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Folha cobra mais respostas de Aécio sobre pistas

Em editorial desta sexta-feira, o jornal “Folha de S. Paulo” cobra mais esclarecimentos do presidenciável tucano Aécio Neves, apesar de recentes declarações sobre a construção e uso do aeroporto em Cláudio, MG. Segundo a publicação, o episódio, de todo modo, mostra como o tucano, hoje candidato, reage a perguntas –ainda que simples e “irrelevantes”. Leia: 

As pistas de Aécio

Após dez dias evitando uma pergunta simples e que ele mesmo classificou como irrelevante, o senador mineiro Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, enfim deu sua resposta: sim, usou, “umas poucas vezes”, a pista de pouso da cidade de Cláudio (MG).

A admissão veio em conversa com jornalistas na quarta-feira (30) e em artigo publicado ontem nesta Folha, na seção Tendências/Debates: “Todo homem público”, escreveu o tucano, “[tem] a obrigação de responder a todo e qualquer questionamento (…) e o direito de se esforçar para que seus esclarecimentos possam ser conhecidos”.

Com uma dose descomunal de boa vontade seria possível ver, no prolongado período em que não cumpriu sua “obrigação”, um esmero igualmente descomunal no exercício de seu “direito”. Para os menos dispostos a tamanha candura, ficam as esquivas e uma outra declaração de Aécio: “Vou responder sempre que achar adequado”.

Embora o candidato tenha procurado transformar o tema num pormenor, entende-se por que tentou ocultar a aterrissagem em Cláudio. Será mais difícil negar o óbvio: a pista de pouso, no mínimo, é conveniente para ele e seus parentes.

Como esta Folha revelou, Aécio construiu o aeroporto quando era governador de Minas. O terreno, desapropriado pelo Estado, pertencia a um tio-avô do tucano, e o uso da pista dependia de autorização de seus familiares –característica própria dos aeródromos privados, nos termos do Código Brasileiro de Aeronáutica.

Situado a 6 km da Fazenda da Mata, refúgio preferido do senador, custou, no entanto, R$ 13,9 milhões aos cofres públicos.

Diante disso, Aécio reitera que “a obra foi não apenas legal, mas transparente, ética e extremamente importante para o desenvolvimento do município e da região”.

Com 25 mil habitantes, Cláudio é uma cidade afortunada que viu seu aeródromo ficar pronto em dois anos. Quando lançou o ProAero, em 2003, o governador previa inaugurar 14 aeroportos. Só dois saíram do papel. O outro está na Zona da Mata. Destinado a atender os mais de 500 mil moradores de Juiz de Fora, demorou quase dez anos para receber voos regulares.

Ademais, segundo o jornal “O Tempo”, de Minas, o ProAero pretendia reformar e ampliar 85 aeroportos, mas apenas 29 foram contemplados em mais de dez anos.

A questão, como se vê, não está “mais que esclarecida”, como supôs Aécio. O episódio, de todo modo, mostra como o tucano, hoje candidato, reage a perguntas –ainda que simples e “irrelevantes”.

 

Autor/Fonte: Brasil247 

Aécio será investigado por usar dinheiro público para interesses particulares

Reprodução

Deputados cobram ação do Ministério Público e CPI

Brasil de Fato|Joana Tavares, de Belo Horizonte (MG)

A denúncia de  que o governo de Minas construiu um aeroporto no município de Cláudio, por R$ 14 milhões, em terreno que era da família do senador Aécio Neves, publicada pela Folha de S. Paulo no último domingo (20), motivou reações. O primeiro elemento suspeito é o local: o terreno teria sido desapropriado em 2008, mas era de propriedade de um tio avô de Aécio, Múcio Tolentino. A 6 km do aeroporto, fica a fazenda da Mata, do espólio da avó Risoleta Neves. Além disso, a chave do aeroporto não fica com nenhum órgão público, mas com a família de Múcio. Para o jornal paulista, Fernando Tolentino, filho de Múcio, declarou que o senador frequenta a fazenda da família “seis a sete vezes por ano” e que sempre vai de avião.

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), órgão regulador responsável pela operação dos aeroportos, não concedeu homologação da pista que funciona, então, de forma irregular. A ANAC divulgou nota dizendo que vai solicitar documentos ao governo do estado e à prefeitura. Cada operação irregular no aeroporto pode ser multada em R$ 10 mil.

Deputados de oposição de Minas Gerais, reunidos no Bloco Minas sem Censura, levaram ao Ministério Público documentos que questionam a construção e operação do aeroporto, além da desapropriação da fazenda, que pode ter passado por três decretos: um ainda na década de 1980, outro em 2008 e um terceiro em 2013. Múcio questiona na Justiça o valor de R$ 1 milhão da desapropriação, mas deputados chamam a atenção de que pode ter havido mais de um processo para o mesmo terreno. Eles pedem que seja aberta uma ação de improbidade administrativa, por mau uso de dinheiro público.

O promotor Julio César Luciano, da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, recebeu os documentos e garantiu que vai investigar as denúncias. “Vou fazer contato com meus colegas do Ministério Público para ver se essa matéria já é objeto de procuração, me certificar dos documentos que me foram entregues e tentar auferir em que eles podem contribuir nessas apurações. Vamos começar a trabalhar para dar notícias sobre o caso”, afirmou, na terça-feira (22).

CPI

O deputado Pompílio Canavez (PT), líder do bloco, explica que há também uma tentativa de aprovar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para investigar o caso. “Esperamos que os deputados assinem, porque o povo mineiro ficou muito assustado e preocupado com esse estado de coisas. Como alguém que foi governador e é candidato a presidente utiliza dinheiro público dessa maneira?”, indaga.

Um dos  questionamentos dos deputados é a utilidade da obra, em uma cidade de pouca expressão comercial e econômica. “Cláudio é uma cidade de pequeno porte, o que tem lá é o setor agropecuário. Outras cidades do centro-oeste têm setor industrial e já têm aeroportos com essa finalidade, de aviões de carreira. A única justificativa que pode existir é essa: ali fica a fazenda do ex-governador. Me parece evidente que é uso do dinheiro público para questões privadas. Isso nos lembra muito a época do coronelismo”, denuncia o deputado estadual Rogério Correia (PT).

PSDB inverte denúncia

A Coligação “Muda Brasil”, que representa a candidatura de Aécio à presidência, emitiu nota no dia 21 dizendo que vai entrar com representação na Justiça Eleitoral contra Dilma Rousseff. A coligação entende que a candidata à reeleição pelo PT estaria usando da máquina pública, no caso a ANAC, para questões eleitorais, ao questionar a regularidade do aeroporto.

A ANAC explica, em nota, que é “ um órgão de Estado e uma agência reguladora que tem como objetivo principal garantir a segurança da aviação civil no país. A ação de fiscalização anunciada é decorrente de uma denúncia pública sobre operações aéreas em uma pista não autorizada pela Agência”.

“O Aécio quer inverter o processo, essa é a maneira que ele sempre fez em Minas Gerais. Ele tem mania de grandeza, acha que pode ignorar até as agências reguladoras. Quer também com isso desqualificar as denúncias como eleitoreiras, e não de improbidade administrativa, de favorecimento de particulares, como ele fez com a rádio Arco Íris e outros casos”, afirma o deputado federal Padre João (PT).

Entenda o caso

ProAereo

Em 2003, o primeiro do mandato de Aécio à frente do governo de Minas, foi lançado o “Programa Aeroportuário de Minas Gerais”, o ProAero, cuja principal meta era resumida assim: “Em 2011, 92% dos municípios mineiros estarão distantes até 100 quilômetros de um aeroporto”.Em 2006, quando começou a implementação do programa, o estado contava com 151 aeroportos, que passariam por “conservação e manutenção”e melhorias. Além dessas reformas, estava prevista a construção de novos aeroportos. O custo estimado do programa – de 2007 a 2011 – era de R$ 327.712.248 e a previsão era que o estado teria então 163 aeroportos.

Reforma do aeroporto de Divinópolis

Um dos aeroportos contemplados no programa foi o Brigadeiro Cabral, em Divinópolis, na região central do estado, que passou por reformas em 2009. Na festa de reabertura, em março de 2010, o então governador Aécio Neves e seu vice, Antonio Anastasia, reforçaram a importância do aeroporto para a região. “Um aeroporto como este atrai investimentos, ajuda e facilita a vida daqueles que já estão aqui instalados e portanto é uma demanda importante para uma cidade polo como é Divinópolis”, disse Aécio, no evento.Foi feita a reconstrução da pista de pouso, modernização da sinalização luminosa, prevenção contra incêndio e reforma na cerca. A pista seguiu com 1.540 metros de comprimento e 30 de largura,  mas, com a construção do acostamento, passou a ser permitido o pouso de aeronaves com capacidade de até 50 lugares. A obra custou R$ 12 milhões.Em 2014, nova reforma do aeroporto, desta vez via programa do governo federal, pode fazer com que o aeroporto receba também voos comerciais.

O caso de Cláudio

O aeroporto de Divinópolis, “a cidade polo da região”, contemplaria muitos municípios vizinhos. Lagoa da Prata, por exemplo, deixou de ter um aeroporto próprio devido à proximidade com a cidade, conforme justificou o subsecretário de regulação de transportes em 2012. No entanto, a menos de 60 quilômetros de Divinópolis, Claudio, uma cidadezinha de 27.321 habitantes, segundo o IBGE, foi contemplada com a construção de pista. No edital divulgado em dezembro de 2008 no Departamento de Obras Públicas do Estado de Minas Gerais,  o valor total da empreitada era de R$ 13, 5 milhões, vencido pela Vilasa Construções Ltda. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, a empresa doou R$ 67 mil para a campanha de Aécio em 2006, e R$ 20 mil para a campanha de Anastasia, em 2010. A coligação “Muda Brasil”, da candidatura de Aécio à presidência, confirma a doação, mas nega qualquer tipo de favorecimento.A mesma coligação responde em nota que o município de Cláudio foi escolhido na categoria de “aeroportos locais”, porque ele é um “próspero município da região centro-oeste de Minas Gerais”. (JT)

Governo de MG construiu aeroporto em terra de tio de Aécio

Obras foram executadas em 2010

O jornal afirma que, para pousar no aeroporto, é preciso pedir autorização a familiares de Aécio. (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters)

O governo de Minas Gerais construiu, em 2010, um aeroporto dentro de uma fazenda de um parente do senador e candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB), na cidade de Cláudio. A obra, que custou R$ 14 milhões, foi feita no fim do segundo mandato do tucano como governador do Estado. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a publicação, o aeroporto é administrado por familiares de Aécio. A família de Múcio Guimarães Tolentino, 88 anos, que é tio-avô do tucano e ex-prefeito de Cláudio, guarda as chaves do portão do local. 

O jornal afirma que, para pousar no aeroporto, é preciso pedir autorização aos filhos de Múcio. Segundo um deles, Fernando Tolentino, a pista recebe pelo menos um voo por semana, e seu primo Aécio Neves usa o aeroporto sempre que visita a cidade. Múcio é irmão da avó de Aécio, Risoleta Tolentino Neves, que foi casada por 47 anos com Tancredo Neves.

Segundo a publicação, a pista do aeroporto tem um quilômetro e pode receber aeronaves de pequeno e médio porte, com até 50 passageiros. Sem funcionários, o local é considerado irregular pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que afirmou que ainda não recebeu do governo estadual todos os documentos necessários para a homologação do aeroporto.
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Ao jornal, Aécio afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a construção do aeroporto seguiu critérios técnicos, e que o governo de Minas Gerais não levou em consideração o fato de o proprietário do terreno ter parentesco com ele.

Fonte: Terra

França: contribuintes não pagarão ações da Alstom

22/06/2014 

Paris, 22 – O plano do governo francês de adquirir uma participação de 20% na Alstom, como parte de um negócio mais amplo no qual o grupo de engenharia irá fazer uma fusão de seu negócio de energia com o General Eletric Group, não custará um centavo para os contribuintes da França, disse o ministro da Economia da França, Arnaud Montebourg, em entrevista ao jornal francês Le Parisien.

No sábado, o Conselho de Administração da Alstom aceitou uma nova oferta da GE pela sua unidade de equipamentos de energia, encerrando uma disputa de dois meses, na qual Montebourg jogou duro para obter garantias de emprego e manter alguns centros decisórios na França.

Como parte da transação, o governo francês anunciou ontem que irá obter uma participação de 20% na Alstom, a fim de fortalecer seu controle sobre o grupo, envolvido em atividades nucleares, de seu maior acionista atual, a empresa de controle familiar Bouygues, e tem negociado o preço dos papéis desde então.

“É evidente que, se não houver nenhuma participação do Estado [no capital acionário da Alstom] pelo fato de o senhor Bouygues não querer vender suas ações, o acordo com a GE não irá acontecer”, assinalou Montebourg na entrevista.

O governo francês está tentando comprar as ações da Alstom por cerca de 28 euros cada, enquanto Bouygues quer vendê-las a 35 euros.

O governo tem condições de adquirir a participação graças às receitas provenientes de alienações de outras participações em empresas como Aéroports de Paris, Airbus Group e Safran, disse Montebourg. “Nós temos em torno de 2,7 bilhões de euros em nossos cofres”, afirmou.

 
Fonte: Dow Jones Newswires.

 

Caso Alstom: MP-SP pede multa no valor de R$ 1,1 bilhão

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na última quinta-feira ajuizou ação civil de improbidade administrativa contra o Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), Robson Marinho, um dos acusados de envolvimento no esquema de corrupção no caso Alstom. Na decisão, publicada nessa sexta, o MP-SP acusa Marinho e outras seis pessoas e três empresas por participação no esquema criminoso que fraudou contratos de energia em São Paulo.

A ação do MP-SP pede a devolução do valor do contrato firmado no esquema, no valor de R$ 281 milhões, e pede aplicação de multa de três vezes o valor, o que equivale a mais de R$ 1,129 bilhão. Os juízes também requerem a dissolução das empresas envolvidas (Alstom Brasil Energia e Transporte Ltda, Cegelec Ltda e a Acqualux Engenharia e Empreendimentos), aplicação são sanções por improbidade administrativa e bloqueio dos bens de todos os citados na ação, até o valor total da causa.

O esquema criminoso envolvia o pagamento de propina por parte das empresas aos acusados para obter contratas sem licitação com estatais paulistas na área de energia elétrica. A investigação teve início em 2008 e já havia propiciado a propositura de três medidas cautelares. As provas foram obtidas com a ajuda de Procuradores do Ministério Público da Suíça e de juízes de instrução do Polo Financeiro do Tribunal de Grande Instância de Paris.

Fonte: Terra

Siemens e Mitsubishi apresentam a Hollande proposta pela Alstom

Disputa pela Alstom já dura mais de um mês.

Disputa pela Alstom já dura mais de um mês|Reuters/Vincent Kessler
RFI

Decidida a não perder a batalha pela companhia Alstom, a dupla Siemens-Mitsubishi apresentou nesta terça-feira (17) ao presidente francês, François Hollande, uma proposta de compra, na tentativa de afastar a concorrente americana General Electric. Os diretores-presidentes da Siemens, Joe Kaeser, e da MHI, Shunichi Miyanaga, encontraram-se hoje com Hollande no palácio do Eliseu.

“Achamos que o projeto apresentado à Alstom é superior aos outros”, resumiu Kaeser. “Nós construímos uma grande aliança industrial com a Mitsubishi, que vai oferecer à Alstom um novo futuro, em vez de consagrar o seu desmantelamento”, afirmou o presidente do conselho de supervisão do grupo alemão, Gerhard Cromme, na saída do encontro. Já o japonês Miyanaga comentou apenas que a dupla apresentou “uma oferta particularmente interessante”.

Antes de se reunir com o presidente francês, os dois dirigentes se encontraram com os sindicatos da Alstom. Ainda hoje, eles apresentam a proposta de compra para a Comissão de Assuntos Econômicos da Assembleia Nacional.

Oferta bilionária

Ontem, a Siemens e a Mitsubishi Heavy Industries apresentaram uma proposta conjunta de € 14,2 bilhões, que incluiu € 7 bilhões em dinheiro, desafiando a oferta General Electric. Sob o acordo, a Siemens fez a oferta para comprar o negócio de turbinas a gás da Alstom por € 3,9 bilhões em dinheiro e a Mitsubishi para comprar participações em ativos de energia da Alstom, incluindo equipamentos de energia hidrelétrica e de rede, a serem realizadas em joint ventures separadas.

A Mitsubishi injetaria € 3,1 bilhões de euros em dinheiro na Alstom e assumiria uma participação de até 10% na empresa francesa da acionista Bouygues. A corrida para adquirir os negócios de energia da companhia francesa fabricante de trens e turbinas entrou em uma semana crucial, antes do prazo de 23 de junho estabelecido pela GE para uma decisão sobre a sua proposta, de € 12,4 bilhões por todo o setor de energia da Alstom.

O governo francês criticou a proposta da GE e se outorgou poderes para vetar um acordo com o argumento de que não quer que a Alstom, uma empresa inovadora, venda a maior parte de seus negócios para uma empresa estrangeira, sem uma consulta ao Estado. O governo também tentou negociar melhores ofertas e alianças para preservar a Alstom como competidora nos setores de transportes e energia, vendo ambas indústrias nacionais como vitais no momento em que o desemprego está estagnado acima de 10%.

A Alstom, mais conhecida no exterior por fazer trens de alta velocidade, emprega 18 mil pessoas na França, ou cerca de um quinto de sua força de trabalho. A empresa foi resgatada pelo Estado há uma década e, desde então, dependeu principalmente de encomendas públicas para equipamentos de energia e transporte ferroviário.

Marinho, do TCE, vê incoerência em acusação

Com informações do jornal A Tribuna

Sob fogo cerrado do Ministério Público Estadual, que judicialmente requereu seu afastamento do cargo, o conselheiro Robson Marinho, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), alega que não poderia receber propina da Alstom por decisão que tomou três anos depois do suposto depósito em sua conta bancária.
 
O caso Alstom, que envolve Marinho, se refere a suposto esquema de propinas na área de energia do governo paulista no final dos anos 1990. Esta semana, Marinho pediu licença do cargo. Em sua defesa à Comissão do TCE que o investiga no âmbito disciplinar, apontou uma “incoerência cronológica” nos fatos a ele atribuídos. O conselheiro argumentou que não poderia ter escolhido ser o relator do caso porque a distribuição é eletrônica, aleatória.
 
Marinho votou pela regularidade do aditivo X – extensão de garantia dos equipamentos da multinacional francesa no âmbito do projeto Gisel, da Eletropaulo, antiga estatal de energia. O conselheiro alega que deu voto pela legalidade do contrato em 2001. Juntou certidão do próprio TCE sobre o julgamento.
 
Ex-chefe da Casa Civil de Mário Covas (PSDB), que o nomeou conselheiro em 1997, ele assinala que o Ministério Público lhe atribui recebimento de valores a partir de 1998 – ano em que abriu conta secreta em Genebra, em nome da offshore Higgins Finance Ltd. “Como é possível eu ter ganho (propina da Alstom) por um ato que pratiquei três anos depois?” 
 
A Comissão do TCE é formada por três conselheiros, Dimas Ramalho (presidente), Renato Martins Costa e Sidney Beraldo. Ao colegiado Marinho apresentou sua versão por escrito na semana passada. Seu relato segue a linha do pronunciamento que fez em maio no Plenário da corte de contas.
 
Marinho ponderou que “não é possível” que a suposta propina a ele paga envolva “valores tão expressivos”. A Promotoria sustenta que a Alstom depositou, por empresas de fachada, US$ 2 7 milhões na conta Higgings, entre 1998 e 2005. Ele observou que não julgou o contrato principal, mas o termo de extensão da garantia dos equipamentos, em valor de R$ 4,8 milhões, portanto, muito inferior à suposta propina recebida.
 
Destacou que os julgamentos no TCE são realizados por um colegiado, não individualmente, e seguem pareceres dos órgãos técnicos. Os contratos, destaca, passam pelo crivo do procedimento de instrução e também se manifesta a Procuradoria da Fazenda. Na Câmara do TCE três conselheiros votam. No caso Alstom, lembrou, votaram com ele os conselheiros Cláudio Alvarenga e Eduardo Bittencourt, ambos já aposentados.

SP: Robson Marinho tira licença do Tribunal de Contas

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), Robson Marinho, entrou nesta quarta-feira de licença-prêmio e retorna ao trabalho na próxima segunda-feira, dia 16. A decisão de conceder o benefício a Marinho foi publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial do Estado de São Paulo.

Marinho é acusado pelo Ministério Público de receber propina para atuar em favor da empresa francesa Alstom. A ação sobre o desembargador foi proposta com base em investigação iniciada em 2008 e reforçada por documentos procedentes da Suíça. Segundo o promotor Sílvio Marques, a Justiça suíça confirmou que Marinho movimentou cerca de US$ 2,7 milhões em contas abertas em paraísos fiscais.

Na última segunda-feira, o ministro Arnaldo Esteves Lima, do Superior Tribunal de Justiça, negou pedido do conselheiro Marinho para suspender os processos a que ele responde na Justiça de São Paulo. Em decisão liminar, o ministro entendeu que, em processos sobre improbidade administrativa, cabe ao juiz de primeira instância julgar o acusado, mesmo envolvendo investigados com foro privilegiado.

Fonte: Terra

Twitter do PSDB é invadido e hacker critica obra do metrô

O perfil oficial do PSDB no Twitter foi invadido por hacker no início da tarde desta segunda-feira. Logo em seguida foram postadas mensagens relacionadas aos supostos desvios envolvendo o metrô de São Paulo e o caso Alstom. Os tweets foram apagados após ser detectada a invasão. 

As fotos do perfil do usuário e da abertura da página também foram trocadas. A do perfil mostra um tucano, símbolo do partido, segurando várias notas de dinheiro. Já a outra imagem é uma caricatura de José Serra e Geraldo Alckmin dentro de um metrô cheio de sacos de dinheiro rompendo um cofre. Onde antes havia o nome do partido também foi alterado para “Partido Corrupto”. 

Às 13h, o grupo de hackers AnonymousBR assumiu a autoria. Em sua conta no Twitter postou o seguinte comentário: “E você já conferiu o twitter do PSDB.

Fonte: Terra 

“Esquema político” liberou licitação do Metrô no Tribunal de Contas do Estado

CORREIO DO BRASIL

O Metrô paulista pressionou o TCE de São Paulo para que liberasse uma licitação de interesse da Alstom, aponta e-mail encontrado na multinacional por autoridades federais

Segundo a reportagem, o tribunal paulista resolveu o caso todo em 15 dias, com rapidez incomum. Em geral, processos como esse demoram de 30 a 60 dias. Posteriormente, a Alstom venceu a licitação com uma proposta acima do valor do orçamento elaborado pelo Metrô, o que não é usual em concorrências com livre disputa entre empresas.

O e-mail trata da licitação de 2005 da linha 2-verde do Metrô para implantação dos sistemas de trens do trecho entre as estações Ana Rosa e Alto do Ipiranga. A Alusa, concorrente da Alstom, pediu ao TCE para barrar a concorrência no dia 16 de fevereiro de 2005. Segundo a empresa, o Metrô colocou em um só pacote da licitação quatro sistemas de equipamentos que podiam ser vendidos separadamente. Esse tipo de concentração, de acordo com a Alusa, violava a Lei de Licitações.

Em 19 de fevereiro de 2005, o então conselheiro do TCE Eduardo Bittencourt acolheu o argumento e suspendeu provisoriamente a licitação. Bittencourt chegou a ser afastado do TCE pela Justiça, sob suspeita de enriquecimento ilícito, em ação judicial sem ligação com o Metrô, mas depois reassumiu o cargo.

Três dias depois, o diretor da Alstom Wagner Ribeiro enviou e-mail à colega Stephanie Brun para informar sobre a situação da concorrência. Disse que a apresentação das propostas da licitação estava bloqueada no TCE em razão da impugnação da Alusa, e que o “cliente” (o Metrô) havia colocado em ação um “esquema político” para liberar a entrega das ofertas.

No dia seguinte, o plenário do TCE confirmou decisão favorável à Alusa. Porém, em 2 de março o plenário cassou a liminar concedida por ele mesmo e liberou a licitação, como queria a Alstom. O TCE aceitou o argumento técnico do Metrô de que a divisão no fornecimento dos equipamentos poderia comprometer a segurança e a confiabilidade dos sistemas.

A decisão foi unânime. Um dos votos foi o de Robson Marinho, investigado sob suspeita de beneficiar a Alstom em contrato de 1998. Dois meses depois do julgamento, a empresa francesa venceu a licitação em consórcio com a alemã Siemens. O Metrô e o TCE-SP negam que tenha havido pressão de natureza política no julgamento. A Alstom afirma que “não concluiu a avaliação do processo” e não se manifestou.

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio