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Música popular e edições especiais da imprensa para despedida de Garcia Márquez

AFP – Agence France-Presse

18/04/2014

Colômbia começou a despedir-se nesta sexta-feira de Gabriel García Márquez, em meio ao luto nacional decretado por três dias, com edições especiais dos principais jornais, bandeiras a meio mastro e um concerto espontâneo de cantores populares no local de nascimento do escritor.

“Immortal”, foi a manchete do jornal El Espectador, em cujas páginas García Márquez publicou textos que deram origem ao livro “História de um náufrago” e suas opiniões, expressadas em uma coluna que revelou aspectos da personalidade e opiniões políticas do escritor e jornalista colombiano.

Rompendo com a tradição de descanso para a imprensa na Sexta-feira Santa, os principais jornais do país prepararam edições especiais para celebrar a vida do colombiano que ganhou o Nobel Literatura em 1982.

O jornal El Espectador, onde García Márquez passou a maior parte de sua carreira como jornalista, escreveu “Adeus ao colombiano universal”, para descrever a morte do escritor, que faleceu na quinta-feira em sua residência na Cidade do México aos 87 anos.

Com vários depoimentos de colegas do escritor e fotos do Nobel nas salas de redação, o El Espectador apresentou um García Márquez que desfrutava do ofício e que usou sua experiência e as histórias que relatou como substrato para suas criações literárias.

“Gabo, imortal!” foi a manchete do jornal El Tiempo, que declarou que o adeus a García Márquez e boas-vindas a um mito universal.

Bogotá, que García Márquez descreveu como uma cidade sombria, despertou deserta, enquanto na cidade natal do escritor, Aracataca, uma romaria popular espontânea ocupou as ruas desde as primeiras horas da manhã.

No empoeirado município do departamento de Magdalena, que inspirou o Nobel para a criação do universo literário de Macondo, vários cantores populares entoaram nesta sexta-feira canções alusivas aos textos de “Cem anos de solidão”.

A família ainda não anunciou onde repousarão as cinzas do escritor, se no México, onde residiu nas últimas décadas, ou em seu país natal.

“Antes dele não existíamos nem no mapa da Colômbia”, declarou ao jornal El Tiempo o ex-prefeito de Aracataca Pedro Sánchez Rueda.