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Caem arrecadação de impostos e a confiança dos comerciantes na economia

Correio do Brasil, de Brasília e São Paulo

varejo

A arrecadação de impostos e contribuições federais chegou a R$ 87,897 bilhões em maio, em termos nominais. O valor representa queda de 5,95% em comparação ao mesmo período do ano passado, já corrigida pelo IPCA. É o valor mais baixo desde 2011 para meses de maio e a primeira baixa do ano. Os números foram divulgados nesta sexta-feira. Nos primeiros cinco meses do ano, a arrecadação ficou em R$ 487, 207 bilhões, crescimento real de 0,31%.

Segundo a Receita Federal, o resultado foi influenciado pela arrecadação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) nos meses de janeiro e fevereiro. Houve também, em maio do ano passado, arrecadação extraordinária de R$ 4 bilhões – o que não ocorreu no mês passado.

Outro fator que pesou foram as reduções de impostos para estimular o setor produtivo diante da crise iniciada em 2008 e que ainda influencia a economia. Entre as iniciativas estão a desoneração da folha de pagamento, da cesta básica e redução no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo de PIS/Cofins – Importação.

Expectativas

Outro dado negativo para a economia brasileira, assinalado nesta sexta-feira, foi a queda no Índice de Confiança do Comércio, que fechou o segundo trimestre de 2014 em um declínio de de 6,4%, na comparação com o mesmo período do ano passado, ao registrar a maior baixa na relação anual desde dezembro de 2011 – quando a taxa havia caído 6,8%. É a quarta tendência de queda consecutiva apresentada pelo indicador. Os dados foram divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta manhã, e indicam que, nos meses anteriores, as variações interanuais trimestrais foram -3,1%, em abril, e -4,4%, em maio.

Segundo a FGV, a diminuição da confiança foi influenciada pela piora das expectativas em relação aos próximos meses – com a taxa interanual trimestral do Índice de Expectativas passando de -2,6%, em maio, para -6%, em junho.

A FGV ressalta, porém, uma “relativa melhora” na margem, com o Índice da Situação Atual, que continua apresentando níveis médios inferiores aos do ano passado. As taxas de variação passaram de -7,2% para -7,1%, nos mesmos períodos e bases de comparação.

Percepção do setor

Para a fundação, “o resultado geral da pesquisa confirma a tendência de desaceleração do nível de atividade do setor no segundo trimestre de 2014, e a diminuição do otimismo do empresariado em relação à possibilidade de recuperação no horizonte de abrangência da pesquisa [entre três e seis meses]”. Os números refletem a evolução desfavorável, de maio para junho, de todos os cinco níveis de agregação pesquisados.

O Índice da Situação Atual retrata a percepção do setor em relação à demanda no momento. Na média do trimestre terminado em junho, 13,5% das empresas consultadas avaliaram o nível atual de demanda como forte e 25,4%, como fraca. No mesmo período de 2013, esses percentuais haviam sido de 16,0% e 21,1%, respectivamente.

De maio para junho, considerando-se a comparação interanual trimestral, o indicador que mede o otimismo com a situação dos negócios nos seis meses seguintes foi o que mais contribuiu para a piora do Índice de Expectativas, ao passar de -4,0% para -7,2%. Já a taxa de variação do indicador que mede o otimismo em relação às vendas nos três meses seguintes passou de -1,2% para -4,7%, no mesmo período.