanitária na região.

Para a diplomacia ucraniana, o discurso não passa de retórica: “Fornecer armamento de um lado e remédios do outro é, no mínimo, contraditório”, ironizou Andrii Dechtchitsa, em referência à artilharia – inclusive pesada – utilizada por cidadãos russos que combatem ao lado dos insurgentes. Os próprios separatistas confirmaram que a maioria dos 40 mortos nos combates do aeroporto de Kiev era russa.

Diálogo e guerra

Eleito no último dia 25 no primeiro turno, Porochenko afirmou que pretende dialogar com Moscou, mas prometeu também agir com firmeza com relação aos rebeldes.

De fato, nesta semana, Kiev reforçou a ofensiva no leste, que já causou 200 mortes – entre soldados, separatistas e civis – desde seu início, em 13 de abril. De acordo com as autoridades ucranianas, Kiev ganhou terreno, mas os combates estão cada vez mais violentos e várias cidades da região – inclusive a capital Donetsk – sucumbiram à anarquia.

Crise de abastecimento

Além da violência, Kiev enfrenta o risco de uma interrupção no fornecimento do gás russo já na próxima terça-feira. Nas negociações desta sexta em Berlim, Kiev fez um gesto ao anunciar o pagamento de US$ 786 milhões de sua dívida de US$ 3,5 bilhões com a Rússia.

Uma nova rodada está prevista para segunda-feira em Bruxelas para discutir principalmente o preço, fixado a um nível sem precedentes depois da tomada do poder na Ucrânia pelos pró-ocidentais. A Europa também teme uma crise de abastecimento, já que boa parte de seu gás russo transita por território ucraniano.

Obama terminará mandato com “tensão fria” com a Rússia

 
O Presidente norte-americano, Barack Obama, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Los Cabos, México, 18/06/12.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Los Cabos, México, 18/06/12.

UKRAINE-PUTIN/DIPLOMACY REUTERS/Jason Reed/Files
Alfredo Valladão

Durante um trezentos anos, até o final da Guerra Fria, a Europa foi o centro do mundo. A civilização europeia dominava o planeta. Mas os terríveis enfrentamentos internos no Velho Continente repercutiam de maneira brutal na vida da humanidade inteira. Até durante o grande confronto planetário entre o comunismo e o capitalismo liberal, a União Soviética e os Estados Unidos, a Europa destruída por duas guerras mundiais continuava sendo o campo de batalha central.

A queda do muro de Berlim marcou a derrota definitiva do urso soviético. Até ocupada pelos russos e dependente do guarda-chuva militar americano, a Europa mantinha a sua condição de eixo estratégico do mundo. Só que a implosão do inimigo soviético também acabou com a importância dos assuntos europeus. Claro, o Velho Continente ainda tinha alguma relevância, sobretudo do ponto de vista econômico e comercial (afinal de contas a economia europeia ainda é a segunda maior do mundo).

Mas, do ponto de vista estratégico, os atentados do 11 de setembro em Nova Iorque e Washington transferiram os grandes problemas de segurança para o Oriente Médio. O terrorismo islamita, as intervenções americanas no Afeganistão e no Iraque, o programa nuclear iraniano e a explosão da primavera árabe, tudo isso em volta das maiores reservas petrolíferas do mundo, fortaleceram a ideia de que a Europa como espaço central já era. Sem contar com a “emergência” da China e da Índia.

A Ásia-Pacífico é hoje uma região chave para o bem-estar econômico do planeta inteiro e qualquer tensão mais forte entre os Estados da região pode ter conseqüências catastróficas para o mundo inteiro. Na própria região, os países vizinhos do Sudeste Asiático e a Coreia do Sul estão preocupadíssimos com a volta da rivalidade e das provocações entre Pequim e Tóquio, e a atitude arrogante das Forças Armadas chinesas no Mar da China Meridional.

Novo cenário internacional

Foi nesse novo ambiente internacional que Barack Obama foi eleito presidente – o primeiro presidente americano sem laços históricos e afetivos com a Europa. Herdando um país cansado de guerra, Obama, nascido no Havaí e educado em parte na Indonésia, queria ser o primeiro presidente “asiático” dos Estados Unidos. A sua estratégia diplomática era tirar o corpo fora do Oriente Médio e se voltar para a Ásia. Para isto era necessário neutralizar as tensões no mundo árabe, repatriar as tropas, negociar com o Irã e, paralelamente, garantir a segurança dos vizinhos da China que bradam por uma maior presença militar americana na Ásia-Pacífico.

Obama não queria mais saber de guerras e até inventou o famoso conceito de “liderar na retaguarda”, deixando aos aliados a responsabilidade das intervenções mais musculosas. Para o presidente americano, os grandes problemas da guerra e da paz deviam ser tratados pela cooperação e o diálogo, às vezes com sanções econômicas, e se possível de maneira multilateral. As repetidas tentativas de criar boas relações com a Rússia foram um dos eixos importantes desta nova visão política.

Putin ganha espaço

Só que aí aconteceu a Ucrânia. Com a invasão da Geórgia em 2008, Vladimir Putin fez um teste do tutano de Obama. E não houve nada. O presidente russo decidiu continuar, dando asilo a Edward Snowden e armando e protegendo o carniceiro Bachar Al-Assad. Quando Obama recuou na hora de castigar o presidente sírio por ter usado armas químicas. Putin achou,então, que podia tentar qualquer negócio. A invasão da Crimeia e sua anexação pela Rússia representam o maior desafio de segurança à ordem mundial implantada depois da Segunda Guerra Mundial.

O problema é que este desafio foi feito na Europa. E quando se mexe em fronteiras no Velho Continente tudo – e até o pior – podem acontecer. Hoje, Obama é obrigado a colocar a Europa no topo de suas prioridades e a pensar de novo em termos de relações de força e de contensão da Rússia. A visão de um mundo cooperativo sem grandes ameaças militares está se acabando rapidamente. O fim do mandato de Obama e o começo de mandato do futuro inquilino da Casa Branca serão, no mínimo, de “tensão fria” permanente. Maus tempos para quem ainda acredita no multilateralismo e também para a Europa que volta a ser um espaço de guerra estratégico.

OS REPULICANOS OBSTARAM O PROJETO DO NOVO SALÁRIO MÍNIMO

ONTEM, os senadores republicanos trancaram a pauta, e impediram a votação do aumento do salário mínimo para 28 milhões de americanos que trabalham duro. São políticos conservadores que, como no Brasil, agem contra os interesses dos mais pobres. Os Álvaros Dias et caterva da vida!

Seja ou não este assunto pessoalmente o afeta, você conhece alguém para quem o aumento faria a diferença.

Então, se você acredita que o aumento do salário é a coisa certa a fazer, é hora de adicionar a sua voz a este debate.

Compartilhe este gráfico com a sua família e amigos e que eles saibam que você acha que isso é importante.

Nós sabemos quais pessoas podem se beneficiar do aumento do salário mínimo: o trabalhador médio que dele se beneficiariam é de 35 anos de idade, e mais da metade são mulheres.

É uma mãe solteira tentando se certificar de seus filhos têm o suficiente para comer. É um estudante universitário trabalhando para pagar os seus estudos. Eles merecem um aumento.

Ajude-nos a passar a palavra. Esta questão é importante demais para ser ignorado.

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Fonte. The White House