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Mais de 75% dos franceses são contra a greve dos ferroviários

O sétimo dia de greve dos ferroviários na França está estampado nas primeiras páginas dos jornais franceses desta terça-feira (17), dia em que a contestada reforma do setor ferroviário começa a ser votada pelo Parlamento. Pesquisa publicada hoje mostra que a greve dos ferroviários é impopular. Os diários analisam a estratégia do primeiro-ministro Manuel Valls para acabar com a paralisação e as consequências do movimento para o governo. A greve dos profissionais do espetáculo também é uma preocupação. 
 

Três em cada quatro franceses são contra a greve dos ferroviários. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada hoje (17) pelo Aujourd’hui en France. A sondagem também aponta que uma semana após o início da paralisação, a grande maioria dos entrevistados não entende os motivos do movimento que complica a vida dos usuários. Apenas 34% dos franceses sabem que os grevistas protestam contra a reforma do setor que prevê a fusão das duas estatais que administram a rede ferroviária na França.

Estratégias do governo

Les Echos diz que o primeiro-ministro Manuel Valls tenta separar as greves e adota uma estratégia diferente para cada uma delas. O diário econômico escreve que o governo mostra firmeza diante da greve dos ferroviários, que entra em seu sétimo dia, apesar da impopularidade do movimento e da queda do número de grevistas.

“Essa greve não tem sentido, é inútil e irresponsável”, declarou o premiê ao excluir o adiamento da reforma, informa Les Echos. Resultado: como previsto, o projeto, que visa controlar a imensa dívida do setor, começa a ser debatido hoje pelos deputados. Os grevistas esperam influenciar o debate, acredita o jornal.

Em relação à greve dos profissionais do espetáculo, o governo é mais flexível e promete um gesto para compensar o impacto da reforma do salário-desemprego nos benefícios da categoria, informa Les Echos.

Festivais de verão ameaçados pela greve dos artistas

Le Figaro diz que o governo vai agir em dois tempos. O jornal conservador explica que as mudanças nas regras do seguro-desemprego na França, contestadas pelos profissionais do espetáculo em greve, vão ser validadas. Mas o governo prepara medidas para compensar as perdas dos artistas mais precários, que terão que trabalhar mais tempo antes de ter direito ao salário-desemprego.

Para impedir que grandes festivais, como o de Teatro de Avignon, sejam cancelados como em 2006, o primeiro-ministro propõe um grande debate neste verão entre Estado, patrões e sindicatos para reelaborar completamente o sistema. No entanto, Le Figaro alerta que o governo tem poucas alternativas, principalmente neste momento de economias e cortes orçamentários.

Esquerda em perigo

Libération escreve que a esquerda está em perigo. O jornal diz que o primeiro-ministro e dezenas de deputados socialistas estão em conflito sobre a política econômica do governo. No final de junho, os cerca de 40 socialistas revoltados podem não votar a proposta de orçamento, colocando o governo em dificuldade.

Diante da ameaça, o premiê Manuel Valls partiu para a ofensiva e disse que se os deputados não entrassem na linha social-democrata, a esquerda poderia morrer na França.

Estoques das empresas crescem nos EUA em abril

AFP – Agence France-Presse

12/06/2014 

Os estoques das indústrias e das empresas de distribuição dos Estados Unidos cresceram mais do que o esperado em abril, de acordo com os números divulgados nesta quinta-feira pelo departamento de Comércio.

Em dados corrigidos por variações sazonais, o valor dos bens armazenados pelas empresas cresceu 0,6% em comparação a março. Os analistas esperavam um crescimento médio de 0,4%, como aconteceu em março.

Táxis da Europa se unem em greve contra concorrência desleal

Os "Black Cabs" de Londres decidiram parar a Trafalgar Square.

Os “Black Cabs” de Londres decidiram parar a Trafalgar Square.

Nesta quarta-feira (11), nas principais capitais da Europa, os taxistas decidiram protestar contra as empresas de veículos de turismo com motorista, cuja concorrência consideram desleal. O movimento tomou conta de Paris, Londres, Roma e Madri.

A greve europeia contra os carros de turismo com motorista, chamados de VTC na França, partiu de Londres, lançada pelos famosos Black Cabs que prometem hoje interromper o trânsito em um dos principais cartões postais da cidade, Trafalgar Square.

Em Paris, centenas de táxis se concentraram nesta manhã nos arredores dos aeroportos de Roissy-Charles de Gaulle e Orly, impedindo inclusive que não grevistas aceitassem transportar passageiros. Em seguida, eles vieram em carreata para Paris provocando engarrafamentos gigantescos.

Já os motoristas italianos decidiram protestar de outra forma, optando por uma anti-greve, ou seja,  vão cobrar no maximo €10 pelas corridas.

Concorrência desleal

Esta greve inédita na Europa tem o objetivo de denunciar a concorrência desleal, segundo os taxistas, do modo operatório dos carros de turismo com motorista: eles podem ser chamados através de um aplicativo nos smartphones, não têm obrigação de passar por uma formação para dirigir um táxi (na Grã-Bretanha esta formação pode durar até cinco anos), além de cobrarem tarifas mais baratas.

Quatro anos depois de sua criação, a start-up da California, Uber, a mais lucrativa do setor, é o principal alvo da revolta dos taxistas europeus, tendo acumulado um capital de US$17 bilhões. Uber tem um aplicativo que permite chamar carros de turismo com motorista em 36 países.

Em várias nações europeias há propostas governamentais para regulamentar esta concorrência, mas os profissionais ainda não estão satisfeitos.

Na França, em somente três anos, os VTC abocanharam um quarto do mercado de transporte de pessoas. Sete federações de táxis se mobilizaram contra as propostas de lei feitas pelo deputado socialista Thomas Thévenoud para acalmar o jogo. Entregues em abril passado ao primeiro-ministro Manuel Valls, o projeto sugere um enquadramento mais restrito dos VTC, que aproveitaram a falta de táxis nas horas de “rush” para conquistar o seu espaço. Outros pontos da proposta do deputado é aumentar o número de táxis e facilitar a busca de clientes equipando os veículos com sistemas de localização.

A Intersindical de táxis francesa é contra as federações e apoia o projetos, que também inclui, uma pista reservada aos táxis nas rodovias que ligam Paris aos aeroportos de Orly e de Roissy Charles de Gaulle.

Na Grã-Bretanha, a Suprema Corte de Justiça deve anunciar uma decisão em breve, um motivo a mais para os Black Cabs pararem o trânsito, tentando conscientizar o modo operatório da Uber, empresa que consideram agressiva e sem escrúpulos.

Riqueza de milionários britânicos tem alta “espetacular” em 2013

A rainha Elizabeth II aparece na 285ª posição do ranking.

A rainha Elizabeth II aparece na 285ª posição do ranking.

REUTERS|Stefan Wermuth|RFI

A riqueza acumulada das 1.000 pessoas mais ricas do Reino Unido subiu 15% em um ano, um aumento considerado “espetacular”, conforme o ranking anual do jornal Sunday Times. Juntos, afirma o jornal, os britânicos mais ricos têm 518.975 bilhões de libras (1,9 trilhão de reais), 15,4% a mais do que tinham em 2012 (449.654 bilhões de libras).

“Eu nunca constatei uma alta tão grande”, comentou Philip Beresford, que iniciou a lista em 1989. “Alguns podem criticar isso, mas muitas desses pessoas estão no coração da economia e o sucesso delas traz mais empregos e mais riquezas para o país”, analisou.

Os números representam um terço do Produto Interno Bruto (PIB) da Grã-Bretanha. A riqueza acumulada dobrou em relação a 2009, quando, no auge da crise financeira mundial, os ricos britânicos tinham 258 bilhões de libras (960 bilhões de reais).

Já o PIB por habitante do Reino Unido, utilizado para indicar a riqueza média da população, está “bastante abaixo” do pico registrado em 2008, quando se iniciou a crise. De acordo com as projeções oficiais publicadas no início do mês, o valor não deve voltar a ser atingido antes de 2017.

Indianos no topo

No topo da lista dos ricos britânicos encontram-se os irmãos indianos Gopichand e Srichand Hinduja, do grupo Hinduja, com 11,9 bilhões de libras. A rainha Elizabeth II, dona de uma fortuna estimada em 330 milhões de libras (1,2 bilhão de reais), aparece na 285ª posição do ranking, do qual a monarca faz parte desde a criação, há 25 anos.

Para entrar na lista, é preciso ter pelo menos 85 milhões de libras (316 milhões de reais) – antes da crise, em 2008, o piso era de 80 milhões. Na semana passada, outro estudo apontou que a Grã-Bretanha possui a maior concentração de bilionários por habitante no mundo – 104 bilionários vivem no país. 

Europa tenta deixar para trás o fantasma da crise

Continente dá sinais de recuperação, mas ainda tem longo caminho a percorrer

Jamil Chade, enviado especial de O Estado de S.Paulo

LISBOA – Na sede da Cáritas, uma entidade dedicada a socorrer famílias em necessidade, em Lisboa, funcionários contam que se cansaram de dar dinheiro a pessoas desesperadas por causa da crise. Agora, além da ajuda, a organização oferece cursos às famílias. Não se trata de um treinamento para encontrar um emprego, mas simplesmente ensinar a fazer compras no supermercado dentro de um orçamento limitado.

Alguns princípios básicos: não ir às compras com fome e não pegar o que está nas prateleiras na altura dos olhos, mas sim o que está nos pés, normalmente mais barato. Além disso, a entidade ensina a fazer uma lista de necessidades – e não dos desejos – antes de sair de casa.

Cinco anos após o início da crise na Europa, as aulas da Cáritas são um retrato atual do Velho Continente, acostumado a mais de meio século de expansão econômica e bem-estar social. O curso é reflexo de uma sociedade que, há até pouco tempo, não tinha problemas de dinheiro e, quando tinha, recorria ao crédito.

A crise revelou ao mundo – e aos próprios europeus – uma nova imagem da Europa. O euro, o maior projeto monetário no mundo nos últimos 50 anos e um pilar de uma estratégia de paz num continente marcado pelas guerras, por pouco não desapareceu. Governos que durante anos deram lições ao mundo de como administrar suas economias não conseguiam dar uma resposta à própria crise.

Desgastada e cansada, a Europa viu sua influência internacional ser fortemente afetada e teve de abrir mão até mesmo de seu peso no FMI. Sua população emigrou e mesmo tradicionais marcas passaram a ser compradas pelo capital estrangeiro. Pelo menos dez governos foram derrubados pela crise, milhões ficaram sem emprego e a população foi às ruas de várias capitais. Ao salvar bancos em todo o continente, governos viram suas dívidas explodir e, para arrumar as contas, tiveram de fazer reformas dolorosas. A pobreza reapareceu e a União Europeia praticamente teve de ressurgir como instituição.

Cinco anos depois e com a constatação de que o continente vive uma década perdida, a Europa dá sinais reais de que está passando por uma recuperação e, em várias capitais que foram socorridas, a percepção é de que se está ganhando uma segunda chance.

Foram 18 meses de recessão na zona do euro, a mais grave de sua história. Agora, todos os indicadores de produção, de encomendas e de exportações voltaram a dar sinais de otimismo. O FMI refez para cima suas estimativas e prevê crescimento de 1,2% em 2014 e 1,5% em 2015.

Dados divulgados no início de maio também apontam a recuperação na periferia do continente, a mais afetada pela crise da dívida. O setor industrial cresceu em abril em praticamente todas a zona do euro. Até os dados sobre as pequenas empresas deram os primeiros sinais positivos desde novembro de 2007. “A recuperação está sendo mais ampla e, portanto, mais sustentável”, apontou Chris Williamson, economista-chefe da agência Markit. “A demanda crescente em cada economia alimenta as demais e o crescimento nos outros países.”

Parte da explicação para a recuperação tem sido o bom desempenho das exportações, principalmente para a Ásia, que, de certa forma, substituíram o mercado interno. “A recuperação está tomando corpo”, comemorou o vice-presidente da Comissão Europeia, Slim Kallas. Mas ela é ainda lenta e muito desigual. A Alemanha crescerá 1,8%, ante apenas 0,6% no caso da Itália.

Reformas. As reformas também começaram a dar sinais de que estão colocando os países a caminho de contas mais saudáveis. Em 2010, o buraco era de 6% do PIB. Em 2012, o déficit da zona do euro caiu para 3,7%. Em 2013, chegou a 3%, o teto estipulado pela UE.

Mas, assim como nas taxas de crescimento, a disparidade no bloco no que se refere à dívida é profunda. Luxemburgo teve superávit em 2013 e a Alemanha fechou o ano com as contas em equilíbrio. Mas a Eslovênia ainda tem um buraco de 14%, a Grécia, de 12,7%, a Irlanda, de 7,2%, e a Espanha, de 7,1%.

Ainda assim, a tendência de queda voltou a dar confiança aos mercados. A Irlanda foi a primeira a anunciar que estava renunciando ao resgate concedido pela União Europeia e FMI. Em 2010, o país recebeu 85 bilhões para não falir e, em troca, fez uma profunda reforma no Estado e em seus gastos.

Em 2014, a Grécia, que chegou a ter sua permanência no euro questionada, voltou a captar e emitir títulos da dívida. Isso depois do maior calote da história, quando foi socorrida por um pacote de 240 bilhões em 2010 e de ver o PIB encolher 25% em cinco anos.

Neste mês, Portugal seguirá os caminhos da Irlanda e também anunciará a saída do programa de resgate internacional. O resgate para Lisboa foi concedido em 2011 e, da mesma forma como na Irlanda e na Grécia, exigiu do país esforços sociais que levaram a economia a uma recessão de três anos.

Agora, as reformas também começam a dar resultados. Portugal teve o primeiro superávit comercial em 70 anos e as contas do governo entraram numa trajetória que pode apontar equilíbrio. Após o déficit público atingir 10,2% do PIB em 2009, ele hoje está em 4,9%. Para chegar a isso, Portugal criou impostos e elevou tarifas que permitiram arrecadar 30 bilhões extras desde 2011. Para 2014, a projeção é de crescimento de 0,8% do PIB.

Aos olhos do mercado e da Comissão Europeia, Portugal se transformou no exemplo de “bom aluno” ao implementar uma política de austeridade sem precedentes. Mas, para economistas consultados pelo Estado, nem a estratégia foi a mais adequada nem os ajustes foram suficientes para evitar que o mesmo cenário volte a ocorrer.

“Os desafios ainda existem”, diz Armando Guedes, ex-diplomata e professor da Universidade Nova de Lisboa e do Instituto de Estudos Superiores Militares. “De fato, parte da reforma foi realizada com sucesso e suficiente para convencer os mercados. Mas não foi suficiente para impedir que a crise volte a ocorrer.” Em sua avaliação, tanto Portugal quanto outros países apenas trocaram o déficit nas contas por uma dívida externa que pode levar “até duas gerações para ser paga”. “Tenho dúvidas sobre a ética de passar isso às futuras gerações”, diz Guedes.

A dívida pública portuguesa também não melhorou. No fim de 2013, equivalia a 129% do PIB, bem acima dos 94% de 2010. Só outros dois países têm buracos ainda maiores. Na Grécia, é de 175% do PIB. Na Itália, 132%. No total, 16 países acumularam dívidas acima do teto autorizado pela UE, de 60% do PIB. A média regional hoje é de 92%, acima dos 90% de 2012.

Social. Se a dívida será um problema dos europeus durante anos ainda, a crise social deixada pela austeridade também promete atormentar a UE. Uma das vítimas da crise foram os direitos sociais conquistados há décadas, cortados por governos que precisam se ajustar.

Para a ala mais crítica dos pacotes de resgate, o remédio adotado pela UE apenas aprofundou a crise, gerou um déficit social profundo, um desemprego recorde, a fuga de milhões de pessoas ao exterior e o empobrecimento da sociedade.

O desemprego, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), poderá voltar às taxas de 2007 apenas em 2020. Em 2014, ficará em 11,9% e cairá para 11,4% em 2015, distante ainda dos 8% do início da crise. No total, a Europa destruiu 10 milhões de empregos entre 2008 e 2013, somando 26,7 milhões de pessoas sem trabalho.

“Somente poderemos declarar a crise como acabada quando os níveis de desemprego retornarem aos patamares de 2007”, alertou Guy Ryder, diretor-geral da OIT. “E isso pode levar ainda algum tempo para ocorrer.” A crise também mostrou que o euro abafava profundas diferenças sociais e econômicas. Se na Alemanha o desemprego ficou em 5%, ele chegou a 17% em Portugal, 25% na Espanha e 26% na Grécia.

Para aqueles que mantiveram seus empregos, a nova realidade foi uma renda menor. Governos cortaram salários e empresas negociaram com sindicatos reduções nos pagamentos, em troca de manter um certo número de empregados.

Cinco anos depois da eclosão da pior crise desde a ascensão do nazismo, o continente descobriu que terá de reaprender a viver dentro de suas capacidades. Segundo os especialistas, porém, o problema é que isso significa também reconhecer que a sociedade europeia é mais pobre do que pensava, mais endividada do que imaginava e menos influente no mundo do que se apresentava. Mas a esperança é de que, pelo menos desta vez, essas economias vivam de forma sustentável.

Na prateleira de congelados de um supermercado de Lisboa, a aposentada Maria da Luz Magalhães Ferreira sabe o que isso significa na prática. “O que vivíamos era uma fantasia. Mas o que me deixa frustrada é que quem vai pagar pelos erros somos nós da classe média”, lamenta. “Somos mais pobres hoje. Só espero que meus filhos voltem a ver dias melhores no futuro.” Os políticos europeus garantem que sim.

“Sinto que nasci no Brasil por engano”

SÍNDROME DO RETORNO

Para muitos imigrantes o aeroporto é a única saída para seus problemas.

Para muitos imigrantes o aeroporto é a única saída para seus problemas. (Keystone)

Por Alexander Thoele, swissinfo.ch 
15. Maio 2014 

O artigo “Sonho da volta ao Brasil pode se tornar pesadelo” (clicar na janela abaixo), da colaboradora Liliana Tinoco Baeckert, teve uma grande repercussão no site da swissinfo.ch. O tema do retorno à pátria, seus desafios e problemática, levanta uma questão fundamental a todos os migrantes, mesmo os que não são lusófonos. Mais de 35 mil leitores “curtiram” o texto no Facebook e 114 comentários foram publicados. Fizemos um resumo.

A maioria dos leitores que participou do debate no site da swissinfo ressaltou os problemas enfrentados hoje no Brasil como a criminalidade, o custo elevado de vida, os déficits no transporte, educação e saúde, dando-os como argumentos para não querer mais voltar a viver no Brasil. Uma leitura rápida dos 114 comentários dá uma impressão desse pessimismo generalizado.
 
“…Eu não sabia que o que eu sentia tinha nome: síndrome do retorno. Não tenho a menor expectativa de me curar disso, até porque a cura deve passar necessariamente por uma mudança brutal da situação do Brasil…”, escreveu o leitor Fabio Ottolini, que relatou ter retornado apenas por motivos profissionais. Nem os familiares entenderam. “E a matéria tem razão: nem mesmo os que me amam de maneira profunda conseguem me entender…”
 
Já Irami, uma brasileira residente na Itália, falou dos problemas da sua cidade natal. “…Moro na Itália há sete anos. Hoje sou separada e tenho uma filha de quatro anos. Tenho todas as dificuldades do mundo, mas apesar disso não penso em voltar ao Brasil. Morava em Maceió e quando li uma matéria onde indicava que ela é a quinta cidade mais violenta do mundo, tive somente a certeza de que voltarei somente em ultimo caso…”
 
Ana Paula, que retornou ao Brasil depois de passar um ano nos Estados Unidos, se arrependeu. Ela conta no seu depoimento que a residência familiar foi assaltada duas vezes e vê com desilusão o cenário político do país e o futuro profissional. Ao final, coloca a própria nacionalidade em questão. “Hoje sinto que nasci no Brasil por engano. Esse não é o meu lugar! Um dia voltarei à nação que tão bem me acolheu e oportunidades me deu, se Deus quiser!…”
 
Muitas vezes, o choque do retorno não se deve aos problemas de infraestrutura, mas sim de foro íntimo. “Morei na Espanha oito anos. Mesmo que essa não fosse a intenção, passei oito anos sonhando com o dia em que voltaria ao Brasil, voltaria a viver minha vida, aquela vida feliz que tinha deixado, cheia de amigos, familiares e momentos felizes. Faz cinco meses que voltei e se arrependimento matasse, já estaria morta há cinco meses. Aquela vida maravilhosa que eu guardava na memória já não existe. Sinto-me uma estranha no meu da minha família. Eles vivem de uma forma diferente e não querem mudar. Para eles tudo esta bom…”, relata Simone.

RETORNO DIFÍCIL

Sonho da volta ao Brasil pode se tornar pesadelo

Se adaptar de novo ao Brasil nem sempre é fácil e muita gente retorna à Suíça.

Se você mora fora do Brasil e pensa em voltar, preste atenção: o tão sonhado regresso pode se transformar em pesadelo. Denominado pelos psicólogos de “síndrome do retorno”, o fenômeno acomete muitos imigrantes e pode levar desde à sensação de falta de identidade até a depressão.  […]

Haiti e China melhores que Brasil

Mesmo países como a China parecem ser melhores do que o Brasil. “Em cinco anos, tempo que no Rio de Janeiro se leva para construir uma estação de metro, aqui na cidade construíram cinco linhas com quase 100 estações e continuam fazendo mais linhas e estações. Novos prédios surgem por toda parte”, conta Luiz Rotstein, que vive há três anos em Shenzhen, no sul da China.
 
Diana Lopes chega a declarar que a vida no Haiti era melhor. “Morei no Haiti dois anos e estou de volta ao Brasil há quatro meses. Foi muito difícil a adaptação…A quantidade de luz acessa nas ruas e casas, me chocou! A quantidade de agua que e desperdiçada me chocou! Andar na rua durante a noite, foi um desafio, pois no Haiti pela falta de energia as ruas são escuras e eu não podia sair a noite. Ir ao shopping era um terror. Ver a quantidade de comida desperdiçada. As reclamações, murmurações das pessoas com relação ao país ainda me assusta. A corrupção do Brasil e incomparável à corrupção no Haiti (sem querer comparar, apenas uma observação). Antes de completar um mês no Brasil desejei comprar a passagem de volta ao Haiti…Ficar com meus amigos e viver uma vida simples!…”

Críticas aos críticos do Brasil

Porém nem todos os leitores aceitam o pessimismo e veem o problema em outro lugar. Júnior Pansani, por exemplo, lembra que as condições de vida para brasileiros no exterior podem piores. “…Não entendo o que leva uma pessoa morar anos no exterior, falar tão mal do país de origem e acabar regressando. Sei que o Brasil não é um dos melhores países para se viver. Há muitos problemas, principalmente os sociais. Por outro lado, o país não está mais exigindo das pessoas somente curso superior e sim pós-graduações para competir com o mercado globalizado e multinacional. No entanto, viver em países de primeiro mundo com seus subempregos, claro que levará a uma profunda decepção e arrependimento na volta. Por fim, como li lá em cima – ‘quem ficou, não teve oportunidade de ter seus horizontes alargados’ – deveria escrever de outra maneira: quem ficou teve oportunidade de ter seus horizontes alargados com seus empregos, com suas pós-graduações enfrentando com isso o mercado multinacional e os problemas sociais…”
 
Para Landro, residente na Irlanda, as dificuldades de readaptação ao Brasil se explicam pelo nível de instrução. “Engraçado, eu não vejo ter essas crises de retorno com pessoas bem instruídas, estudadas e com bom trabalho no Brasil, mesmo morando fora há anos…Só vejo ter essas crises gente que trabalha em subemprego e que adora descer a lenha em tudo que seja referente ao Brasil e que voltam e ficam desocupadas em invés de procurar o que fazer. Lógico que é necessário um tempo de até três meses de adaptação como para qualquer lugar novo que você vá! E voltar muitas vezes para uma vida pior, ninguém quer, porque ainda vale a pena limpar privada fora do que no Brasil!…”

Os que estão felizes de voltar

A saudade da família foi um importante argumento para a leitora Lunes Ferras não se arrepender do retorno. “…Vivi um tempo na Europa e não tive problemas da síndrome do retorno porque sempre tive em mente que são duas realidades diferentes. Claro que a gente lembra-se das facilidades da vida na Europa, mas a presença da família no Brasil supera isso. Então é preciso ter em mente que não se pode comparar algumas coisas entre os dois países e infelizmente se acostumar com as coisas ruins que acontecem em nosso país…”
 
Foi o mesmo o que diz Afonso, um leitor que ainda vive em Portugal. “Apesar de estar há doze anos aqui e já ter ido cinco vezes de férias ao Brasil, mas olhar a minha mãe e meu pai e ver que estão ficando velhos, saber que a qualquer momento podem partir desse mundo, me fez tomar a decisão de querer retornar em um ano…”. Um ponto, no qual Lucas, residente no Japão, também concorda. “…Pessoas se prendem em outros países, pois tornam se escravos do dinheiro e do conforto que lhes é proporcionado. Porém a verdadeira felicidade é poder estar perto de seus amigos irmãos e parentes e como sinto falta de abraçar minha mãe e dizer o quanto a amo pois a um ano e meio só digo isso por telefone. A verdadeira felicidade está nas coisas simples da vida como, por exemplo, um almoço em família…”
 
A discriminação vivida por alguns imigrantes também é um forte razão para voltar. “…Morei na Suíça por seis anos e retornei em 2012. Não me arrependo em nada por ter voltado. Creio que isto talvez seja porque pertenço a uma família de classe média. Então o meu padrão de vida continuou o mesmo. Eu sentia muita discriminação na Suíça. Independente do seu salário, você sempre é tratado como estrangeiro por lá. Havia muita discriminação na escola com crianças de famílias não-Suíças. Eu não queria que a minha filha crescesse se sentindo uma cidadã inferior…”, reclama Fabiana.

Portal do “retorno”

No debate promovido pela swissinfo.ch, o leitor Itamar Olímpio aproveitou para anunciar a existência de uma comunidade online voltada ao tema.
 
http://www.retornei.com
 
Segundo Itamar, “o objetivo é oferecer suporte e apoio para esses brasileiros repatriados recém-chegados ou que estão planejando voltar”.

Dicas para retornar

Alguns dos participantes no debate dão dicas para ajudar outros brasileiros no seu processo de retorno. “Acredito que do mesmo jeito que nos preparamos para sair do nosso país, devemos nos preparar para o regresso, pois mudanças sempre vão ocorrer. Todo lugar tem seus prós e contras e não é diferente no estrangeiro. Mas ao sairmos para viver em outro lugar e cultura sempre vamos com os corações abertos e com mais paciência que de costume. Mas quando voltamos pra casa, bem, acontece exatamente o inverso. Talvez não nos primeiros dias ou meses, pois é como se fosse lua de mel, mas depois de passar a sua euforia e a dos seus amigos e familiares. Aí vem a intolerância…”, relativizou Paula Cristina, afirmando também que irá retornar de qualquer maneira ao Brasil depois do intercâmbio.
 
Para concluir, a psicóloga Andrea Sebben, citada no artigo, dá a sua receita. “…Trabalho na adaptação dos brasileiros no exterior e os estrangeiros aqui há 18 anos, assim como a readaptação da volta. Realmente esta ferida do retorno dói de qualquer forma: quando se esta lá, se idealiza o aqui. Quando se volta, se idealiza o lá. Assim é o coração humano: não ha logica de tempo nem espaço, mas o que se vive internamente. Minha sugestão é sempre viver o aqui e o agora como se fosse nossa última oportunidade. Caso contrário a gente vai viver entre o que foi e o que poderia ter sido…”

Financial Times faz crítica dura contra presidente Dilma

Estadão Conteúdo

Poor Dilma

O jornal Financial Times pede um “choque de credibilidade” no Brasil. Em editorial publicado nesta segunda-feira, a publicação afirma que se o governo de Dilma Rousseff não mudar de rumo, as eleições presidenciais poderão resultar em uma mudança. Ao comentar rumores que circulam no mercado, o editorial elogia a possibilidade de um Banco Central independente em eventual segundo mandato de Dilma e a chance de indicação de Alexandre Tombini para o lugar de Guido Mantega.

O editorial tem um tom duro contra a presidente brasileira. “Pobre Dilma Rousseff”, inicia o texto. Para o Financial Times, a presidente do Brasil projetava “uma aura tediosa da eficiência de Angela Merkel”, mas resulta em um trabalho mais parecido com o dos comediantes Irmãos Marx. “Os preparativos atrasados para a Copa do Mundo já envergonham o País, enquanto o trabalho para os Jogos Olímpicos de 2016 é classificado como ‘o pior’ que o Comitê Internacional já viu. A economia também está em queda. O Brasil, uma vez que o queridinho do mercado, vê investidores caindo fora”, diz o texto.

“O País precisa de um choque de credibilidade. Se Dilma não entregá-lo, as eleições presidenciais de outubro o farão”, diz o texto que cita que o Brasil enfrenta três desafios imediatos: o caso Pasadena da Petrobras, o fornecimento de energia elétrica após a recente seca e a chance de protestos e insucesso da Copa do Mundo.

Apesar do forte tom duro, o jornal dá um voto de confiança à presidente. “Dilma Rousseff é conhecida por falar em vez de ouvir, mas há sinais de que ela mesmo está reconhecendo as críticas”, diz o texto. “Fala-se que ela poderia dar independência formal ao BC em um segundo mandato (originalmente, uma ideia de oposição). Ela também pode recrutar o presidente do BC, Alexandre Tombini, para substituir Guido Mantega, o desafortunado ministro da Fazenda. Ambos movimentos seriam bem-vindos”, diz o texto.

“Saber se a senhora Rousseff que parece Merkel, mas resulta nos Irmãos Marx é realmente a pessoa certa para colocar o Brasil de volta aos trilhos é outra questão. Afinal de contas, sua primeira administração foi uma decepção. Mas, pelo menos, há sinais de que os mercados do País estão trabalhando como deveriam através da transmissão de uma preocupação generalizada e crescente. Estes estão agora começando a empurrar o debate político em uma direção favorável aos investidores. Isso só pode ser uma coisa boa”, diz o texto.

‘O Capital do Século XXI’ mostra passo a passo da concentração de renda no mundo

CORREIO DO BRASIL

Piketty, em sua obra, rastreia o dinheiro e constata que a grande concentração situa-se em um pequeno número de famílias super poderosas

A grande ideia de Capital in the Twenty-Frist Century é não só a de que retornamos ao Século XIX em termos de desigualdade de renda, como a de que estamos no caminho de volta ao ‘capitalismo patrimonial’, no qual os grandes píncaros da economia são ocupados não por indivíduos talentosos, mas por dinastias familiares”, disse o economista Paul Krugmann, em artigo publicado na edição deste sábado do diário norte-americano The New York Times.

Em quase 700 páginas, o Capital no Século XXI pode não atrair a curiosidade de muita gente, mas o economista francês Thomas Piketty alcançou, nesta semana o primeiro lugar na lista dos livros mais vendidos da livraria Amazon, superando títulos como Frozen e Game of Thrones. Logo após o lançamento da edição em inglês, no mês passado, o livro já aparecia entre os entre os 100 mais vendidos da loja eletrônica. Também foi elogiado por críticos e economistas, Piketty, de 42 anos, é professor na Escola de Economia de Paris e seu livro trata da história e do futuro da desigualdade, a concentração de riqueza e as perspectivas de crescimento econômico no mundo de hoje.

A tese central do livro – cujo título é uma alusão a O Capital, de Karl Marx – é que a desigualdade não é um acidente, mas uma característica do capitalismo e os excessos somente poderão ser alterados por meio da intervenção estatal. O trabalho argumenta que, a não ser que o capitalismo seja reformado, a ordem democrática mundial será ameaçada. O autor considera que o mundo está voltando a um “capitalismo patrimonial”, no qual boa parte da economia é dominada por uma riqueza herdada, que está crescendo, criando uma oligarquia.

Como solução para uma desigualdade extrema, Piketty propõe uma taxação anual em todo globo sobre riqueza de até 2%, combinada com um imposto de renda progressivo que chega a 80%. Segundo o economista, o crescimento econômico moderno e a difusão do conhecimento permitiu evitar desigualdades em escala apocalíptica como previsto por Marx. O francês alerta, no entanto, que as estruturas profundas do capital não foram modificadas e a desigualdade não foi tão combatida como se imaginava nas otimistas décadas pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

O principal fator de desigualdade – a tendência de os lucros sobre o capital excederem a taxa de crescimento econômico – hoje ameaça gerar um abismo tão extremo que será capaz de gerar descontentamento e minar os valores democráticos. Para o economista, a ação política restringiu desigualdades perigosas no passado e pode fazê-lo novamente.
Nova agenda

“Respostas satisfatórias têm sido difíceis de serem encontradas por falta de informação adequada e de teorias claras”, afirma a apresentação do livro. Dados, reunidos ao longo de 15 anos, levam o autor à análises fiscais desde o século XVIII, sobre 20 países, entre eles Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido e Japão, como forma de desvendar os principais padrões econômicos e sociais. “Suas descobertas vão transformar o debate e estabelecer a agenda para a próxima geração de pensamento sobre riqueza e desigualdade”, afirma a apresentação.

Em suas 685 páginas, a obra tem merecido elogias dos mais diversos setores acadêmicos. “A principal razão é porque ele prova agora, de forma irrefutável e clara, o que todos nós, de alguma forma, já suspeitávamos: os ricos estão ficando mais ricos em comparação com os demais e sua riqueza não está indo para baixo, na verdade está indo para cima”, escreveu Rana Foroohar, da revista de extrema direita Time.

Ao mesmo tempo, o economista vencedor Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, escreveu noNew York Times que o trabalho de Picketty é o mais importante do ano em economia e talvez também seja o melhor da década. “Piketty, sem dúvida o maior especialista do mundo em renda e desigualdade de renda, faz mais do que documentar a crescente concentração nas mãos de uma pequena elite econômica. Ele também apresenta um argumento poderoso de que estamos no caminho de volta ao ‘capitalismo patrimonial’, no qual os altos comandos da economia não são dominados apenas pela riqueza, mas também pela riqueza herdada, na qual nascimento importa mais do que esforço e talento”, escreveu o professor norte-americano.

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