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Jovem diretor Xavier Dolan vira coqueluche em Cannes

O diretor Xavier Dolan ao lado das atrizes Anna Dorval (à dir.) e Suzanne Clement (à esq.), na coletiva de imprensa em Cannes.

O diretor Xavier Dolan ao lado das atrizes Anna Dorval (à dir.) e Suzanne Clement (à esq.), na coletiva de imprensa em Cannes|Cannes Festival
Leticia Constant|Foto

No nono dia do Festival de Cannes, só se fala nele. O canadense Xavier Dolan, o mais jovem diretor do festival, impressionou crítica e público com seu primeiro filme na competição oficial, “Mommy”. Filmado com suas atrizes preferidas e um estreante de 16 anos, o longa se tornou um sério candidato à Palma de Ouro.

 

Sob a chuva torrencial de Cannes, o filme “Mommy” veio iluminar o festival, tornando-se o assunto do momento.

Xavier Dolan, o mais jovem diretor e roteirista do festival, foi aclamadíssimo depois da primeira projeção do seu longa, tornando-se o “queridinho” dos cinéfilos, críticos e do público que enfrentou longas filas para descobrir o seu trabalho.

Relações difíceis

“Mommy” conta a história de uma mãe viúva que tenta construir uma relação equilibrada com o filho violento e hiperativo, e recebe o apoio inesperado de uma super vizinha. O enredo emocionou todo mundo, assim como a interpretação espetacular dos atores principais: Anna Dorval (no papel da mãe), Antoine-Olivier Pilon (o filho com problemas comportamentais) e Suzanne Clement (a vizinha).

A linguagem do filme é inovadora, ele é quase todo  filmado no formato 1 :1, que dá a impressão de se ver um video do Instagram, mas num telão.

Xavier Dolan é um fenômeno. Com  25 anos “Mommy” é o seu quinto filme. 

Jean-Luc Godard volta à competição oficial em Cannes com filme em 3D

Cena do filma de Jean-Luc Godard- "Adieu aux Langage".

Cena do filma de Jean-Luc Godard- “Adieu aux Langage”.

festival de cannes.fr

Muita expectativa nesta quarta-feira (21), em Cannes. Os participantes do festival mais badalado do mundo vão descobrir o novo filme de Jean-Luc Godard, “Adieu au Langage” que disputa a Palma de Ouro. O outro filme do dia na competição oficial é “The Search”, de Michel Hazanavicius. “O Sal da Terra”, documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, exibido ontem, foi ovacionado pelo público e recebeu excelentes críticas. 

Fiel a suas convicções, o franco-suíço Godard, de 83 anos, avisou, como em anos anteriores, que não tem a menor intenção de ir ao Festival defender “Adieu au Langage”, filmado em 3D. Lenda viva do cinema mundial, Godard continua nesse último filme a inovar a linguagem cinematográfica. A sinopse do longa, enviada em forma de poesia por Godard, é uma bela indicação dessa busca:

“O propósito é simples
Uma mulher casada e um homem livre se conhecem 
Amam-se, brigam, batem um ao outro
Um cão erra entre a cidade e o campo
As estações passam
O homem e a mulher voltam a encontrar-se
O cão encontra-se entre eles
O outro está num
E um está no outro
E são três pessoas
O antigo marido manda tudo às urtigas
Começa um segundo filme
O mesmo que o primeiro
E no entanto não o é
Da espécie humana passamos para a metáfora
Acabará com latidos
E gritos de bebê”

Traumas de guerra

O outro filme em competição, “The Search” (“A Busca”, em tradução livre) nesta quarta-feira é do cineasta francês, Michel Hazanavicius, que ficou mundialmente famoso com a comédia muda “O Artista”, que venceu o Oscar. “The Search” mergulha no horror da guerra da Chechênia, no final dos anos 90, e conta o destino de quatro personagens, cujas vidas são transformadas pelo conflito. “The Search” é um remake do filme americano de Fred Zinnermann, de 1948, sobre o traumatismo da guerra.

Sebastião Salgado

O único filme brasileiro que participa de Cannes este ano foi exibido ontem à noite na mostra paralela Um Certo Olhar. O documentário “O Sal da Terra”, de Juliano Salgado e Wim Wenders, que conta os 40 anos de carreira do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, foi ovacionado pelo público e muito bem recebido pela crítica.

“É um filme modesto para valorizar o grande trabalho do fotógrafo”, explicou Wender, 68 anos, antes da projeção.

 

Filme argentino “Relatos Salvajes” é aplaudido em Cannes

AFP

A irrupção do lado selvagem do ser humano na vida cotidiana, contada com humor tipicamente argentino em seis episódios por Damián Szifrón e protagonizada num deles por Ricardo Darín, entrou neste sábado na competição pela Palma de Ouro no Festival de Cannes.

“Relatos Salvajes”, terceiro longa-metragem do diretor de “O fundo do mar” e “Tempo de valentes”, arrancou risos e aplausos na exibição à imprensa nesta sexta-feira e terá sua estreia de gala neste sábado no Grande Teatro Lumière.

O filme abre o jogo com uma delirante situação a bordo de um avião onde, por alguma estranha razão, todos se conhecem.

A partir dali, o espectador é levado para um vertiginoso passeio numa montanha-russa emocional, episódio a episódio, ainda que com resultados desiguais, sobretudo no capítulo final – o menos eficaz.

Desde um sangrento encontro numa rodovia deserta até um casamento maluco em Buenos Aires, passando por um engenheiro – vivido por Darín – que perde a compostura com a implacável burocracia portenha. O decorrer imprevisível dos acontecimentos fez cair no riso a plateia de jornalistas internacionais credenciadas no Festival, onde a maior parte de filmes em competição tem temáticas sombrias.

O filme combina o trágico e o cômico num delicioso coquetel politicamente incorreto, em que os personagens são levados além dos limites onde normalmente ficam mantidos na vida em sociedade.

“Esta sociedade e este sistema, o mundo ocidental capitalista, distorcem muito a natureza do homem”, explicou Szifrón em Cannes. “Há uma enorme quantidade de pessoas, os pobres, que são nascidos e criados para produzir (…) e outra grande parcela de pessoas que são criadas para consumir, que são igualmente vítimas deste sistema (…) e que vive tensa e estressada”.

Ao lado de Darín atuam Julieta Zylberberg, Leonardo Sbaraglia, Darío Grandinetti, Erica Rivas, Oscar Martínez, Rita Cortese, Osmar Núñez, Nacy Duplaa, Germán De Silva e María Marull.

O filme tem música de Gustavo Santaolalla e foi co-produzido por Agustín Almodóvar, para quem a seleção em Cannes “ajuda a gerar interesse para a distribuição” mundial. A Sony anunciou que comprou os direitos de distribuição nos Estados Unidos e na Nova Zelândia.

– Alcance universal –

Segundo Szifrón, o filme não pretende pintar uma realidade particular da sociedade argentina, já que tem alcance universal. “Eu não limitaria o que o filme reflete à Argentina”. A julgar pelos aplausos arrancados em Cannes, o filme passa o recado.

O diretor também destacou o efeito de catarse que o filme provoca. “Não é que eu acredite que o mundo está a ponto de explodir, nem nada do tipo”, garante.

Szifrón, de 38 anos, que alterna as atividades de direção com a produção de roteiros e a literatura, disse ter muita fé de que o ser humano “possa evoluir até zonas desconhecidas”.

“Nós somos muito involuídos com respeito a nosso potencial”. E esta seria a mensagem que, segundo ele, “Relatos Salvajes” pretende passar, mesmo que por efeito de contraste. “Estamos destinados a viver muito melhor do que vivemos hoje”.

O filme é a bandeirada do cinema argentino no Festival, onde entrou pela porta da frente do exclusivo clube dos 18 filmes que competem pela Palma de Ouro. A disputa conta com pesos-pesados do cinema mundial, de David Cronenberg a Mike Leigh, passando por Ken Loach e Jean-Luc Godard.

Mas a presença argentina na festa mundial da sétima arte, que ano após ano aposta num cinema de qualidade, não se limita a “Relatos Salvajes”.

Em seleções paralelas, estreiam neste final de semana os filmes “Jauja” de Lisandro Alonso, com Viggo Mortensen, “Refugiado” de Diego Lerman e “El ardor” de Pablo Fendrik, protagonizado pelo mexicano Gael García Bernal.

Um dos filhos prediletos do Festival, o diretor argentino Pablo Trapero, “Leonera” (2008) e “Carancho” (2010), preside o júri da mostra Un Certain Regard.

A Argentina vem produzindo uma média de 150 filmes por ano desde 2010 e ostenta uma das populações mais altas de cineastas da América Latina e do mundo. Há cerca de 14.000 estudantes de cinema em todo o país, dos quais saem com o título universitário ou técnico entre 1.500 a 2.000 a cada ano.

Cannes recebe seu Festival Internacional de Cinema

De 14 a 25 de maio de 2014 acontece a 67ª edição do Festival de Cinema de Cannes. Neste ano o júri será presidido pela cineasta e roteirista neozelandesa Jane Campion, a primeira mulher a ganhar a Palma de Ouro de melhor filme, em 1993. A festa maior da Sétima Arte, que recebe 35 mil profissionais do mundo inteiro, vai abrir com “Grace de Mônaco”, do diretor francês Olivier Dahan, fora de competição. Dezoito longas disputam a Palma de Ouro e o Brasil concorre na mostra paralela “Un Certain Regard” com o documentário “O Sal da Terra”, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado. Acompanhe o dia-a-dia do festival no nosso site e nas reportagens da nossa enviada especial a Cannes, Leticia Constant.

 

Festival de Cannes revela lista de jurados

Juri do 67 Festival de Cannes: da esquerda para direita: Jane Campion, Jia Zhangke, Willem Dafoe, Leila Hatami, Carole Bouquet, Gael Garcia Bernal, Jeon Do-yeon, Nicolas Winding Refn, Sofia Coppola.

Juri do 67 Festival de Cannes: da esquerda para direita: Jane Campion, Jia Zhangke, Willem Dafoe, Leila Hatami, Carole Bouquet, Gael Garcia Bernal, Jeon Do-yeon, Nicolas Winding Refn, Sofia Coppola.

Lisa Tomasetti/ Saba Siahpoush/ Paul Schmidt/Jonas Bie/ Andrew
RFI

A diretora americana Sofia Coppola, o ator e cineasta mexicano Gael Garcia Bernal e o ator americano Willem Dafoe vão participar do júri do 67° Festival de Cannes, que será presidido pela diretora Jane Campion, anunciou a organização do evento nesta segunda-feira (28).

 

Segundo a organização do Festival de Cannes, o júri também será formado pela atriz francesa Carole Bouquet, o cineasta chinês Jia Zhangke, a atriz iraniana Leila Hatami, a atriz sul-coreana Jeon Do-yeon e o diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn. Os jurados do Festival, que começa no próximo dia 14, deverão escolher os premiados entre os 18 filmes da seleção oficial que concorrem à Palma de Ouro, que será entregue no dia 24 de maio.

Sofia Coppola, que comemorará seus 43 anos durante o Festival, já está habituada ao tapete vermelho. Seu primeiro longa-metragem, “As Virgens Suicidas”, foi selecionado para a Semana dos Diretores em 1999. Depois de “Lost in translation”, seu terceiro filme, “Maria Antonieta”, entrou na corrida pela Palma de Ouro em 2006. Seu último filme, “The Bling Ring”, abriu a competição “Um Certo Olhar” na edição de 2013.

O ator, diretor e produtor mexicano Gabriel Garcia Bernal, de 35 anos, também é conhecido em Cannes. Ele apresentou em 2010 o filme “Déficit”, seu primeiro longa selecionado para a Semana da Crítica. Mas a fama viria com “E sua mãe também”, de Alfonso Cuaron, “A Má Educação” de Pedro Almodóvar, ou a “Ciência dos Sonhos”, de Michel Gondry. Em 2005, ele funda sua produtora, Canana, com Diego Luna.

O ator Willem Dafoe, 58 anos, outro integrante do júri, viveu o papel de Jesus Cristo no filme “A Última Tentação de Cristo”, de Martin Scorsese, e também atuou em vários filmes do polêmico diretor Lars Von Trier. A atriz iraniana Leila Hatami foi revelada ao público ocidental no filme “Uma Separação”, de Asghar Farhadi.

Já a atriz francesa Carole Bouquet tem uma carreira eclética, que mistura participações em filmes comerciais de sucesso, como 007, mas também atuações em filmes mais autorais, caso de “Esse Obscuro Objeto de Desejo”, de Luis Bunuel, lançado em 1977, ou ainda “Linda Demais para Você”, de 1989. Com esse filme, Carole Bouquet venceu o César de Melhor Atriz.