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Casas atingidas pela cheia do rio Madeira receberão laudos técnicos em Porto Velho

Os laudos ajudarão a Prefeitura a organizar a lista de candidatos a receber unidades habitacionais

Portal Amazônia

os laudos circunstanciados serão expedidos para as residências atingidas na zona urbana, nos distritos e demais comunidades ribeirinhas. Foto: Frank Néry/Prefeitura de Porto Velho

PORTO VELHO – As casas atingidas pela cheia história do rio Madeira receberão laudos técnicos da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) sobre as atuais condições. A (Comdec) realizou uma reunião com engenheiros e arquitetos das secretarias municipais de Obras (Semob), de Obras e Projetos Especiais (Sempre) e de Planejamento (Sempla), a fim de se formar equipes que atuarão na força tarefa dos laudos.

O coordenador em exercício da Comdec, Francisco A. Lima, informou que os laudos circunstanciados serão expedidos para as residências atingidas na zona urbana, nos distritos e demais comunidades ribeirinhas. “Trata-se de um laudo pericial para sabermos quais residências têm condições de habitabilidade e quais não têm. Vamos observar os casos em que o retorno dos moradores esteja ocorrendo com riscos e as casas devam ser definitivamente interditadas pela defesa civil”, explicou Lima. 

Os laudos vão ajudar a conhecer a situação real das residências para acomodar os que foram conduzidos a abrigo público ou casa de familiares. Além de ajudar a Prefeitura na organização de uma lista de candidatos a receber unidades habitacionais no condomínio Orgulho do Madeira sem a necessidade de aderirem ao sistema de financiamento da Caixa Econômica Federal.

Em parceria com o Governo Federal e o Governo do Estado, o Município destinará unidades habitacionais sem nenhum ônus a famílias que perderam casas e estão adequadas às condições financeiras determinadas pela legislação. Os desabrigados que possuírem rendimento superior ao estabelecido pela legislação também poderão ser inclusos entre os primeiros contemplados com imóveis nesse condomínio, mas terão de aderirem ao sistema de financiamento. 

O coordenador da Comdec destacou ainda a importância de que o trabalho da equipe técnica seja divulgado para que as pessoas as recebam. “Os que não estão habitando essas casas, e também aqueles que a elas já retornaram, devem abrir as portas para que os técnicos realizem a perícia. Isso é importante para os trabalhos do município, mas antes de tudo é de interesse dos principais prejudicados com a enchente do rio Madeira”, observou.

 

Chuva faz Rio Taquari subir 3,09 metros

Para sair do leito, água deve subir 7m acima do seu nível normal, que é de 13m no Porto em Estrela

Rio Taquari está com 3,09 m acima do seu nível normal e preocupa Defesa Civil porque permanece chovendo<br /><b>Crédito: </b> Deolí Gräff / Especial / CP
Rio Taquari está com 3,09 m acima do seu nível normal e preocupa Defesa Civil porque permanece chovendo 
Crédito: Deolí Gräff / Especial / CP

As constantes chuvas dos últimos dias fizeram o nível das águas do Rio Taquari subir 3,09m, confirma medição realizada neste sábado às 9h, no Porto Fluvial em Estrela. Para o coordenador Regional da Defesa Civil, o tenente-coronel Vinícius Galvani Renner, não existe nenhum sinal de alerta, pois só haverá cheia, se a previsão de chuva em grande volume, para este fim de semana, se concretizar. 

Renner diz que o solo está encharcado devido aos vários dias consecutivos de chuva. “A água que cairá a partir deste sábado é a que oferece perigo e nos preocupa, por isso o fim de semana será de acompanhamento constante do nível das águas do rio.” Para o Rio Taquari sair do leito deve subir 7m acima do seu nível normal, que é de 13m no Porto em Estrela. 

A previsão é de chuva até a tarde deste domingo. O Centro de Informações Hidrometeorológicas (CIH) da Univates registrou, até às 9h deste sábado, no acumulado do mês de junho, um total de 229, 3 mm de chuva. Choveu bem mais do que a média normal para o mês de junho, que é de 150 mm.

Fonte:  Correio do Povo|Deolí Gräff 

Rio Negro mantém nível há quatro dias em Manaus

 

Nível do Rio Negro é de 29,48 metros desde o dia 13 de junho. CPRM aponta que estagnação é normal neste período

Portal Amazônia

nível do rio negro

MANAUS – A enchente do rio Negro começou a perder força desde o começo deste mês. Na última sexta-feira (13) atingiu a cota de 29,48 metros em Manaus e se mantém no mesmo nível até esta segunda-feira (16). De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, a estagnação caracteriza o início do período de vazante. O CPRM informou que o rio Negro deve atingir a cota de 29,60 metros em 2014. Esta é considerada a sexta maior enchente da história do Amazonas.

Oliveira explicou ao Portal Amazônia que a paralisação da subida do rio é normal neste período. “Nesta época é normal, porque até o final do mês começa a vazante. O rio alterna entre subir um centímetro, parar por alguns dias, e assim por diante”, disse. O superintendente informou ainda que em Parintins e Itacoatiara o rio já começou a diminuir o nível – quatro centímetros em cada cidade – desde sábado (14), mas que ainda é cedo para dizer que em Manaus acontecerá o mesmo este mês.

Famílias atingidas

Defesa Civil de Manaus afirmou que a situação na capital do Estado se mantém a mesma: 3.022 famílias de 16 bairros da cidade foram afetadas pela cheia e cadastradas para receber atendimento social. As ruas Barão de São Domingos e dos Barés, no Centro, continuarãointerditadas para o tráfego até a vazante. No bairro São Jorge, a Defesa Civil elevou em até 40 centímetros algumas das passarelas por causa da enchente. Um total de 42 pontes foram construídas em bairros da orla da cidade.

O Amazonas tem 38 municípios afetados pela cheia dos rios da bacia amazônica: 35 em estado de emergência e três em calamidade. A informação é da Associação Amazonense de Municípios (AAM) divulgada dia 13 de junho.

 

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MANAUS – A enchente do rio Negro começou a perder força desde o começo deste mês. Na última sexta-feira (13) atingiu a cota de 29,48 metros em Manaus e se mantém no mesmo nível até esta segunda-feira (16). De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, a estagnação caracteriza o início do período de vazante. O CPRM informou que o rio Negro deve atingir a cota de 29,60 metros em 2014. Esta é considerada a sexta maior enchente da história do Amazonas.

Oliveira explicou ao Portal Amazônia que a paralisação da subida do rio é normal neste período. “Nesta época é normal, porque até o final do mês começa a vazante. O rio alterna entre subir um centímetro, parar por alguns dias, e assim por diante”, disse. O superintendente informou ainda que em Parintins e Itacoatiara o rio já começou a diminuir o nível – quatro centímetros em cada cidade – desde sábado (14), mas que ainda é cedo para dizer que em Manaus acontecerá o mesmo este mês.

Famílias atingidas

Defesa Civil de Manaus afirmou que a situação na capital do Estado se mantém a mesma: 3.022 famílias de 16 bairros da cidade foram afetadas pela cheia e cadastradas para receber atendimento social. As ruas Barão de São Domingos e dos Barés, no Centro, continuarãointerditadas para o tráfego até a vazante. No bairro São Jorge, a Defesa Civil elevou em até 40 centímetros algumas das passarelas por causa da enchente. Um total de 42 pontes foram construídas em bairros da orla da cidade.

O Amazonas tem 38 municípios afetados pela cheia dos rios da bacia amazônica: 35 em estado de emergência e três em calamidade. A informação é da Associação Amazonense de Municípios (AAM) divulgada dia 13 de junho.

 

Enchente leva população a usar barcos como casas em Manaus

Dezenas de pessoas que moram na orla do rio Negro perdem suas casas devido à enchente anual da região

barcos na orla de manaus

MANAUS – Com mais de 3 mil famílias de 16 bairros da capital do Amazonas atingidas pelaenchente, a orla da cidade aos poucos transforma-se em residência provisória. Alguns amazonenses que moram em palafitas na beira do rio ou em igarapés dentro da cidade perdem suas casas com a subida do nível do rio Negro. A solução encontrada por quem não pode mudar-se para casa de amigos ou alugar um imóvel é usar embarcações como residência durante todo o período da enchente.

Este é o caso de Eliane Nascimento. Aos 36 anos, Eliane mora em um barco com os seis filhos e o esposo, próximo à Feira Manaus Moderna, no Centro. A residência improvisada é moeda de troca, pois para morar no barco ela precisa vigiar as embarcações do local. “Acho ruim por causa das crianças. A de quatro anos já caiu dentro da água duas vezes”, relatou à reportagem doPortal Amazônia.  “O mais difícil é a água; com cheiro ruim, poluída”.

eliane vigia barcos

No início de junho a subida do nível da água do rio Negro começou a perder força. “É bom ser vigia quando enche. Quando tá na seca que é perigoso. Eu vou ficar aqui até conseguir um terreno pra mim”, disse Eliane. O rio Negro atingiu 29,47 metros nesta quinta-feira (12). O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) informou que o rio deve atingir a cota de 29,60 metros.

Eliane disse que haviam espalhado rumores que “indenizariam os vigias”, mas que até agora nenhum representante das defesas civis da prefeitura de Manaus ou do Governo estadual conversou com eles. De acordo com a Defesa Civil de Manaus, um levantamento socioeconômico das famílias atingidas para atendimento social por meio de cestas básicas, água potável e aluguel social tem sido feito em conjunto com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh). Esta é a sexta maior enchente da história do Amazonas.

feira manaus moderna

 

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MANAUS – Com mais de 3 mil famílias de 16 bairros da capital do Amazonas atingidas pelaenchente, a orla da cidade aos poucos transforma-se em residência provisória. Alguns amazonenses que moram em palafitas na beira do rio ou em igarapés dentro da cidade perdem suas casas com a subida do nível do rio Negro. A solução encontrada por quem não pode mudar-se para casa de amigos ou alugar um imóvel é usar embarcações como residência durante todo o período da enchente.

Este é o caso de Eliane Nascimento. Aos 36 anos, Eliane mora em um barco com os seis filhos e o esposo, próximo à Feira Manaus Moderna, no Centro. A residência improvisada é moeda de troca, pois para morar no barco ela precisa vigiar as embarcações do local. “Acho ruim por causa das crianças. A de quatro anos já caiu dentro da água duas vezes”, relatou à reportagem doPortal Amazônia.  “O mais difícil é a água; com cheiro ruim, poluída”.

eliane vigia barcos

No início de junho a subida do nível da água do rio Negro começou a perder força. “É bom ser vigia quando enche. Quando tá na seca que é perigoso. Eu vou ficar aqui até conseguir um terreno pra mim”, disse Eliane. O rio Negro atingiu 29,47 metros nesta quinta-feira (12). O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) informou que o rio deve atingir a cota de 29,60 metros.

Eliane disse que haviam espalhado rumores que “indenizariam os vigias”, mas que até agora nenhum representante das defesas civis da prefeitura de Manaus ou do Governo estadual conversou com eles. De acordo com a Defesa Civil de Manaus, um levantamento socioeconômico das famílias atingidas para atendimento social por meio de cestas básicas, água potável e aluguel social tem sido feito em conjunto com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh). Esta é a sexta maior enchente da história do Amazonas.

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Nível do rio Negro atinge 29,45 metros e pontes construídas em Manaus são elevadas

Fenômeno já é a sexto maior registrado em Manaus. Pontes dos bairros do São Jorge, Glória e Educandos serão elevadas

Portal da Amazônia

MANAUS – O nível do rio Negro atingiu 29,45 metros nesta segunda-feira (9) e a Defesa Civil de Manaus iniciou o processo de elevação das passarelas construídas nos bairros São Jorge, Glória e Educandos em virtude da cheia. O fenômeno já é considerado a sexta maior cheia registrada na capital amazonense desde 1902, quando o curso de água começou a ser monitorado.

De acordo com o último boletim do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) a cota máxima do nível do rio Negro deve atingir a cota de 29,60 metros. O superintendente do CPRM, Marco Oliveira, explicou que a maior preocupação é a quantidade de tempo que e o rio Negro ficará acima da cota de emergência, que em Manaus é de 29 metros. Os geólogos acreditam que a mudança no clima tem influenciado esses níveis altos.

Passarelas em bairros afetados pelo rio Negro

Passarelas

As passarelas do bairro São Jorge serão elevadas em 40 centímetros e também será ajustado o comprimento. As pontes estão localizadas no Beco Bragança I e II, Beco Itapuranga I, II e III, Rua Vicente TorreReis, Rua Humberto de Campos e Beco Santa Cruz. Após a conclusão, o trabalho de ajuste segue para os bairros Glória e Educandos.

“Estamos fazendo o monitoramento diário das áreas que estão sendo afetadas pela cheia. Com a desaceleração da subida do rio, possivelmente o ajuste será apenas nesses três locais, porém, o levantamento continua”, explicou o chefe da Divisão de Resposta da Defesa Civil, Altaci Gomes.

Paralelo ao trabalho, agentes da Defesa Civil de Manaus e da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) retornaram, nesse fim de semana,aos bairros onde já foram feitos os cadastros de famílias para uma nova visita às casas que estavam fechadas durante a ação, mas também estão prejudicadas pela cheia do rio.

No total, o número de famílias cadastradas em Manaus é de 3.022 mil. A Semasdh  está fazendo o levantamento socioeconômico dessas famílias para atendimento social por meio de cestas básicas, água potável e Aluguel Social.

 

Amazônia tem má gestão de recursos hídricos, aponta geólogo da CPRM

Superintendente da CPRM, Marco Antonio de Oliveira, alerta para a falta de gestão na qualidade do recurso oferecido

Bairro da glória durante cheia em Manaus

MANAUS – Mais uma vez as águas do rio Negro ‘invadem’ a frente de Manaus e alagam cidades do interior da Amazônia fazendo com que as pessoas fiquem a aguardar por um novo recorde de cheia. Mas o superintendente da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), geólogo Marco Antonio de Oliveira, diz que a cheia continua, porém, deve parar nos próximos dias. Oliveira também revelou porquê os rios enchem e vazam e até sobre o futuro hídrico da região.

Jornal do Commercio – Em algumas entrevistas você falou que as enchentes (e as vazantes) na Amazônia são cíclicas, 20 anos, mas parece que isso está mudando. Tivemos uma grande em 2009 e outra maior, em 2012. 

Marco Antonio de Oliveira – As cheias e vazantes na Amazônia tem sido monitoradas a partir dos dados dos níveis do rio Negro, registrados no Porto de Manaus desde 1902. Assim, temos uma série histórica de mais de 100 anos que possibilita estabelecer a recorrência ou retorno das cheias. Deste modo, a cheia de 2012 (recorde) é considerada como um evento que ocorre a cada 100 anos, a cheia de 2009 (a segunda maior) tem recorrência de 50 anos e a cheia de 1953 (a terceira maior) 25 anos de recorrência.

Nesta lógica as grandes cheias, que superam os 29 metros, ocorrem a cada dez anos. Como a série histórica do Porto de Manaus permite apenas correlacionar o que ocorreu no intervalo de pouco mais de 100 anos, ficam fora desta análise os eventos extremos de cheia ou vazante que ocorreram no passado mais longínquo, de 1 milhão à 10 mil anos atrás. Portanto, as cheias com recorrência de mil anos, por exemplo, podem voltar a acontecer no presente. Por outro lado no período que antecede uma mudança de estação do inverno para o verão (ou vice-versa), ocorre uma instabilidade no clima que provoca tempestades extremas. O mesmo se aplica na história climática da Terra, quando há uma mudança na temperatura global do planeta e há ocorrência de eventos extremos de chuvas, nevascas e secas.

Algumas pessoas acham que quando caem chuvas torrenciais em Manaus, as águas dos rios vão subir, mas não é bem assim. Essas chuvas precisam cair nas cabeceiras dos rios, não é isso?

MAO – As chuvas torrenciais em Manaus contribuem para a rápida subida das águas dos igarapés da região, mas pouco se refletem no nível da águas do rio Negro cuja bacia hidrográfica abrange perto de 1 milhão de km2 e assim reage lentamente às chuvas.

Por que os rios enchem, ou vazam? Isso tem alguma importância para a natureza?

MAO – O regime de cheias e vazantes depende essencialmente das chuvas ou da falta delas, e o modo como esta água circula sobre o terreno até chegar ao oceano Atlântico, está condicionado ao relevo, à cobertura florestal e à geologia. As chuvas na Amazônia provêm da evaporação das águas do oceano Atlântico, que adentram o continente sul americano ao longo do rio Amazonas, empurradas pelos ventos que sopram de leste para oeste. Esta massa de ar úmido interage com a floresta, mas quando atinge o extremo oeste do continente encontra uma barreira física, dada pela Cordilheira dos Andes, e toda a umidade é descarregada na forma de chuvas sobre as montanhas
do fronte oriental dos Andes. Elas que irão alimentar as nascentes do rio Amazonas. Na falta de chuvas, durante o verão amazônico (junho a outubro), o nível dos rios desce e se mantém perene devido a contribuição das águas subterrâneas, armazenadas sob o solo, durante milhares de anos.

Com quanto tempo é possível se prever se haverá, ou não, uma grande cheia ou uma grande vazante nos rios do Amazonas?

MAO – Para as cheias do Negro/Solimões/Amazonas é possível realizar uma previsão com 75 dias de antecedência, com probabilidade de acerto de 70%. Já para a vazante o comportamento hidrológico é mais instável e permite uma previsão de 10 dias de antecedência, com acerto de 50%.

Essas cheias e vazantes acontecem ao mesmo tempo em todos os rios da região? Tecnicamente, como é que vocês fazem essas medições? 

MAO – As cheias e vazantes ocorrem em tempo e espaços diferentes nesta dimensão continental da Amazônia, que abrange dois hemisférios. Os primeiros rios a encher são os da margem direita do rio Amazonas, com os os rios Javari, Juruá, Purus e Madeira, cujo pico da cheia ocorre entre fevereiro a abril. No rio Solimões, Amazonas e no Negro, em Manaus, a cheia ocorre no mês de junho. As medições são feitas a partir de estações hidrológicas localizadas nas principais calhas dos rios. Nas quais medidas do nível da água e da chuva são coletadas diariamente, seja de forma manual, ou automática via satélite. A cada mês obtemos dados diretos das vazões dos rios Solimões (Itapeua e Manacapuru), Negro (Manaus), Amazonas (Itacoatiara) e Madeira.

Como você vê o futuro hídrico da Amazônia, com o homem cada vez mais habitando a região e destruindo tudo à sua volta? Até a água do subsolo de Manaus está se exaurindo.

MAO – O cenário hídrico da região é promissor. A escassez de água não é mais uma projeção futura, já ocorre em outras regiões do Brasil, como no Nordeste e Sudeste, acarretando em diminuição na qualidade de vida e com fortes impactos na economia. Não há processo industrial e agrícola que não necessite de água em grande escala. Vejamos o exemplo de São Paulo, uma metrópole que vive uma crise de escassez de água sem precedentes, com aspectos conjunturais (falta de chuva) e estruturais (falta de investimentos, pouca oferta e alta demanda), que pode se tornar frequente diante das mudanças no clima da Terra. Por isso, a Amazônia é o futuro com água. Aqui não há escassez de água, há má gestão dos recursos hídricos no tocante a qualidade da água oferecida a população amazonense.

E esse ano, com as águas já bem altas, qual é o prognóstico?

MAO – O prognóstico é de continuidade da cheia pelos próximos dias, porém com indicativo de final de cheia e elevação lenta das águas (ao redor de 1-2 cm/dia).

 

Cheia dos rios Tapajós e Amazonas deixa Defesa Civil do Pará em alerta

Até o momento, sete municípios do Pará decretaram estado de emergência em função da cheia dos rios

 Na enchente deste ano, todas as cidades do oeste paraense ficaram em estado de alerta. A maioria teve suas primeiras ruas alagadas. Município de Almeirim é um dos atingidos. Foto: Alaíson Muniz/Agência Pará

BELÉM – A régua da Agência Nacional de Água (ANA), monitorada pela Defesa Civil do Pará, registrou a marca de 8,08 metros dos níveis dos rios Tapajós e Amazonas, 23 centímetros abaixo da marca histórica. No período de cheia deste ano, o maior nível alcançado pelo rio Tapajós foi a marca de 8,2 metros. Em 2009, os níveis dos rios Tapajós e Amazonas alcançavam a marca de 8,31 metros, quando ocorreu a maior cheia da história do Baixo Amazonas.

“Ficamos a onze centímetros da marca de 2009. Hoje, podemos afirmar que Santarém dificilmente decretará estado de emergência. As águas ainda ocupam grande parte da cidade, mas descem com cautela. Em nossa jurisdição temos sete cidades que decretaram estado de emergência, e duas delas já tiveram o reconhecimento federal, que são Aveiro e Alenquer”, explica o tenente coronel Luís Claudio Rêgo, coordenador Núcleo Regional da Defesa Civil Estadual em Santarém.

Até o momento, Monte Alegre, Alenquer, Óbidos, Almeirim, Aveiro, Terra Santa e Porto de Moz decretaram estado de emergência. Na enchente deste ano, todas as cidades do oeste ficaram em estado de alerta. A maioria teve suas primeiras ruas alagadas. Segundo a Defesa Civil, cerca de 21 mil famílias foram atingidas pelos impactos da cheia no oeste paraense.

Em Santarém, foi instalada uma sala de gerenciamento de crise. O objetivo é concentrar e gerenciar as informações a respeito da situação da região. O coordenador da Defesa Civil do Pará, coronel José Almeida, disse que as ferramentas meteorológicas apontam que as bacias dos rios Tapajós e Amazonas ainda vão aumentar durante os próximos 30 dias. “A Defesa Civil trabalha nos três níveis de governo. O ponto fundamental é o plano de trabalho e quem vai gerenciar essas ações é o próprio município, que recebe o recurso, ou o Estado, que vai gerenciar de forma abrangente se responsabilizando pela entrega das ajudas humanitárias, disse o coordenador.

Planejamento

Almeida garante a presença, na região, dos órgãos que atuam nessa situação de desastre e pós-desastre, como a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), que já está com equipes visitando os municípios afetados. “Existe uma grande preocupação com a baixa das águas devido a surtos de doenças relacionadas à água, e para evitar essa surpresa, já estamos preventivamente trabalhando uma ação antes mesmo dos rios começarem a baixar”, explica o José Almeida.

Em relação ao fato de o nível dos rios estar distante dos níveis alcançados em 2009, o coordenador analisa que as afirmações são feitas sobre previsões. “É difícil fazer essa afirmação, porque a ferramenta trabalha com previsão, mas o fato é que estamos idênticos a 2009, com uma diferença: os municípios têm se preparado mais”, avalia o coronel.

O prefeito de Aveiro, Olinaldo Barbosa, afirma que a cidade está bastante castigada e que já recebeu o reconhecimento federal. “A cheia foi grande. Já estamos amparados, mas até o momento esperamos uma ajuda mais concreta”, diz.

Cheia em Manaus: nível do rio Negro deve atingir 29,60 metros

Geólogos acreditam que a mudança no clima tem influenciado os níveis altos do rio Negro

Serviço Geológico do Brasil (CPRM) emitiu o terceiro e último alerta de cheia do nível do rio Negro, em Manaus. Foto: Divulgação/Portal da Copa

MANAUS – O nível do rio Negro deve atingir a cota máxima de 29,60 metros. A previsão é do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), após divulgar o terceiro e último alerta de cheia nesta sexta-feira (30). O superintendente do CPRM, Marco Oliveira, salientou que a maior preocupação não é o nível máximo que o rio atinge, mas a quantidade de tempo que ele ficará acima da cota de emergência, que em Manaus é de 29 metros.

Em 2009, por exemplo, o rio atingiu a cota de 29,77 metros e ficou 79 dias acima dos 29 metros. Em 2012, ano no qual foi registrada a maior enchente em Manaus, foi registrado 29,97m e 72 dias acima da cota de emergência. No ano passado, 2013, o nível foi de 29,33m e 45 dias acima de 29m. Os geólogos acreditam que a mudança no clima tem influenciado os níveis altos.

Monitoramento em áreas afetadas

Com base no estudo, a Defesa Civil de Manaus está intensificando o monitoramento na cidade, inclusive na área ribeirinha, e trabalha com ações preventivas para minimizar o impacto da cheia para as famílias que moram nas áreas constantemente afetadas. O trabalho está sendo realizado em 14 bairros: Glória, São Jorge, Educandos, Betânia, Raiz, Presidente Vargas, Tarumã, Mauazinho, Colônia Antônio Aleixo, Centro, Aparecida, Santo Antônio, Compensa e Puraquequara.

O trabalho preventivo do órgão começou ainda no início do ano, com a retirada de lixo dos igarapés, em parceria com a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp). Apenas de abril a maio deste ano, foram retiradas mais de 900 toneladas de lixo das águas. Em abril, o órgão começou realizou a realizar, em parceria com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e a comunidade, a construção de 41 pontes. Ao todo, foram 3.235 metros.

Em parceria com a Manaus Ambiental, a Defesa Civil está realizando a descontaminação das águas acumuladas no Centro, onde já foram usados 90kg de cal para neutralizar o odor e evitar a contaminação.

No último dia 28 de maio, a  Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) iniciou o cadastro de famílias afetadas pela enchente na cidade. Até sexta-feira (30), cerca de 1,4 mil famílias dos bairros São Jorge, Educandos, Mauazinho, Tarumã e Bairro do Céu tinham sido cadastradas para receber benefícios, como cesta básica, colchão ou até mesmo o aluguel social. O trabalho continua até o dia 9 de junho. A previsão é de que três mil famílias sejam cadastradas.

“Além da capital, esse trabalho também será realizado na zona rural, onde estaremos atuando neste fim de semana”, explicou o diretor operacional da Defesa Civil, Cláudio Belém.

 

Rondônia define medidas para vítimas da cheia

Famílias receberão aluguel de R$ 500, pelo período de seis meses. Plano Emergencial Pós-Enchente foi definido pelo Governo

PORTO VELHO – Rondônia enfrentou a pior enchente histórica do rio Madeira. Para prestar assistência aos atingidos foi elencado, nesta quinta-feira (29), pelo governador Confúcio Moura, o Plano Emergencial Pós-Enchente (Pro-Rondônia). As medidas que serão implementadas tem recursos na ordem de R$ 25 milhões do Estado e, inicialmente, mais R$ 7 milhões do governo federal. A apresentação oficial do Plano de Reconstrução será realizada somente no dia 9 de julho.

O governador explicou que as medidas foram adotadas após visitar alguns distritos da Capital, os municípios de Nova Mamoré e Guajará-Mirim; e outros Estados que enfrentaram desastres naturais. “Percebemos que demanda tempo, estimado em cinco anos, o processo de reconstrução. Então, o que se fazer enquanto se trabalha a solução, considerando que famílias perderam suas casas e bens, inclusive plantações para suas sobrevivências?”, ponderou.

Enchente do rio Madeira afetou cidades de Rondônia. Foto: Daiane Mendonça/Decom-RO

Auxílio aluguel

A partir da próxima segunda-feira (2) um grupo de trabalho atenderá às famílias cadastradas durante a enchente para o pagamento do auxílio aluguel no valor de R$ 500, pelo período de seis meses. Serão pelo menos 4.397 mil famílias beneficiadas com os recursos disponibilizados pelos governos estadual e Federal. O contato para informações será o (69) 3216 5107, até a implantação do 0800 para ligações gratuitas.

Além do auxílio, que deveria ser por 60 dias, pelas regras do Ministério da Integração, mas foi ampliado por mais quatro meses pelo governo do Estado, fazem parte do Pró-Rondônia, a entrega de duas mil casas do Condomínio Orgulho do Madeira, das quais mil serão entregues em julho e o restante em agosto.

O Auxílio Vida Nova no valor de R$ 1 mil será destinado para cada família realizar serviços emergenciais em seus imóveis; antecipação do benefício do INSS para todos os aposentados e pensionistas do Estado, a partir desta sexta-feira (30) até julho, sem juros e carência de três meses, ou seja, serão mais R$ 140 milhões girando na economia local neste período; e linhas de crédito para os atingidos pela cheia e servidores públicos, via Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia, com taxas especiais.

Os servidores ainda terão direito, junto à CEF, de renovar por quatro meses o pagamento de parcelas de empréstimos consignados ou de financiamento de veículos ou imóveis; e terão o prazo de pagamento ampliado de 60 para 96 meses. Pessoas jurídicas também têm direito a financiamento de até R$ 500 mil para aquisição de máquinas e equipamentos, com taxas especiais e carência de três meses. “Vale lembrar que esses benefícios só serão concedidos durante o período de estado de calamidade, que é de 60 dias”, alertou Confúcio Moura.

Neste período, pessoas físicas que têm empréstimos junto à Caixa também terão 60 dias de pausa para o pagamento, enquanto para as jurídicas o prazo é de 90 dias; e também estão suspensas as licitações e vendas em leilão de joias penhoradas.

Produtores rurais atendidos

Outras medidas, que foram aprovadas pelo Conselho de Desenvolvimento do Estado de Rondônia (Conder), permitem às pessoas físicas e jurídicas (especialmente os produtores rurais que perderam suas lavouras e criação) adquirir, junto ao Banco do Povo, até R$ 60 mil, com carência de 12 meses e 36 meses para pagamento. Para o comércio varejista de Guajará-Mirim, uma lei aprovada na Assembleia Legislativa, por iniciativa do Executivo estadual, possibilita a isenção de 80% do ICMS e de 100% no caso de impostos federais.

De acordo com o secretário estadual de Ação Social (Seas), Márcio Félix, o auxílio aluguel já foi pago a 157 famílias, que estavam abrigadas em escolas da Capital. Nos demais municípios, Santa Luzia, Guajará-Mirim, Rolim de Moura e Nova Mamoré, o valor será repassado pela Coordenadoria de Defesa Civil do Estado às famílias cadastradas pela Seas e as secretarias municipais.

Com relação aos imóveis do Orgulho do Madeira, ele disse que já foram cadastradas as famílias que estavam em abrigos, e que serão distribuídos com base nos critérios do Programa Minha Casa, Minha Vida. Márcio Félix aproveitou para informar que o sorteio de 3% dos imóveis destinados a idosos e pessoas com deficiência, inscritas no ano passado, será realizado no próximo dia 14. Para as demais pessoas, inscritas também em 2013, o sorteio será no dia 28.

 

Processo de ‘despoluição’ de águas na rua dos Barés inicia em Manaus

Técnicos da Defesa Civil medem o ph (acidez e neutralidade) da água para saber o nível de poluição

 

Rua dos Barés recebe cal para evitar doenças. FOTO. Karla Vieira/Semcom

MANAUS –  O trabalho de despoluição das águas que invadem um trecho da rua dos Barés, no centro da capital do Amazonas iniciou na última terça-feira (27). A via é a primeira de Manaus a ser interditada por conta da cheia do rio Negro. A solução de cal elimina as bactérias patogênicas transmissoras de doenças.

Durante o processo de descontaminação, técnicos da Defesa Civil medem o ph (acidez e neutralidade) da água para saber o nível de poluição. Com isso, é possível aplicar a quantidade correta de cal. Ao todo foram utilizados cinco galões de 50 litros na primeira ação.

De acordo com o secretário executivo da Defesa Civil de Manaus, Aníbal Gomes, equipes do órgão atuam constantemente onde a cheia do rio Negro já prejudica a circulação de pessoas, construindo pontes em madeira. “Nesta quarta-feira (28) iniciaremos a criação de passarelas laterais aqui na rua dos Barés para viabilizar a passagem de pedestres na área”, disse Aníbal.

O dono de uma das lojas da rua dos Barés, Altair Peres,  apoia a iniciativa. “É muito bom porque o cal derramado na água tira todo o odor e as pessoas não são impedidas de circularem. Isso é bom para nossa clientela”, comentou.

 Cheia 2014

A Defesa Civil de Manaus está monitorando diariamente a orla da cidade. Os alertas emitidos pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) auxiliam no trabalho e a prefeitura já começa os atendimentos da segunda fase da Operação Cheia 2014. “A primeira fase dessa operação iniciou no dia 7 de abril, priorizando a construção de pontes em madeira para evitar o contado da população com as águas contaminadas. Já foram construídos mais de três mil metros de passarelas em 13 bairros da cidade e, a partir de agora, vamos começar a segunda fase”, explica o chefe da Divisão de Resposta da Defesa Civil de Manaus, Altacir Gomes..

Gomes enfatiza que o órgão voltará aos locais atingidos com as secretarias municipais de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), Saúde (Semsa) e outras secretarias que realizarão ações integradas para minimizar o impacto da cheia.