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Após ataque a escola, Israel decreta trégua humanitária de quatro horas em Gaza

Bombardeios israelenses atingiram nesta quarta-feira uma escola administrada pela ONU na Faixa de Gaza.

Bombardeios israelenses atingiram nesta quarta-feira uma escola administrada pela ONU na Faixa de Gaza.

REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Israel adota uma “trégua humanitária” unilateral nesta quarta-feira (30) na Faixa de Gaza, entre 8h e 12h pelo horário de Brasília. Um comunicado militar esclarece que “a interrupção não se aplica a zonas onde soldados estão atualmente envolvidos em operações”.

 

O Exército também recomendou aos moradores de áreas afetadas por uma ordem de evacuação a não retornar a esses locais e advertiu que responderá a “qualquer tentativa de agressão a soldados ou civis israelenses”.

Pelo menos 76 palestinos foram mortos nesta quarta-feira em Gaza, onde o Exército de Israel intensificou sua ofensiva contra o movimento islâmico Hamas. O balanço de vítimas palestinas chegou a 1.290 mortos e 7.200 feridos, desde o início da guerra, em 8 de julho. O campo israelense contabiliza 53 soldados mortos e três civis.

Israel havia declarado no último sábado uma trégua humanitária de 12 horas, prolongada por quatro horas, mas as hostilidades foram retomadas antes do final do prazo.

Outra breve trégua não-declarada aconteceu na manhã de segunda-feira, para a festa muçulmana do Eid al-Fitr, ao final do Ramadã. Nesse caso, os combates também foram retomados rapidamente.

A agência da ONU de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNWRA) acusou formalmente o Exército de Israel de “grave violação do direito internacional”, após um bombardeio que matou 16 palestinos em uma das escolas da ONU na Faixa de Gaza. A ONU conclama a comunidade internacional “a agir rapidamente para colocar um fim imediato à carnificina em Gaza”.

Bombardeio mata oito crianças palestinas que brincavam num parquinho em Gaza

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza, espera por atendimento no hospital.

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza, espera por atendimento no hospital.

REUTERS/Finbarr O’Reilly/Files

Dez palestinos, incluindo oito crianças, morreram nesta segunda-feira (28) em um bombardeio ao campo de refugiados de Al Chati, na cidade de Gaza. As crianças teriam sido atingidas quando brincavam no parquinho do campo, na beira da praia. Quatro civis israelenses morreram, por sua vez, devido à explosão de um morteiro lançado de Gaza. O artefato caiu perto da fronteira, na região de Eshkol, no sul de Israel.

 

O bombardeio ao campo de refufiados de Al Chati deixou 40 feridos. Os corpos das crianças e de dois adultos foram levados para o hospital de Chifa, o maior do enclave palestino, que também foi alvo de uma explosão. Apenas um muro do estabelecimento foi danificado. O Exército de Israel acusa o Hamas pelos dois incidentes. Um comunicado militar afirma que eles foram provocados por “foguetes mal direcionados pelos terroristas de Gaza”.

Durante a madrugada e o período da manhã, os bombardeios diminuíram de ambos os lados, dando a impressão que havia uma trégua não-declarada entre os beligerantes. Porém, à tarde, os disparos recomeçaram.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a declaração do Conselho de Segurança da ONU exigindo um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza “não atende às exigências de segurança de Israel, principalmente no que diz respeito à desmilitarização” do território palestino.

Netanyahu conversou por telefone com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e lamentou que o texto do Conselho não faça alusão “aos ataques contra a população civil israelense nem ao uso dos palestinos como escudos humanos pelo Hamas”.

Ban Ki-Moon pede “humanidade” aos dirigentes

Ban Ki-Moon reiterou o apelo para que Israel e o Hamas ponham um fim ao conflito em Gaza, insistindo na necessidade de ambas as partes “honrarem” os pedidos de cessar-fogo da comunidade internacional. “Em nome da humanidade, a violência tem de parar”, disse o secretário-geral da ONU.

Ontem, reunidos emergencialmente em Nova York, os 15 países do Conselho de Segurança da ONU pediram que Israel e o Hamas aplicassem uma trégua humanitária durante e depois da festa muçulmana do Eid al-Fitr, que marca, nesta segunda-feira, o fim do jejum do Ramadã. O Conselho pediu assistência humanitária à população de Gaza, com o aumento das contribuições ao escritório da ONU para os refugiados palestinos.

Palestinos de Jerusalém pedem fim da ofensiva

Cerca de 45 mil palestinos se reuniram na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, para manifestar neste último dia do Ramadã um fervoroso apoio aos moradores de Gaza.

Muitos participantes usavam camisetas com frases de solidariedade aos vizinhos, como “estamos com vocês nesta festa do Eid al-Fitr” e “daremos nosso sangue por Gaza”. Outros vestiam camisetas de apoio ao braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, com dizeres do tipo “sequestrem mais soldados israelenses”.

A polícia israelense se manteve à distância dos manifestantes.

Faixa de Gaza tem trégua não-declarada para festa religiosa muçulmana

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza.

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza.

REUTERS/Finbarr O’Reilly/Files

O Conselho de Segurança da ONU adotou na madrugada desta segunda-feira (28) uma declaração unânime exigindo um “cessar-fogo humanitário imediato e incondicional” na Faixa de Gaza. Desde ontem, as hostilidades praticamente pararam, por conta da festa muçulmana do Eid al-Fitr, que marca o fim do jejum do Ramadã.

 

Os 15 países reunidos emergencialmente em Nova York pediram que Israel e o Hamas apliquem essa trégua “plenamente”, não só durante a data religiosa, mas depois também. E, que respeitem o direito internacional, principalmente no que diz respeito à proteção dos civis.

O Conselho pediu assistência humanitária à população de Gaza, com o aumento das contribuições ao escritório da ONU para os refugiados palestinos. Em alusão ao bombardeio de uma escola das Nações Unidas, o comunicado frisa que instalações civis e humanitárias devem ser respeitadas e protegidas. Único membro árabe do Conselho, a Jordânia pediu que a declaração seja adotada solenemente sem demora.

O embaixador palestino na ONU, Ryad Mansur, lamentou que o Conselho não tenha pedido o fim do embargo israelense a Gaza e que tenha optado por uma simples declaração no lugar de uma resolução. Do lado israelense, o embaixador Ron Prosor condenou o texto por não citar o Hamas nem seus foguetes. Ele voltou a acusar o movimento islâmico de usar a população como escudo humano.

Desde ontem à noite, os ataques praticamente cessaram, por ocasião da festa muçulmana. Um porta-voz do Hamas afirmou que “Israel será responsabilizado por qualquer escalada durante o Eid al-Fitr”. De acordo com o exército israelense, desde as 23 horas do domingo, o Hamas não atira nenhum foguete e Israel não realiza nenhum ataque aéreo.

Apesar disso, hoje de manhã, dois palestinos que haviam sido feridos na semana passada morreram na Faixa de Gaza. Com isso, o número de palestinos mortos desde o início da operação Limite Protetor, em 8 de julho, chega a 1.035. Os hospitais de Gaza receberam 6.200 feridos. Do lado israelense, o conflito deixou até agora 43 soldados mortos e três civis, atingidos pelos foguetes do Hamas.

Israel admite ter bombardeado escola em Gaza

Exército disse que apenas respondeu a um ataque, mas que um se tiro se perdeu a atingiu local

Região de Beit Hanoum sofreu um grande ataque israelense / Marco Longari / AFPRegião de Beit Hanoum sofreu um grande ataque israelenseMarco Longari / AFP

O Exército de Israel admitiu neste domingo ter disparado um morteiro contra uma escola da ONU na Faixa de Gaza, onde 15 refugiados morreram na quinta-feira, mas afirmou que não havia pessoas no local no momento do impacto.

Segundo o porta-voz do Exército Peter Lerner, que apresentou as conclusões de uma investigação interna, militantes palestinos dispararam tiros de morteiro e foguetes antitanque contra as tropas israelenses a partir dos arredores da escola da ONU em Beit Hanoun, no norte da Faixa de Gaza.

O Exército hebreu respondeu ao ataque palestino com disparos de morteiro, e “apenas um perdido atingiu o pátio da escola”, que naquele momento estava “completamente vazia”.

“Rejeitamos as afirmações de vários responsáveis, realizadas logo após o incidente, de que a morte de pessoas no perímetro da escola foi causada por uma atividade operacional do Exército israelense”.

Um fotógrafo da AFP esteve na escola em questão, onde observou poças de sangue. Os serviços de emergência palestinos informaram que 15 pessoas morreram e 200 ficaram feridas no local.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, confirmou na ocasião a morte de várias pessoas, incluindo “mulheres e crianças”.

Segundo Lerner, uma possibilidade é que a escola tenha sido utilizada como local de primeiros socorros para pessoas feridas durante os combates.

Israel rejeita plano de trégua em Gaza, diz mídia local

Secretário de Estado norte-americano John Kerry pedia uma trégua temporária, paran realização de conversações indiretas sobre o alívio do bloqueio a Faixa de Gaza

Meios de comunicação israelenses disseram que o gabinete de segurança do país rejeitou por unanimidade uma proposta dos Estados Unidos para uma pausa temporária nos combates entre Israel e Hamas. 

A proposta apresentada pelo secretário de Estado norte-americano John Kerry pedia uma trégua temporária, durante a qual Israel e o Hamas realizariam conversações indiretas sobre o alívio do bloqueio a Faixa de Gaza. O Hamas exige que as passagens de fronteira com o território costeiro sejam abertos. 

A televisão israelense informou que na noite desta sexta-feira o gabinete de segurança de Israel, que agrupa os principais Ministérios relacionados a questões de segurança, rejeitou a proposta principalmente porque ela significaria que Israel teria de interromper seus atuais esforços para destruir os túneis do Hamas, que ligam Gaza ao território israelense. 

O governo de Israel não havia se pronunciado oficialmente sobre o assunto. Fonte: Associated Press.

Fonte: Agência Estado

Brasil rebate críticas de Israel

São Paulo (AE) – O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, rebateu ontem as declarações do porta-voz da Chancelaria de Israel, que teria chamado o Brasil de “anão diplomático” ao criticar a decisão do País de chamar para consultas seu embaixador em Tel-Aviv por causa da ofensiva militar israelense contra a Faixa de Gaza. Em evento em São Paulo, o ministro também rebateu nota da Chancelaria israelense que afirmou que a decisão brasileira ignorava o direito de Israel de se defender.

Figueiredo contesta reação de Israel à posição brasileira

Figueiredo contesta reação de Israel à posição brasileira

“Somos um dos 11 países do mundo que têm relações diplomáticas com todos os membros da ONU e temos um histórico de cooperação pela paz e de ação pela paz internacional. Se há algum anão diplomático, o Brasil não é um deles”, disse o ministro, citado pela agência Reuters. “Não contestamos o direito de Israel de se defender, jamais contestamos isso. O que contestamos é a desproporcionalidade das coisas”, acrescentou.

De acordo com a agência de notícias palestina Ma’an News, 116 palestinos foram mortos por ataques israelenses em Gaza ontem, elevando a 797 o número de mortos desde o início da ofensiva militar; no mesmo período, 31 soldados israelenses foram mortos por foguetes disparados desde Gaza.

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores israelense havia reagido às críticas feitas pelo Brasil à postura de Israel no conflito com os palestinos na Faixa de Gaza. As autoridades israelenses chamaram o País de “anão diplomático”. “Essa é uma demonstração lamentável de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua sendo um anão diplomático”, disse o porta-voz Yigal Palmor nesta quinta-feira, 24, de acordo com o jornal The Jerusalem Post.

Na quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou uma nota afirmando que o País considera “inaceitável” o conflito e chamou para consultas o embaixador brasileiro em Tel-Aviv, Henrique Sardinha. “Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças”, dizia a nota da chancelaria brasileira.

Com mais de 600 pessoas mortas, Israel rechaça “trégua humanitária”

Correio do Brasil, com Vermelho – de Jerusalém

22/7/2014 

Paramédicos palestinos removem corpos de vítimas fatais do bombardeio israelense contra o bairro de Shuja'iya, na Cidade de Gaza

O exército israelense decidiu admitir as mortes de 28 soldados em confrontos com a resistência na Faixa de Gaza invadida, enquanto o número de vítimas fatais palestinas ultrapassa o de 600 pessoas. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, reuniram-se na segunda-feira, mas a proposta de um “cessar-fogo humanitário” que elaboraram foi rejeitada por Israel: a pausa na ofensiva “beneficiaria o Hamas”.

O número de mortes entre os palestinos, vítimas dos bombardeios e da ofensiva terrestre de Israel, ultrapassa o de 600 pessoas em 13 dias, enquanto confrontos em terra também resultaram em 28 mortes entre os soldados israelenses, segundo o confirmado pelo exército. Israel rechaçou a proposta de Ban Ki-moon para mais uma “trégua humanitária” que permitisse o envio de assistência emergencial ao território palestino sitiado há sete anos e bombardeado há duas semanas, ofensiva ainda apenas “condenada” pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Inúmeros dos “alvos” dos ataques israelenses são hospitais, escolas, centros de saúde e centenas de lares, o que agrava ainda mais a crise humanitária vivida pelos palestinos de Gaza. Cerca de 60 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e estão alojadas em escolas da Agência das Nações Unidas de Assistência e Trabalhos para os refugiados palestinos (UNRWA), que tampouco escapam da ofensiva.

Entretanto, em sua página oficial, o exército, ou “Forças de Defesa de Israel”, usam estratégias como a de caracterizar o bairro de Shuja’iya, na Cidade de Gaza, como a “fortaleza de terror do Hamas”, após a reação assombrada pelas mais de 60 de mortes entre civis palestinos – inclusive 17 crianças e vários membros de uma mesma família – nos bombardeios aéreos e terrestres lançados pelas forças israelenses no domingo, contra aquele bairro.

“Cessar-fogo humanitário” 

O secretário-geral da ONU insiste em “urgir as partes a cessarem hostilidades”, ignorando o apelo mundial por condenação à ofensiva insraelense contra os palestinos e pela responsabilização por crimes de guerra extensivamente denunciados. Ele deve chegar a Israel ainda nesta terça-feira, enquanto Kerry reúne-se com representantes da Liga Árabe na capital egípcia. De acordo com o jornal israelense Haaretz, Ban pretende conversar com o ministro de Defesa Moshe Ya’alon e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que ordenaram a ofensiva em 8 de julho e a invasão terrestre na quinta-feira.

Depois disso, o representante da ONU deve reunir-se com o presidente palestino Mahmoud Abbas, em Ramallah, sede administrativa do governo na Cisjordânia. Já nesta quarta-feira, ele volta a Israel para encontrar o chanceler Avigdor Lieberman, agressivo defensor da retomada do controle completo da Faixa de Gaza por Israel, as colônias e postos de controle foram retirados do interior do território em 2005, mas o bloqueio completo foi imposto pouco depois – e com a ministra da Justiça Tzipi Livni, que liderou a delegação israelense em mais um período infrutífero de negociações com os palestinos, entre julho de 2013 e abril deste ano, além do líder da oposição, Isaac Herzog.

Em sua reunião com John Kerry, no Cairo, Ban e o enviado especial para o Oriente Médio, Robert Serry, tentaram estabelecer um “cessar-fogo humanitário”, mas um oficial israelense citado pelo Haaretz disse que a proposta “foi examinada de acordo com a situação das tropas no terreno” e a conclusão foi a de que “o cessar-fogo de cinco horas”, como sugerido por Ban, “ajudaria o esforço de combate do Hamas”. Por isso, o major-general Yoav Mordechai, coordenador das “Atividades do Governo nos Territórios” rejeitou a proposta.

Segundo o Haaretz, Ban e Kerry fizeram menções ao quadro geral da ocupação israelense e sobre a insustentabilidade de um eventual “acordo de cessar-fogo” que não incluísse mudanças neste sentido. Embora as autoridades israelenses continuem alegando que o Hamas, partido à frente do governo de Gaza, não está interessado em um “cessar-fogo”, a avaliação tímida de Ban e Kerry é exatamente o ponto de partida para as reivindicações do Hamas por uma mudança na situação do território sitiado.

Israel já rejeitou as premissas estabelecidas pelos palestinos e seus oficiais disseram “não ver um cessar-fogo acontecendo pelos próximos vários dias”, ainda que o número de mortes civis entre os palestinos já seja contado às centenas, com cerca de 120 crianças entre elas, de acordo com a lista de nomes divulgada ainda na manhã de segunda-feira pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Veja aqui a lista publicada pelo Portal Vermelho.

Gaza: Unicef aponta 121 crianças mortas em ataques

De acordo com balanço, as crianças mortas no conflito têm idade entre cinco meses de vida e 17 anos

Unicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeios / Said Khatib/AFPUnicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeiosSaid Khatib/AFP

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançou um apelo nesta terça-feira pelo fim da violência na Faixa de Gaza, que teria provocado a morte de ao menos 121 crianças desde o dia 8 de julho, quando Israel colocou em prática uma ofensiva militar. 

De acordo com o balanço do fundo, que contabiliza as vítimas entre os dias 8 e 21 de julho, as 121 crianças mortas são: 84 meninos e 37 meninas com idades entre cinco meses de vida e 17 anos. A instituição afirma que uma a cada três crianças mortas nos ataques tem menos de 12 anos de idade. O Unicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeios e que 107 mil precisem de apoio psicológico especializado para superar o trauma que estão vivendo. 

O porta-voz da ONU em Genebra, Jens Laerke, disse que “não há, literalmente, nenhum lugar seguro para civis” na Faixa de Gaza neste momento. Ele definiu a situação como “devastadora”. 

Nesta terça-feira, a agência de notícias palestina al-Ray, ligada ao Hamas, informou que subiu para 605 o número de mortos nos confrontos e para 3,7 mil o de feridos. Um porta-voz militar israelense disse, por sua vez, que, desde o início da ofensiva militar, foram atingidos 1.388 alvos e mortos 183 “terroristas” do Hamas. 

Milhares de pessoas fugiram nesta terça-feira do norte da Faixa de Gaza devido a bombardeiros israelenses iniciados durante a noite. Enquanto isso, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, deve prolongar por um dia sua visita ao Cairo, no Egito, onde discute a crise no Oriente Médio. Também está previsto para esta terça-feira um encontro entre o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. 

 
 
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terça-feira, 22 de julho de 2014 – 10h37 Atualizado em terça-feira, 22 de julho de 2014 – 10h37

Gaza: Unicef aponta 121 crianças mortas em ataques

De acordo com balanço, as crianças mortas no conflito têm idade entre cinco meses de vida e 17 anos
Unicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeios / Said Khatib/AFPUnicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeiosSaid Khatib/AFP

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançou um apelo nesta terça-feira pelo fim da violência na Faixa de Gaza, que teria provocado a morte de ao menos 121 crianças desde o dia 8 de julho, quando Israel colocou em prática uma ofensiva militar. 

 

De acordo com o balanço do fundo, que contabiliza as vítimas entre os dias 8 e 21 de julho, as 121 crianças mortas são: 84 meninos e 37 meninas com idades entre cinco meses de vida e 17 anos. A instituição afirma que uma a cada três crianças mortas nos ataques tem menos de 12 anos de idade. O Unicef estima ainda que mais de 900 crianças teriam ficado feridas nos bombardeios e que 107 mil precisem de apoio psicológico especializado para superar o trauma que estão vivendo. 

 

O porta-voz da ONU em Genebra, Jens Laerke, disse que “não há, literalmente, nenhum lugar seguro para civis” na Faixa de Gaza neste momento. Ele definiu a situação como “devastadora”. 

 

Nesta terça-feira, a agência de notícias palestina al-Ray, ligada ao Hamas, informou que subiu para 605 o número de mortos nos confrontos e para 3,7 mil o de feridos. Um porta-voz militar israelense disse, por sua vez, que, desde o início da ofensiva militar, foram atingidos 1.388 alvos e mortos 183 “terroristas” do Hamas. 

 

Milhares de pessoas fugiram nesta terça-feira do norte da Faixa de Gaza devido a bombardeiros israelenses iniciados durante a noite. Enquanto isso, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, deve prolongar por um dia sua visita ao Cairo, no Egito, onde discute a crise no Oriente Médio. Também está previsto para esta terça-feira um encontro entre o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. 

Histórico

A operação militar na Faixa de Gaza foi colocada em prática após a morte de três jovens israelenses na Cisjordânia, seguida pelo assassinato de um adolescente palestino, incendiado vivo com gasolina. O governo israelense culpa o Hamas pela morte dos jovens, mas o grupo nega ter envolvimento. Os crimes ocorreram dias após o Hamas e o Fatah terem anunciado um acordo histórico de reconciliação para um novo governo de unidade nacional palestino.

Israel descumpre cessar-fogo e ONU pede fim imediato de ataques à Gaza

Reprodução

Minutos após o começo da trégua humanitária, Israel recomeçou as explosões, causando caos na caravana de ambulâncias; CS da ONU expressou sua “séria preocupação” com a escalada de violência

21/07/2014

Da Redação *

O cessar-fogo humanitário promovido pela Cruz Vermelha para evacuar palestinos de um bairro de Gaza, neste domingo (20), durou pouco tempo. No momento em que o exército de Israel confirmou que aceitava o cessar-fogo, uma procissão de ambulâncias e viaturas de resgate se dirigiu ao bairro. Entretanto, poucos minutos após o começo da trégua humanitária, recomeçaram as explosões, causando caos na caravana de ambulâncias.

O Conselho de Segurança (CS) da ONU chegou a pedir, ainda no domingo, “a imediata cessação de hostilidades” na Faixa de Gaza e expressou sua “séria preocupação” com a escalada da violência na região.

Além disso, esse órgão da ONU fez um apelo para “o respeito das leis humanitárias internacionais, incluindo a proteção dos civis”, insistindo na necessidade de conseguir tréguas entre as duas partes por razões humanitárias. Além disso, expressou sua “séria preocupação” com o crescente número de vítimas e disse que o pedido para um cessar-fogo deve se basear nos convênios assinados em novembro de 2012 que permitiram a cessação de hostilidades em Gaza.

Aproximadamente 500 palestinos já morreram desde o início dos ataques no dia 8 de julho, e mais de 2.600 ficaram feridos, segundo o Ministério da Saúde Gaza. A maior parte dos mortos, ainda de acordo com o ministério, é de civis.

 *com informações do Opera Mundi

Gaza continua somando mortos, apesar de apelos para trégua

Bombardeios já mataram mais de 500 palestinos e 20 israelenses

Bombardeios já mataram mais de 500 palestinos e 20 israelenses<br /><b>Crédito: </b> Mahmud Hams / AFP / CP
Bombardeios já mataram mais de 500 palestinos e 20 israelenses 
Crédito: Mahmud Hams / AFP / CP

O conflito entre Israel e o Hamas continua se intensificando nesta segunda-feira na Faixa de Gaza, após seu dia mais sangrento e apesar dos apelos da comunidade internacional por uma trégua. O Conselho de Segurança da ONU pediu no domingo “o fim imediato das hostilidades”, que já deixaram mais de 500 palestinos e 20 israelenses mortos – 18 deles soldados – desde o início do conflito, no dia 8 de julho.

Na manha desta segunda-feira, ao menos nove palestinos de uma mesma família, entre eles quatro crianças, perderam a vida em um ataque aéreo israelense contra sua casa em Rafah (sul da Faixa). Em Khan Yunes, também no sul, foram encontrados os cadáveres de 16 pessoas sob os escombros de uma casa também alvo de um bombardeio.

Ainda hoje, as localidades israelenses localizadas perto da Faixa de Gaza foram colocadas em estado de alerta e seus habitantes foram alertados a não sair de suas casas. Na frente diplomática, o Conselho de Segurança da ONU pediu o retorno “ao acordo de cessar-fogo de novembro de 2012” entre Israel e o Hamas e convocou “o respeito às leis humanitárias internacionais, especialmente sobre a proteção de civis”.

O presidente americano, Barack Obama, disse que enviará seu secretário de Estado, John Kerry, ao Cairo nesta segunda-feira e declarou buscar um cessar-fogo. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, atualmente no Oriente Médio, pediu em Doha que Israel faça muito mais para evitar as vítimas civis, denunciando a ação atroz do exército em Shejaiya. Ban visitará nesta segunda-feira o Kuwait e também deve viajar ao Cairo, a Jerusalém, Ramallah (Cisjordânia) e Amã.

Crime contra a humanidade 

Mais de 140 palestinos faleceram nesse domingo, a metade deles em Shejaiya, um bairro periférico do leste da cidade de Gaza (norte) atacado duramente pelo exército israelense. Ao sul de Israel, o exército matou nesta segunda-feira dez combatentes palestinos que conseguiram se infiltrar por dois túneis do reduto controlado pelo movimento islamita Hamas. Segundo a rádio militar, soldados israelenses foram atingidos durante a troca de tiros, sem informar se haviam sido mortos ou feridos.

O presidente palestino, Mahmud Abas, que se reuniu no domingo em Doha com Ban Ki-moon, classificou em uma mensagem televisionada o bombardeio de Shejaiya de “crime contra a humanidade”, cujos autores devem ser julgados e punidos. Os ataques contra este bairro foram os mais sangrentos desde a guerra de 2008-2009 no reduto palestino. “Shejaiya é uma zona civil onde o Hamas mobilizou seus foguetes, constrói seus túneis e tem seus centros de comando (…) Advertimos os civis a deixarem o local, mas o Hamas ordenou que permanecessem…”, justificou o exército israelense.

Para Israel, o dia de domingo também foi sombrio: treze soldados da brigada de elite Golani morreram em combate, elevando a 18 o número de militares mortos, uma quantidade sem precedentes desde a guerra do Líbano de 2006. Também há 55 militares feridos.

Dois civis israelenses faleceram desde o início da operação “Barreira Protetora”. O braço armado do Hamas afirmou no domingo ter sequestrado um soldado israelense, provocando manifesta~]pes de alegria nas ruas da cidade de Gaza, mas a informação foi desmentida pelo embaixador israelense da ONU, Ron Prosor.

Israel mobilizou 53, 2 mil  homens dos 65 mil reservistas autorizados pelo governo para a ofensiva neste pequeno território de 362 km2, onde vivem na miséria 1,8 milhão de habitantes, ou seja, uma das densidades de população mais elevadas do mundo.

A nova espiral de violência foi desencadeada após o sequestro e o assassinato de três estudantes israelenses em junho, atribuídos por Israel ao Hamas, seguidos pelo assassinato de um jovem palestino, queimado vivo em Jerusalém.

Fonte: AFP