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Amazonas define medidas emergenciais de prevenção e tratamento de Ebola

Diretor-presidente da instituição anunciará FMT como hospital de referência e tratamento de possíveis casos

Portal Amazônia

Foto: Shutterstock

MANAUS – As quase mil mortes provocadas pelo vírus Ebola na África tem tirado o sono da população mundial. No Amazonas, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) anunciará em coletiva de imprensa, nesta terça-feira (12), medidas a serem adotadas diante de casos suspeitos de ebola no Estado. “A Fundação de Medicina Tropical já está definida como hospital de referência para tratamento de possíveis casos. Mas fora isso, precisamos trabalhar também com nossa rede de urgência”, revelou o diretor-presidente da instituição, o médico infectologista Bernardino Albuquerque.

Sobre a probabilidade de disseminação da doença, Bernardino também disse que medidas preventivas serão adotadas principalmente na estrutura aeroportuária. “Vamos ter que fazer um processo de discussão que vai desde a possível chegada de pessoas dos quatro países africanos com casos da doença, o que fazer na recepção de aeroporto, como vai se dar e trabalhar com a possibilidade de pessoas sem sintomatologia”, explicou. “A manifestação dos sintomas do Ebola levam de 2 a 21 dias para apareceram, este é o período de incubação”, completou.

De acordo com Bernardino, nos próximos dias serão alinhadas tratativas de fluxo de atendimento, transferência de possíveis infectados e diagnóstico laboratorial. Para saber mais sobre a doença, o Ministério da Saúde disponibilizou em seu blog perguntas e respostas sobre o tema. OMinistério da Saúde recebe informações diárias da OMS para avaliar a situação do surto de Ebola na África Ocidental e recomendar as medidas adequadas para a proteção do Brasil.

Estado do Amazonas anunciará medidas de prevenção e contenção do Ebola. Foto: Shutterstock

O que é a doença causada pelo vírus Ebola?

A doença do vírus Ebola (anteriormente conhecida como febre hemorrágica Ebola) é uma doença grave, muitas vezes fatal, com uma taxa de letalidade que pode chegar até os 90%. A doença afeta os seres humanos e primatas não-humanos (macacos, gorilas e chimpanzés). O Ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, em dois surtos simultâneos: um em uma aldeia perto do rio Ebola, na República Democrática do Congo, e outro em uma área remota do Sudão. A origem do vírus é desconhecida, mas os morcegos frugívoros (Pteropodidae) são considerados os hospedeiros prováveis do vírus Ebola.

Como as pessoas são infectadas com o vírus?

O Ebola é introduzido na população humana por meio de contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de animais infectados. Na África, os surtos provavelmente originam-se quando pessoas têm contato ou manuseiam a carne crua de chimpanzés, gorilas infectados, morcegos, macacos, antílopes florestais e porcos-espinhos encontrados doentes ou mortos na floresta.

O vírus Ebola passa de pessoa para pessoa?

Depois que uma pessoa entra em contato com um animal que tem Ebola, ela pode espalhar o vírus na sua comunidade, transmitindo-o para outras pessoas. A infecção ocorre por contato direto com o sangue, fluidos corporais, secreções, fezes, urina, saliva e sêmen de pessoas infectadas. A infecção também pode ocorrer se a pele ou membranas mucosas de uma pessoa saudável entrarem em contato com objetos contaminados com fluidos infecciosos de um paciente com Ebola, como roupa suja, roupa de cama ou agulhas usadas. Cerimônias fúnebres em que os enlutados têm contato direto com o corpo da pessoa falecida, como é comum em comunidades rurais de alguns países africanos, também podem desempenhar um papel importante na transmissão do Ebola. Pessoas que morreram da doença devem ser manipuladas apenas por quem esteja usando roupas de proteção e luvas. O corpo deve ser enterrado imediatamente. O vírus Ebola não é transmitido pelo ar.

Quais os riscos para os profissionais de saúde que cuidam dos doentes?

Os profissionais de saúde têm sido frequentemente expostos ao vírus ao cuidar de pacientes com Ebola na África. Isso acontece quando eles não usam adequadamente equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras. Os profissionais de saúde devem seguir rigorosamente as precauções de controle de infecção recomendados. Além dos cuidados usuais, os trabalhadores de saúde devem aplicar estritamente as medidas de controle de infecção recomendadas para evitar a exposição a sangue infectado, fluidos ou ambientes ou objetos contaminados – como a roupa suja de um paciente ou agulhas usadas:
– devem usar equipamentos de proteção individual, tais como aventais, luvas, máscaras e óculos de proteção ou protetores faciais;
– não devem reutilizar equipamentos ou roupas de proteção, a menos que tenham sido devidamente desinfectados;
– devem trocar as luvas ao passar de um paciente para outro.
Procedimentos invasivos que podem expor os médicos, enfermeiros e outros à infecção devem ser realizado sob estritas condições de segurança. Os pacientes infectados devem ser mantidos separados dos outros pacientes e pessoas saudáveis, tanto quanto possível. A dificuldade de manter esses padrões adequados nos serviços de saúde dos países africanos acometidos tem propiciado a infecção em profissionais de saúde.

Quando uma pessoa passa a transmitir o vírus a outra?

O período em que a pessoa infectada pode transmitir só inicia após o surgimento dos sintomas. Durante o período de incubação, a pessoa não transmite o Ebola. As pessoas podem infectar outras enquanto seu sangue e secreções contiverem o vírus. Por esta razão, os pacientes infectados têm que ser cercados de cuidados específicos para evitar que profissionais de saúde ou parentes e amigos que os visitam no hospital entrem em contato com o sangue e secreções.

Quem corre mais risco?

Durante um surto, como o que agora ocorre na Libéria, Serra Leoa e Guiné, as pessoas com maior risco de infecção são:
-profissionais de saúde que atendem pacientes sem que as medidas de proteção estejam adotadas;
– membros da família ou outras pessoas que têm contato próximo com as pessoas infectadas;
– pessoas que têm contato direto com os corpos dos mortos como parte de cerimônias fúnebres; e
– caçadores que entram em contato com animais mortos encontrados na floresta.

Quais são os sinais e sintomas do Ebola?

O Ebola produz uma doença grave. O início súbito de febre, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta são os sinais e sintomas típicos. Isto é seguido por vômitos, diarreia, disfunção hepática, erupção cutânea, insuficiência renal e, em alguns casos, hemorragia tanto interna como externa. O período de incubação, ou o intervalo de tempo entre a infecção e o início dos sintomas, pode variar de dois até 21 dias. Os pacientes tornam-se contagiosos apenas quando começam a apresentar os sintomas. Eles não são contagiosos durante o período de incubação. A confirmação dos casos de Ebola é feita por exames laboratoriais específicos.

Qual é o tratamento?

Não há tratamento específico que cure o Ebola. Alguns tratamentos experimentais têm sido testados, mas ainda não estão disponíveis para uso geral. Os pacientes de Ebola requerem tratamento de suporte intensivo, realizado em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Eles geralmente ficam desidratados e precisam de fluidos intravenosos ou de reidratação oral com soluções que contenham eletrólitos. Alguns pacientes podem se recuperar se receberem tratamento médico adequado. Para ajudar a controlar a propagação do vírus, as pessoas suspeitas ou confirmadas de ter a doença devem ser isoladas de outros pacientes e tratadas por profissionais de saúde usando equipamentos de proteção.

Como prevenir a infecção pelo Ebola?

Atualmente não há nenhuma vacina para a doença do vírus Ebola. Várias vacinas estão sendo testadas, mas nenhuma delas está disponível para uso clínico no momento. Nos países onde existe transmissão do Ebola, a melhor maneira de se prevenir é evitar contato com o sangue ou secreções de animais ou pessoas doentes ou com o corpo de pessoas falecidas em decorrência dessa doença, durante rituais de velório.

É seguro viajar durante um surto?


A Organização Mundial da Saúde não recomenda restrições de viagens para os países que apresentam transmissão porque o risco de infecção para os viajantes é muito baixo, já que a transmissão de pessoa a pessoa só se dá com o contato direto com os fluidos corporais ou secreções de um paciente infectado. Além disso, a transmissão ocorre, principalmente, em vilas e povoados de áreas rurais. Pessoas que viajam a trabalho para as capitais ou cidades desses países devem evitar qualquer contato com animais ou com pessoas doentes. Os profissionais de saúde que viajam para as áreas com transmissão, nesses países, devem seguir estritamente as medidas recomendadas pela OMS para o controle da infecção. Os brasileiros que residem nos países onde há transmissão do Ebola (Libéria, Serra Leoa e Guiné) devem evitar deslocamentos para as áreas rurais e vilas onde estão ocorrendo os casos, ficar alerta às informações e recomendações prestadas pelos Ministérios da Saúde desses países e evitar contato com animais ou pessoas doentes.

É possível termos casos de Ebola no Brasil?

Pelas características da infecção pelo Ebola, a possibilidade de ocorrer uma disseminação global do vírus é muito baixa. Desde sua descoberta em 1976, o vírus tem produzido, ocasionalmente, surtos em um ou mais países africanos, sempre muito graves pela alta letalidade, mas, autolimitados. A seriedade do atual surto é a sua extensão, atingindo três países e a demora em se atingir seu controle. Isso ocorre pela precariedade dos serviços de saúde nas áreas em que ocorre a transmissão, que não dispõem de equipamentos básicos de proteção aos profissionais de saúde e aos demais pacientes, bem como pelas práticas e tradições culturais de manter pacientes em casa, inclusive escondendo sua condição das autoridades sanitárias, e a realização de rituais de velórios em que os parentes e amigos têm bastante contato com o corpo do falecido. No Brasil, não há circulação natural do vírus Ebola em animais silvestres, como em várias regiões da África.

Como é feita a detecção de casos?

Como o período de transmissibilidade só começa depois que a pessoa inicia os sintomas e como todo caso de Ebola produz sintomas fortes que exigem que o doente procure um serviço de saúde, a detecção de casos pode ser feita oportunamente em locais com serviços de saúde e sistemas de vigilância estruturados, facilitando a interrupção da transmissão. Se uma pessoa vier de um país onde ocorre transmissão e apresentar a doença durante a viagem, a equipe de bordo aplica as normas internacionais vigentes, visando a proteção dos demais passageiros e informa às autoridades sanitárias do aeroporto ou porto de destino para a remoção e transporte do paciente ao hospital de referência, em condições adequadas.

O que fazer se um viajante proveniente desses países africanos apresentar sintomas já no nosso país?

No caso do viajante realizar o deslocamento durante o período de incubação, no qual a infecção ainda é indetectável, e só apresentar os sintomas da doença depois da chegada ao país, o serviço de saúde que for procurado por esse paciente deverá notificar imediatamente o caso para a Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde ou à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A partir da identificação de que se trata de um caso suspeito, já são adotadas as medidas para proteção dos profissionais de saúde envolvidos no atendimento ao caso, bem como para evitar que a infecção seja transmitida para outras pessoas.

 

Expansão do Ebola começa a preocupar autoridades europeias e asiáticas

Médicos Sem Fronteiras preparando comida para pacientes com Ebola em Serra Leoa

Médicos Sem Fronteiras preparando comida para pacientes com Ebola em Serra Leoa

Photo: Reuters/Tommy Trenchard

Diante da epidemia de Ebola que continua a se propagar no oeste da África, a preocupação com a doença começa a ganhar o mundo. Autoridades britânicas se reuniram nesta quarta-feira (30) para discutir a propagação. Hong Kong anunciou medidas de quarentena.
 

 

Em um encontro interministerial de crise, nesta tarde, em Londres, o governo manifestou sua preocupação com a situação, embora nenhum cidadão britânico na região tenha sido contaminado até o momento. Mas o chefe da diplomacia, Philip Hammond, disse que “o vírus é uma ameaça que nós devemos enfrentar”.

O diretor dos serviços públicos de saúde, Brian McCloskey, qualificou o Ebola de “a urgência sanitária mais grave” identificada pelo Reino Unido atualmente. Um homem britânico suspeito de ter contraído o vírus se submeteu ao teste, que deu negativo.

“Vivemos em um mundo completamente interconectado, em que tudo que afeta um país distante pode ter repercussões maiores”, afirmou Mark Walport, conselheiro científico junto ao governo. As autoridades britânicas advertiram os agentes de controle das fronteiras e dos aeroportos sobre os sintomas da doença. O período de incubação pode chegar a 20 dias.

A organização Médicos Sem Fronteiras alertou que o vírus, que já fez mais de 670 mortos na África desde o início do ano, está “fora de controle” e que há um risco real de que mais países sejam atingidos. A doença atingiu Guiné, Libéria, Serra Leoa e fez uma vítima na Nigéria – um passageiro da avião que chegou a Lagos vindo de Monrovia, via Lomé (no Togo), o que fez duas companhias aéreas africanas, a Arik e a Asky, interromperem voos para Libéria e Serra Leoa.

A situação também foi tema de discussão de uma teleconferência, na terça (29), entre a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas nenhuma medida foi tomada de imediato.

Viajantes africanos em quarentena em Hong Kong

Em Hong Kong, cidade densamente povoada por 7 milhões de habitantes e que já foi afetada por epidemias como o SARS, as autoridades sanitárias anunciaram que colocarão em quarentena todos os viajantes provenientes de Guiné, Serra Leoa e Libéria que tenham sintomas de febre.

Em Bruxelas, uma fonte na Comissão Europeia afirma que o bloco está preparado para tratar doentes contaminados pelo Ebola, mas avaliou como “ínfima” a probabilidade de epidemia chegue ao continente. O órgão europeu anunciou uma ajuda suplementar de € 2 milhões para tentar conter o avanço da doença na África, elevando o valor total a € 3,9 milhões.

Vírus sem vacina

O vírus Ebola se manifesta através de hemorragias, vômitos e diarréia. A taxa de mortalidade pode ir de 25% a 90% e não existe nenhuma vacina homologada.

Ele é transmitido através do contato direto com o sangue, líquidos biológicos ou tecidos de pessoas ou animais infectados.

A epidemia começou no início do ano na Guiné, antes de chegar à Libéria e a Serra Leoa, três países vizinhos que, no dia 23 de julho, somavam 1.201 casos com 672 mortes, segundo o último balanço da OMS.

Cruz Vermelha suspende operação contra ebola no sul de Guiné após ameaças

Por Misha Hussain

DACAR (Reuters) – A Cruz Vermelha em Guiné disse nesta quarta-feira que foi forçada a suspender operações contra casos de ebola no sudeste do país após seus funcionários terem sido ameaçados por um grupo de homens armados com facas.

O incidente aconteceu na terça-feira em Gueckedou, cerca de 650 quilômetros da capital Conacri, e é o mais recente em uma série de episódios contra trabalhadores de saúde, prejudicando esforços para ajudar um frágil sistema de saúde no combate a uma das doenças mais mortais do mundo.

Um centro da ONG Médicos Sem Fronteiras, na cidade próxima de Macenta, foi atacado por jovens há dois meses, após funcionários locais terem sido acusados de trazer a doença para Guiné.

“Locais portando facas cercaram um veículo da Cruz Vermelha. Suspendemos as operações por questões de segurança”, disse um representante da Cruz Vermelha no oeste da África, pedindo para não ser identificado.

“Imagino que não será a última vez que isso acontece”, acrescentou.

O surto da doença em Guiné, Libéria e Serra Leoa é o maior e mais mortal já visto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade registrou 467 mortes em 759 casos desde fevereiro.

Casos de morte por ebola aumentam e a epidemia causada pelo vírus é a maior da história

DIÁRIO DA MANHÃ|ANDREIA PEREIRA

Neste ano, está acontecendo a pior epidemia causada pelo vírus Ebola de toda a história. No total, 337 vítimas do vírus morreram, na África, segundo informações da Organização Mundial de Saúde. 

De acordo com o jornal El País, Guiné é o país que apresenta o maior registro de óbitos, foram 264 casos. Na Serra Leoa, 29 pessoas morreram e na Libéria, 24.

O jornal também aponta que, segundo epidemiologistas, as principais causas da disseminação do Ebola são o “surgimento do vírus em uma zona transfronteiriça” e a demora das pessoas em procurar por “assistência sanitária”.

A epidemia deste ano supera os casos de morte da primeira epidemia causada pelo vírus ebola da história, em 1976, que era considerada a pior de todas elas. 

Com informações do El País

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

 

Vírus ebola avança na Guiné e preocupa autoridades

Enfermeiros socorrem doentes com Ebola em março passado na Guiné.

Enfermeiros socorrem doentes com Ebola em março passado na Guiné.

AFP PHOTO|MEDECINS SANS FRONTIERES

O avanço da epidemia de ebola no oeste da África preocupa as autoridades do continente e a Organização Mundial da Saúde (OMS). O número de casos explodiu no começo deste mês, segundo informações divulgadas na noite de quarta-feira (18).

Nos últimos 15 dias, o número de casos registrados da doença cresceu 60% no continente africano. Os três países mais afetados pelo surto são Guiné, Serra Leoa e Libéria. A OMS já confirmou a morte de 337 pessoas. No final de semana passada, sete pessoas morreram na Monróvia, capital da Libéria.

Um fato alarmante do surto de ebola este ano é que a taxa de mortalidade dos casos registrados é de 50%, um índice considerado elevado. Até hoje, não existe nenhum tratamento para a doença. Também não existe nenhuma vacina contra o vírus, que provoca febre hemorrágia e intensa desidratação. A doença se transmite por meio do contato com animais selvagens e também com pessoas contaminadas.