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Sabesp: Se crise piorar, vamos distribuir água com canequinha

Em uma audiência na Câmara Municipal de São Paulo para esclarecer dúvidas sobre a atual situação dos reservatórios utilizados pela Sabesp (SBSP3) e o uso do volume morto em Cantareira, o diretor metropolitano da companhia, Paulo Massato, negou que vá ocorrer racionamento na região e ainda disse que “se houver alguma crise maior, nós vamos distribuir água com canequinha”.

Durante duas horas, o diretor deu diversas explicações, inclusive sobre como a Sabesp pretende recuperar o Sistema Cantareira após a atual crise de abastecimento, já que a reserva técnica está sendo usada pela primeira vez na história. Segundo o vereador Paulo Fiorilo (PT), a companhia precisa dizer o que está fazendo para que não ocorra a perda de um “reservatório importante”.

Segundo Massato, com o que a Sabesp fez conseguiram economizar a retirada de 9 mil litros de água por segundo no Sistema. “Para obter o mesmo resultado seria necessário implantar rodízio de um dia e meio com água e cinco dias sem água”, completou o diretor. De acordo com o depoimento, a crise é decorrência de um fenômeno global que atingiu outros países, como Austrália, Chile e Estados Unidos, além da região Sudeste do Brasil.

“Caso esse fenômeno continue, não tenho dúvida de que a crise será muito mais séria. Não tenho dúvida de que nós não teremos produção agrícola e energia elétrica no próximo ano”, disse Massato, segundo O Estado de S. Paulo. “Eu diria que se acontecer esse cenário nós não teremos nem energia para tratar e elevar essa água. A energia vai acabar antes da água, se esse cenário persistir”, completou.

Para o vereador José Police Neto (PSD), a Sabesp deveria dar mais transparência de suas ações à população, já que medidas como a redução de pressão e a reversão de água dos sistemas Guarapiranga e Alto Tietê para bairros da capital antes atendidos pelo Cantareira tem causado corte no fornecimento de água.

Fonte: Brasil247

Comitê divulga nível do Cantareira 15,6% menor que o da Sabesp

Segundo concessionária, índice nesta segunda-feira está em 26,3% com o \”volume morto\”, mas, para grupo técnico que monitora estiagem, o nível é de 22,2% da capacidade

Fabio Leite – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – O comitê anticrise que monitora a seca do Sistema Cantareira divulgou nesta segunda-feira, 19, que o nível de armazenamento de água do principal manancial paulista é 15,6% menor do que o informado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Governador Geraldo Alckmin acionou bombas de captação do volume morto da represa Jaguari-Jacareí - Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão
Governador Geraldo Alckmin acionou bombas de captação do volume morto da represa Jaguari-Jacareí

Segundo o grupo técnico liderado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), o Cantareira está com 22,2% da capacidade, com o acréscimo de 182,5 bilhões de litros do chamado “volume morto”, que começou a ser captado na última quinta-feira. Para a Sabesp, contudo, o índice é de 26,3%.

A distorção dos números ocorre porque a Sabesp não considerou em seus cálculos que o acréscimo do “volume morto” também elevou a capacidade total do sistema de 981,56 bilhões de litros para 1,164 trilhão de litros. Desta forma, para a concessionária, o nível atual de 257,93 bilhões de litros representa 26,3% da capacidade anterior do sistema: 981,56 bilhões de litros.

Para o comitê anticrise, contudo, o índice atual corresponde a 22,2% da nova capacidade do sistema: 1,164 trilhão de litros. Segundo o relatório divulgado nesta segunda-feira pelo grupo, a vazão afluente aos principais reservatórios do Cantareira está em 13,03 mil litros por segundo, o que equivale a 38% da média histórica do mês.

Ao custo de R$ 80 milhões, a captação inédita do “volume morto” teve início na última quinta-feira pela Sabesp nas represas Jaguari-Jacareí, em Joanópolis, com a retirada de 105 bilhões de litros. Naquele dia, o sistema estava com apenas 8,2% da capacidade, índice mais baixo de sua história. No próximo mês, a companhia deve concluir as obras para captar a reserva profunda da Represa Atibainha, em Nazaré Paulista.

Segundo informações fornecidas pela Sabesp ao comitê anticrise, o uso do “volume morto” seria suficiente para abastecer a Grande São Paulo até o fim de novembro. Há duas semanas, o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, garantiu o abastecimento de água na região sem adoção de racionamento generalizado até março de 2015. Na última semana, contudo, um diretor da Sabesp informou que a reserva profunda deve durar até outubro.

Estado questionou a Sabesp sobre a diferença dos dados de medição do nível do Cantareira, mas ainda não obteve resposta. O índice medido pela companhia tem sido divulgado pela assessoria de imprensa da companhia porque o site onde a concessionária faz a atualização diária do nível dos mananciais que abastecem a Grande São Paulo está fora do ar.

Lula: SP demorou para ‘ressuscitar morto’ em crise na água

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta sexta-feira, em um encontro com blogueiros em São Paulo, a postura do governo paulista liderado por Geraldo Alckmin na questão dos recursos hídricos. Em tom irônico, o petista disse que era preciso ter cuidado melhor do Sistema Cantareira, que atualmente alcança 26,7% de sua capacidade total após o início da captação de água do volume morto.

“Inauguraram uma coisa chamada volume morto. Se eles conseguem ressuscitar o morto por que não fizeram antes? Tenho clareza que não está chovendo, mas também tenho clareza que fui visitar Cantareira há 40 anos. De lá pra cá a cidade cresceu uma barbaridade. Será que ninguém pensou em fazer mais um poço? Ou será que pensam que nordestino que vem pra cá não bebe água? Poderiam ter cuidado melhor. Cadê o planejamento estratégico? Cadê o choque de gestão? E vocês tomem cuidado porque vai aparecer muita coisa de choque de gestão”, disse Lula.

O Volume Morto é um reservatório de 400 milhões de metros cúbicos de água situado abaixo das comportas do Cantareira, que atende mais de 50% da população de São Paulo. Essa água possui uma grande variedade de sedimentos e jamais foi usada.

O ex-ministro da Saúde e pré-candidato do PT ao governo do Estado de São Paulo Alexandre Padilha também compareceu ao evento na capital paulista e voltou a criticar a falta de transparência nas decisões em relação à falta de água em São Paulo.

“Se eu fosse governador, teria feito todas as obras que o atual governador Alckmin, que já era governador em 2004, assumiu a responsabilidade de fazer e nenhuma saiu do papel. A Sabesp e o governador assumiram responsabilidade de executar um conjunto de obras e nenhuma delas saiu do papel. Agora teve que fazer uma obra de urgência para pegar um volume morto”, disse.

“Faltou transparência e sinceridade, verdade na condução na gestão da seca. Isso não pode se repetir no uso do volume morto porque, se não, isso poderá significar condenar o sistema. A transparência tem que existir. Qual o plano de contingência? E chega de solução padrão Sabesp”, disse Padilha.

Fonte: Terra