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Austrália quer lei para impedir ativistas de filmar abusos contra animais

SYDNEY (Reuters) – A Austrália está considerando leis mais duras para impedir ativistas pró-direitos dos animais de filmarem secretamente fazendas e matadouros e de exibir as imagens, em um esforço para proteger o multimilionário setor da pecuária, uma medida que os grupos ativistas dizem que vai esconder os abusos.

O Estado da Austrália do Sul é o mais adiantado na preparação de um projeto de lei para ser apresentado ao Parlamento, impondo multas pesadas e pena de prisão de três anos para gravações feitas secretamente da crueldade contra os animais.

Sete Estados norte-americanos já introduziram “leis da mordaça” para tornar ilegal fazer fotos ou vídeos em fazendas ou matadouros sem a permissão dos proprietários. Grupos ativistas dos Estados Unidos dizem que as leis violam os direitos constitucionais à liberdade de expressão.

Produtores de gado da Austrália dizem que as leis contra invasão de propriedade não são eficazes para impedir a atividade de grupos de direitos dos animais que secretamente filmam ou fotografam em fazendas e ameaçam o modo de vida dos agricultores.

Em 2011, armados com pouco mais do que telefones celulares, os ativistas pró-direitos dos animais abalaram a indústria pecuária da Austrália. Imagens de abuso de animais em um matadouro da Indonésia provocaram indignação pública e forçaram rapidamente uma proibição do governo australiano de exportação de gado para a Indonésia.

Apesar da proibição, que durou apenas cinco semanas, a exportação de gado australiano caiu mais de 20 por cento naquele ano e foi vista como um catalisador para a política indonésia de autossuficiência que agora limita as importações provenientes da Austrália.

“Você não pode ter algum tipo de grupo de vigilância decidindo que a ética moral e o paradigma moral que ele tem lhe dá o direito de contornar todas as regras da nação, com o propósito de fechar um setor”, disse o ministro da Agricultura australiano, Barnaby Joyce, à Reuters nesta sexta-feira.

(Reportagem de Michael Perry)

Jornalista demite-se de TV que censurou Vargas Llosa

Texto da Lusa, publicado por Lina SantosHoje

A jornalista venezuelana, Shirley Varnagy, disse hoje que se demitiu do canal de televisão privado de notícias Globovisión porque a estação censurou parte de uma entrevista ao escritor peruano, Mário Vargas Llosa, prémio Nobel da Literatura 2012.

“Não transmitiram a entrevista completa que fiz a Vargas Llosa. Não farei silêncio no meu espaço. Até hoje trabalhei em Globovisión”, escreveu na sua conta no Twitter.

Em declarações à imprensa explicou que a parte não transmitida incluía opiniões sobre a política venezuelana e que o último bloco do programa “Shirley” foi submetido a cortes permanentes.

“A liberdade é a minha forma de paz (…) devo agradecer às minhas produtoras que lutaram pela pluralidade e a liberdade de vozes”, frisou.

Férreo crítico das políticas do falecido Presidente Hugo Chávez, o escritor Mário Vargas Llosa visitou recentemente a Venezuela para participar num encontro promovido pelo Centro de Divulgação do Conhecimento Económico para a Liberdade (Cedice) e apoiar os protestos que há quase três meses se registam diariamente no país contra o Governo de Nicolás Maduro.

Na Venezuela são cada vez mais frequentes as queixas de jornalistas de censura na imprensa que, por sua vez, é frequentemente criticada pelo Governo venezuelano.

A Globovisión é um canal privado de notícias da Venezuela fundado em 1994, e transmitindo via satélite para várias operadoras e países da América Latina, Estados Unidos, Caraíbas e Europa, incluindo Portugal.

Crítico do chavismo, o canal passou por uma mudança na linha editorial, em maio de 2013, posicionando-se “mais ao centro” depois de ter sido comprado por três empresários tidos como próximos do chavismo.

A venda abrangeu 80% das ações da empresa, porque os outros 20% tinham sido confiscados pelo Governo, estando em curso ações em tribunais para a sua recuperação.

Pela sua linha editorial crítica do regime, o canal acumulou vários processos administrativos abertos pelo Governo venezuelano que, em várias ocasiões, ameaçou encerrá-lo, além de impor multas através da Comissão Nacional de Telecomunicações.

Uma situação parecida acontece com o consórcio Cadena Capriles, proprietário de vários jornais e revistas, entre eles o diário de maior tiragem do país, Últimas Notícias, que em junho de 2013 foi comprado por um grupo bancário com ligações ao Governo venezuelano.

A oposição acusa o governo de comprar órgãos de comunicação social para implementar uma linha de pensamento único no país.