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Como a Crimeia quase se tornou a “Hollywood soviética”

Como a Crimeia quase se tornou a “Hollywood soviética”
“A Prisioneira do Cáucaso” Foto: kinopoisk.ru

Os cineastas russos, tendo se assegurado do apoio do governo, pretendem desenvolver a indústria cinematográfica na Crimeia. O estúdio de cinema Mosfilm planeja transferir para lá uma parte das filmagens e o estúdio Lenfilm pretende abrir ali uma filial. O estúdio Ialta, que se conservou desde a época soviética e que atualmente não está vivendo o seu melhor momento, será convertido em um centro de treinamento para cineastas iniciantes.

A Crimeia sempre foi um local importante para o cinema russo, primeiro devido às paisagens. Se a ação se passa entre ciprestes e palmeiras e ao fundo, desfocado, está o mar azul, é quase certeza que as filmagens transcorreram na Crimeia. As casas de veraneio e as vielas antigas da Crimeia serviram muitas vezes como pano de fundo para filmes históricos.

Experiências pré-revolucionárias

O cinema apareceu na Crimeia ainda antes da revolução de 1917. Os primeiros cineastas russos foram para a Crimeia em busca da luz.

“Na década de 1910, era tecnicamente difícil e caro utilizar luz artificial e a luz natural era insuficiente em latitudes setentrionais. Por isso, as equipes de filmagem vinham para o sul, onde há mais dias ensolarados no ano”, conta o crítico de cinema Serguêi Filippov.

O diretor e produtor Aleksandr Khanjonkov foi um dos primeiros a descobrir as vantagens do clima ensolarado da Crimeia. Em 1909, ele produziu o primeiro filme de longa-metragem russo: “A Defesa de Sebastopol”. Em 1917, Khanjonkov retornou à Crimeia, juntamente com a equipe de filmagem, e abriu um estúdio em Ialta. Pouco tempo depois, os cineastas acabaram ficando bloqueados por causa da Guerra Civil. O governo deixou de subsidiá-los, os atores fugiram para o exterior, nem mesmo havia películas cinematográficas. Apesar da situação calamitosa, em 3 anos,  Khanjonkov conseguiu produzir cerca de 30 filmes na Crimeia.

“A Escrava do Amor” Foto: kinopoisk

O filme “A Escrava do Amor” (1975), de Nikita Mikhalkov, conta sobre o trabalho de Khanjonkov em Ialta. No enredo, o produtor reúne a equipe que está se desagregando, luta para conseguir um filme, mas continua a filmar. As filmagens da “Escrava do Amor” foram realizadas nos mesmos lugares onde Khanjonkov havia trabalhado.   

A “Hollywood soviética”

No final da década de 1920, as autoridades soviéticas tiveram a ideia de criar toda uma cidade cinematográfica tendo como base o estúdio de Khanjonkov e produzir lá a maior parte dos filmes soviéticos. A Crimeia era uma análoga geográfica de Hollywood na URSS: sempre ensolarada, o que era importante para as filmagens, com montanhas, onde poderiam brilhar  as letras que formariam a palavra Crimeia, do mesmo modo que Hollywood brilhava em Los Angeles.

O projeto fez muito barulho, mas acabou permanecendo no papel. “A ideia não tinha sentido, pois desde os anos 1930 todos os estúdios do mundo já haviam passado a utilizar a iluminação artificial há muito tempo, portanto, já não havia qualquer benefício especial um clima ensolarado”, explicou Serguêi Fillipov.

Apesar do fracasso do projeto da “Hollywood soviética”, filmagens continuaram sendo realizadas na Crimeia no modesto estúdio Ialta. A luz já não era importante, mas a elaboração do cenário continuava sendo necessária. A “cortina de ferro” não permitia que os cineastas filmassem no exterior, por isso, qualquer história onde a ação se desdobrava em um clima característico das regiões meridionais era filmada na Crimeia. Dessa forma, entre as décadas de 1950 e 1970, uma espécie de simulacro de Hollywood surgiu espontaneamente na Crimeia.

Os cineastas soviéticos utilizaram amplamente as paisagens da Crimeia em filmes históricos e de ficção científica. Assim, o palácio Levadiiskii e o jardim que o circunda imitam a Espanha do século 17 no filme “O Cão na Manjedoura”. As fontes sombreadas e os salões ricamente decorados tornaram-se o cenário perfeito para as paixões dos heróis de Lope de Vega.

“O Homem Anfíbio” Foto: kinopoisk.ru

O blockbuster de ficção científica “O Homem Anfíbio” glorificou a Crimeia como um lugar com natureza tropical. No enredo, um cientista argentino transplanta brânquias para o filho –depois disso, ele se torna um “monstro do mar” e conquista o coração de uma beldade. No filme, as costas rochosas e as baías da Crimeia não se distinguem dos arredores de Buenos Aires. A única coisa que não foi encontrada na Crimeia foi o mundo subaquático do Oceano Pacífico. O fundo de uma das baías teve que ser complementado com um cenário de algas bizarras e corais. Ele aparenta ser uma imitação, mas a habilidade dos decoradores que trabalharam no fundo do mar impressiona.

O primeiro filme de ação russa, “Os Piratas do Século 20”, utilizou toda a variedade das paisagens e da arquitetura da Crimeia. Porto asiático, ilha tropical, acampamento de uma tribo de nativos, não seria possível reconhecer a Crimeia no telão, não fossem os contornos familiares das montanhas e das praias.

 O resort russo em foco

A agitada vida de resort na Crimeia é um enredo popular do cinema russo. Baseado no conto homônimo de Tchekhov, o filme “A Dama do Cachorrinho” (1960) devolveu à Ialta a aparência do final do século 19. Na cena, renasce o passeio público sobre o qual passeava o próprio Tchekhov observando os outros turistas.

“Chapiteau Show” Foto: kinopoisk

Uma das melhores comédias soviéticas, “A Prisioneira do Cáucaso”, também foi filmada na Crimeia. No enredo, um jovem pesquisador resgata uma bela “komsomolka” (integrante da União da Juventude Comunista da URSS) que havia sido sequestrada. No contexto, todo o arsenal da comédia repleta de aventura: as noites passadas nos penhascos pitorescos, as perseguições entre os rochedos e até uma queda em um rio de montanha. A paisagem da Crimeia substituiu perfeitamente as montanhas 

Poroshenko recusa compromisso com Rússia sobre Crimeia

por LusaHoje

 
Poroshenko recusa compromisso com Rússia sobre Crimeia
Fotografia © Reuters

O novo Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, disse hoje durante a sua tomada de posse que vai recusar qualquer “compromisso” com a Rússia sobre a orientação europeia do seu país e a anexação da península da Crimeia por Moscovo.

“A Crimeia foi e continuará a ser ucraniana. Disse-o claramente ao Presidente russo na Normandia”, afirmou Petro Poroshenko, gerando aplausos no parlamento, onde estão presentes chefes de Estado estrangeiros, nomeadamente o vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden.

O novo presidente da Ucrânia prometeu manter a unidade do seu país, enquanto decorrem os combates entre o exército de Kiev e os combatentes pró-russos nas regiões rebeldes do sudeste do país.

Falando no parlamento, Poroshenko prometeu aos habitantes da região de Donbass, na maioria controlada pelos rebeldes, que vai descentralizar o poder das regiões e garantir a livre utilização da língua russa.

A Ucrânia assiste hoje à posse do novo Presidente Petro Poroshenko, um milionário de 48 anos de idade, que venceu a eleição presidencial a 25 de maio com 54,7% dos votos, e é conhecido como “Rei do Chocolate” devido à sua empresa de doces Roshen, e que tinha na Rússia um dos seus principais clientes até ao bloqueio das importações por Moscovo.

Na sexta-feira, e num breve encontro com o Presidente russo Vladimir Putin à margem das celebrações do 70.º aniversário da invasão da Normandia (norte da França), Poroshenko abordou pela primeira vez a possibilidade de um cessar-fogo com as forças pró-russas.

Direitos Humanos na Ucrânia se deterioram de forma alarmante, diz ONU

Vladimir Poutine em visita à Crimeia no último dia 9 de maio.

Vladimir Poutine em visita à Crimeia no último dia 9 de maio.

REUTERS/Maxim Shemetov

A situação dos Direitos Humanos no leste da Ucrânia se deteriorou de forma alarmante, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (16) pela ONU em Kiev. O documento relata inúmeros casos de assassinatos, torturas, sequestros e atos de intimidação, além de assédio sexual, cometidos principalmente por grupos antigoverno bem organizados e bem armados.

A Onu denuncia também assédio e perseguições visando a comunidade dos tártaros da Crimeia, minoria muçulmana da península recém-anexada pela Rússia. Moscou disse que o relatório da ONU tem uma gritante “falta de objetividade”. Os tártaros lembram neste domingo os 70 anos da deportação de seu povo promovida por Stalin, uma tragédia histórica que voltou ao debate público desde a anexação da Crimeia à Rússia em março.

Uma das principais etnias da Crimeia na época da Segunda Guerra Mundial, esse povo turcófono foi deportado em 1944 pelo regime soviético, que pretendia “limpar a península de elementos hostis”. “A versão oficial soviética acusava os tártaros de ter colaborado com os alemães. Eles eram apresentados como ‘pouco confiáveis'”, explica o historiador Elvedine Tchoubarov.

Vladimir Putin, por sua vez, afirmou nesta sexta que a questão dos tártaros da Crimeia está sendo instrumentalizada pela Ucrânia e prometeu uma ajuda financeira para esta minoria.

Ameaças americanas

Um representante do governo americano disse nesta quinta-feira (15) que os Estados Unidos não hesitarão em fazer “sangrar” a economia russa com novas sanções caso a Rússia tente impedir as eleições presidenciais ucranianas marcadas para o dia 25.

O americano, que não teve a identidade revelada, acompanhou o secretário de Estado John Kerry ontem em uma visita a Londres. Essa mesma fonte usou uma metáfora curiosa para descrever a relação do Ocidente com a Rússia. Ele diz que as sanções impostas até agora teriam sido “um bisturi e não um martelo”, mas que os Estados Unidos poderão causar um sangramento ainda maior na economia russa.

As ameaças ocidentais acontecem em um momento em que os enfrentamentos entre o exército ucraniano e os separatistas armados se multiplicam no leste do país. Os pró-russos tomaram ontem a prefeitura de um bairro da cidade de Antratsyt e o Banco Central Ucraniano foi obrigado a fechar seu escritório em Donetsk após diversas ameaças a servidores públicos. Também ontem, um navio de reconhecimento francês entrou no Mar Negro, reforçando a presença internacional na região.
 

Presidente da Ucrânia apela para moradores do leste rejeitarem referendo

Urnas sendo preparadas para votação em Donetsk, em 10 de maio.

Urnas sendo preparadas para votação em Donetsk, em 10 de maio.

AFP PHOTO / GENYA SAVILOV

O presidente da Ucrânia, Oleksander Tourchinov, pediu neste sábado (10) que os eleitores não votem “sim” no referendo marcado para este domingo em várias regiões do leste do país para evitar, segundo ele, o caos econômico e social. Autoridades de Kiev e países ocidentais consideram ilegais as votações previstas em Donetsk e Lugansk.

 

Os separatistas pró-russos realizam neste domingo um referendo pelo independência das repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk, que são russófonas. O presidente Tourchinov convocou os moradores para participarem de “mesas redondas” para discutirem uma maior autonomia dessas regiões.

A votação, cuja organização apresenta muitas falhas e problemas como a autenticidade das listas eleitorais e das cédulas de voto, pode levar o país à guerra civil, independentemente dos resultados.

Uma secessão com a Ucrânia “seria um passo em direção ao abismo” para essas regiões, declarou o presidente em seu site na internet. Ele evocou um “terror nojento” que tem o apoio de grande parte da população local. “É um problema complexo quando uma população enganada pela propaganda russa apoia os terroristas”, acrescentou.

Os separatistas respondem que eles estão se defendendo de um governo que consideram fascista e anti-russo. Depois da anexação da Crimeia à Rússia, uma secessão de Donetsk e Lugansk, regiões siderúrgicas e de carvão que representam 16% do PIB ucraniano, vai ser mais um duro golpe para o poder de Kiev.

Clima de tensão

Apesar do clima de tensão em diversas cidade do leste, não houve registros de confrontos. Em Marioupol, onde sete pessoas foram mortas na sexta-feira em combates violentos, rebeldes ergueram barricadas com pneus e latas de lixo para bloquear as ruas.

Uma fumaça pode ser vista no prédio da administração pública que foi incendiado. Aparentemente, não há presença das forças ucranianas. Em Slaviansk, reduto dos separatistas fortemente mobilizados, barricadas também foram erguidas nas ruas com ajuda de pneus, móveis e até lataria de carros.

Humanitários liberados

O Comitê Internacional daCruz Vermelha lançou neste sábado um apelo para que as partes envolvidas na crise ucraniana respeitem a neutralidade dos trabalhadores humanitários. Oito voluntários e um integrante suíço, do Comitê foram detidos por várias horas ontem à noite em Donetsk, reduto dos separatistas pró-russos.

Eles foram liberados poucas horas depois, mas um deles fico ferido no incidente e foi levado para o hospital. Um porta-voz dos separatistas informou que eles foram detidos diante da suspeita de que eram espiões.

A luta pela Crimeia durante a Segunda Guerra

9/05/2014 Aleksandr Korolkov, especial para Gazeta Russa
Para os alemães, a tomada da Crimeia abriria o caminho para o Cáucaso e proporcionaria o controle sobre infraestruturas da Costa Norte do Mar Negro. A Crimeia viveu três anos terríveis, durante os quais perdeu quase metade de sua população.
A luta pela Crimeia durante a Segunda Guerra
Nacionalistas dos tártaros da Crimeia participavam de modo ativo nas unidades punitivas que lutavam contra a população local e guerrilheiros Foto: RIA Nóvosti

A Segunda Guerra começou para a Crimeia, como para toda a União Soviética, ao amanhecer do dia 22 de junho de 1941 e acabou há precisamente 70 anos, em maio de 1944.

Para a URSS, a península era uma base importante da Marinha, um aeródromo para ataques contra reservas petrolíferas de Hitler na Romênia e, após as derrotas do Exército Vermelho em 1941, uma fortaleza natural que obrigava tropas inimigas a desviar da direção principal da agressão.

Para os alemães, a tomada da Crimeia abriria o caminho para o Cáucaso e proporcionaria o controle sobre infraestruturas da Costa Norte do Mar Negro. Em 1943, a península devia deter e desviar as forças do Exército Vermelho, que já estava avançando para o Ocidente.

A Crimeia viveu três anos terríveis, durante os quais perdeu quase metade de sua população.

Defesa de Sebastopol

Quando a Segunda Guerra começou, a cidade de Sebastopol era um dos locais mais fortificados do mundo.

A zona defensiva da cidade continha dezenas de peças de artilharia, campos de minas e duas baterias de torres blindadas –BB-30 e BB-35, chamadas pelos alemães de “Máximo Gorki”, bem como uma bateria antiaérea, batizada pelos nazistas de “Forte ‘Stálin’”. As fortificações estavam ligadas entre si por uma rede subterrânea de passagens e arsenais nos túneis escavados nos rochedos.

As tentativas dos alemães de se apoderarem da cidade logo no outono de 1941 fracassaram. Quando foi concluída a libertação pelo exército soviético de uma parte da Península de Kerch (para o dia 2 de janeiro de 1942), os nazistas retiraram suas tropas dos arredores de Sebastopol. 

No entanto, as tropas soviéticas não conseguiram preservar suas posições na Península de Kerch, sofrendo grandes perdas durante a retirada. O inimigo cortou o acesso à passagem às unidades militares soviéticas (cerca de 10 mil elementos), que estavam protegendo a evacuação, o que as obrigou a se colocar na defensiva, junto com uma parte da população local, nas pedreiras de Adjimuskai.

As pedreiras foram a última linha de defesa da Crimeia. Os alemães tomaram-nas dentro de quase seis meses; no fim do cerco de 170 dias, só 48 pessoas sobreviveram do total aproximado de 13 mil.

Em julho de 1942, os alemães tomaram Sebastopol. Durante a defesa da cidade, de outubro de 1941 a julho de 1942, o Exército Vermelho sofreu 156 mil baixas.

Gerrilha

Ainda antes da invasão alemã, na Crimeia foi criada uma infraestrutura para a guerrilha. Esconderijos com armas e provisões foram construídos de antemão, a direção de futuros destacamentos estava sendo formada.

Durante a ocupação nazista, atuavam mais de 200 organizações e grupos clandestinos na Crimeia, abrangendo até 2.500 pessoas. Os guerrilheiros organizavam sabotagens na ferrovia e atacavam guarnições inimigas.

A população local simpatizava com os guerrilheiros, já que a “nova ordem” estabelecida pelos ocupantes subentendia extermínio sistemático dos habitantes.

Só no período entre o final de 1941 e o início de 1942 as tropas punitivas alemãs fuzilaram cerca de 12 mil pessoas nos arredores de Feodóssia e 7 mil na zona de Kerch.

Milhares de habitantes locais foram encarcerados nos campos de concentração, o maior dos quais se encontrava no terreno do sovkhoz (fazenda estatal) “Krassni”.

Foto: RIA Nóvosti

Nacionalistas dos tártaros da Crimeia participavam de modo ativo nas unidades punitivas que lutavam contra a população local e guerrilheiros.

Mais de 60 mil habitantes da Crimeia estavam combatendo no Exército Vermelho. A participação dos tártaros na guerrilha é avaliada em 17 mil elementos. Sultán Amet-Khan, ás da aviação, um dos mais conhecidos daquela guerra por ter derrubado 30 aviões inimigos, era oriundo dos tártaros da Crimeia.

Libertação

No outono de 1943, as tropas soviéticas se aproximaram da Crimeia e conseguiram tomar posições para ofensiva no norte e no leste da península.

Durante o inverno de 1944, decorreram combates contínuos; não obstante, não foi possível recuperar a península logo.

A defesa alemã na Crimeia –poderosa, escalonada em vários níveis– se baseava num agrupamento de 195 mil soldados e oficiais. As forças soviéticas dispunham de aproximadamente 470 mil elementos.

Em 8 de abril de 1944, as unidades soviéticas passaram à ofensiva no norte da península; passados 3 dias, no leste; em 18 de abril, toda a Crimeia (menos Sebastopol) foi libertada dos alemães.

Após um curto período preparatório, dia 7 de maio foi iniciado um ataque maciço contra uma região fortificada alemã nos subúrbios de Sebastopol. O golpe principal foi efetuado no mesmo local do ataque geral das tropas alemãs, que ocorreu dois anos antes, entre o monte Sapún e a elevação Górnaia.

Seguindo a intensiva preparação da parte da aviação e artilharia, grupos de assalto foram ao ataque. Ao fim da tarde, foi tomado o monte Sapún, no dia seguinte o inimigo foi expulso dos montes Mekenzievi.

Dia 9 de maio, um ano antes da vitória sobre Alemanha, às 8h, começou o assalto geral de Sebastopol.

O impulso dos atacantes foi tão forte que, com falta de embarcações, os soldados começaram atravessando a baía em tudo que podia flutuar.

Até os caixões, preparados por intendentes alemães, serviram de barcos. À noite de 9 de maio, toda a cidade de Sebastopol foi libertada.

Os restos das tropas hitlerianas recuaram até ao cabo de Khersonés e foram apertados contra o mar.

Os moradores contavam que em 100 metros da costa não se via água, pois tudo estava cheio de cadáveres inimigos e de cavalos, bem como de carros e meios técnicos de combate. Foi assim que acabou a presença alemã na Crimeia.

Rússia celebra o Dia da Vitória

Triunfo soviético sobre o nazismo foi lembrado em todo o país

09/05/2014 

A Rússia está celebrando nesta sexta-feira, 9, os 69 anos do triunfo das tropas soviéticas sobre o nazismo, pondo fim à II Guerra Mundial. Em todo o país, há comemorações. A de maior destaque acontece na Praça Vermelha, em Moscou, no tradicional Desfile da Vitória, parada militar acompanhada por milhares de pessoas, incluindo as principais autoridades russas, e transmitida pela TV, com a presença de mais de 150 veículos militares e 69 aviões e helicópteros da Força Aérea.

O Presidente Russo, Vladimir Putin, em discurso durante o Desfile Militar, exaltou o orgulho da nação pela data e homenageou os heróis que combateram contra os nazistas. “O Dia da Vitória na II Guerra Mundial foi, é e será a nossa festa mais importante. É o dia do pesar e da memória eterna, quando se sente de uma forma especialmente aguda como é importante saber defender os interesses da pátria.”

O desfile militar em Moscou foi o ponto alto das comemorações do Dia da Vitória

Nas outras regiões da Rússia, também houve comemorações. A mais nova república da Federação Russa, a Crimeia, aproximadamente 300 mil pessoas celebraram nas ruas a vitória sobre o nazismo, segundo informou o Ministro da Informação e Comunicações local, Dmitri Polonsky. Ele afirmou que a festa deste ano foi a mais concorrida em 23 anos. Somente na parada militar realizada na capital, Sinferopol, o público estimado foi de 100 mil presentes.

Obama terminará mandato com “tensão fria” com a Rússia

 
O Presidente norte-americano, Barack Obama, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Los Cabos, México, 18/06/12.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Los Cabos, México, 18/06/12.

UKRAINE-PUTIN/DIPLOMACY REUTERS/Jason Reed/Files
Alfredo Valladão

Durante um trezentos anos, até o final da Guerra Fria, a Europa foi o centro do mundo. A civilização europeia dominava o planeta. Mas os terríveis enfrentamentos internos no Velho Continente repercutiam de maneira brutal na vida da humanidade inteira. Até durante o grande confronto planetário entre o comunismo e o capitalismo liberal, a União Soviética e os Estados Unidos, a Europa destruída por duas guerras mundiais continuava sendo o campo de batalha central.

A queda do muro de Berlim marcou a derrota definitiva do urso soviético. Até ocupada pelos russos e dependente do guarda-chuva militar americano, a Europa mantinha a sua condição de eixo estratégico do mundo. Só que a implosão do inimigo soviético também acabou com a importância dos assuntos europeus. Claro, o Velho Continente ainda tinha alguma relevância, sobretudo do ponto de vista econômico e comercial (afinal de contas a economia europeia ainda é a segunda maior do mundo).

Mas, do ponto de vista estratégico, os atentados do 11 de setembro em Nova Iorque e Washington transferiram os grandes problemas de segurança para o Oriente Médio. O terrorismo islamita, as intervenções americanas no Afeganistão e no Iraque, o programa nuclear iraniano e a explosão da primavera árabe, tudo isso em volta das maiores reservas petrolíferas do mundo, fortaleceram a ideia de que a Europa como espaço central já era. Sem contar com a “emergência” da China e da Índia.

A Ásia-Pacífico é hoje uma região chave para o bem-estar econômico do planeta inteiro e qualquer tensão mais forte entre os Estados da região pode ter conseqüências catastróficas para o mundo inteiro. Na própria região, os países vizinhos do Sudeste Asiático e a Coreia do Sul estão preocupadíssimos com a volta da rivalidade e das provocações entre Pequim e Tóquio, e a atitude arrogante das Forças Armadas chinesas no Mar da China Meridional.

Novo cenário internacional

Foi nesse novo ambiente internacional que Barack Obama foi eleito presidente – o primeiro presidente americano sem laços históricos e afetivos com a Europa. Herdando um país cansado de guerra, Obama, nascido no Havaí e educado em parte na Indonésia, queria ser o primeiro presidente “asiático” dos Estados Unidos. A sua estratégia diplomática era tirar o corpo fora do Oriente Médio e se voltar para a Ásia. Para isto era necessário neutralizar as tensões no mundo árabe, repatriar as tropas, negociar com o Irã e, paralelamente, garantir a segurança dos vizinhos da China que bradam por uma maior presença militar americana na Ásia-Pacífico.

Obama não queria mais saber de guerras e até inventou o famoso conceito de “liderar na retaguarda”, deixando aos aliados a responsabilidade das intervenções mais musculosas. Para o presidente americano, os grandes problemas da guerra e da paz deviam ser tratados pela cooperação e o diálogo, às vezes com sanções econômicas, e se possível de maneira multilateral. As repetidas tentativas de criar boas relações com a Rússia foram um dos eixos importantes desta nova visão política.

Putin ganha espaço

Só que aí aconteceu a Ucrânia. Com a invasão da Geórgia em 2008, Vladimir Putin fez um teste do tutano de Obama. E não houve nada. O presidente russo decidiu continuar, dando asilo a Edward Snowden e armando e protegendo o carniceiro Bachar Al-Assad. Quando Obama recuou na hora de castigar o presidente sírio por ter usado armas químicas. Putin achou,então, que podia tentar qualquer negócio. A invasão da Crimeia e sua anexação pela Rússia representam o maior desafio de segurança à ordem mundial implantada depois da Segunda Guerra Mundial.

O problema é que este desafio foi feito na Europa. E quando se mexe em fronteiras no Velho Continente tudo – e até o pior – podem acontecer. Hoje, Obama é obrigado a colocar a Europa no topo de suas prioridades e a pensar de novo em termos de relações de força e de contensão da Rússia. A visão de um mundo cooperativo sem grandes ameaças militares está se acabando rapidamente. O fim do mandato de Obama e o começo de mandato do futuro inquilino da Casa Branca serão, no mínimo, de “tensão fria” permanente. Maus tempos para quem ainda acredita no multilateralismo e também para a Europa que volta a ser um espaço de guerra estratégico.

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio