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Jornal: Aloysio Nunes deve ser anunciado como vice de Aécio

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) deverá ser anunciado nesta segunda-feira como o nome para a vice-presidência na chapa de Aécio Neves, de acordo com informação publicada hoje pelo jornal O Estado de S.Paulo. A Executiva Nacional dos tucanos se reunirá em Brasília para anunciar a indicação do senador na chapa presidencial.

Aloysio Nunes, bastante próximo ao ex-governador José Serra, conquistou uma vaga no Senado em 2010 após receber 11,1 milhões de votos (30,42% dos votos válidos). Caso Aécio não ganhe as eleições, Nunes segue como senador. Eram cotados também para a vaga de vice-presidente Ellen Gracie, ex-ministra do Supremo Tribunal Federal, e Tasso Jereissati, ex-governador cearense.

 

Fonte: Agência Brasil 

Campos ainda é incógnita como 3ª via

Estadão Conteúdo

Com o slogan “Coragem para mudar”, o PSB lança hoje a candidatura a presidente do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e a vice da ex-ministra Marina Silva na tentativa de se viabilizar como candidatura competitiva e chegar a uma das vagas em disputa num eventual segundo turno. O plano é acertar o discurso que possa consolidá-los como terceira via em uma eleição que aparenta caminhar, pela sexta vez consecutiva, para a polarização entre PT e PSDB. 
 
“A partir de agora, o nosso desafio é mostrar que é possível mudar mais, considerando que as mudanças no governo da presidente Dilma Rousseff foram insuficientes”, afirma o coordenador da campanha, Carlos Siqueira. O tom será oposicionista: “Nós vamos dizer o que não foi feito e o que pode ser feito”. 
 
Uma das formas de explicitar o que não foi feito no atual governo, segundo o PSB, é dizer que o Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo, apesar de Dilma dizer com frequência que as gestões dela e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tiraram 40 milhões de pessoas da pobreza. A proposta da dupla Campos-Marina para mudar essa situação é fazer uma reforma tributária que mude o pacto federativo e possibilite que os próprios Estados façam os investimentos necessários para as melhorias sociais. 
 
Conciliar o discurso pelo desenvolvimento sustentável à preocupação social tem sido uma das tentativas da dupla para se posicionar como terceira via sem cair em contradição. Isso porque ambos atuaram diretamente nos governos Lula.
 
Marina, uma das fundadoras do PT, foi ministra do Meio Ambiente de Lula de 2003 a 2008. Campos deixou o Ministério de Ciência e Tecnologia em 2005 para retornar ao mandato de deputado e defender o governo no Congresso em meio à crise do mensalão. Depois, foi eleito governador de Pernambuco em 2006 e reeleito em 2010, sempre com apoio de Lula. Fora isso, o PSB integrou o governo Dilma até setembro de 2013, quando entregou dois ministérios e postos de segundo escalão.
 
Estagnação. 
 
Entretanto, o discurso de que a dupla seria a única opção capaz de fazer as reformas que o País precisa sem prejudicar as conquistas sociais não se reverteu em avanços significativos nas pesquisas de intenção de votos. Campos tem registrado índices ao redor de 10% e ficado em terceiro, atrás do tucano Aécio Neves – na faixa dos 20% – e de Dilma. A presidente lidera os levantamentos, mas tem visto cair a diferença para a soma dos adversários, o que indica realização de segundo turno.
 
Campos vai começar a campanha oficial menor do que imaginava. A expectativa de dirigentes do PSB era a de que ele estivesse com quase 20% das intenções de voto – o que significaria chances reais de ir ao segundo turno – apoiado pelo prestígio de Marina. Em 2010, a ex-ministra somou mais de 19 milhões de votos na disputa presidencial.
 
Além disso, a junção do PSB com a Rede Sustentabilidade, grupo que apoia Marina, enfrenta dificuldades. A dupla tenta se dizer adepta da “nova política” e critica os acordos partidários dos adversários. No entanto, a decisão dos diretórios de Rio e São Paulo de se aliarem a PT e PSDB nas disputas estaduais, respectivamente, abriu uma crise entre Rede e PSB. Para que a convenção de hoje fosse realizada em paz, Campos e Marina fecharam um pacto na quarta-feira para superar as divergências regionais e concentrar as energias na eleição nacional.
 
O evento de hoje, marcado para o mesmo dia em que o Brasil enfrenta o Chile pelas oitavas de final da Copa, vai testar o nível de organização do PSB. A convenção foi planejada para ser rápida e terminar a tempo de os participantes assistirem à partida, às 13h. Além de Campos e Marina, devem discursar apenas os presidentes dos partidos da coligação (PPS, PPL, PRP e PHS).
 
Para compensar o pouco tempo de TV da coligação (menos de 2 minutos por bloco), a campanha vai investir nas redes sociais e em viagens pelo País. Para otimizar o tempo e visitar mais cidades, Campos e Marina vão rodar o Brasil mais separados que juntos.

PCdoB oficializa apoio à reeleição da presidente Dilma

Estadão Conteúdo

Por unanimidade, o PCdoB formalizou nesta sexta-feira, em Brasília a adesão à chapa de reeleição da presidente Dilma Rousseff. A votação, realizada na convenção nacional da legenda, foi feita por aclamação, em que os delegados apenas fizeram um gesto de levantar os crachás. Nenhum dos presentes se posicionou contra ou pela abstenção. A expectativa é que Dilma participe da convenção à tarde após deixar a cidade de Salvador (BA), onde marcou presença na manhã de hoje na convenção estadual do PT.

Aliado do governo federal, o PCdoB ocupa hoje o ministério do Esporte, com Aldo Rebelo, e deve contribuir com cerca de 27 segundos para o programa de rádio e TV da presidente. Além do partido comunista, outros nove devem compor a coligação de Dilma garantindo a ela o maior tempo de programa eleitoral, estimados em 11 minutos. Durante o evento de hoje, o PCdoB distribuiu documento com propostas para o segundo mandado da petista.

Nele, os comunistas defendem uma série de medidas na área econômica, proferem ataques à campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB), pedem a regulação dos meios de comunicação e o polêmico decreto que instituiu a Política Nacional de Participação Social. Na cartilha, que tem como título “Avançar com mais mudanças e conquistas”, o partido também propõe a aprovação de uma reforma política com financiamento público de campanha e a implantação de uma reforma do Poder Judiciário com a fixação do mandato para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), acabando com a vitaliciedade.
 

Em convenção nacional, PTB declara apoio a Aécio Neves

Agência Brasil

O PTB confirmou nesta sexta-feira, durante a Convenção Nacional da legenda em Salvador, o apoio a candidatura do tucano Aécio Neves (MG) à Presidência da República. Depois de integrar a base do governo da presidenta Dilma Rousseff nos últimos três anos, a Executiva Nacional do partido informou no último sábado (21), por meio de nota, que a “decisão atende ao clamor da maioria da bancada federal e de estados, onde os conflitos locais entre PTB e PT ficaram insustentáveis, como, por exemplo, Distrito Federal, Roraima, Piauí e Rio de Janeiro”.

“Temos convicção de que Aécio reúne as condições para a retomada do crescimento econômico, seja na garantia da manutenção das conquistas sociais hoje incorporadas à vida nacional”, diz a nota.

A decisão, no entanto, não teve consenso. Diferentemente do posicionamento nacional, o senador pernambucano Armando Monteiro, que é candidato ao governo do estado, defendeu o apoio à candidatura de Dilma. Durante o encontro, apoiadores da aliança  Pernambuco vai Mais Longe, que vai reunir no estado PTB, PT, PDT, PSC, PRB e PTdoB, protestaram. Liderados por Armando Monteiro, o diretório do partido em Pernambuco aprovou uma moção defendendo o nome de Dilma Rousseff.

Em Alagoas, o senador Fernando Collor lidera a defesa pelo apoio à Dilma. Collor tem destacado os investimentos feitos no estado como justificativa para sua posição. Para o senador, por ter baixos indicadores sociais, Alagoas não pode se isolar do governo federal.

Na entrada do encontro na capital baiana, várias pessoas fizeram fila para tirar fotos ao lado de um grande cartaz com a imagem do presidente licenciado do PTB Roberto Jefferson (RJ). A foto trazia a seguinte frase: “Estou com vocês de coração”. Jefferson é um dos condenados na Ação Penal 470, o mensalão,  e cumpre prisão no Rio de Janeiro. Segundo o presidente nacional do partido, Benito Gama, Jefferson é uma personalidade “muito querida” no partido.

Pros formaliza apoio à candidatura de Dilma Rousseff

Novato entre as dezenas de partidos políticos brasileiros, o Partido Republicano da Ordem Social (Pros) formalizou nesta terça-feira, com 94,5% dos votos dos seus filiados, apoio à candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição. Com a aliança, Dilma consegue mais 35 segundos de tempo de televisão para a propaganda eleitoral gratuita.

“É muito simbólico receber esse apoio do Pros, porque é um partido muito interessante. É um partido jovem, que olha a situação política do País e que vê que são necessárias novas ideias”, afirmou Dilma, em seu discurso de agradecimento. “Mas apesar de ser novo, em tempo de vida e de ideias. É um partido maduro, porque é ligado a líderes que desempenharam papeis estratégicos”, acrescentou.

O Pros reúne uma bancada de 21 deputados federais e um senador. Seu principal expoente político é Ciro Gomes, que já foi candidato à Presidência da República. São filiados à legenda ainda seu irmão e o governador do Ceará, Cid Gomes (ex-PSB), seu vice Domingos Filho, além do vice do Amazonas, José Melo (os dois últimos egressos do PMDB).

Momento delicado

Já formalizaram apoio a Dilma o PMDB e o PDT. Amanhã, Dilma receberá apoio do PSD. Em encontros informal, o PP também já prometeu manter a parceria na chapa encabeçada por Dilma, que tem Michel Temer (PMDB) como candidato a vice, pela segunda vez.

O apoio do Pros ocorre em um momento em que a presidente acaba de perder a aliança com o PTB, na semana passada. Agora, a cúpula do PT, partido de Dilma pretende reforçar seus laços com a base de sustentação do governo para manter superioridade de tempo de televisão diante de seus adversários.

A legenda que tem dado mais trabalho recentemente para a candidatura de Dilma é o Partido da República (PR). Hoje, eles comandam o Ministério dos Transportes, mas já deram o recado à Presidência que o titular da pasta, César Borges, não representa o partido. Trata-se de uma tentativa de pressionar o governo de modo a conseguir substituição de ministros.

Campanha e polarização

Dilma fez menção ao que espera para a disputa que começará no mês que vem. Ela prometeu, no entanto, fazer uma campanha pacífica, apesar de enérgica. Como hábito em eventos partidários, a presidente fez questão de contrapor sua proposta à da candidatura tucana ao dizer que há um projeto que prega avançar enquanto outra defende o retrocesso.

“Sabemos que essa campanha terá muitas mentiras e muitos boatos. Haverá tentativa de disseminar clima de pessimismo”, estimou a presidente. “Iremos fazer uma campanha baseada na paz, mas cheia de vigor”, prometeu.

Com aliança, PT consegue mais 35 segundos na televisão; já formalizaram em convenção apoio a Dilma o PMDB e o PDT

Fonte: Agência Brasil

Cúpula do PT se reúne em meio a ruídos na chapa de Dilma

Nem o aniversário da mãe afastou a presidente Dilma Rousseff das discussões partidárias neste ano de eleição. Ela recebe na noite desta terça-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, além do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, Rui Falcão.

O encontro da cúpula petista ocorre em meio ao estremecimento da base de sustentação da chapa de apoio a Dilma, que já perdeu o PTB como aliado e corre o risco de perder o PR.

É praxe da presidente manter contato frequente por telefone com Lula, fiador da sua campanha, além de encontros com intervalos de pelo menos 15 dias. Eles haviam se encontrado pela última vez no último sábado, durante convenção petista que confirmou a chapa de reeleição com Dilma Rousseff candidata à Presidência e Michel Temer, a vice.

Hoje é aniversário da mãe da presidente, dona Dilma Jane, que faz 90 anos. No entanto, a agenda pessoal não afastou o encontro de trabalho que prossegue nesta noite.

Fonte: Terra

Dilma resiste a boicotes e PP promete apoio

Um recado enviado pelo presidente do PP, Ciro Nogueira, mudou o clima no governo dos últimos dias. Depois da debandada inesperada do PTB e da aliança de Luiz Pezão (PMDB) com o presidenciável tucano Aécio Neves, o PT temia pela perda de apoio dos dois partidos mais cobiçados do momento, o PP e PSD.

Segundo o colunista Bernardo Mello Franco, Ciro Nogueira garantiu ao Planalto que a decisão já foi tomada em seu partido e que, na convenção desta quarta-feira, a aliança pela reeleição de Dilma Rousseff será selada. “Não há nenhuma chance de não apoiarmos Dilma. Mesmo que todos os partidos desistam, vamos manter nossa coerência”. Para o PT, isso significa cerca de 1m20s a mais no tempo de TV por bloco.

Ele prefere, no entanto, não convidar Dilma ao evento do partido para evitar constrangimentos de Estados rebelados. A ala aecista do PP contabiliza sete diretórios estaduais a favor de uma aliança com o tucano ou da neutralidade na eleição. Os focos da dissidência são Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que têm as maiores bancadas do partido na Câmara.

Fonte: Brasil247

Dilma tem maior probabilidade de ser eleita, diz Delfim Netto

Estadão Conteúdo

N/A

A reforma política é necessária, defende o economista

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto afirmou que a presidente Dilma Rousseff tem maior probabilidade de ser eleita em outubro, devido sobretudo ao que considera um reconhecimento por avanços de desenvolvimento nos últimos 11 anos.

“São 36 milhões de pessoas que saíram da miséria e 42 milhões que ingressaram na classe média. É um feito grande, pois foi puxado pelo crescimento com inclusão social, o que inclusive levou o Brasil à situação de pleno emprego.”

Para Delfim, o discurso da presidente na convenção nacional do PT, sábado, foi muito importante. “Foi um fato novo ela ter se referido ao fim do excesso da burocracia, que é um dos maiores fatores que limitam bem o crescimento do País”, disse. “E isso tem a ver com o inchaço da máquina administrativa. Ela deixou claro para o PT que corporativismo tem limites.”

Em sua avaliação, o “tricô” de ineficiências que envolvem o Estado também está relacionado à realidade da política partidária, que faz com que as relações entre o Poder Executivo e a base aliada tenham gerado 39 ministérios e secretarias.

“É claro que o número poderia ser bem menor que esse. O Ministério da Agricultura deveria estar concentrado em um só ministério forte e realizador, mas está dividido em quatro. Não faz sentido isso”, afirmou.

Segundo Delfim, a reforma política é necessária, mas pode ser mais simples do que se imagina. “Basta acabar com a reeleição e dar um mandato único de cinco ou seis anos para quem está no Executivo, do presidente ao prefeito”, disse.

“Isso eliminaria um monte de relações de apadrinhamento e troca de favores exageradas com possibilidade do segundo mandato”.

A hora e a vez dos corações valentes

Sem politizar a discussão dos modelos em disputa no país, a dinâmica do ajuste deslizará inevitavelmente para a chave do arrocho, ganhe quem ganhar em outubro.

Carta Maior|Saul Leblon 

Arquivo

O discurso da Presidenta Dilma na convenção do PT,  que ratificou sua candidatura  à reeleição, neste sábado,  merece mais do que a atenção dispensada  normalmente  à retórica  eleitoral.

Há ali, talvez, o sinal de uma importante transformação.

O economicismo perde espaço  como ferramenta central da luta pelo desenvolvimento na concepção  petista e no projeto de reeleição.

Essa primazia passa a ser agora da questão política.

A  pavimentação do  ‘novo ciclo histórico’ que se almeja construir, conforme as palavras da candidata, recai sobre uma democracia tonificada por reformas e pela ampliação de canais com a sociedade. 

“A transformação social produzida por nossos governos criou as bases para a promoção de uma grande transformação democrática e política no Brasil. Nossa missão, agora, é dar vida a esta transformação democrática e política, sem interromper, jamais, a marcha da grande transformação social em curso. Não vejo outro caminho para concretizar a reforma política do que a participação popular, mobilizando todos os setores da sociedade por meio de um Plebiscito (…) São tão amplos os desafios, as propostas e as tarefas que temos, que é mais apropriado chamar o que nos propomos construir de “novo ciclo histórico” – e não apenas de “novo ciclo de desenvolvimento”, disse a Presidenta.

No centro das propostas para um quarto mandato do PT no país, portanto, está a reforma política, mas também a ampliação da democracia participativa, através dos conselhos populares,  e a democratização da comunicação, como lembrou outro orador do encontro,  o presidente do PT, Rui Falcão.

A nova ênfase  não ofusca a atenção aos desafios e metas para expandir os avanços econômicos e sociais acumulados nos últimos 12 anos.

‘Nosso Plano de Transformação Nacional será a ampliação do grande conjunto de mudanças que estamos realizando junto com o povo brasileiro’, disse Dilma.

E o  ex-presidente Lula lembrou que a vitória em outubro passa por uma ampla mobilização para comparar resultados, ‘entre o que eles fizeram e o que nós realizamos’.

O que emerge agora, porém,  é a aparente certeza de que nenhum outro compromisso relevante  com a população  será viável sem dispor do lastro institucional que assegure a celeridade e a sustentação do processo.

A babel partidária no Congresso, a supremacia do dinheiro privado nas campanhas , a desgastante formação das maiorias tornam impossível erguer as linhas de passagem para um novo ciclo de crescimento com a coerência e a rapidez requeridas pelos gargalos da economia e as urgências da sociedade.

Essa é a hora de um coração valente –como lembra o jingle da campanha pela reeleição.

Trata-se de um salto lentamente amadurecido no círculo dirigente do partido. Mas que ganhou impulso e a urgência de uma ruptura,  a partir de dois acontecimentos: o processo da AP 470 e os protestos de rua por melhor qualidade de vida, iniciados em junho de 2013.

A narrativa martelada pelo dispositivo midiático conservador sobre esses episódios cuidou de selar o divisor de águas.

Não por acaso, na abertura do 14º Encontro dos Blogueiros e Ativistas Digitais, em 16 de maio, o ex-presidente Lula resumiria essa mudança  em uma declaração peremptória: ‘ Sem reforma política não faremos nada neste país. E ela terá que ser construída pela rua, por uma Constituinte exclusiva. O Congresso que está aí pode mudar uma vírgula aqui, outra ali. Mas não a fará’, disse ele.

Não era força de expressão.

Trata-se de dar consequência institucional  ao vapor acumulado na caldeira das realizações e das conquistas, mas também das demandas, gargalos e impasses da última década.

Reconhecido pelo FMI como a nação que mais reduziu o desemprego em pleno colapso mundial –11 milhões desde 2008, enquanto o mundo fechava mais de 60 milhões de vagas–  o Brasil avulta agora como a ovelha negra aos olhos do padrão ortodoxo.

O pleno emprego verificado em sua economia impede que os ganhos de produtividade se façam pelo método tradicional de compressão dos holerites.

A ‘purga’ de desemprego e arrocho é a alternativa da ‘ciência’ conservadora para devolver ‘eficiência’ à indústria e moderação aos preços.

A receita é vendida diuturnamente como parte de um calendário inevitável após as eleições, ganhe quem ganhar, embora o ‘consenso’ não conte com a anuência da candidata que lidera a disputa:

‘Eu não fui eleita para trair a confiança do meu povo, nem para arrochar salário de trabalhador! Eu não fui eleita para vender patrimônio público, mendigar dinheiro ao FMI, e colocar, de novo, o país de joelhos, como fizeram! Eu fui eleita, sim, para governar de pé e com a cabeça erguida!’, disse a Presidenta Dilma na convenção de sábado.

Excluir o arrocho das prioridades de governo para  relançar o crescimento encerra desafios respeitáveis.

Há problemas reais a enfrentar.

Ao resistir à ‘destruição criativa’ promovida urbi et orbi pela maior crise do capitalismo desde 1929, o Brasil tornou-se de fato um paradoxo.

De um lado, carrega um trunfo social vibrante.

Enquanto a renda do trabalho e a dos mais pobres esfarela em boa parte do mundo, vive-se o inverso aqui.

Entre 1960 e 2000, a fatia do trabalho na renda nacional havia recuado de 56,6% para algo abaixo de 50%.

Entre 2004 e 2010 essa participação cresceu 14,4%.

Em grande parte, segundo o Ipea, por conta do ganho real de poder de compra do salário mínimo, que cresceu 70% de 2003, como lembrou Dilma na convenção.

Sob governos do PT , os  10% mais pobres da população tiveram um crescimento de renda acumulado de 91,2%.

A parcela endinheirada ficou com um ganho da ordem de 17%.

Nas economias ricas, como demonstrou Thomas Piketty,  o ciclo recente agravou um padrão feito de desigualdade ascendente.

Em alguns casos, a mais-valia absoluta está de volta, através de políticas de corte salarial puro e simples, ou do seu congelamento, associado à ampliação da jornada de trabalho.

Grécia, Portugal e Espanha são os laboratórios desse revival da aurora capitalista.

No total, 24% dos europeus não tem renda para sustentar suas necessidades básicas, entre as quais, alimentar-se.

Nos EUA, 47,5 milhões vivem com menos de 2 dólares por dia. O salário mínimo  é inferior ao vigente na era Reagan.

Não é difícil imaginar o impacto dessa espiral regressiva na fragilização dos sindicatos e na predação de direitos.

Os custos salariais recuam celeremente em boa parte do mundo. O conjunto reposiciona os fluxos de comércio, as cadeias de produção e a renda no planeta.

A deterioração das relações de trabalho  no ambiente global fura o bloqueio das políticas progressistas brasileiras através do  canal do comércio exterior.

Uma parte da distribuição de renda promovida desde 2003 vaza para os mercados ricos, gerando encomendas e lucros por lá, através das importações baratas que sufocam a manufatura brasileira.

25% do consumo atual de manufaturados no Brasil tem origem em mercadorias importadas.

O déficit comercial específico nessa área em 2013 foi de US$ 105 bi.

A solução conservadora para esses desequilíbrios é martelada sem trégua pelo seu aparato emissor.

O Brasil precisaria, segundo essa visão das coisas,  de um choque de juros e de um aumento do desemprego; um tarifaço para ajustar os ‘preços represados’ –sem correção dos salários, naturalmente ; bem como uma abertura comercial ampla, com cortes de tarifas, câmbio livre e mobilidade irrestrita para os fluxos de capitais.

O conjunto, assegura-se, permitiria desmantelar a couraça de ‘atraso e populismo’ que impede o  país de  voltar a crescer com eficiência e competitividade.

Trata-se, em síntese, de trazer para o país a crise e os  desdobramentos  que o PT evita desde 2008. De forma algo tardia e em dose única.

Esse é o programa de Aécio e assemelhados para  colocar o Brasil em linha com o cânone  global. 

As intervenções da Presidenta Dilma  –reforçadas na convenção do PT–  rechaçam a panaceia conservadora.

Seu entendimento é o de que é possível interromper a sangria com medidas destinadas a elevar a produtividade, em duas frentes:  a média prazo,   com educação, reforma tributária e incentivos ao investimento;  a curto prazo, retomando a redução dos  juros e a desvalorização do câmbio, tão logo se consolide o recuo da inflação.

A aposta exige  forte coordenação do Estado sobre os mercados para funcionar. 
E só funcionará  associada a uma ampla pactuação de metas para o ‘novo ciclo histórico’ preconizado pela Presidenta Dilma, com o  engajamento  de partidos, sindicatos e movimentos sociais nesse mutirão democrático.

Exatamente porque é  –e será, cada vez mais necessário politizar a discussão dos dois modelos em disputa no país, a reforma política e a regulação da mídia assumiram a centralidade das preocupações de Dilma, Lula e do PT.

Ampliar essa conscientização é o desafio da campanha progressista até as urnas de outubro.

Sem o engajamento de milhões de corações valentes, a dinâmica do ajuste  brasileiro deslizará inevitavelmente para  a chave do arrocho.

Ganhe quem ganhar no voto.

Por que a direita anda mais raivosa do que nunca?

Os barões das grandes corporações midiáticas perceberam que, para haver uma oposição de direita forte, é preciso uma ampla opinião pública direitista.

Carta Maior|Antonio Lassance (*)

 
Charge de Vitor Teixeira

 

Faz tempo que as campanhas eleitorais são espetáculos dantescos, movidos por baixarias sem limites. Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral fica muitas vezes cuidando da perfumaria, os dinossauros reinam.

Mas há algo de novo nesta campanha.

A começar do fato de que boa parte da perversidade de campanha seguia, antes, o seguinte roteiro: denúncias na imprensa, primeiro em jornais e revistas, que depois se propagavam na tevê e no rádio e, finalmente, ganhavam a rua pela ação dos cabos eleitorais.

Agora, o roteiro é: denúncias pela imprensa, mas divulgadas primeiro via internet; propagação pelas redes sociais; repetição pela tevê e pelo rádio e, por último, sua consolidação  pelo colunismo e editorialismo da imprensa tradicional.

Embora essa imprensa ainda seja, normalmente, a dona da informação, seu impacto é cada vez menos medido pela audiência do próprio meio – que anda em declínio em praticamente todos os veículos tradicionais – e mais pela sua capacidade de propagação pela internet – blogs, redes sociais e canais de vídeo, principalmente pelo Youtube. E a versão que se propaga da notícia acaba sendo tão ou mais importante do que a notícia em si.

Antes, as pesquisas de opinião calibravam os rumos das campanhas. Nesta eleição, a internet é quem tende a ditar o ritmo. As pesquisas vão servir para aferir, tardiamente, o impacto de alguns assuntos que ganharam peso na guerrilha virtual.

Antes, o trabalho de amaldiçoar pra valer os adversários políticos era feito pelos cabos eleitorais que batiam de porta em porta. Agora, os cabos eleitorais que caçam votos perambulam pelos portais de internet, pelos canais de vídeo e entram nos endereços dos eleitores pelas redes sociais.

Uma outra diferença, talvez tão decisiva quanto essa, é que a direita resolveu aparecer. Antes, o discurso da direita era de que não existia mais esse negócio de “direita x esquerda”.

A direita, finalmente, saiu do armário e anda mais raivosa do que nunca. Em parte, a raiva vem do medo de que, talvez, ela tenha perdido o jeito de ganhar eleições e de influenciar os partidos.

Por outro lado, a direita imagina que a atual campanha petista está mais vulnerável que em outras épocas. A raiva é explicada, nesse aspecto, pelo espírito de “é agora ou nunca”.

Os bombardeios midiáticos raivosos têm assumido feições mais pronunciadamente ideológicas.

Ao contrário de outras eleições, os ataques têm não só mentiras, xingamentos e destemperos verbais de todos os tipos. Têm uma cara de pensamento de direita.
 
Querem não apenas desbancar adversários. Querem demarcar um campo.

Não é só raiva contra um partido. É ódio de classe contra tudo e contra todos os que se beneficiam (e nem tanto quanto deveriam) de algumas das políticas governamentais.

É ódio contra sindicatos de trabalhadores, organizações comunitárias, movimentos de excluídos (Sem Terra, Sem Teto), grupos em defesa de minorias e de direitos humanos que priorizam a crítica a privilégios sociais e aos desníveis socioeconômicos mais profundos.

A mídia direitista tem desempenhado um papel central. Sua principal missão é orientar os ataques para que eles tenham consequência política e ideológica no seio da sociedade brasileira.

Como sempre, a mídia é diretamente responsável por articular atores dispersos e colocá-los em evidência, conforme uma pauta predeterminada.

Embora seja uma característica recorrente, no Brasil, a mídia tradicional comportar-se como partido de oposição, nos últimos anos ela parece seguir uma nova estratégia.

Os barões das grandes corporações midiáticas brasileiras, com a ajuda de seus ideólogos, perceberam que, para haver uma oposição de direita forte, é preciso formar uma ampla opinião pública direitista.

Antes mesmo de cobrar que os partidos se comportem e assumam o viés de direita, é preciso haver uma base social que os obrigue a agir enquanto tal.
A mídia tradicional entendeu que os partidos oposicionistas são erráticos em seus programas e na sua linha política não por falta de conservadorismo de suas principais lideranças, mas pela ausência de apelo social em sua pregação.

Em função disso, coisas como o Instituto Millenium se tornaram de grande importância. O Millenium tem, entre seus mantenedores e parceiros, a Abert (controlada pelas organizações Globo) e os grupos Abril, RBS e Estadão. O instituto é também sustentado por outras grandes empresas, como a Gerdau, a Suzano e o Bank of America.

O Millenium tenta fazer o amálgama entre mídia, partidos e especialistas conservadores para gerar um programa direitista consistente, politicamente atraente e socialmente aderente.

O colunismo midiático, em todas as suas frentes, é outro espaço feito sob medida para juntar jornalistas, especialistas e lideranças partidárias dedicadas a reforçar alguns interesses contrariados por algumas políticas públicas criadas nos últimos 12 anos.

A estratégia midiática de reinvenção da direita brasileira representa, no fundo, uma tentativa desesperada e consciente dessa mesma mídia de reposicionar-se nas relações de poder, diante da ameaça de novos canais de comunicação e de novos atores que ganharam grande repercussão na opinião pública.

Com seu declínio econômico e o fim da aura de fonte primordial da informação, o veneno em seus anéis tornou-se talvez seu último trunfo no jogo político.

(*) Antonio Lassance é cientista político.

Créditos da foto: Charge de Vitor Teixeira

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio