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Enchente dos rios amazônicos eleva preço de alimentos em feiras de Manaus

Apesar da descida do nível dos rios estar em andamento os preços continuam nas alturas

 

Feira da Banana, no Centro de Manaus. Foto: Reprodução/Shutterstock

MANAUS – A economia local sofre variações, mais negativas do que positivas, durante período de enchente dos rios amazônicos. A mais visível variação é a escassez de produtos e elevação de preços. O valor final de gêneros alimentícios em Manaus sobem na mesma velocidade que o nível dos rios: da noite para o dia. Apesar da vazante (descida do nível dos rios) estar em andamento, os preços continuam nas alturas.

De acordo com o Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon/AM), a capital amazonense não é autossuficiente em produtos agrícolas. A cidade importa a maioria do que consome e o pouco que produz sequer supre o mercado local. “A maior parte dos produtos consumidos em Manaus são trazidos de fora. O pouco que é cultivado nas beiradas dos rios, com a cheia, essa produção também se torna inócua, ocasionando o aumento nos preços dos produtos”, analisou o presidente do Corecon/AM, Marcus Evangelista

A parte positiva da enchente está na atividade fluvial, onde o transporte registra um aumento acentuado na demanda. É a hora em que o proprietário de pequenas embarcações aproveita para aumentar a renda. “Os proprietários de pequenas embarcações aproveitam para fazer também um dinheirinho. A cheia, da mesma forma que tem o lado negativo, ela tem essa parte positiva que favorece a movimentação de dinheiro nos beiradões”, avaliou.

O diretor do Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus, Deuticilan Franco Barreto, disse que a enchente traz uma certa qualidade para a navegação e atracação nos portos de Manaus, entretanto prejudica o transporte e distribuição dos produtos no entorno dos grandes mercados. “Os barcos têm essa facilidade para atracar, sem transtorno. Em qualquer canto eles atracam com facilidade. Já na questão da saída dos produtos, o fluxo de veículos fica prejudicado, com algumas ruas interditadas, causando um grande congestionamento no entorno da Manaus Moderna e da Feira da Banana”, apontou.

Barreto explicou que o preço da banana subiu devido a enchente que no Acre, que abastece metade do consumo da fruta em Manaus. “Não há produção local. No Acre, a cheia foi muito grande afetando as estradas, as BRs, e hoje está com uma dificuldade muito grande de chegar a banana do Acre aqui, em Manaus. Por isso que está muito caro o preço da banana”, justificou o diretor do Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus.

Dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) apontam que as culturas mais afetadas pela enchente foram banana, com perda de 84,7 mil toneladas; macaxeira, 39,2 mil toneladas; mandioca, 11,8 mil toneladas; maracujá, 1,5 mil toneladas; e milho, 1,1 mil toneladas. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) não respondeu às questões apresentadas até o fechamento da matéria.

Foto: Reprodução/Shutterstock

Emergência

De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, Manaus permanece em estado de emergência, decretado em 26 de maio e segue até 25 de agosto. São 90 dias para que a verba emergencial oriunda do Governo Federal seja liberada, porém até o momento ainda não chegou no Amazonas.

No interior do Estado, 39 municípios foram afetados pela subida das águas nas bacias dos rios Madeira, Juruá, Jutaí, Purus e Amazonas. As cidades no Sul da Amazônia tiveram maiores problemas com a enchente entre março e abril. Os estados de Rondônia e Acre decretaram calamidade pública, bem como Humaitá, no Sul do Amazonas.

*Com reportagem de Tanair Maria, do Jornal do Commercio

 

Guaraná do Amazonas abastece Mato Grosso há quatro décadas

Portal Amazônia
Há mais de 40 anos a família Thompson comercializa produtos à base do fruto. Foto: Reprodução/Guaraná Tibiriçá

Há mais de 40 anos a família Thompson comercializa produtos à base do fruto. Foto: Reprodução/Guaraná Tibiriçá

CUIABÁ – Há 43 anos não falta mais guaraná no Mato Grosso. Isto porque Jorge Thompson e uma estranha logística determinam o abastecimento do produto no Estado. Quando trocou Manaus por Cuiabá, aos 21 anos de idade, Thompson foi para consolidar um negócio de seu pai, Tibiriça Thompson, que há sete anos trazia regularmente toneladas de bastões de guaraná de Maués, do interior do Amazonas, para a capital mato-grossense. “Ele ia de avião de Manaus para São Paulo e de lá era enviado para Corumbá, de barco. Ali um comerciante, João Dolatoni, fazia a distribuição para todo o Mato Grosso, também pelos rios”, explicou Thompson.

A partir de uma pequena loja, exclusiva para a venda de guaraná em bastão na rua Thogo da Silva Pereira, em Cuiabá, nas proximidades do Hospital Geral, Jorge Thompson Paes Bernardes, em 1971, atendia no balcão a partir das seis horas da manhã o cidadão comum e personalidades. “Rubens de Mendonça (historiador), José Vilanova Torres (ex-prefeito), José Fragelli (ex-governador) formavam a clientela habitual. Quando apareciam por aqui artistas para shows e queriam conhecer melhor Cuiabá, eram levados para comprar guaraná”, relatou.

Ele se lembra de Rosa Maria Murtinho e Mauro Mendonça, Pepeu Gomes e Baby Consuelo, dentre outros, que consumiam o Guaraná Tibiriçá. “Mauro Mendonça depois que conheceu a loja tornou-se freguês assíduo. Pedia para mandar pelo correio para o Rio de Janeiro”, disse.

A lista de remessa do Guaraná Tibiriçá é enorme. Os produtos são enviados para consumidores de todo o país, principalmente para o interior de São Paulo. “Apesar das vendas no atacado serem feitas em todo o Brasil, têm compradores que preferem pagar as despesas de correio para comprar diretamente daqui”, explicou. 

Foto: Divulgação/Embrapa

O início

O guaraná, introduzido em Mato Grosso provavelmente por Marechal Rondon, há muito já havia se incorporado à identidade do cuiabano. Rondon, citado em uma reportagem por Aecim Tocantins, dizia que “o som de grosar [esfregar com a grosa, ferramenta para trabalho com madeiras] do guaraná era o amanhecer do cuiabano”. Este amanhecer ocorria em todo o Pantanal e em cidades tradicionais de Mato Grosso, como Acorizal, Rosário Oeste, Nobres e Jangada que ampliavam a geografia do fornecimento dos bastões.

O negócio de Tibiriça começou em 1964, por acaso, e firmou-se pelo hábito do cuiabano, que nem sempre tinha o guaraná à disposição. “Quando faltava, as pessoas pegavam o restinho do bastão com um alicate para passar na grosa”, lembrou Thompson.

Foi uma pane num DC-3 da empresa Cruzeiro do Sul que obrigou o voo de Manaus a São Paulo a fazer uma escala em Cuiabá. Tibiriça, ex-sócio de uma padaria, rumava para o sul do país em busca de novas oportunidades e num hotel da rua Galdino Pimentel encontrou Giovani, um italiano que ao saber de sua origem se apresentou como comerciante de guaraná e o convidou para assumir o negócio. Fez uma lista de clientes e entregou-lhe. Antes de partir o manauense sondou o negócio e dois meses depois chegou à cidade com 300 bastões de guaraná. A partir daí não parou mais com a venda.

Sucesso

Com o mercado promissor e garantido, já testado pelos últimos anos, Tibiriça resolveu abrir a loja e trouxe o filho. “Estava me preparando para estudar Direito e pensei que ia ficar por aqui [Cuiabá] uma ou duas semanas”, revelou. O jovem cresceu com o negócio do pai, ficou e ampliou a atuação.

Depois das seis horas percorria os bairros tradicionais de Cuiabá para fazer entrega das vendas que eram feitas durante o dia e aos sábados saía no início da tarde para os municípios vizinhos. Enquanto isso seu pai e o resto da família construíam a Tibiriçá, em Manaus. Desenvolveram toda a cadeia produtiva do guaraná, do plantio ao processamento da semente e fabricação dos bastões.

Atualmente, a Tibiriça já não planta o fruto e nem faz os bastões,  mas comercializa desde a semente até o suco (em forma de xarope), os bastões e o famoso guaraná em pó. “Eu comecei a produzir o guaraná em pó por sugestão do José Lotufo que tinha um moinho de fazer fubá e se ofereceu para moer para mim”, recordou. “Como a embalagem era difícil eu então acondicionava em vidros de maionese. Pintava as tampas de azul e tinha mais um produto para o mercado”, revelou Jorge Thompson. O crescimento da cidade levou a Casa do Guaraná para o Bairro do Porto onde está até hoje.

 

Boa Vista: índice de recuperação de crédito cai em maio

Estadão Conteúdo

O indicador de recuperação de crédito apurado pela Boa Vista SCPC, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito, caiu 5,8% em maio ante abril, descontados os efeitos sazonais. Para a realização do indicador, a instituição considera a quantidade de exclusões dos registros de inadimplentes. Na comparação de maio com igual mês do ano passado, foi apurada queda de 6,5%. No acumulado de janeiro a maio, ante mesmo período de 2013, o indicador caiu 1,1%.
 
Em 12 meses, o indicador registrou alta de 1,0%, em tendência de desaceleração. O período considerado nesta leitura vai de junho de 2013 a maio de 2014, na comparação de junho de 2012 a maio de 2013. Em abril, a alta na leitura dos 12 meses foi de 1,9%. 
 
“Desde o ano passado, o indicador de recuperação de crédito segue em desaceleração”, dizem economistas da Boa Vista, em nota. Eles apontam que o indicador é condizente com a conjuntura econômica de desaquecimento do mercado de trabalho, queda recente da taxa de inadimplência e menor concessão de crédito. 
 
Todas as regiões registraram variação negativa no indicador de recuperação de crédito em maio ante abril. Sudeste registrou queda de 6,6%, seguido de Nordeste (-5,0%), Sul (-4,8%), Centro-Oeste e Norte (ambas com -4,3%).
 
Varejo
 
Considerando apenas a recuperação de crédito no varejo, o indicador registrou queda de 6,2% em maio contra abril. Nos 12 meses, a queda foi de 9,1% em maio. Já no acumulado do ano, o indicador de recuperação de crédito no varejo caiu 16,9% e, em maio contra o mesmo mês de 2013, foi apurada queda de 21,6%.

Comércio de Manaus dribla ‘efeito Copa’ para Dia dos Namorados

Floriculturas apostam em arranjos florais com as cores da Copa do Mundo

Foto: Reprodução/Shutterstock

MANAUS – O  comércio de Manaus prevê queda nas vendas em função do Dia dos Namorados ser na abertura da Copa do Mundo. Porém, para driblar o resultado negativo oferece produtos relacionados ao evento esportivo e direcionados aos torcedores, pontuou a Associação Comercial do Amazonas (ACA). Já a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), acredita que o setor de serviços espera faturar mais com o Dia dos Namorados até o dia 11 de junho.

Para a presidente da Abrasel, Janete Fernandes, a intenção é antecipar a comemoração do Dia dos Namorados para o dia 11, como já sugeriu a campanha de uma empresa de cerveja. “Tem que antecipar porque no dia 12 eu não acredito que os namorados vão sair; sinceramente, eu acho complicado. Eu afirmo que não vai ser o mesmo movimento de todos anos”, afirmou.

Janete antecipou para o Jornal do Commercio o slogan especialmente desenvolvido pela Abrasel que deverá trair os clientes enamorados neste ano atípico de Copa do Mundo: ‘Dia 11 de junho o amor vem antes de tudo’, “inclusive antes dos jogos da seleção”, adiantou.

Floriculturas

Segundo a sócia-proprietária da floricultura Flora Tropical, Kei Nagai, para estimular as vendas no Dia dos Namorados, o setor apostou em arranjos florais com as cores da Copa, ao invés do tradicional buquê de rosas vermelhas. “O comerciante não pode ser negativo. Por isso, vamos investir nas cores amarela, salmão e branca para os buquês de rosas e nos arranjos de flor de girassol ou de margarida tipo bola belga”, disse.

Para Nagai, a expectativa de vendas permaneceu no empate em relação ao resultado do ano passado. “Trabalhamos mais com eventos, que aumentam com a população, naturalmente. Se repetir as vendas de 2013, ficaremos
satisfeitos”, estimou.

Nas vitrines o boneco Fuleco reforça o time de brindes para os casais enamorados comemorarem em ritmo de Copa. A Flora Tropical fica na rua Recife, 229 no bairro de Adrianópolis, zona Sul da cidade.

Varejo teme prejuízo

Conforme disse o presidente da ACA, Ismael Bicharra Filho, os empresários, comerciantes e entidades estão se movimentando na tentativa de diminuir o prejuízo evidente durante os dias de jogos da seleção brasileira e também nos jogos realizados em Manaus. “Nós temos certeza que, para o comércio, a Copa vai ser um prejuízo no comércio tradicional”, alertou.

Bicharra afirmou que a maior preocupação do setor está no fato de, no período de jogos, ser decretado ponto facultativo. Com empresas e lojas antecipando o horário de fechamento, vendas e faturamento serão reduzidos. “Muita gente vai viajar, tem menos trabalho e menos dinheiro em circulação. E o grande público que vem para cá são estrangeiros, que o consumo é mais de serviços – setor que vai estar muito bem por sinal: hotelaria, restaurantes, táxi”, relatou.

O comércio, através da ACA, pleiteou junto à Prefeitura de Manaus tornar ponto facultativo os dias de jogos, ao invés de feriado, como já foi decretado em outras cidades-sede do mundial, para reduzir o impacto negativo nas vendas do comércio no centro e nos shoppings da cidade. “Esse já foi um ganho muito grande”, admitiu Bicharra.

Hospedagem alternativa 

A Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) vem incentivando a hospedagem de turistas torcedores – que virão para os jogos de suas seleções – em quartos de motéis, iates de luxo e em residências. Em Manaus, cerca de 30 motéis e 30 iates de luxo foram selecionados para receber os turistas durante o mundial de futebol. As embarcações possuem camarotes, salas, cozinha, banheiros e área de lazer. A medida foi tomada na tentativa de suprir a demanda estimada entre 60 mil a 80 mil turistas que se hospedarão em Manaus durante o mundial.

De acordo com a Amazonastur, atualmente estão disponíveis23 mil leitos nos 107 hotéis da capital, 80% está com a capacidade esgotada. Levantamento realizado pela empresa de turismo revelou que a média da diária é de R$ 375,67. Foi descartada pelo governo a alternativa de colocar navios cruzeiros no Porto de Manaus para receber turistas na Copa da Fifa 2014.

Segundo a presidente da Amazonastur, Oreni Braga, a oferta de hospedagem alternativa não é novidade no Brasil, mas em Manaus será apenas para suprir a demanda da Copa do Mundo. “Com os motéis e os barcos esperamos acrescentar mais de 900 leitos disponíveis na capital amazonense. Mas, em Manaus, vale lembrar que o projeto tem validade. Não será permanente. Termina com o encerramento da Copa”, esclareceu.

 

Diante de violências, China suspende acordos comerciais com o Vietnã

Manifestantes protestam contra a presença de chineses em Ho Chi Minh.

Manifestantes protestam contra a presença de chineses em Ho Chi Minh.

REUTERS|Peter Ng|RFI

A China anunciou neste domingo (18) a suspensão de vários programas de comércio com o Vietnã, depois de dias de ataques à população chinesa no país vizinho. Os tumultos já resultaram na morte de dois chineses. No sábado, cerca de 3 mil expatriados deixaram o Vietnã devido à tensão.

As hostilidades “assombram a atmosfera e as condições para o comércio e a cooperação entre a China e o Vietnã”, declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em Pequim. “Nós suspendemos a partir de hoje a nossa parte nos programas de comércio bilateral.”

Ao menos 3 mil chineses abandonaram o Vietnã neste sábado, após protestos violentos da população local ligados à presença de uma plataforma petroleira chinesa em águas disputadas pelos dois países. “Voltaram à China com a assistência da embaixada do Vietnã”, informou a agência Xinhua, citando a chancelaria chinesa.

Grupos civis vietnamitas advertiram ontem para a retomada dos protestos contra a China, após diversos incidentes no início da semana, que mataram dois trabalhadores chineses e deixaram mais de 100 feridos. As autoridades em Hanói afirmaram que não permitirão qualquer outro incidente contra a comunidade chinesa no país.

Maior tensão em décadas

No início da semana, Pequim alertou seus cidadãos para que evitem viagens ao Vietnã, diante das piores manifestações contra a China em décadas. Trabalhadores vietnamitas protestaram em 22 das 63 províncias do país, atacando principalmente fábricas cujos proprietários são chineses.

A tensão entre China e Vietnã aumentou depois que Pequim instalou uma plataforma de perfuração em uma zona do Mar da China meridional, região disputada pelos dois países. Pequim e Hanói possuem uma rivalidade histórica, principalmente em relação às ilhas Paracel e Spratly.

As ilhas motivaram batalhas navais entre as duas nações em 1974 e 1988, e confrontos na fronteira que deixaram dezenas de milhares de mortos em 1979.

Proteção aos brasileiros superendividados poderá virar lei

Agência Brasil

A preocupação com o superendividamento dos brasileiros pode levar à criação de uma lei de proteção ao consumidor. O Projeto de Lei do Senado 283/12, que disciplina a oferta de crédito ao consumidor e previne o superendividamento, pode ser votado no plenário da Casa ainda este mês. O projeto faz parte da reforma do Código de Defesa do Consumidor, que também inclui proposta que regulamenta as compras pela internet.

O projeto prevê a garantia do crédito responsável, a educação financeira e a prevenção e tratamento das situações de superendividamento. Estabelece ainda o conceito do “mínimo existencial” de renda, que deve ser garantido por meio de revisão e repactuação de dívidas. De acordo com o projeto, a soma das parcelas reservadas para pagamento de dívidas não poderá ser superior a 30% da remuneração mensal líquida e, assim, será preservado o “mínimo existencial”.

O projeto também prevê que, a pedido do consumidor, o juiz poderá instaurar processo de repactuação de dívidas, com realização de audiência conciliatória. Nessa audiência, o consumidor apresentará uma proposta de plano de pagamento, com prazo máximo de cinco anos, sempre preservando o mínimo existencial.

A assessora do Procon-SP Vera Remedi considera que o mais preocupante, atualmente, são os consumidores que pagam as contas todos os meses, mas têm endividamento acima da renda. Ela lembra que muitos usam o crédito caro, como rotativo do cartão de crédito e cheque especial para rolar suas dívidas.

“O que mais me preocupa são os superendividados adimplentes. Não existem muitas propostas para renegociar dívidas. As pessoas, às vezes, têm só 20% da renda para o pagamento de despesas básicas de alimentação, transporte e moradia, daí usam cartão de crédito e cheque especial e ficam sem saída. A pessoa assume muitos contratos que não são adequados à sua situação financeira”, explica.

Para Vera, há uma irresponsabilidade na concessão de crédito no País. “Os consumidores cobrem uma dívida com juros muito altos. Ainda contribui para isso a venda casada de seguro, o crédito com troco, as ofertas de crédito por telefone ou caixa eletrônico. Tudo o que é mais fácil, tem juros mais altos. Todas são contrações feitas na base da emoção do consumidor”, ressalta.

O Procon-SP tem um programa para ajudar os superendividados. É o Núcleo de Tratamento do Superendividamento, que atende consumidores insolventes e ajuda na tomada de medidas preventivas e corretivas. Segundo Vera, 2.822 consumidores já foram a palestras sobre o assunto e 1.142 superendividados receberam orientação individualmente.

Pela internet é possível encontrar algumas ferramentas de apoio aos superendividados. O Banco Central, por exemplo, oferece em seu site uma cartilha com orientações sobre como sair do superendividamento. E na página da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o consumidor encontra uma ferramenta para organizar as receitas e despesas, o Jimbo.

Segundo a superintendente de Serviços ao Consumidor da Serasa Experian, Maria Zanforlin, pode ser considerado como superendividado o consumidor que tem mais de quatro dívidas. “Ocorre quando a pessoa fez mais compras do que pode pagar e precisa de crédito”, explica.

“O consumo estimula a economia, mas é preciso haver um consumo consciente. Só comprar o que realmente precisa. A felicidade com uma compra é muito curta”, alerta Maria Zanforlin. Segundo ela, uma boa dica é anotar tudo o que se compra para saber quanto consumiu ao final de um dia.

“No Brasil, a questão do consumo é nova. São 20 anos do Plano Real. Não tivemos educação financeira necessária”, disse.

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio