Arquivo da tag: Falta de Água

Com volume morto, nível do Sistema Cantareira cai para 21,9%

Sistema tem registrado baixa no nível de armazenamento há 33 dias consecutivos

REUTERS

São Paulo – O nível do Sistema Cantareira, principal conjunto de reservatórios de água da região metropolitana de São Paulo, recuou para 21,9% nesta segunda-feira, segundo dados da companhia de saneamento e abastecimento do estado, Sabesp.

O dado considera o uso da chamada “reserva técnica” ou “volume morto”, água que está abaixo do nível de captação das comportas das represas e precisa ser bombeada para chegar às estações de tratamento. Desconsiderando esse volume, o nível do sistema seria atualmente de 3,4%.

O Cantareira tem registrado baixa no nível de armazenamento há 33 dias consecutivos, numa média de redução diária de 0,1 ponto percentual. O Estado enfrenta a pior crise hídrica em 80 anos, diante de um início de ano com chuvas bem abaixo da média que não serviram para recuperar represas para temporada de estiagem do inverno, cujo pico ocorre entre julho e setembro.

Se o ritmo de redução do nível de água do Sistema Cantareira for mantido, o volume armazenado será esgotado entre final de janeiro e início de fevereiro do próximo ano.

Desconsiderando o volume morto, o nível do sistema seria atualmente de 3,4%

Foto:  Reuters

A Sabesp tem calculado que o Sistema Cantareira poderá continuar fornecendo água à população até março, considerando expectativas de meteorologistas de retorno das chuvas a partir do final de setembro.

Segundo o grupo de usuários de água Consórcio PCJ, desde o início do ano choveu 300 milímetros a menos do que a média histórica do sistema e a vazão de água que entra no Cantareira foi 60% menor que a média histórica para o período. O grupo inclui 30 grandes empresas, como a cervejaria Ambev.

Além dos cerca de 9 milhões de moradores da região metropolitana de São Paulo, o Sistema Cantareira abastece cidades do interior do estado. Porém, a crise fez a Sabesp atender cerca de 2 milhões de pessoas desse universo com água de outros sistemas, como o Guarapiranga e Alto Tietê, que exibiam níveis de 73,2% e 27,4%, respectivamente, nesta segunda-feira.

Além da transferência de água entre sistemas, a Sabesp implantou a partir de fevereiro medida de incentivo à economia pela população na forma de desconto nas contas. O programa foi ampliado nos meses seguintes e atualmente envolve cerca de 19 milhões de habitantes, nos 31 munícipios atendidos pela Sabesp na região metropolitana e 11 cidades da região Bragantina, no noroeste do estado.

Segundo a empresa, atualmente 91% da população reduziu consumo de água. Desse total, 54% cortou o consumo médio em pelo menos 20%, o suficiente para terem direito ao desconto de 30% na conta.

A Sabesp afirmou que desde fevereiro a produção no Sistema Cantareira tem caído sem parar. Naquele mês, saíam 31.770 litros por segundo da Estação de Tratamento de Água Guaraú. Em março, a produção média diminuiu para 27.650 litros; em abril foram 25.200 litros e em maio, a média até o dia 13 foi de 23.180.

A redução no período foi de 8.590 litros por segundo. “Essa água é suficiente para abastecer 2,6 milhões de habitantes, uma cidade do porte de Fortaleza”, afirmou a Sabesp, sem comentar se poderá implantar novas medidas para enfrentar a estiagem nos próximos meses.

Em cidade de SP com racionamento, morador perde emprego por falta de banho Leia mais em: http://zip.net/bqnp4c

Fabiana Marchezi

Do UOL, em Campinas (SP)

O racionamento de água em Valinhos (a 89 km de São Paulo) já afeta o dia a dia dos moradores e a situação pode piorar. A Prefeitura pode estender nas próximas semanas o racionamento de água de 36 horas para 48h semanais, caso a captação da cidade continuem baixos.

Muitos moradores já perderam compromissos importantes por não terem água para tomar banho, como o caso do pedreiro Nelson da Costa, de 51 anos. “É triste essa situação, eu deixei de pegar uma obra porque não tinha como ir conversar com a pessoa todo sujo. Passei o dia inteiro trabalhando em uma outra construção e estava sujo. Não dava pra ir falar com ninguém daquele jeito. Se o tempo sem água aumentar mesmo, nossa situação vai piorar ainda mais. A gente chega do trabalho cansado, sujo e não pode tomar banho”, lamentou.

A filha dele, Daniele da Costa, contou que deixou de ir ao aniversário de 15 anos de uma amiga pelo mesmo problema. “Perdi um festão. O aniversário caiu bem no dia do nosso rodízio. Aí acabei não indo”, disse. A família tem tentado economizar água ao máximo. “Mesmo enchendo a caixa na noite anterior, está bem difícil. Não podemos usar água pra nada. A louça fica toda suja na pia, as plantas estão todas morrendo. Eu tinha bananeira, abacateiro, mangueira, mas está tudo seco. A água que eu bato a roupa no tanquinho, aproveito para lavar os braços e jogar um pouco no chão pra tirar a poeira”, disse o pai.

Ampliar

Falta de chuvas afeta abastecimento de água em São Paulo62 fotos

56 / 62

15.mai.2014 – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), e uma delegação observa água escorrer do reservatório Jaguari, que faz parte do sistema Cantareira, um dos principais no abastecimento da cidade de São Paulo. O governo acionou nesta quinta-feira (15) o conjunto de bombas que darão início à captação de água do “volume morto” do Sistema Cantareira. Alckmin afirmou que essa água é “igual” a que é usada atualmenteLeia mais Rogerio Casemiro/Reuters

Racionamento há três meses

Segundo o Departamento de Água e Esgoto (Daev), a medida tem o objetivo de garantir abastecimento aos moradores no inverno, período típico de estiagem. O racionamento na cidade começou há mais de três meses.

Neste período, Valinhos reduziu a oferta diária de água em 7 milhões de litros, o que gerou economia de 679 milhões de litros, volume suficiente para abastecer o município por 17 dias. Em abril, o Daev confirmou que o racionamento deve continuar ao menos até setembro.

No esquema atual, o município foi dividido em sete regiões e cada uma delas tem o abastecimento interrompido por 18 horas, duas vezes por semana, ou seja, cada morador fica 36 horas semanais sem água. Caso a medida seja ampliada, o fornecimento será suspenso nos mesmos dias, mas com acréscimo de seis horas diárias, somando 48 horas semanais.

Segundo o Daev, a situação dos mananciais é monitorada diariamente, inclusive do Sistema Cantareira, que é responsável por metade do abastecimento da cidade por meio do Rio Atibaia. Para o departamento, a opção de aumentar o número de horas no mesmo dia é melhor do que ampliar o número de dias com abastecimento suspenso, mesmo que houvesse diminuição do período de corte no serviço aos consumidores.

“Caso seja preciso, é melhor ficar mais horas sem água em um mesmo dia para não alterar ainda mais a rotina e os moradores terem de se adaptar novamente a ficar mais um dia sem água. Até porque os imóveis que têm caixas d’água proporcionais ao total de moradores suportam um dia de desabastecimento. Mas tudo ainda é possibilidade. Caso haja mesmo a necessidade, faremos a devida divulgação à população para que ninguém seja pego de surpresa”, explicou a assessoria.

Uma outra medida adotada pela Prefeitura para tentar amenizar a crise hídrica é levantar a documentação para pedir ao Daee a outorga que permite captação de água dos córregos Ponte Alta e Invernada, que hoje não têm água aproveitada. A aplicação de multa por desperdício de água também foi uma opção encontrada pela Administração que, segundo o Daev, vem dando resultados positivos. “Desde o início do racionamento foram cerca de 120 multas, mas depois disso, a população se conscientizou e as denúncias diminuíram bastante”, afirmou a assessoria. O valor da multa, de R$ 336, pode dobrar em caso de reincidência.

Por causa das multas, Rosangela Aparecida Assis Rocha, 40 anos, responsável pela limpeza de uma igreja no bairro São Bento, está sentindo na pele os efeitos da falta d` água. Desde o início do rodízio, ela está proibida de lavar os vitrais do templo com a mangueira, o que dificulta o trabalho e leva muito mais tempo. “O trabalho não rende. Com a mangueira é rapidinho. Limpar só com pano e água não é a mesma coisa. Além de ser mais demorado e mais cansativo, parece até que não limpa direito. Está bem difícil, mas a gente precisa fazer a parte da gente pra não faltar água de vez, né?”, reclamou.

 

Leia mais em: http://zip.net/bqnp4c

Crise do Sistema Cantareira já afeta comerciantes

Estadão Conteúdo

A crise hídrica já afeta o dia a dia do comércio abastecido pelo Sistema Cantareira, o principal reservatório da Grande São Paulo. Compra de caixas maiores, contratação de caminhões-pipa e aquisição de equipamentos para reúso de água, por exemplo, já são gastos extras impostos pelo baixo nível das represas. Há comerciantes, porém, como os do setor de lavagem de automóveis, que têm visto o movimento aumentar.

Em um posto de gasolina da Vila Santa Maria, na zona norte, a demanda pelo serviço de lavagem cresceu 50% desde que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) começou a aplicar o bônus para quem economizar. “Ninguém quer mais lavar o carro em casa”, disse o frentista Genilson dos Santos, de 33 anos. Para garantir o serviço, os donos do posto já começaram a comprar caminhões-pipa e cortaram o gasto com água da rua.

Contra o desperdício, Edival Severino, de 63 anos, de um lava-rápido do Bairro do Limão, na zona norte, mudou a estratégia de trabalho. “Uso balde de água e não o jato para lavar os tapetes. Ensaboo o carro primeiro e depois passo o jato de uma só vez”, disse. “É importante economizar. Na minha casa já falta água toda semana.”
 

Com promessa de volume morto, Cantareira chega a 8,4%

O reservatório da Sistema Cantareira, na Grande São Paulo, voltou a registrar mais um recorde negativo nesta quarta-feira. A queda de nível, que era de 0,1% a cada dia nas semanas anteriores, se intensificou nesta semana e tem atingido o nível de 0,2% de esvaziamento diário. Hoje, o Sistema Cantareira chegou a 8,4% de sua capacidade total.

Neste mês na região da Cantareira foi registrado apenas 0,7 mm de chuva. Com isso, haverá a retirada de água do volume morto, o que deve acontecer ainda esta semana. Segundo o governo, com a estratégia o Sistema terá mais 18,5%.

A falta de precipitação colocou o reservatório em estado crítico pela primeira vez de sua história. Há um mês, o índice estava em 17,6%. Em 2012, o nível estava em 73,6%. Em 2011, estava em 93,7%, e em 2010, em 99,6%. Até o momento, a pluviometria acumulada do mês é de 0,6 milímetros, enquanto que a média história de maio é de 83,2 milímetros.

Para evitar um colapso no abastecimento de água para cerca de 9 milhões de pessoas, a Sabesp propôs a cobrança de multa de 30% aos consumidores que excederem o gasto médio de água. Além disso, o governo paulista lançou um bônus dado aos clientes que conseguem reduzir o consumo em 30%. Essa ação permitiu uma queda de 76% no consumo em março, e 81% em abril.

Fonte: Terra

SP: Sistema Cantareira opera com 10,1% após nova queda

ImagemA capacidade do Sistema Cantareira caiu novamente neste domingo. A queda foi de 0,2 ponto percentual, chegando a 10,1% de sua capacidade total e batendo um novo recorde negativo. Cantareira pode secar na final da Copa se média for mantida. Segundo o grupo técnico de Assessoramento para Gestão do Sistema Cantareira, o volume útil do sistema deverá se esgotar no início de julho. Para tentar contornar esta situação, o Governo anunciou, em conjunto com a Sabesp, que o consumidor que economizar 20% de água terá 30% de desconto na conta. Em paralelo, as pessoas que gastarem mais água pagarão multa, que começou a ser aplicada neste mês.

Para tentar minimizar os transtornos, na última quarta-feira, a Agência Nacional de Águas (ANA) reduziu a capacidade de captação de água do Cantareira. O volume máximo de retirada para abastecer a grande São Paulo foi reduzido de 24,8 para 22,4 metros cúbicos por segundo (m³/s).

Fonte: Terra

Para Idec, multa por desperdício de água é ilegal Agência Estado Publicação: 23/04/2014 09:07 Atualização: São Paulo, 23 – Entidades de defesa dos diretos dos consumidores classificaram como “ilegal” a proposta apresentada anteontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) de multar os consumidores que gastam mais água. Os cerca de 17 milhões de moradores da Grande São Paulo abastecidos pela Companhia do Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) poderão ser penalizados. A lógica que o governo classifica como “ônus” é a mesma do desconto para quem economiza água, mas no sentido inverso: um acréscimo tarifário de 30% na conta para quem gastar mais de 20% acima da média. Segundo Carlos Thadeu de Oliveira, gerente do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), para aplicar a multa, é necessário que o governo do Estado assuma que há racionamento na cidade de São Paulo. “Eles não querem assumir o ônus de que há o racionamento”, afirmou. Ele acredita que a gestão Alckmin teve “bastante tempo” para prever a crise no Sistema Cantareira. “Isso [a multa]seria considerado (correto) se houvesse uma tragédia”, disse. Para propor a punição, segundo Oliveira, o Estado usa como base um decreto federal. Segundo o parágrafo único do texto da lei, “a tarifa de contingência, caso adotada, incidirá, preferencialmente, sobre os consumidores que ultrapassarem os limites definidos no racionamento”. “O governador terá de vir a público e assumir que há racionamento de água em São Paulo”, afirmou Oliveira. O presidente da Comissão de Direito do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Marco Antonio Araujo Junior, disse que a proposta não está de acordo com o decreto que é usado como justificativa. “O tempo todo, o governo diz que não há racionamento e que há campanha de bônus. No entanto, sabemos que bairros estão deixando de receber água durante a madrugada. Primeiramente, eles precisam declarar uma situação crítica de escassez. Eles precisam, de fato, dizer que há racionamento na capital.” Caminho Segundo a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), a ideia do “ônus” deve passar pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Depois, de acordo com a Arsesp, a proposta é avalizada pela Procuradoria-Geral do Estado. Durante evento em Botucatu, no interior paulista, Alckmin comentou ontem a multa: “Não queremos arrecadar nada, queremos evitar o desperdício”. Já a Sabesp negou que exista rodízio ou racionamento de água. A concessionária afirmou que vai propor um “acréscimo tarifário para conscientização”. A companhia afirmou que usa como base a Lei Federal 11.445/2007. O artigo 46 diz que, “em situação crítica de escassez ou contaminação de recursos hídricos que obrigue à adoção de racionamento, declarada pela autoridade gestora de recursos hídricos, o ente regulador poderá adotar mecanismos tarifários de contingência, com objetivo de cobrir custos adicionais decorrentes, garantindo o equilíbrio financeiro da prestação do serviço e a gestão da demanda”.

23/04/2014

São Paulo, 23 – Entidades de defesa dos diretos dos consumidores classificaram como “ilegal” a proposta apresentada anteontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) de multar os consumidores que gastam mais água. Os cerca de 17 milhões de moradores da Grande São Paulo abastecidos pela Companhia do Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) poderão ser penalizados.


A lógica que o governo classifica como “ônus” é a mesma do desconto para quem economiza água, mas no sentido inverso: um acréscimo tarifário de 30% na conta para quem gastar mais de 20% acima da média.

Segundo Carlos Thadeu de Oliveira, gerente do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), para aplicar a multa, é necessário que o governo do Estado assuma que há racionamento na cidade de São Paulo. “Eles não querem assumir o ônus de que há o racionamento”, afirmou. Ele acredita que a gestão Alckmin teve “bastante tempo” para prever a crise no Sistema Cantareira. “Isso [a multa]seria considerado (correto) se houvesse uma tragédia”, disse.

Para propor a punição, segundo Oliveira, o Estado usa como base um decreto federal. Segundo o parágrafo único do texto da lei, “a tarifa de contingência, caso adotada, incidirá, preferencialmente, sobre os consumidores que ultrapassarem os limites definidos no racionamento”. “O governador terá de vir a público e assumir que há racionamento de água em São Paulo”, afirmou Oliveira.

O presidente da Comissão de Direito do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Marco Antonio Araujo Junior, disse que a proposta não está de acordo com o decreto que é usado como justificativa. “O tempo todo, o governo diz que não há racionamento e que há campanha de bônus. No entanto, sabemos que bairros estão deixando de receber água durante a madrugada.

Primeiramente, eles precisam declarar uma situação crítica de escassez. Eles precisam, de fato, dizer que há racionamento na capital.”

Caminho

Segundo a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), a ideia do “ônus” deve passar pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Depois, de acordo com a Arsesp, a proposta é avalizada pela Procuradoria-Geral do Estado.

Durante evento em Botucatu, no interior paulista, Alckmin comentou ontem a multa: “Não queremos arrecadar nada, queremos evitar o desperdício”.

Já a Sabesp negou que exista rodízio ou racionamento de água. A concessionária afirmou que vai propor um “acréscimo tarifário para conscientização”.

A companhia afirmou que usa como base a Lei Federal 11.445/2007. O artigo 46 diz que, “em situação crítica de escassez ou contaminação de recursos hídricos que obrigue à adoção de racionamento, declarada pela autoridade gestora de recursos hídricos, o ente regulador poderá adotar mecanismos tarifários de contingência, com objetivo de cobrir custos adicionais decorrentes, garantindo o equilíbrio financeiro da prestação do serviço e a gestão da demanda”.

 

Agência Estado

Publicação: 23/04/2014 09:07 Atualização:

São Paulo, 23 – Entidades de defesa dos diretos dos consumidores classificaram como “ilegal” a proposta apresentada anteontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) de multar os consumidores que gastam mais água. Os cerca de 17 milhões de moradores da Grande São Paulo abastecidos pela Companhia do Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) poderão ser penalizados.

A lógica que o governo classifica como “ônus” é a mesma do desconto para quem economiza água, mas no sentido inverso: um acréscimo tarifário de 30% na conta para quem gastar mais de 20% acima da média.

Segundo Carlos Thadeu de Oliveira, gerente do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), para aplicar a multa, é necessário que o governo do Estado assuma que há racionamento na cidade de São Paulo. “Eles não querem assumir o ônus de que há o racionamento”, afirmou. Ele acredita que a gestão Alckmin teve “bastante tempo” para prever a crise no Sistema Cantareira. “Isso [a multa]seria considerado (correto) se houvesse uma tragédia”, disse.

Para propor a punição, segundo Oliveira, o Estado usa como base um decreto federal. Segundo o parágrafo único do texto da lei, “a tarifa de contingência, caso adotada, incidirá, preferencialmente, sobre os consumidores que ultrapassarem os limites definidos no racionamento”. “O governador terá de vir a público e assumir que há racionamento de água em São Paulo”, afirmou Oliveira.

O presidente da Comissão de Direito do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Marco Antonio Araujo Junior, disse que a proposta não está de acordo com o decreto que é usado como justificativa. “O tempo todo, o governo diz que não há racionamento e que há campanha de bônus. No entanto, sabemos que bairros estão deixando de receber água durante a madrugada.

Primeiramente, eles precisam declarar uma situação crítica de escassez. Eles precisam, de fato, dizer que há racionamento na capital.”

Caminho

Segundo a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), a ideia do “ônus” deve passar pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Depois, de acordo com a Arsesp, a proposta é avalizada pela Procuradoria-Geral do Estado.

Durante evento em Botucatu, no interior paulista, Alckmin comentou ontem a multa: “Não queremos arrecadar nada, queremos evitar o desperdício”.

Já a Sabesp negou que exista rodízio ou racionamento de água. A concessionária afirmou que vai propor um “acréscimo tarifário para conscientização”.

A companhia afirmou que usa como base a Lei Federal 11.445/2007. O artigo 46 diz que, “em situação crítica de escassez ou contaminação de recursos hídricos que obrigue à adoção de racionamento, declarada pela autoridade gestora de recursos hídricos, o ente regulador poderá adotar mecanismos tarifários de contingência, com objetivo de cobrir custos adicionais decorrentes, garantindo o equilíbrio financeiro da prestação do serviço e a gestão da demanda”.

Falta de água atormenta moradores

Falta de água atormenta moradores

ALECY ALVES
Da Reportagem do Diáriod e Cuiabá

Tomar banho de caneca, levar as roupas para lavar em casas de parentes e, o mais grave, fazer as necessidades fisiológicas em recipientes que podem ser descartados porque estão sem água até para jogar no vaso sanitário. 

Essas são algumas das situações constrangedoras relatadas por moradores do bairro CPA IV, geradas pela falta de água. Dona F.S., uma das primeiras moradores da primeira etapa do bairro, diz que sente vergonha em conta o que chegou fazer, perto de completar 70 anos de idade, por não ter água em casa. “Defecar sobre papel e por no lixo”, disse, sem se identificar. 

De acordo com Elediane Aparecida Gorgonha, a expectativa dos moradores era a que a privatização dos serviços de água e esgoto melhorasse o abastecimento. Mas, ao contrário, piorou ao ponto de ficarem até semana sem água. 

Na casa onde mora com a mãe, reclama, paga R$ 60 ao mês e precisa passar madrugadas acordada esperando a água chegar com mais força na torneira para que possa encher pelo menos os reservatórios que ficam no chão. 

Situação similar enfrentam comerciantes do bairro. Valcir da Silva Ferreira, gerente de uma farmácia que fica na avenida principal, diz que para manter o prédio limpo precisam comprar água. “Vendemos saúde, precisamos ter uma boa apresentação do ambiente”, observa. 

Conforme Valcir Ferreira, a farmácia já chegou passa uma semana sem receber um a gota de água na rede da CAB-Cuiabá. Ao telefonar para reclamar, segundo ele, acaba ouvindo as mesmas desculpas, ou seja, que choveu demais e desconsertou algum equipamento, que faltou chuva, que teve queda de energia… Isso, quando consegue falar com algum atendente, observa. 

Por causa de problemas, que se arrastavam há anos e que se agravaram com a mudança de gestão, os moradores organizam um abaixo-assinado para acionar a companhia de abastecimento judicialmente. Vão protocolar o documento no Ministério Público. 

A CAB explicou que o abastecimento é intermitente, dia sim, dia não, é que no dia seis de abril, por conta de uma parada no fornecimento de energia elétrica o abastecimento ficou comprometido. 

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio