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Porto Velho ainda está em reconstrução depois da enchente histórica do rio Madeira

Acre, Rondônia e Amazonas sofreram com subida do nível do rio, que atingiu quase 20 metros

Portal Amazônia

PORTO VELHO – O nível da água do rio Madeira atingiu cota máxima de 19,74 metros (pico em 30 de março) neste ano e deixou um rastro de prejuízo no Acre, Rondônia e Amazonas. Em Porto Velho, as ruas antes ocupadas pelos veículos foram tomadas por embarcações, que se tornaram os veículos de transporte dos habitantes. Passados quatro meses do clímax da enchente, a cidade ainda luta para reconstruir-se.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Confira o relato da repórter do Portal Amazônia, Vanessa Moura, sobre a enchente, os estragos e a luta de um Estado para reconstruir-se.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Para eu que acompanhei e noticiei a grande cheia do rio Madeira, pelo Portal Amazônia, foi impactante ver com o baixar das águas os estragos deixados por onde elas chegaram. Os prejuízos foram contabilizados em mais de R$ 4 bilhões, mas nas entrevistas que fiz com as pessoas atingidos pela enchente ficou claro que os danos iriam além do que pode ser calculado.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia

Foram esforços de uma vida inteira cobertos por água e lama. As vozes embargadas e os rostos sofridos fizeram com que eu entendesse melhor a proporção dos estragos da grande cheia. No discurso dos desabrigados, uma unanimidade persistiu, o relato de que perderam praticamente tudo porque não acreditavam que as águas alcançariam a dimensão que tiveram na cidade.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

  Confira como está o local atualmente:

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Na última grande enchente registrada no rio Madeira, a de 1997, o nível do rio chegou 17,52 metros, dois metros a menos que neste ano de 2014. A enchente não poupou nem um dos mais relevantes patrimônios históricos da cidade, a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, que marca o início da cidade que em 2014 completa 100 anos de criação.

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Reconstrução

Já se passaram quatro meses desde que as águas começaram a recuar e ainda há muito trabalho a ser feito. Durante todo o período que as águas avançavam sobre a cidade, a Defesa Civil de Rondônia e também a de Porto Velho já alertavam que ainda viria à fase ainda mais trabalhosa – a da reconstrução.

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A cheia histórica atingiu prédios públicos como o da Delegacia da Receita Federal, o Tribunal Regional Eleitoral, o Shopping Popular e o Mercado do Peixe, construções de décadas. Também prejudicou os trabalhos nos portos e arrasou a agricultura no alto, médio e baixo rio Madeira.

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No complexo ferroviário também afetado, os esforços são para deixar tudo pronto para que o cenário seja palco das comemorações do centenário da cidade, em outubro. As águas invadiram os galpões, obrigaram a transferência das peças dos museus, nem todas puderam ser salvas e sofreram todos os danos da atuação da água sobre elas durante meses. 

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

Confira como está o local atualmente:

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Nós últimos meses, mutirões são realizados para dar celeridade ao trabalho de limpeza no complexo ferroviário que chegou a acumular mais de dois metros de lama. O trabalho no local é realizado pela Secretaria Municipal de Serviços Básicos com apoio do Exército.

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A enchente também afetou os mais antigos bairros da cidade. Os que nasceram a partir da construção da Estrada de Ferro. Mas não foi só a parte urbana que sofreu com cheia, a população dos distritos na margem esquerda do rio Madeira também foram afetados. Em algumas localidades as águas encobriram toda a comunidade. No auge da cheia, mais de 1,6 mil famílias ficaram desabrigadas e 5,1 mil propriedades rurais foram inundadas.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Parte dos moradores, com um mês, após as águas começaram a recuar, não esperaram a intervenção do Poder Público e por conta própria fizeram limpeza e reforma das residências para voltar às propriedades. Outros ainda aguardam em um abrigo único montado pela Defesa Civil de Rondônia no Parque dos Tanques, localizado no bairro Nacional, a definição de seus destinos.

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Cerca de 90 famílias ainda vivem no local, outros já deixaram o local e sobrevivem de auxílio-aluguel. Um levantamento sobre as moradias que estão aptas para serem reocupadas após a enchente é feito pela Defesa Civil de Porto Velho e está previsto para ficar pronto no próximo dia 15.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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A Prefeitura busca resolver o problema da falta de moradias através de programas de habitações populares. A medida faz parte do Plano Integrado de Recuperação e Prevenção de Desastres no Pós-Enchente, coordenado pela Secretaria de Estado de Assuntos Estratégicos.

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Depois disso tudo o que fica para uma pessoa como eu, que nasci e fui criada nesta cidade, é a expectativa de que os estragos e lições deixados pela grande cheia se reflitam na construção de uma cidade mais sustentável e com estrutura. Pelo menos é isso o que prevê o plano pós-enchente. São mais de 50 projetos divididos nos eixos de infraestrutura, saúde, inclusão social e meio ambiente.

Porto Velho luta pela reconstrução após grande cheia do rio Madeira

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Entre as ações prioritárias estão a elaboração do modelo digital de terreno em todas as áreas dos municípios afetados e requalificação de Áreas de Preservação Permanente  urbanas, remodelação de áreas portuárias, drenagem urbana e desocupação da área pública, inclusive de prédios público de áreas afetadas pela enchente. É a chance de remodelar Porto Velho.

Casas atingidas pela cheia do rio Madeira receberão laudos técnicos em Porto Velho

Os laudos ajudarão a Prefeitura a organizar a lista de candidatos a receber unidades habitacionais

Portal Amazônia

os laudos circunstanciados serão expedidos para as residências atingidas na zona urbana, nos distritos e demais comunidades ribeirinhas. Foto: Frank Néry/Prefeitura de Porto Velho

PORTO VELHO – As casas atingidas pela cheia história do rio Madeira receberão laudos técnicos da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) sobre as atuais condições. A (Comdec) realizou uma reunião com engenheiros e arquitetos das secretarias municipais de Obras (Semob), de Obras e Projetos Especiais (Sempre) e de Planejamento (Sempla), a fim de se formar equipes que atuarão na força tarefa dos laudos.

O coordenador em exercício da Comdec, Francisco A. Lima, informou que os laudos circunstanciados serão expedidos para as residências atingidas na zona urbana, nos distritos e demais comunidades ribeirinhas. “Trata-se de um laudo pericial para sabermos quais residências têm condições de habitabilidade e quais não têm. Vamos observar os casos em que o retorno dos moradores esteja ocorrendo com riscos e as casas devam ser definitivamente interditadas pela defesa civil”, explicou Lima. 

Os laudos vão ajudar a conhecer a situação real das residências para acomodar os que foram conduzidos a abrigo público ou casa de familiares. Além de ajudar a Prefeitura na organização de uma lista de candidatos a receber unidades habitacionais no condomínio Orgulho do Madeira sem a necessidade de aderirem ao sistema de financiamento da Caixa Econômica Federal.

Em parceria com o Governo Federal e o Governo do Estado, o Município destinará unidades habitacionais sem nenhum ônus a famílias que perderam casas e estão adequadas às condições financeiras determinadas pela legislação. Os desabrigados que possuírem rendimento superior ao estabelecido pela legislação também poderão ser inclusos entre os primeiros contemplados com imóveis nesse condomínio, mas terão de aderirem ao sistema de financiamento. 

O coordenador da Comdec destacou ainda a importância de que o trabalho da equipe técnica seja divulgado para que as pessoas as recebam. “Os que não estão habitando essas casas, e também aqueles que a elas já retornaram, devem abrir as portas para que os técnicos realizem a perícia. Isso é importante para os trabalhos do município, mas antes de tudo é de interesse dos principais prejudicados com a enchente do rio Madeira”, observou.

 

Cheia do rio Negro em 2014 é a que mais demorou para iniciar vazante

Boletim do CPRM prevê que a cota do rio Negro em Manaus deve permanecer acima dos 29 metros em agosto

Portal Amazônia

Cota do rio Negro pode permanecer acima dos 29 metros em agosto. Foto: Raylton Alves/ANA

MANAUS – Com cota acima dos 29 metros há 50 dias, o rio Negro iniciou a vazante em ritmo lento. De acordo com o 24º Boletim de acompanhamento de Monitoramento Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgado nesta sexta-feira (11), a enchente de 2014 na capital do Amazonas “é a que mais atrasou seu pico e uma das mais impactantes cheias da história no que se refere a tempo de permanência acima dos 29 metros”.

O boletim informa ainda que cotas acima de 29 metros no mês de agosto nunca haviam acontecido. Entretanto, “há um prognóstico” para que a cota permaneça acima de desta medida nas primeiras semanas do próximo mês. A cheia com maior duração acima da cota 29 metros foi a de 2009, com 79 dias entre 13 de maio e 31 de julho. A cota do rio Negro em Manaus nesta sexta-feira (11) se manteve em 29,49m, a mesma desde a quarta-feira (9). A cidade está sob decreto de emergência desde o dia 26 de maio.

Em 2012 e 2013, no dia 11 de julho, a cota marcava a mesma medida: 28,84 metros. Das cotas registradas em Manaus, 74,77% tiveram o valor máximo anual no mês de junho, 18,92% em julho e 6,31% em maio. Em Barcelos, o nível do Rio Negro está a três centímetros de atingir cota de emergência (9,57 metros).

Chuvas em julho

De acordo com o meteoreologista Lucas Mendes, do  Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), até esta sexta-feira (11) foi registrado em torno de 30 milímetros de chuva para este mês. “O estimado para julho é que esteja entre a faixa normal, considerada entre 32 a 92 milímetros de chuva”, informou.

Segundo a assessoria de imprensa da Defesa Civil de Manaus, os bairros e comunidades atingidos pela enchente tem recebido kits de ajuda humanitária – colchões, cestas básicas, garrafões de água, lençóis e redes – e aluguel social. Ainda de acordo com o órgão as “chuvas de verão”, comuns no mês de julho, não trouxeram grandes ocorrências. A entrega de benefícios é realizada desde o último dia 5. Já foram atendidas 560 famílias no bairro São Jorge, mais de 300 famílias no bairro da Raiz e aproximadamente 800 famílias no bairro do Educandos.

Enchente no Amazonas

As bacias dos rios Javari, Purus e Madeira estão em período de vazante com níveis dentro da média para a época. O rio Solimões, monitorado nas estações de Manacapuru e Itapeuá (próximo a Coari) começou a baixar lentamente e também entrou no período de vazante. Já a bacia do rio Amazonas, apesar da vazante, ainda apresenta níveis acima da cota de emergência.

No boletim de alerta da Defesa Civil do Amazonasdivulgado no dia 1° de julho, registrou-se que, no interior do Estado, 39 municípios foram afetados pela subida das águas: 37 em situação de emergência e dois em estado de calamidade. O número de pessoas atingidas no Estado subiu para 317.154, um total de 63.212 famílias.

*Com reportagem de Clarissa Bacellar

 

Rio Negro mantém nível há quatro dias em Manaus

 

Nível do Rio Negro é de 29,48 metros desde o dia 13 de junho. CPRM aponta que estagnação é normal neste período

Portal Amazônia

nível do rio negro

MANAUS – A enchente do rio Negro começou a perder força desde o começo deste mês. Na última sexta-feira (13) atingiu a cota de 29,48 metros em Manaus e se mantém no mesmo nível até esta segunda-feira (16). De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, a estagnação caracteriza o início do período de vazante. O CPRM informou que o rio Negro deve atingir a cota de 29,60 metros em 2014. Esta é considerada a sexta maior enchente da história do Amazonas.

Oliveira explicou ao Portal Amazônia que a paralisação da subida do rio é normal neste período. “Nesta época é normal, porque até o final do mês começa a vazante. O rio alterna entre subir um centímetro, parar por alguns dias, e assim por diante”, disse. O superintendente informou ainda que em Parintins e Itacoatiara o rio já começou a diminuir o nível – quatro centímetros em cada cidade – desde sábado (14), mas que ainda é cedo para dizer que em Manaus acontecerá o mesmo este mês.

Famílias atingidas

Defesa Civil de Manaus afirmou que a situação na capital do Estado se mantém a mesma: 3.022 famílias de 16 bairros da cidade foram afetadas pela cheia e cadastradas para receber atendimento social. As ruas Barão de São Domingos e dos Barés, no Centro, continuarãointerditadas para o tráfego até a vazante. No bairro São Jorge, a Defesa Civil elevou em até 40 centímetros algumas das passarelas por causa da enchente. Um total de 42 pontes foram construídas em bairros da orla da cidade.

O Amazonas tem 38 municípios afetados pela cheia dos rios da bacia amazônica: 35 em estado de emergência e três em calamidade. A informação é da Associação Amazonense de Municípios (AAM) divulgada dia 13 de junho.

 

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MANAUS – A enchente do rio Negro começou a perder força desde o começo deste mês. Na última sexta-feira (13) atingiu a cota de 29,48 metros em Manaus e se mantém no mesmo nível até esta segunda-feira (16). De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, a estagnação caracteriza o início do período de vazante. O CPRM informou que o rio Negro deve atingir a cota de 29,60 metros em 2014. Esta é considerada a sexta maior enchente da história do Amazonas.

Oliveira explicou ao Portal Amazônia que a paralisação da subida do rio é normal neste período. “Nesta época é normal, porque até o final do mês começa a vazante. O rio alterna entre subir um centímetro, parar por alguns dias, e assim por diante”, disse. O superintendente informou ainda que em Parintins e Itacoatiara o rio já começou a diminuir o nível – quatro centímetros em cada cidade – desde sábado (14), mas que ainda é cedo para dizer que em Manaus acontecerá o mesmo este mês.

Famílias atingidas

Defesa Civil de Manaus afirmou que a situação na capital do Estado se mantém a mesma: 3.022 famílias de 16 bairros da cidade foram afetadas pela cheia e cadastradas para receber atendimento social. As ruas Barão de São Domingos e dos Barés, no Centro, continuarãointerditadas para o tráfego até a vazante. No bairro São Jorge, a Defesa Civil elevou em até 40 centímetros algumas das passarelas por causa da enchente. Um total de 42 pontes foram construídas em bairros da orla da cidade.

O Amazonas tem 38 municípios afetados pela cheia dos rios da bacia amazônica: 35 em estado de emergência e três em calamidade. A informação é da Associação Amazonense de Municípios (AAM) divulgada dia 13 de junho.

 

Enchente leva população a usar barcos como casas em Manaus

Dezenas de pessoas que moram na orla do rio Negro perdem suas casas devido à enchente anual da região

barcos na orla de manaus

MANAUS – Com mais de 3 mil famílias de 16 bairros da capital do Amazonas atingidas pelaenchente, a orla da cidade aos poucos transforma-se em residência provisória. Alguns amazonenses que moram em palafitas na beira do rio ou em igarapés dentro da cidade perdem suas casas com a subida do nível do rio Negro. A solução encontrada por quem não pode mudar-se para casa de amigos ou alugar um imóvel é usar embarcações como residência durante todo o período da enchente.

Este é o caso de Eliane Nascimento. Aos 36 anos, Eliane mora em um barco com os seis filhos e o esposo, próximo à Feira Manaus Moderna, no Centro. A residência improvisada é moeda de troca, pois para morar no barco ela precisa vigiar as embarcações do local. “Acho ruim por causa das crianças. A de quatro anos já caiu dentro da água duas vezes”, relatou à reportagem doPortal Amazônia.  “O mais difícil é a água; com cheiro ruim, poluída”.

eliane vigia barcos

No início de junho a subida do nível da água do rio Negro começou a perder força. “É bom ser vigia quando enche. Quando tá na seca que é perigoso. Eu vou ficar aqui até conseguir um terreno pra mim”, disse Eliane. O rio Negro atingiu 29,47 metros nesta quinta-feira (12). O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) informou que o rio deve atingir a cota de 29,60 metros.

Eliane disse que haviam espalhado rumores que “indenizariam os vigias”, mas que até agora nenhum representante das defesas civis da prefeitura de Manaus ou do Governo estadual conversou com eles. De acordo com a Defesa Civil de Manaus, um levantamento socioeconômico das famílias atingidas para atendimento social por meio de cestas básicas, água potável e aluguel social tem sido feito em conjunto com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh). Esta é a sexta maior enchente da história do Amazonas.

feira manaus moderna

 

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barcos na orla de manaus

MANAUS – Com mais de 3 mil famílias de 16 bairros da capital do Amazonas atingidas pelaenchente, a orla da cidade aos poucos transforma-se em residência provisória. Alguns amazonenses que moram em palafitas na beira do rio ou em igarapés dentro da cidade perdem suas casas com a subida do nível do rio Negro. A solução encontrada por quem não pode mudar-se para casa de amigos ou alugar um imóvel é usar embarcações como residência durante todo o período da enchente.

Este é o caso de Eliane Nascimento. Aos 36 anos, Eliane mora em um barco com os seis filhos e o esposo, próximo à Feira Manaus Moderna, no Centro. A residência improvisada é moeda de troca, pois para morar no barco ela precisa vigiar as embarcações do local. “Acho ruim por causa das crianças. A de quatro anos já caiu dentro da água duas vezes”, relatou à reportagem doPortal Amazônia.  “O mais difícil é a água; com cheiro ruim, poluída”.

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No início de junho a subida do nível da água do rio Negro começou a perder força. “É bom ser vigia quando enche. Quando tá na seca que é perigoso. Eu vou ficar aqui até conseguir um terreno pra mim”, disse Eliane. O rio Negro atingiu 29,47 metros nesta quinta-feira (12). O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) informou que o rio deve atingir a cota de 29,60 metros.

Eliane disse que haviam espalhado rumores que “indenizariam os vigias”, mas que até agora nenhum representante das defesas civis da prefeitura de Manaus ou do Governo estadual conversou com eles. De acordo com a Defesa Civil de Manaus, um levantamento socioeconômico das famílias atingidas para atendimento social por meio de cestas básicas, água potável e aluguel social tem sido feito em conjunto com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh). Esta é a sexta maior enchente da história do Amazonas.

feira manaus moderna

 

PR: vaca fica presa em árvore após ser levada por enxurrada

Uma vaca foi arrastada pela correnteza de um córrego e ficou pendurada em uma árvore no interior de Quedas do Iguaçu, no Paraná, no último domingo. O animal foi encontrado sem vida em Linha Estrela. 

A chuva intensa que atingiu o município no final de semana deixou pelo menos uma pessoa morta, três feridas e 30 desabrigadas. Além disso, destruiu pontes, provocou deslizamentos, alagamentos e deixou comunidades isoladas. O prefeito Edson Prado decretou estado de calamidade pública. 

De acordo com coordenador de Defesa Civil, João Moura, os maiores estragos foram registrados no interior. Na propriedade do agricultor Roberto Witichosvki, em Linha Mirim, além da chuva, um vendaval causou destruição. Outro ponto crítico registrado foi no bairro Kennedy, onde casas foram inundadas pelo córrego que passa na região.

O boletim divulgado pela Coordenação Estadual de Proteção e Defesa Civil do Paraná no início da noite de segunda-feira mostra que em todo o Estado as chuvas afetaram 106.389 pessoas, em 124 municípios. Pelo levantamento, 7.849 pessoas permanecem desalojadas (tiveram de sair de suas casas e foram para casa de parentes ou amigos). O número de desabrigados (que tiveram de sair de casa e permanecem em locais públicos) chega a 2.785 pessoas. 

O governador Beto Richa reconheceu situação de emergência em 77 cidades do Paraná. Após percorrer diversos municípios atingidos pela chuva do fim de semana, ele anunciou na noite de segunda-feira que mais 50 municípios também terão reconhecida a situação de emergência, inclusive a capital. “O decreto garante mais agilidade e elimina burocracias para que os prefeitos tenham condições de usar recursos públicos para atenuar a situação, para a recompor as cidades, recuperar acessos e socorrer as pessoas que estão em situação de dificuldades”, afirmou o governador. 

Ao longo do dia, Richa foi a Guarapuava, Pinhão, Cruz Machado, União da Vitória, Prudentópolis, Irati e Porto Amazonas. Ele também recebeu o ministro da Integração Nacional, Francisco José Teixeira, no Palácio Iguaçu, ao retornar do interior. Teixeira assegurou que o governo federal vai agilizar o reconhecimento dos decretos do Paraná para que os municípios possam acessar recursos federais e garantiu que os órgãos de infraestrutura da União serão responsáveis pela desobstrução das rodovias federais interditadas no Estado. 

A Copel e a Sanepar atuam para restabelecer a energia e a água potável. “Pela Secretaria da Saúde foi feita liberação de mais de R$ 5 milhões para que os prefeitos possam contratar mais profissionais, pagar horas extras, para que a população não fique desassistida em nenhum momento, nem de madrugada. Enviamos vacinas, remédios para gripe e inúmeros outros medicamentos para prevenir doenças comuns após enchentes”, afirmou. 

O governador disse ainda que há no Estado vários pontos de coleta de ajuda humanitária. “Quem puder, que procure os quartéis da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, as delegacias da Polícia Civil, prefeituras e outros pontos para fazer as doações. Há várias entidades contribuindo com colchões, roupas, cobertores, mantimentos e água potável para atenuar o sofrimento de milhares de paranaenses.” 

Fonte: Terra 

Nível do rio Negro atinge 29,45 metros e pontes construídas em Manaus são elevadas

Fenômeno já é a sexto maior registrado em Manaus. Pontes dos bairros do São Jorge, Glória e Educandos serão elevadas

Portal da Amazônia

MANAUS – O nível do rio Negro atingiu 29,45 metros nesta segunda-feira (9) e a Defesa Civil de Manaus iniciou o processo de elevação das passarelas construídas nos bairros São Jorge, Glória e Educandos em virtude da cheia. O fenômeno já é considerado a sexta maior cheia registrada na capital amazonense desde 1902, quando o curso de água começou a ser monitorado.

De acordo com o último boletim do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) a cota máxima do nível do rio Negro deve atingir a cota de 29,60 metros. O superintendente do CPRM, Marco Oliveira, explicou que a maior preocupação é a quantidade de tempo que e o rio Negro ficará acima da cota de emergência, que em Manaus é de 29 metros. Os geólogos acreditam que a mudança no clima tem influenciado esses níveis altos.

Passarelas em bairros afetados pelo rio Negro

Passarelas

As passarelas do bairro São Jorge serão elevadas em 40 centímetros e também será ajustado o comprimento. As pontes estão localizadas no Beco Bragança I e II, Beco Itapuranga I, II e III, Rua Vicente TorreReis, Rua Humberto de Campos e Beco Santa Cruz. Após a conclusão, o trabalho de ajuste segue para os bairros Glória e Educandos.

“Estamos fazendo o monitoramento diário das áreas que estão sendo afetadas pela cheia. Com a desaceleração da subida do rio, possivelmente o ajuste será apenas nesses três locais, porém, o levantamento continua”, explicou o chefe da Divisão de Resposta da Defesa Civil, Altaci Gomes.

Paralelo ao trabalho, agentes da Defesa Civil de Manaus e da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) retornaram, nesse fim de semana,aos bairros onde já foram feitos os cadastros de famílias para uma nova visita às casas que estavam fechadas durante a ação, mas também estão prejudicadas pela cheia do rio.

No total, o número de famílias cadastradas em Manaus é de 3.022 mil. A Semasdh  está fazendo o levantamento socioeconômico dessas famílias para atendimento social por meio de cestas básicas, água potável e Aluguel Social.

 

Amazônia tem má gestão de recursos hídricos, aponta geólogo da CPRM

Superintendente da CPRM, Marco Antonio de Oliveira, alerta para a falta de gestão na qualidade do recurso oferecido

Bairro da glória durante cheia em Manaus

MANAUS – Mais uma vez as águas do rio Negro ‘invadem’ a frente de Manaus e alagam cidades do interior da Amazônia fazendo com que as pessoas fiquem a aguardar por um novo recorde de cheia. Mas o superintendente da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), geólogo Marco Antonio de Oliveira, diz que a cheia continua, porém, deve parar nos próximos dias. Oliveira também revelou porquê os rios enchem e vazam e até sobre o futuro hídrico da região.

Jornal do Commercio – Em algumas entrevistas você falou que as enchentes (e as vazantes) na Amazônia são cíclicas, 20 anos, mas parece que isso está mudando. Tivemos uma grande em 2009 e outra maior, em 2012. 

Marco Antonio de Oliveira – As cheias e vazantes na Amazônia tem sido monitoradas a partir dos dados dos níveis do rio Negro, registrados no Porto de Manaus desde 1902. Assim, temos uma série histórica de mais de 100 anos que possibilita estabelecer a recorrência ou retorno das cheias. Deste modo, a cheia de 2012 (recorde) é considerada como um evento que ocorre a cada 100 anos, a cheia de 2009 (a segunda maior) tem recorrência de 50 anos e a cheia de 1953 (a terceira maior) 25 anos de recorrência.

Nesta lógica as grandes cheias, que superam os 29 metros, ocorrem a cada dez anos. Como a série histórica do Porto de Manaus permite apenas correlacionar o que ocorreu no intervalo de pouco mais de 100 anos, ficam fora desta análise os eventos extremos de cheia ou vazante que ocorreram no passado mais longínquo, de 1 milhão à 10 mil anos atrás. Portanto, as cheias com recorrência de mil anos, por exemplo, podem voltar a acontecer no presente. Por outro lado no período que antecede uma mudança de estação do inverno para o verão (ou vice-versa), ocorre uma instabilidade no clima que provoca tempestades extremas. O mesmo se aplica na história climática da Terra, quando há uma mudança na temperatura global do planeta e há ocorrência de eventos extremos de chuvas, nevascas e secas.

Algumas pessoas acham que quando caem chuvas torrenciais em Manaus, as águas dos rios vão subir, mas não é bem assim. Essas chuvas precisam cair nas cabeceiras dos rios, não é isso?

MAO – As chuvas torrenciais em Manaus contribuem para a rápida subida das águas dos igarapés da região, mas pouco se refletem no nível da águas do rio Negro cuja bacia hidrográfica abrange perto de 1 milhão de km2 e assim reage lentamente às chuvas.

Por que os rios enchem, ou vazam? Isso tem alguma importância para a natureza?

MAO – O regime de cheias e vazantes depende essencialmente das chuvas ou da falta delas, e o modo como esta água circula sobre o terreno até chegar ao oceano Atlântico, está condicionado ao relevo, à cobertura florestal e à geologia. As chuvas na Amazônia provêm da evaporação das águas do oceano Atlântico, que adentram o continente sul americano ao longo do rio Amazonas, empurradas pelos ventos que sopram de leste para oeste. Esta massa de ar úmido interage com a floresta, mas quando atinge o extremo oeste do continente encontra uma barreira física, dada pela Cordilheira dos Andes, e toda a umidade é descarregada na forma de chuvas sobre as montanhas
do fronte oriental dos Andes. Elas que irão alimentar as nascentes do rio Amazonas. Na falta de chuvas, durante o verão amazônico (junho a outubro), o nível dos rios desce e se mantém perene devido a contribuição das águas subterrâneas, armazenadas sob o solo, durante milhares de anos.

Com quanto tempo é possível se prever se haverá, ou não, uma grande cheia ou uma grande vazante nos rios do Amazonas?

MAO – Para as cheias do Negro/Solimões/Amazonas é possível realizar uma previsão com 75 dias de antecedência, com probabilidade de acerto de 70%. Já para a vazante o comportamento hidrológico é mais instável e permite uma previsão de 10 dias de antecedência, com acerto de 50%.

Essas cheias e vazantes acontecem ao mesmo tempo em todos os rios da região? Tecnicamente, como é que vocês fazem essas medições? 

MAO – As cheias e vazantes ocorrem em tempo e espaços diferentes nesta dimensão continental da Amazônia, que abrange dois hemisférios. Os primeiros rios a encher são os da margem direita do rio Amazonas, com os os rios Javari, Juruá, Purus e Madeira, cujo pico da cheia ocorre entre fevereiro a abril. No rio Solimões, Amazonas e no Negro, em Manaus, a cheia ocorre no mês de junho. As medições são feitas a partir de estações hidrológicas localizadas nas principais calhas dos rios. Nas quais medidas do nível da água e da chuva são coletadas diariamente, seja de forma manual, ou automática via satélite. A cada mês obtemos dados diretos das vazões dos rios Solimões (Itapeua e Manacapuru), Negro (Manaus), Amazonas (Itacoatiara) e Madeira.

Como você vê o futuro hídrico da Amazônia, com o homem cada vez mais habitando a região e destruindo tudo à sua volta? Até a água do subsolo de Manaus está se exaurindo.

MAO – O cenário hídrico da região é promissor. A escassez de água não é mais uma projeção futura, já ocorre em outras regiões do Brasil, como no Nordeste e Sudeste, acarretando em diminuição na qualidade de vida e com fortes impactos na economia. Não há processo industrial e agrícola que não necessite de água em grande escala. Vejamos o exemplo de São Paulo, uma metrópole que vive uma crise de escassez de água sem precedentes, com aspectos conjunturais (falta de chuva) e estruturais (falta de investimentos, pouca oferta e alta demanda), que pode se tornar frequente diante das mudanças no clima da Terra. Por isso, a Amazônia é o futuro com água. Aqui não há escassez de água, há má gestão dos recursos hídricos no tocante a qualidade da água oferecida a população amazonense.

E esse ano, com as águas já bem altas, qual é o prognóstico?

MAO – O prognóstico é de continuidade da cheia pelos próximos dias, porém com indicativo de final de cheia e elevação lenta das águas (ao redor de 1-2 cm/dia).

 

Chuva forte alaga cidades e desabriga famílias em Santa Catarina

Até agora, 12 municípios registraram ocorrências

AGÊNCIA BRASIL

Santa Catarina – A Secretaria de Estado da Defesa Civil de Santa Catarina está preocupada com o volume de chuva das últimas 24 horas no estado. Diversas cidades estão alagadas. Corupá, no Vale do Itajaí, foi o primeiro município a decretar situação de emergência. 

Corupá, no Vale do Itajaí, foi o primeiro município a decretar situação de emergência

Foto:  Defesa Civil de Santa Catarina/Divulgação

 

Até agora, 12 municípios registraram ocorrências. De acordo com o coordenador regional da Defesa Civil, em Joinville, Antônio Edival Pereira, em Guaramirim, quatro pessoas de uma mesma família sofreram acidente com desmoronamento, dois adultos e duas crianças. Os pais passam bem e as crianças foram levadas para o hospital, em Joinville.

Em Três Barras, município que teve maior índice de precipitação, choveu 217 milímetros (mm), Rio Negrinho contabilizou 204 mm de chuva, Schoereder, 182 mm, Joinville, 165 mm, Canoinhas, 160 mm, e Irienópolis, 143 mm. Os municípios de Vitor Meireles tem pontos de alagamento e já há famílias desalojadas.

Enchentes desalojam populações da Sibéria

Cerca de quatro mil casas foram tomadas pelas águas na Khakassia e no Altai

31/05/2014

O Centro Regional Siberiano do Ministério para Situações de Emergência e Defesa Civil da Rússia informou neste sábado, 31, que quase quatro mil casas continuam inundadas na Khakassia, na República de Altai e no Território de Altai, devido às cheias dos rios locais.
Resgatistas trabalham na área inundada pelo rio Katun, na República de Altai

De acordo com os dados do Ministério, é o Território de Altai que sofre os maiores efeitos da inudação: lá foram alagadas mais de 2.300 residências. Na República de Altai estão parcialmente submersas mais de 1.400 casas; e na Khakassia, 171. O nível de águas não baixa, e os moradores das casas alagadas se hospedam com parentes e amigos e em abrigos provisórios. Há prejuízos também na República de Tuva, porém de menor monta.

O Ministro para Situações de Emergência, Vladimir Puchkov, informou que mais de dois mil socorristas trabalham na região, e que o contingente vai aumentar. Na operação de auxílio às vítimas das enchentes são utilizados aviões, barcos, lanchas a motor, maquinaria e equipamento especialmente destinados para o trabalho em áreas inundadas.