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Quinze famílias mais ricas do Brasil somam 5% do PIB

15/05/2014 

São Paulo, 15 – Os irmãos Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho, José Roberto Marinho aparecem no topo da lista das famílias mais ricas do Brasil, divulgada pela revista “Forbes”. Juntos, a fortuna dos Marinho soma US$ 28,9 bilhões, o equivalente pelo câmbio atual a R$ 64,3 bilhões.

A lista das 15 famílias mais ricas do Brasil tem também outros sobrenomes famosos como Safra, Ermírio de Moraes, Moreira Salles, Camargo Correia, Vilella, Odebrecht e Setubal, entre outros.

As fortunas das 15 famílias mais ricas do Brasil guardam US$ 122 bilhões, o equivalente a R$ 269 bilhões, ou cerca de 5% do PIB do País.

Segundo a revista, o número de bilionários no País cresceu significativamente desde 1987, quando a primeira lista de bilionários “Forbes” foi publicada.

Na época, apenas três brasileiros estavam no grupo dos bilionários do mundo: Sebastião Camargo, fundador do grupo Camargo Correa e dono da marca sandálias Havaianas; Antônio Ermírio de Moraes, um dos acionistas do Grupo Votorantim; e Roberto Marinho, que herdou o jornal “O Globo” e deixou para os filhos as Organizações Globo, maior império de mídia do continente.

Na lista deste ano, aparecem 65 brasileiros bilionários, sendo que 25 deles são parentes. Oito famílias têm vários membros no ranking.

A revista constata que nascer rico ainda é o jeito mais fácil de virar bilionário, embora a porcentagem dos herdeiros venha diminuindo nos últimos rankings dos mais ricos do mundo.

A família Odebrecht, por exemplo, é uma das mais ricas do País mas tem 15 pessoas dividindo a fortuna.

Confira a lista das 15 famílias mais ricas do Brasil, segundo a “Forbes”:

1. Marinho (Mídia)

Três irmãos controlam as Organizações Globo: Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho, José Roberto Marinho. Fortuna: US$ 28,9 bilhões

2. Safra (Banco)

Joseph Safra, Moise Safra e Lily Safra, donos do Banco Safra. Fortuna: US$ 20,1 bilhões

3. Ermírio de Moraes (Siderúrgica e banco Votorantim)

Antonio Ermírio de Moraes, Ermírio Pereira de Moraes, Maria Helena Moraes Scripilliti, José Roberto Ermírio de Moraes, José Ermírio de Moraes Neto e Neide Helena de Moraes. Fortuna: US$ 15,4 bilhões.

4. Moreira Salles (Banco)

Fernando Roberto Moreira Salles, João Moreira Salles, Pedro Moreira Salles e Walter Moreira Salles Junior. Fortuna: US$ 12,4 bilhões

5. Camargo (Camargo Corrêa – Construção, engenharia, energia e outros)

Rossana Camargo de Arruda Botelho, Renata de Camargo Nascimento e Regina de Camargo Pires Oliveira Dias. Fortuna: 8 bilhões

6. Villela (Banco Itaú)

Alfredo Egydio de Arruda Villela Filho e Ana Lucia de Mattos Barretto Villela. Fortuna: US$ 5 bilhões

7. Maggi (Soja)

Lucia Borges Maggi, Blairo Borges Maggi, Marli Maggi Pissollo, Itamar Locks e Hugo de Carvalho Ribeiro. Fortuna: US$ 4,9 bilhões

8. Aguiar (Banco Bradesco)

Lina Maria Aguiar, Lia Maria Aguiar e Maria Angela Aguiar Bellizia. Fortuna: US$ 4,5 bilhões

9. Batista (Frigoríficos)

José Batista Sobrinho, fundador da produtora de carne JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo. Fortuna US$ 4,3 bilhões

10. Odebrecht (Construção, engenharia, petroquímica e outros)

São quinze herdeiros da empresa fundada pelo engenheiro pernambucano Norberto Odebrecht. Fortuna: US$ 3,9 bilhões

11. Civita (Mídia)

Giancarlo Francesco Civita, Anamaria Roberta Civita e Victor Civita Neto, herdeiros da editora Abril. Fortuna: US$ 3,3 bilhões

12. Setubal (Banco)

Vinte e cinco parentes de uma das famílias fundadoras do banco Itaú. Fortuna: US$ 3,3 bilhões

13. Igel (Petróleo e petroquímicos)

Daisy Igel e mais seis herdeiros do grupo Ultra, dono de marcas como Ipiranga e Ultragás. Fortuna: US$ 3,2 bilhões.

14. Marcondes Penido (Rodovias privatizadas)

Ana Maria Marcondes Penido Sant’Anna e a irmã, herdeiras da CCR, maior operadora brasileira de rodovias. Fortuna: US$ 2,8 bilhões.

15. Feffer (Celulose e papel)

Cinco irmãos herdeiros da Suzano. Fortuna: US$ 2,3 bilhões

‘O Capital do Século XXI’ mostra passo a passo da concentração de renda no mundo

CORREIO DO BRASIL

Piketty, em sua obra, rastreia o dinheiro e constata que a grande concentração situa-se em um pequeno número de famílias super poderosas

A grande ideia de Capital in the Twenty-Frist Century é não só a de que retornamos ao Século XIX em termos de desigualdade de renda, como a de que estamos no caminho de volta ao ‘capitalismo patrimonial’, no qual os grandes píncaros da economia são ocupados não por indivíduos talentosos, mas por dinastias familiares”, disse o economista Paul Krugmann, em artigo publicado na edição deste sábado do diário norte-americano The New York Times.

Em quase 700 páginas, o Capital no Século XXI pode não atrair a curiosidade de muita gente, mas o economista francês Thomas Piketty alcançou, nesta semana o primeiro lugar na lista dos livros mais vendidos da livraria Amazon, superando títulos como Frozen e Game of Thrones. Logo após o lançamento da edição em inglês, no mês passado, o livro já aparecia entre os entre os 100 mais vendidos da loja eletrônica. Também foi elogiado por críticos e economistas, Piketty, de 42 anos, é professor na Escola de Economia de Paris e seu livro trata da história e do futuro da desigualdade, a concentração de riqueza e as perspectivas de crescimento econômico no mundo de hoje.

A tese central do livro – cujo título é uma alusão a O Capital, de Karl Marx – é que a desigualdade não é um acidente, mas uma característica do capitalismo e os excessos somente poderão ser alterados por meio da intervenção estatal. O trabalho argumenta que, a não ser que o capitalismo seja reformado, a ordem democrática mundial será ameaçada. O autor considera que o mundo está voltando a um “capitalismo patrimonial”, no qual boa parte da economia é dominada por uma riqueza herdada, que está crescendo, criando uma oligarquia.

Como solução para uma desigualdade extrema, Piketty propõe uma taxação anual em todo globo sobre riqueza de até 2%, combinada com um imposto de renda progressivo que chega a 80%. Segundo o economista, o crescimento econômico moderno e a difusão do conhecimento permitiu evitar desigualdades em escala apocalíptica como previsto por Marx. O francês alerta, no entanto, que as estruturas profundas do capital não foram modificadas e a desigualdade não foi tão combatida como se imaginava nas otimistas décadas pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

O principal fator de desigualdade – a tendência de os lucros sobre o capital excederem a taxa de crescimento econômico – hoje ameaça gerar um abismo tão extremo que será capaz de gerar descontentamento e minar os valores democráticos. Para o economista, a ação política restringiu desigualdades perigosas no passado e pode fazê-lo novamente.
Nova agenda

“Respostas satisfatórias têm sido difíceis de serem encontradas por falta de informação adequada e de teorias claras”, afirma a apresentação do livro. Dados, reunidos ao longo de 15 anos, levam o autor à análises fiscais desde o século XVIII, sobre 20 países, entre eles Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido e Japão, como forma de desvendar os principais padrões econômicos e sociais. “Suas descobertas vão transformar o debate e estabelecer a agenda para a próxima geração de pensamento sobre riqueza e desigualdade”, afirma a apresentação.

Em suas 685 páginas, a obra tem merecido elogias dos mais diversos setores acadêmicos. “A principal razão é porque ele prova agora, de forma irrefutável e clara, o que todos nós, de alguma forma, já suspeitávamos: os ricos estão ficando mais ricos em comparação com os demais e sua riqueza não está indo para baixo, na verdade está indo para cima”, escreveu Rana Foroohar, da revista de extrema direita Time.

Ao mesmo tempo, o economista vencedor Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, escreveu noNew York Times que o trabalho de Picketty é o mais importante do ano em economia e talvez também seja o melhor da década. “Piketty, sem dúvida o maior especialista do mundo em renda e desigualdade de renda, faz mais do que documentar a crescente concentração nas mãos de uma pequena elite econômica. Ele também apresenta um argumento poderoso de que estamos no caminho de volta ao ‘capitalismo patrimonial’, no qual os altos comandos da economia não são dominados apenas pela riqueza, mas também pela riqueza herdada, na qual nascimento importa mais do que esforço e talento”, escreveu o professor norte-americano.