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Turismo com botos faz sucesso entre visitantes na Amazônia

Comunidade ribeirinha do Amazonas oferece a experiência de tocar e até mesmo nadar com os botos

MANAUS – O boto é um dos mamíferos mais característicos dos rios amazônicos. Personagem principal de uma das lendas mais conhecidas da região, o ‘golfinho de água doce’ é um animal dócil e atrai a curiosidade de pessoas dentro e fora da Amazônia. Você já se imaginou tocando ou até mesmo nadando com os botos? Esta experiência é oferecida em uma comunidade ribeirinha no Amazonas. Durante a Copa do Mundo de Futebol, a atividade promete ser indispensável no roteiro dos turistas.

Turismo com botos é realizado no lago do Acajatuba, comunidade ribeirinha do Amazonas. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

O Recanto do Boto, um conjunto de casas flutuantes localizado no lago do Acajatuba, afluente do rio Negro, é um dos cinco locais autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a prática de turismo com botos. O local é administrado por sete pessoas e também trabalha com venda de artesanatos amazônicos e interação com peixes.

O grande atrativo do Recanto do Boto, como o nome sugere, é a possibilidade de um contato real com os animais. Ao chegarem no local, os turistas são encaminhados para uma plataforma construída dentro do rio, na qual podem nadar com os cetáceos e tocá-los. A beleza das águas do rio Negro e a paisagem verde que o cerca tornam a experiência ainda mais emocionante.

Dóceis e vulneráveis

Apesar da aparência inicialmente assustadora para alguns, os botos possuem atitudes completamente amistosas em relação ao homem – não mordem e nem machucam. Seus saltos podem superar a altura de um metro, e são justamente essas as cenas mais encantadoras.

Turistas se encantam com a familiaridade dos botos. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

Os visitantes, no entanto, precisam cumprir algumas normas de segurança. Não é permitido tocar na cabeça do boto, por exemplo. Trata-se de uma parte sensível do animal, na qual encontra-se o seu orifício respirador. O turista também não pode alimentar os botos – função unicamente exercida pelos instrutores do local. Também não é autorizada a interação com os botos sem o acompanhamento de um instrutor no rio.

Entrada do 'Recanto do Boto', localizado no lago do Acajatuba. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

Uma das particularidades do local é que os botos – cerca de 15 vivem no lago – não são mantidos em cativeiro. “Eles vivem em seu ambiente natural. A gente não tem como exigir que eles venham na plataforma [para interagir com os turistas]. Tem vezes que o turista vem aqui e os botos não aparecem porque eles estão no cardume”, afirma Érico Cruz, 23, um dos instrutores do Recanto do Boto. Ele também comenta sobre a ‘desobediência’ de alguns turistas que visitam o estabelecimento. “Tem turista que não quer respeitar as regras, quer fazer o que dá na telha. Teve vezes que a gente já quase retirou à força”, contou.

Copa impulsiona aumento de turistas

Érico conta que o local recebe cerca de 60 visitantes por mês, mas que a demanda deve aumentar consideravelmente por conta da Copa do Mundo. “Na Copa vai aumentar a quantidade de público, vou ter que contratar pessoas pra controlar os visitantes. Inclusive tem alguns grupos de turistas que já fizeram reserva para a Copa, dois deles da Alemanha”, contou. O instrutor afirmou inclusive que jogadores de seleções já fizeram reservas para conhecer o estabelecimento, porém se negou a divulgar os países por motivos de segurança.

Local também trabalha com a venda de artesanatos amazônicos. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

O Recanto do Boto não conta com uma divulgação própria do estabelecimento. Quase todos os turistas recebidos pelo local são encaminhados por agências de turismo, que incluem a interação com os botos em seus pacotes. Entretanto, a presença de visitantes de outros países é constante. “A maioria dos turistas que vem pra cá são ingleses. Nós também recebemos muitos espanhóis, vem gente de toda a parte do mundo”, conta Érico.

Como conhecer?

Para quem quiser conhecer o Recanto do Boto, o local funciona todos os dias, das 8h às 15h. A entrada custa R$ 25 por pessoa. O lago do Acajatuba fica a cerca de 80 quilômetros de Manaus. A viagem da capital amazonense até a comunidade ribeirinha dura cerca de uma hora e meia de barco. Interessados em fazer uma reserva podem entrar em contato pelo número (92) 9124-6679.