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Estrangeiros apontam os costumes nacionais que levariam para seus países

Da gastronomia ao jeito de se vestir, turistas de diversos continentes contaram à reportagem do DIA o que notaram de peculiar no comportamento dos cariocas durante a Copa

O DIA

Rio – Desde que os ingleses disseminaram o futebol (que foi inventado na China) pelo planeta, o brasileiro ensinou ao mundo um jeito diferente de jogar bola. No entanto, não é apenas no esporte que hábitos e costumes nacionais influenciam os estrangeiros mundo afora. Da gastronomia ao jeito de se vestir, turistas de diversos continentes contaram à reportagem do DIA o que notaram de peculiar no comportamento dos cariocas durante a Copa. Não há dúvidas de que a bagagem vai voltar cheia para casa, mas sem pesar no ombro. 

O empresário argelino Nono Tarigui, de 33 anos, contava as horas para encerrar o horário do Ramadã — ritual islâmico em que os adeptos passam 29 dias de jejum entre a alvorada e o entardecer. Não por acaso, ele exaltou nossos hábitos alimentares. “Aqui há comida a quilo, padarias, pastelarias, lanchonetes com suco fresco. Isso não existe lá. E o brasileiro sempre enche o prato de comida”, disse. 

O fotógrafo francês Nicolas Chaigneta estranha os atrasos e a frequência do banho no Brasil: “na França, nem todo mundo toma banho todo dia”

Foto:  Jose Pedro Monteiro

Há dois anos no Brasil, o fotógrafo francês Nicolas Chaigneta, 31, ainda tenta se adaptar ao “tempo” do carioca. “Vocês são mais relaxados, não gostam de combinar horário. A gente marca às 18h, e o brasileiro chega duas horas depois, se chegar”, brincou. “Lá na França é frio, nem todo mundo toma banho todo dia. Vocês se vestem de forma mais casual”, completou. 

O colombiano Ferney Camanho, 36, elogiou um serviço que é alvo constante de reclamações dos cariocas. “Vocês têm a disposições muito mais linhas de ônibus e metrô, o que não existe onde vivo”, relatou. “O povo é muito musical, está sempre na rua escutando música”, disse.

‘O povo é feliz, de braços abertos, como o Redentor’ 
Entre todos os estrangeiros ouvidos pela reportagem, uma característica foi citada com unanimidade: o carisma do carioca. “O povo é muito feliz e vive se abraçando, de braços abertos, como o Cristo Redentor. São ‘soltos’, divertidos. Meus conterrâneos são mais fechados”, disse o estudante dinamarquês Andreas Hybschmann, de 20 anos.

O arquiteto americano John Cohen, 32, elogiou a boa vontade quando precisou de carona. “Na Califórnia, as pessoas ficam com pé atrás. Mas consegui pegar uma carona aqui com facilidade e foram muitos simpáticos e gentis comigo”, afirmou. “Todos comem melhor e são mais magros que os americanos. As frutas são frescas e deliciosas”, elogiou. 

O estudante jamaicano Karia Kareen Francis, 25, viu similaridades entre o seu país e o nosso. “O espírito e energia são muito parecidos. Somos solares, gostamos de beber, confraternizar e festejar”, disse.

Em greve, funcionários de consulados do Brasil reclamam de condições de trabalho

Os funcionários locais do Consulado-Geral do Brasil em Paris, em solidariedade à Associação Internacional dos Funcionários Servidores Locais do Ministério das Relações Exteriores, paralisarão suas atividades.

Os funcionários locais do Consulado-Geral do Brasil em Paris, em solidariedade à Associação Internacional dos Funcionários Servidores Locais do Ministério das Relações Exteriores, paralisarão suas atividades.
 

Funcionários locais do serviços consulares do Brasil em 17 cidades dos Estados Unidos, Canadá e Europa iniciaram nesta terça-feira (13) uma greve de 48 horas para pedir um plano de carreiras e salários e melhores condições de trabalho.

Com o objetivo de chamar a atenção para as condições de trabalho consideradas “precárias”, funcionários locais de consulados e embaixadas do Brasil fazem uma paralisação até esta quarta-feira (14). Entre as cidades afetadas na Europa estão Paris, Londres, Genebra, Milão, Bruxelas e nos Estados Unidos os consulados gerais de Nova York, Atlanta, Los Angeles e São Francisco.

Com a paralisação, ficam prejudicados serviços para brasileiros como a emissão de passaportes e de outros documentos. “Ficará sensivelmente prejudicado o processamento de pedidos de visto, especialmente para os estrangeiros que pretendem vir ao Brasil para prestigiar a Copa do Mundo”, informa comunicado da Aflex (Associação dos Funcionários Servidores Locais do Ministério das Relações Exteriores no Exterior).

 

 
Os funcionários locais do Consulado-Geral do Brasil em Paris paralisarão suas atividades nestes dias 13 e 14 de maio.

AFLEX

O objetivo da Aflex é atingir os postos-chave na representação brasileira no exterior. Márcia Ramos, funcionária local do Consulado Brasileiro em Paris e membro da Aflex explica, em entrevista àRFI, o motivo da greve. “Desde 2011, a AFLEX tem tentado um canal de comunicação com o Ministério das Relações Exteriores devido à fragilidade na qual nos encontramos. A legislação de 1997 considerou os locais como regidos pelas leis dos países nos quais estão lotados. Mas existem locais muito antigos que ficaram sem a cobertura local do país e sem a cobertura do Brasil”.

Segundo Márcia Ramos, essa situação gera um “limbo jurídico” para os funcionários locais que são privados de um regime de aposentadoria e de auxílio no caso de perda do emprego.

Assédio e discriminação

Para além das questões de carreira e da defasagem salarial em vários países, a Aflex também se queixa de problemas de assédio moral e de sobrecarga de trabalho. “No caso do consulado da França, temos, desde 1998, o mesmo número de funcionários locais: 13. Mas o número de brasileiros cresceu e as demandas também se diversificaram”, argumenta Márcia Ramos. Ela também afirma que, em países onde a questão do pagamento de horas-extras não é regulamentada, os funcionários são obrigados a trabalhar “sem nenhuma remuneração adicional”.

A Aflex também lamenta que, nesse período que antecede a Copa do Mundo, o MRE não tenha reforçado os quadros dos consulados e embaixadas para dar conta do volume de pedidos de estrangeiros.

A associação também defende a união com outros sindicatos de trabalhadores dos serviços diplomáticos e consulados brasileiros, como o Sinditamaraty, a Asof e a Abed. “Essa união acarretará melhorias nas condições dos pontos de trabalho no exterior e, também, vai melhorar o atendimento ao público”, diz Márcia Ramos.

Reportagem 13/05/14

 
13/05/2014
 
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 Outro lado

O Itamaraty afirma que os salários dos funcionários locais seguem a legislação e as condições de mercado de trabalho dos países nos quais eles atuam. Em caso de reclamações trabalhistas, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil aconselha os empregados a levarem o problema à Justiça local.

População da Espanha registra queda com saída de estrangeiros

AFP – Agence France-Presse

22/04/2014 

A população da Espanha caiu em 2013, pelo segundo ano consecutivo, a 46,7 milhões de pessoas, em consequência da saída de vários estrangeiros do país, abalado pela crise econômica.

Em 1º de janeiro de 2014 o país tinha 46.725.164 habitantes, o que representa 404.619 pessoas a menos (-0,9%) que um ano antes, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

O número de residentes espanhóis até registrou leve alta, de 0,3%, a 41,7 milhões, mas o de estrangeiros caiu 9,8%, a cinco milhões.

As pessoas nascidas nos países da União Europeia foram particularmente numerosas em abandonar o país, com uma queda de 13,3%, a dois milhões.

A principal comunidade estrangeira na Espanha, os romenos, viram sua população cair em 8,6%, a 795.500.

Mas as quedas mais expressivas vieram de britânicos (-22,8%, a 297.300), alemães (-23,6%, a 138.900), portugueses (-15,3%, a 109.400) e franceses (-12,7%, a 102.900).

A Espanha também registrou a queda expressiva de sul-americanos, tradicionais imigrantes no país.

Entre as principais nacionalidades presentes na Espanha, apenas a comunidade chinesa registrou alta em 2013, de 2%, com 185.250 pessoas.

A Espanha sofre há mais de cinco anos com a crise econômica, que elevou a taxa de desemprego a mais de 26%.