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Corte Europeia dos Direitos Humanos valida proibição da burca na França

A Corte Europeia dos Direitos Humanos pronunciou-se nesta terça-feira (1°) sobre a proibição do uso de véu islâmico integral na França.

A Corte Europeia dos Direitos Humanos pronunciou-se nesta terça-feira (1°) sobre a proibição do uso de véu islâmico integral na França.

Flickr| Creative Commons|RFI

A Corte Europeia dos Direitos Humanos validou nesta terça-feira (1°) a lei francesa de 2010 que proíbe “dissimular o rosto” no espaço público, sobretudo usando um véu islâmico integral, como a burca ou o niqab. Ao mesmo tempo, os juízes de Estrasburgo avaliaram que essa lei pode alimentar “estereótipos”.

O tribunal de Estrasburgo não acatou a queixa de uma francesa muçulmana de origem paquistanesa que denunciava a proibição do uso da burca no espaço público como uma violação de sua privacidade e de sua liberdade de religião.

A jurisdição do Conselho Europeu avalia que a lei francesa é “proporcional” ao objetivo pretendido quando se trata de preservar “o convívio social”, mas não aceita os argumentos do governo francês baseados na segurança ou na igualdade entre homens e mulheres. A decisão da corte, por uma maioria de 15 votos a 2, é definitiva.

A lei de 15 de outubro de 2010 prevê uma multa de 150 euros, o equivalente a 450 reais, para quem “dissimular o rosto” no espaço público. A multa pode ser acompanhada ou substituída por um curso de cidadania.

A legislação não visa especificamente as muçulmanas. Mas foi o aumento do uso do véu integral islâmico, cujas adeptas eram estimadas em cerca de duas mil mulheres em 2010, que levou a ministra da Justiça da época, Michèle Alliot-Marie, a defender o texto.

Estereótipos

Em sua decisão, a Corte Europeia aponta os argumentos preconceituosos em relação ao Islã que haviam surgido durante o debate sobre o tema na França e avalia que “um Estado que inicia um processo legislativo desse tipo corre o risco de contribuir para consolidar os estereótipos que afetam certas categorias de pessoas e de encorajar a expressão da intolerância”.

Em compensação, a corte elogia o fato “que essa proibição não se baseia explicitamente na conotação religiosa das roupas visadas, mas somente no fato que elas dissimulam o rosto”. Ela “não afeta a liberdade de usar no espaço público toda roupa ou elemento do vestuário – com ou sem conotação religiosa – que não esconda o rosto”, acrescenta o texto.

A questão do uso do véu integral agita atualmente vários Estados europeus. A Bélgica adotou em 2011 uma lei similar à da França, e o cantão suíço de Tessin fez o mesmo em setembro de 2013. Procedimentos legislativos para restringir o uso da burca e do niqab estão em andamento na Itália e na Holanda.

Sarkozy é detido em investigação por tráfico de influência

Segundo imprensa francesa, agentes o colocaram em regime de ‘garde à vue’ (prisão preventiva)

EFE

França – O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi intimado para um interrogatório nesta terça-feira e colocado sob custódia da Polícia Judiciária de Nanterre, cidade próxima a Paris, pelas suspeitas de sua relação em um caso de tráfico de influências e violação do sigilo da investigação. Segundo a imprensa francesa, os agentes o colocaram em regime de “garde à vue” (prisão preventiva), uma medida inédita para um ex-presidente e durante a qual ficará detido pela Polícia Judiciária, com direito à assistência jurídica, o que permite que seja interrogado em até 48 horas.

Ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy

Foto:  Reuters

Os investigadores tentam determinar se o ex-chefe de Estado e algumas pessoas de seu entorno criaram uma “rede” de informações que o deixava a par da evolução dos processos judiciais que o envolviam entre 2007 e 2012.

Sarkozy chegou à sede policial pouco depois das 8h locais (3h de Brasília) e um dia depois que foram interrogados seu advogado, Thierry Herzog, e dois juízes do alto escalão da Corte de Apelação francesa, Gilbert Azibert e Patrick Sassoust, que permanecem em regime de prisão preventiva.

Azibert, que é ligado ao advogado do ex-presidente, é suspeito de receber informações de conselheiros do Supremo Tribunal francês sobre os avanços na investigação do suposto financiamento ilegal da campanha que levou Sarkozy à Presidência. De acordo com essa tese, o defensor de Sarkozy prometeu ao magistrado, em contrapartida, que o ex-presidente o ajudaria a conseguir um cargo na administração de Mônaco.

O caso investiga, entre outros assuntos, se Sarkozy recebeu financiamento ilegal para sua campanha presidencial por parte da multimilionária herdeira do grupo de cosméticos L’Oréal, Liliane Bettencourt, e do deposto ditador líbio Muammar Kadafi.

A investigação estava relacionada, originalmente, com as averiguações iniciadas em abril de 2013 para determinar se parte da campanha que levou Sarkozy à Presidência foi financiada pelo regime líbio. Os grampos aos quais Sarkozy foi submetido posteriormente levaram à abertura, em fevereiro, de uma investigação judicial pelas acusações de “violação do sigilo da investigação” e de “tráfico de influências”.

Polícia francesa bloqueia local onde ex-presidente Sarkozy presta depoimento

Foto:  Reuters

 

 

Polícia italiana apreende recorde de haxixe no litoral da Sicília

AFP – Agence France-Presse

27/06/2014 

A policia financeira italiana apreendeu esta semana 42,7 toneladas de haxixe no litoral da Sicília, uma recorde na Europa.

A droga estava no cargueiro “Aberdeen”, com bandeira de Togo e no qual viajavam um grupo de libaneses e a tripulação formada por indianos e sírios, informou o Serviço de Alfândega Francês.

O barco se dirigia para um porto do Mediterrâneo oriental, talvez na Líbia, Grécia ou Albânia, e depois a droga iria circular pela Europa ocidental.

França ordena extradição de suspeito de ataque a museu judaico belga

Chegada ao Tribunal do suposto autor do atentado contra o Museu Judaico de Bruxelas, Mehdi Nemmouche.

Chegada ao Tribunal do suposto autor do atentado contra o Museu Judaico de Bruxelas, Mehdi Nemmouche|REUTERS/Benoit Tessier
RFI

A justiça francesa ordenou, nesta quinta-feira (26), a extradição para a Bélgica do suspeito de ser o autor do atentado que matou quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas, no dia 24 de maio. O franco-argelino Mehdi Nemmouche, de 29 anos, preferia ter sido julgado na França.

A defesa alegava que o suspeito temia ser enviado da Bélgica para Israel, país de duas das vítimas. Mas o Tribunal de Versalhes, que julgou o caso, decidiu acatar o pedido de mandado de prisão europeu por assassinato no contexto de uma ação terrorista.

O suposto atirador disse que vai recorrer da decisão. Ele tem três dias para entrar com o recurso. “É direito dele e ele pretende exercê-lo”, declarou o advogado, Apolin Pepiezep. Após a deposição do recurso, justiça pode levar 40 dias para se pronunciar.

A justiça concedeu a extradição por considerar o procedimento das autoridades belgas “regular”. A Bélgica emitiu um mandado de prisão europeu contra Nemmouche por “assassinatos em um contexto terrorista”.

Reação silenciosa

O acusado, de 29 anos, chegou à audiência sorridente e relaxado, levado por agentes penitenciários de elite. Ele acenou para familiares que estavam na sala. Diante da do anúncio da decisão, o suspeito ficou em silêncio.

Nemmouche, que já tinha cumprido pena de prisão por outros crimes, ingressou no islamismo radical durante a detenção. Ele é suspeito de ter aberto fogo contra o museu judaico e depois ter fugido a pé do local. Além dos dois israelenses, uma aposentada francesa e um funcionário belga do estabelecimento foram mortos no ataque. O acusado foi preso ao chegar em Marselha, de ônibus. Ele levava uma sacola na qual estava a arma do crime. 
 

 
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França ordena extradição de suspeito de ataque a museu judaico belga

Chegada ao Tribunal do suposto autor do atentado contra o Museu Judaico de Bruxelas, Mehdi Nemmouche.

Chegada ao Tribunal do suposto autor do atentado contra o Museu Judaico de Bruxelas, Mehdi Nemmouche.

REUTERS/Benoit Tessier
RFI

A justiça francesa ordenou, nesta quinta-feira (26), a extradição para a Bélgica do suspeito de ser o autor do atentado que matou quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas, no dia 24 de maio. O franco-argelino Mehdi Nemmouche, de 29 anos, preferia ter sido julgado na França.

 

A defesa alegava que o suspeito temia ser enviado da Bélgica para Israel, país de duas das vítimas. Mas o Tribunal de Versalhes, que julgou o caso, decidiu acatar o pedido de mandado de prisão europeu por assassinato no contexto de uma ação terrorista.

O suposto atirador disse que vai recorrer da decisão. Ele tem três dias para entrar com o recurso. “É direito dele e ele pretende exercê-lo”, declarou o advogado, Apolin Pepiezep. Após a deposição do recurso, justiça pode levar 40 dias para se pronunciar.

A justiça concedeu a extradição por considerar o procedimento das autoridades belgas “regular”. A Bélgica emitiu um mandado de prisão europeu contra Nemmouche por “assassinatos em um contexto terrorista”.

Reação silenciosa

O acusado, de 29 anos, chegou à audiência sorridente e relaxado, levado por agentes penitenciários de elite. Ele acenou para familiares que estavam na sala. Diante da do anúncio da decisão, o suspeito ficou em silêncio.

Nemmouche, que já tinha cumprido pena de prisão por outros crimes, ingressou no islamismo radical durante a detenção. Ele é suspeito de ter aberto fogo contra o museu judaico e depois ter fugido a pé do local. Além dos dois israelenses, uma aposentada francesa e um funcionário belga do estabelecimento foram mortos no ataque. O acusado foi preso ao chegar em Marselha, de ônibus. Ele levava uma sacola na qual estava a arma do crime. 

Jornais analisam batalha judicial sobre eutanásia de paciente francês

Capa dos jornais franceses Libération, Le Figaro e La Croix desta quarta-feira, 25 de junho de 2014.

Capa dos jornais franceses Libération, Le Figaro e La Croix desta quarta-feira, 25 de junho de 2014|RFI

A imprensa francesa desta quarta-feira (25) analisa as duas decisões contraditórias sobre o futuro de Vincent Lambert anunciadas na terça-feira pela justiça francesa e pela Corte Europeia dos Direitos Humanos. Esse francês tetraplégico de 38 anos é mantido vivo por aparelhos em um hospital de Reims, no leste da França.

A mulher e alguns dos irmãos de Vincent Lambert pedem a autorização judicial para interromper a alimentação artificial e deixá-lo morrer, enquanto os pais e dois outros irmãos lutam para mantê-lo em vida. O caso emociona a opinião pública francesa.

Nesta terça-feira, o Conselho de Estado da França validou a legalidade da eutanásia passiva já iniciada duas vezes pelo hospital onde Vincent Lambert está internado. A justiça levou em conta o fato de que ele está em estado vegetativo desde 2008, sem nehuma esperança de melhora. Além disso, vários parentes e amigos de Lambert testemunharam que o francês havia declarado várias vezes, antes de sofrer o acidente que o deixou tetraplégico, que não desejava ser mantido em vida artificialmente.

Um pouco mais tarde, porém, a Corte Europeia dos Direitos Humanos, que havia sido acionada pelaos pais de Lambert, suspendeu a decisão do Conselho de Estado até que possa examinar o caso em detalhes.

Decisão assusta famílias de outros pacientes

Le Figaro aponta que esse caso assusta outras famílias francesas que vivem um drama parecido. As pessoas entrevistadas pelo jornal conservador temem que a decisão do Conselho de Estado francês crie jurisprudência e determine a morte programada de qualquer paciente em estado vegetativo ou de extrema dependência. Isso apesar de os juízes terem lembrado que se trata de uma decisão sobre um caso particular.

Em seu editorial, o jornal conservador aponta que o caso de Vincent Lambert reflete os grandes debates que agitaram a sociedade francesa nos últimos anos sobre a eutanásia e o auxílio ao suicídio.

“Uma vida suspensa entre duas decisões” é o título da reportagem de Libération. O jornal progressista explica que a decisão do Conselho de Estado francês é baseada em uma lei de 2005 sobre o fim da vida. Libération enfatiza que os movimentos integristas decidiram fazer desse caso um símbolo em sua luta contra a eutanásia.

Em seu editorial, La Croix diz que o desacordo entre a mulher e os pais de Vincent Lambert é o conflito entre dois amores. O jornal católico aponta que os pareceres de especialistas e juízes não fazem com que a decisão de deixar um paciente morrer seja mais fácil.

“Não adianta pensar que uma lei que esclareceria ao máximo as coisas (ou preveria formas de eutanásia) evitaria os dilemas e os sofrimentos”, diz La Croix, insistindo que o fim da vida deve ser acompanhado até o fim, “sem dor sobre-humana, mas sem pressa”. “É o que a sociedade deve aos moribundos e aos seus próximos”, conclui o jornal católico.

Liquidações de verão começam na França com otimismo

As liquidações tradicionais na França só acontecem duas vezes ao ano, no inverno e no verão.

As liquidações tradicionais na França só acontecem duas vezes ao ano, no inverno e no verão|REUTERS/Vincent Kessler|RFI

As tradicionais liquidações de verão começaram nesta quarta-feira (25) na França. O período é muito esperado pelos consumidores e lojistas, principalmente em tempo de crise. A expectativa é que as vendas vão ajudar o setor têxtil a registrar crescimento, pela primeira vez em seis anos.

As liquidações de verão 2014 vão durar cinco semanas e prometem ser lucrativas para os comerciantes. Uma pesquisa aponta que 76% franceses, 5% a mais que no ano passado, devem aproveitar os descontos de mais 50% até o dia 29 de julho. Um em cada dois franceses preparou o terreno e visitou as butiques antes para escolher os melhores produtos.

Cada consumidor deve gastar em média € 207, R$ 626, durante o período, principalmente em roupas. Outra pesquisa indica que 78% dos franceses aproveitam as liquidações para renovar o guarda-roupa. Se o otimismo se confirmar, o setor têxtil francês poderá garantir crescimento em 2014, após seis anos de recuo. No ano passado, as vendas de roupas registraram queda de 1,4%.

Incertezas

Apesar do otimismo, os comerciantes temem que a concorrência de vendas privadas de grandes marcas, que se multiplicam, e da internet diminua o interesse dos consumidores pelas tradicionais liquidações, que acontecem apenas duas vezes por ano.

Um dado confirma essa incerteza. A cada ano diminui a porcentagem de franceses que afirma se privar de compras durante o ano inteiro para esperar as liquidações. Em 2014, apenas 23% dos entrevistados fez esse “jejum consumista”. “Os consumidores viraram especialistas em encontrar uma promoção ou uma maneira de pagar mais barato um produto antes das liquidações oficiais”, afirma Philippe Guilbert, diretor-geral do instituto de pesquisas LSA/Toluna.

Ordem para deixar morrer paciente em estado vegetativo

por LusaHoje

 
Ordem para deixar morrer paciente em estado vegetativo
Fotografia © D.R. – Print screen do site do ”Le Figaro”

O Conselho de Estado francês, mais importante instância administrativa do país, ordenou hoje a retirada dos cuidados paliativos a Vincent Lambert, um paciente em estado vegetativo há seis anos que fez aumentar o debate sobre a eutanásia.

A decisão põe fim a uma batalha jurídica mantida desde 2013 entre a mulher de Lambert, Rachel, defensora da eutanásia para o marido e que contava com o apoio dos médicos, contra os pais do paciente, católicos, que se opõem à retirada da alimentação e hidratação que o mantém vivo.

Na expectativa de que o Conselho de Estado se pronunciasse contra os seus interesses, os pais de Lambert já tinham recorrido ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos de Estrasburgo, para pedir a suspensão cautelar da sentença.

A decisão do tribunal europeu deverá ser divulgada muito brevemente.

Os 17 magistrados do Conselho de Estado consideraram legal a decisão dos médicos de retirar os cuidados paliativos ao paciente, incluindo a alimentação e a hidratação artificial.

A decisão foi tomada tendo por base os muitos testemunhos que mostravam que antes do acidente que o levou para a cama do hospital, em setembro de 2008, Lambert tinha mostrado a sua recusa em ser mantido artificialmente com vida.

Os médicos consideram que Lambert não recuperará e que alguns dos seus comportamentos deixam antever que se recusa a continuar a viver, opinião partilhada por seis dos seus irmãos, pela sua mulher e outros familiares e amigos.

Mas os pais e dois outros irmãos não partilham desta opinião e recusam que se lhe aplique a lei de cuidados paliativos, já que a doença de Lambert não está em fase terminal.

Lambert só pode mover os olhos e sente dor, mas os médicos não conseguiram descobrir se o paciente compreende quando se fala para ele.

O caso de Lambert e a batalha familiar que o alimentou reavivou o debate sobre a eutanásia em França e marcou a existência de duas opiniões opostas sobre o fim de vida de pessoas em situação extrema.

À espera de uma lei que aclare a situação, prometida pelo presidente François Hollande durante a campanha eleitoral de 2012, o caso ficou marcado pela ambiguidade das leis existentes.

Tal como estipula a atual lei de cuidados paliativos, uma equipa de médicos do hospital universitário de Reims, no leste de França, tomou a decisão de não continuar a manter o paciente com vida em abril de 2013.

No entanto, um mês depois de se lhe retirarem os cuidados paliativos, os pais começaram uma batalha jurídica que obrigou a nova ligação às máquinas.

Cada vez que os médicos relançavam os procedimentos de fim de vida, as decisões dos tribunais eram sempre favoráveis aos pais.

O relator geral, representante do Governo e do Conselho de Estado, pronunciou-se favoravelmente na quinta-feira a favor de parar a alimentação artificial a Lambert, depois de ter consultado três novos relatórios médicos.

Greve em aeroportos franceses cancela 20% dos voos no país

Greve dos controladores aéreos em França vai continua nesta quarta-feira (25).

Greve dos controladores aéreos em França vai continua nesta quarta-feira (25)|sncta.fr|RFI

Uma greve de controladores aéreos franceses provoca o cancelamento de 20% dos voos nos aeroportos franceses nesta terça-feira (24), como os de Orly e Roissy-Charles de Gaulle, na região parisiense. As consequências da paralisação são consideradas limitadas pelas autoridades, que já haviam indicado desde ontem que apenas um voo a cada cinco seria afetado. Os passageiros foram avisados sobre eventuais mudanças.

De acordo com a Direção Geral de Aviação Civil francesa, o movimento social atinge principalmente o sul da França. Além dos cancelamentos, a greve provoca atrasos de 30 a 45 minutos. Os voos regionais e domésticos são os mais atingidos pela paralisação, mas os para Espanha, Portugal, Marrocos, Tunísia e Argélia também estão afetados. Os voos intercontinentais operam normalmente.

O movimento impactou os voos das companhias europeias que partiam ou chegavam na França, ou outras que apenas sobrevoariam o espaço aéreo francês. A Ryanair acabou cancelando 96 voos, de um total de 1.600 previstos nesta terça. Outra companhia low cost, a Easyjet, anulou 28 voos.

Paralisação continua na quarta

A greve parcial dos controladores aéreos deverá durar até o próximo domingo. A agência de aviação civil francesa voltou a pedir hoje o cancelamento preventivo de 20% dos voos que sairiam amanhã dos aeroportos de Lyon, Marselha, Toulouse e Bordeaux, assim como nos voos de Paris com destino ao sul da França, Espanha e Portugal.

Os sindicatos protestam contra a redução dos recursos no setor a partir de 2015. A lei do serviço mínimo implementada na França determina que pelo menos 50% dos controladores aéreos trabalhem. A norma está sendo aplicada, garantem as autoridades.

Organização da Copa do Mundo é um “milagre brasileiro”, diz Le Monde

O jogador francês Matthieu Debuchy dá autógrafo em Ribeirão Preto, onde a seleção francesa está concentrada

O jogador francês Matthieu Debuchy dá autógrafo em Ribeirão Preto, onde a seleção francesa está concentrada|RFI

Para o jornal francês, a hospitalidade e o bom humor brasileiro compensaram falhas de organização, como a falta de acabamento em alguns estádios ou a estrutura para receber os turistas. “A catástrofe anunciada não se concretizou”, diz o Le Monde.

Há três meses, lembra o Le Monde, as previsões sobre o Mundial eram catastróficas: os estádios não ficariam prontos a tempo e estariam vazios, o transporte caótico impediria os turistas de se deslocar e os movimentos sociais ameaçariam a festa. Durante muito tempo, os avisos e comentários dos dirigentes da FIFA sobre a desorganização brasileira atingiram em cheio o “orgulho nacional.”

Todas essas preocupações se foram com a cerimônia de abertura, escreve o jornal francês, e a catástrofe anunciada não se concretizou, depois de uma semana de competição. “É verdade que falta um acabamento aqui e ali, mas um sorriso e um ‘bem vindo’ faz esquecer uma tomada caída ou um telefone que não funciona”, descreve Nicolas Bourcier, correspondente do jornal no Brasil.

“Também é verdade que em Manaus ou no Rio, os motoristas de táxi que deveriam ter feito cursos de inglês mataram aula. Ou ainda a Marselhesa não tocou em Porto Alegre por conta de problemas técnicos. Mas isso não importa: o Brasil organiza um Mundial a sua maneira, desordenada e simpática, despreocupada e hospitaleira”, diz o texto.

O jornal também cita a tensão social, que contagiou as redes, e a campanha anti-Copa que tomou conta da Internet. E lembra que os torcedores estrangeiros, apesar do clima de protestos, vieram em peso. A Fifa e o comitê de organização anunciam, aliás, um retorno financeiro mais do que satisfatório. Uma maneira, alfineta o Le Monde, de ajudar a população a esquecer os custos astronômicos dos estádios, ou ainda as obras inacabadas de infraestrutura, como o metrô de Belo Horizonte.

A festa acaba quando brasileiros deixam o estádio, diz Le Monde

O jornal também ressalta que a festa dos brasileiros acaba quando eles deixam o estádio e a classe média deve encarar as filas nos aeroportos, os engarrafamentos e outros problemas do cotidiano. E destaca inclusive que, em alguns estádios, as arquibancadas estavam preenchidas pela metade porque muitos torcedores não conseguiram chegar a tempo.

Outro problema sério, cita o Le Monde, é a falta de seguranças nas entradas dos estádios – a estimativa é de que 25% deles não compareceram no dia do jogo. Por isso, muitos espectadores sem ingresso conseguiram entrar facilmente. Antes do início da Copa, lembra o jornal, um dos responsáveis do comitê organizador disse: ‘na pior da hipóteses, improvisaremos.’ “Não sem sucesso. O verdadeiro milagre brasileiro”, conclui o jornal.

Greve dos controladores aéreos afeta voos na França nesta terça-feira

Prevista greve dos controladores aéreos a partir desta terça-feira, 24

Prevista greve dos controladores aéreos a partir desta terça-feira, 24

sncta.fr|RFI

Uma greve anunciada para esta terça-feira (24) pelo Unsa-ICNA, o sindicato minoritário de controladores aéreos na França, poderá provocar uma redução de 20% dos voos previstos em vários aeroportos franceses. As regiões sul e sudoeste serão as mais afetadas.

A paralisação parcial deverá durar até o próximo dia 29. De acordo com a Direção Geral de Aviação Civil francesa, haverá redução do tráfego aéreo nos aeroportos de Lyon, Marselha, Toulouse e Bordeaux. Em Paris, os voos com destino ao sul da França, Espanha, Portugal, Marrocos, Tunísia e Argélia também poderão sofrer atrasos ou cancelamentos.

Segundo a companhia Air France, a greve afetará apenas 10% dos voos internos e os transatlânticos não serão alterados. De acordo com a Secretaria dos Transportes francesa, cerca de 75% dos voos serão assegurados durante a semana. A lei do serviço mínimo implementada na França determina que pelo menos 50% do tráfego aéreo seja garantido.

Sindicatos protestam contra diminuição de investimentos

Os sindicatos protestam contra a redução dos recursos alocados ao setor a partir de 2015. O plano de investimentos será apresentado pela França até o dia 20 de junho em Bruxelas. O principal deles, o SNCTA, que representa 41% dos 4 mil controladores aéreos, retirou seu pré-aviso de greve neste domingo, mas também se queixa das condições de trabalho.

Uma das críticas da categoria, que reúne cerca de 4 mil controladores, é em relação aos instrumentos de navegação, considerados obsoletos. O calculador do sistema de Informática, por exemplo, data dos anos 80, e deverá ser substituído por um programa de gestão de voos desenvolvido pela empresa Thales, chamado Co-Flight.

Além disso, lembra o sindicato, as telas dos radares do centro de controle de Aix en Provence foram trocadas em regime de urgência em razão de diversas panes nos últimos 18 meses.