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Professores do Estado e do município decidem pelo fim da greve

Após 47 dias de paralisação profissionais do estado têm proposta de 9% e do município aguardam posição de Paes

O DIA|ALESSANDRA HORTO

Rio – Os profissionais de Educação das redes estadual e municipal de ensino do Rio decidiram terminar a greve unificada iniciada em 12 de maio. A definição foi acirrada. Foram 601 votos pela suspensão, 560 pela continuidade e 25 abstenções.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação (SME), as aulas recomeçam na próxima segunda-feira, como já estava previsto no calendário escolar e dentro dos próximos dias será definida a reposição dos dias perdidos.

Profissionais da Educação em protesto no Centro do Rio

Alerj aprovou reajuste de 9% para professores do Estado

Foto:  Divulgação

Já a Educação estadual informou que as aulas serão retomadas em 14 de julho. Cada unidade afetada com a greve será responsável pela reposição das aulas. 

A maioria dos participantes da assembleia promovida pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) entendeu que houve avanços nas negociações com os governos. Mesmo o reajuste de 9% concedido pelo estado tendo ficado abaixo dos 20% reivindicados pela classe. Na rede municipal não há previsão de aumento.

Integrante da coordenação do Sepe, Marta Moraes explicou que nova assembleia está marcada para 7 de julho. Mas não há risco de nova greve. A reunião vai acontecer para apresentados os resultados das audiências com o governor Luiz Fernando Pezão, prevista para o próximo dia 2 segundo o sindicato, e com integrantes da Educação municipal dia 7. Marta afirmou que será exigido que nenhum profissional em greve seja demitido ou responda à inquérito administrativo.

Líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado André Corrêa (PSD) declarou que o governo só não negocia o fim do sistema de meritocracia e a eleição para diretor.

Greve em aeroportos franceses cancela 20% dos voos no país

Greve dos controladores aéreos em França vai continua nesta quarta-feira (25).

Greve dos controladores aéreos em França vai continua nesta quarta-feira (25)|sncta.fr|RFI

Uma greve de controladores aéreos franceses provoca o cancelamento de 20% dos voos nos aeroportos franceses nesta terça-feira (24), como os de Orly e Roissy-Charles de Gaulle, na região parisiense. As consequências da paralisação são consideradas limitadas pelas autoridades, que já haviam indicado desde ontem que apenas um voo a cada cinco seria afetado. Os passageiros foram avisados sobre eventuais mudanças.

De acordo com a Direção Geral de Aviação Civil francesa, o movimento social atinge principalmente o sul da França. Além dos cancelamentos, a greve provoca atrasos de 30 a 45 minutos. Os voos regionais e domésticos são os mais atingidos pela paralisação, mas os para Espanha, Portugal, Marrocos, Tunísia e Argélia também estão afetados. Os voos intercontinentais operam normalmente.

O movimento impactou os voos das companhias europeias que partiam ou chegavam na França, ou outras que apenas sobrevoariam o espaço aéreo francês. A Ryanair acabou cancelando 96 voos, de um total de 1.600 previstos nesta terça. Outra companhia low cost, a Easyjet, anulou 28 voos.

Paralisação continua na quarta

A greve parcial dos controladores aéreos deverá durar até o próximo domingo. A agência de aviação civil francesa voltou a pedir hoje o cancelamento preventivo de 20% dos voos que sairiam amanhã dos aeroportos de Lyon, Marselha, Toulouse e Bordeaux, assim como nos voos de Paris com destino ao sul da França, Espanha e Portugal.

Os sindicatos protestam contra a redução dos recursos no setor a partir de 2015. A lei do serviço mínimo implementada na França determina que pelo menos 50% dos controladores aéreos trabalhem. A norma está sendo aplicada, garantem as autoridades.

Greve dos controladores aéreos afeta voos na França nesta terça-feira

Prevista greve dos controladores aéreos a partir desta terça-feira, 24

Prevista greve dos controladores aéreos a partir desta terça-feira, 24

sncta.fr|RFI

Uma greve anunciada para esta terça-feira (24) pelo Unsa-ICNA, o sindicato minoritário de controladores aéreos na França, poderá provocar uma redução de 20% dos voos previstos em vários aeroportos franceses. As regiões sul e sudoeste serão as mais afetadas.

A paralisação parcial deverá durar até o próximo dia 29. De acordo com a Direção Geral de Aviação Civil francesa, haverá redução do tráfego aéreo nos aeroportos de Lyon, Marselha, Toulouse e Bordeaux. Em Paris, os voos com destino ao sul da França, Espanha, Portugal, Marrocos, Tunísia e Argélia também poderão sofrer atrasos ou cancelamentos.

Segundo a companhia Air France, a greve afetará apenas 10% dos voos internos e os transatlânticos não serão alterados. De acordo com a Secretaria dos Transportes francesa, cerca de 75% dos voos serão assegurados durante a semana. A lei do serviço mínimo implementada na França determina que pelo menos 50% do tráfego aéreo seja garantido.

Sindicatos protestam contra diminuição de investimentos

Os sindicatos protestam contra a redução dos recursos alocados ao setor a partir de 2015. O plano de investimentos será apresentado pela França até o dia 20 de junho em Bruxelas. O principal deles, o SNCTA, que representa 41% dos 4 mil controladores aéreos, retirou seu pré-aviso de greve neste domingo, mas também se queixa das condições de trabalho.

Uma das críticas da categoria, que reúne cerca de 4 mil controladores, é em relação aos instrumentos de navegação, considerados obsoletos. O calculador do sistema de Informática, por exemplo, data dos anos 80, e deverá ser substituído por um programa de gestão de voos desenvolvido pela empresa Thales, chamado Co-Flight.

Além disso, lembra o sindicato, as telas dos radares do centro de controle de Aix en Provence foram trocadas em regime de urgência em razão de diversas panes nos últimos 18 meses. 

Mais de 75% dos franceses são contra a greve dos ferroviários

O sétimo dia de greve dos ferroviários na França está estampado nas primeiras páginas dos jornais franceses desta terça-feira (17), dia em que a contestada reforma do setor ferroviário começa a ser votada pelo Parlamento. Pesquisa publicada hoje mostra que a greve dos ferroviários é impopular. Os diários analisam a estratégia do primeiro-ministro Manuel Valls para acabar com a paralisação e as consequências do movimento para o governo. A greve dos profissionais do espetáculo também é uma preocupação. 
 

Três em cada quatro franceses são contra a greve dos ferroviários. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada hoje (17) pelo Aujourd’hui en France. A sondagem também aponta que uma semana após o início da paralisação, a grande maioria dos entrevistados não entende os motivos do movimento que complica a vida dos usuários. Apenas 34% dos franceses sabem que os grevistas protestam contra a reforma do setor que prevê a fusão das duas estatais que administram a rede ferroviária na França.

Estratégias do governo

Les Echos diz que o primeiro-ministro Manuel Valls tenta separar as greves e adota uma estratégia diferente para cada uma delas. O diário econômico escreve que o governo mostra firmeza diante da greve dos ferroviários, que entra em seu sétimo dia, apesar da impopularidade do movimento e da queda do número de grevistas.

“Essa greve não tem sentido, é inútil e irresponsável”, declarou o premiê ao excluir o adiamento da reforma, informa Les Echos. Resultado: como previsto, o projeto, que visa controlar a imensa dívida do setor, começa a ser debatido hoje pelos deputados. Os grevistas esperam influenciar o debate, acredita o jornal.

Em relação à greve dos profissionais do espetáculo, o governo é mais flexível e promete um gesto para compensar o impacto da reforma do salário-desemprego nos benefícios da categoria, informa Les Echos.

Festivais de verão ameaçados pela greve dos artistas

Le Figaro diz que o governo vai agir em dois tempos. O jornal conservador explica que as mudanças nas regras do seguro-desemprego na França, contestadas pelos profissionais do espetáculo em greve, vão ser validadas. Mas o governo prepara medidas para compensar as perdas dos artistas mais precários, que terão que trabalhar mais tempo antes de ter direito ao salário-desemprego.

Para impedir que grandes festivais, como o de Teatro de Avignon, sejam cancelados como em 2006, o primeiro-ministro propõe um grande debate neste verão entre Estado, patrões e sindicatos para reelaborar completamente o sistema. No entanto, Le Figaro alerta que o governo tem poucas alternativas, principalmente neste momento de economias e cortes orçamentários.

Esquerda em perigo

Libération escreve que a esquerda está em perigo. O jornal diz que o primeiro-ministro e dezenas de deputados socialistas estão em conflito sobre a política econômica do governo. No final de junho, os cerca de 40 socialistas revoltados podem não votar a proposta de orçamento, colocando o governo em dificuldade.

Diante da ameaça, o premiê Manuel Valls partiu para a ofensiva e disse que se os deputados não entrassem na linha social-democrata, a esquerda poderia morrer na França.

Táxis da Europa se unem em greve contra concorrência desleal

Os "Black Cabs" de Londres decidiram parar a Trafalgar Square.

Os “Black Cabs” de Londres decidiram parar a Trafalgar Square.

Nesta quarta-feira (11), nas principais capitais da Europa, os taxistas decidiram protestar contra as empresas de veículos de turismo com motorista, cuja concorrência consideram desleal. O movimento tomou conta de Paris, Londres, Roma e Madri.

A greve europeia contra os carros de turismo com motorista, chamados de VTC na França, partiu de Londres, lançada pelos famosos Black Cabs que prometem hoje interromper o trânsito em um dos principais cartões postais da cidade, Trafalgar Square.

Em Paris, centenas de táxis se concentraram nesta manhã nos arredores dos aeroportos de Roissy-Charles de Gaulle e Orly, impedindo inclusive que não grevistas aceitassem transportar passageiros. Em seguida, eles vieram em carreata para Paris provocando engarrafamentos gigantescos.

Já os motoristas italianos decidiram protestar de outra forma, optando por uma anti-greve, ou seja,  vão cobrar no maximo €10 pelas corridas.

Concorrência desleal

Esta greve inédita na Europa tem o objetivo de denunciar a concorrência desleal, segundo os taxistas, do modo operatório dos carros de turismo com motorista: eles podem ser chamados através de um aplicativo nos smartphones, não têm obrigação de passar por uma formação para dirigir um táxi (na Grã-Bretanha esta formação pode durar até cinco anos), além de cobrarem tarifas mais baratas.

Quatro anos depois de sua criação, a start-up da California, Uber, a mais lucrativa do setor, é o principal alvo da revolta dos taxistas europeus, tendo acumulado um capital de US$17 bilhões. Uber tem um aplicativo que permite chamar carros de turismo com motorista em 36 países.

Em várias nações europeias há propostas governamentais para regulamentar esta concorrência, mas os profissionais ainda não estão satisfeitos.

Na França, em somente três anos, os VTC abocanharam um quarto do mercado de transporte de pessoas. Sete federações de táxis se mobilizaram contra as propostas de lei feitas pelo deputado socialista Thomas Thévenoud para acalmar o jogo. Entregues em abril passado ao primeiro-ministro Manuel Valls, o projeto sugere um enquadramento mais restrito dos VTC, que aproveitaram a falta de táxis nas horas de “rush” para conquistar o seu espaço. Outros pontos da proposta do deputado é aumentar o número de táxis e facilitar a busca de clientes equipando os veículos com sistemas de localização.

A Intersindical de táxis francesa é contra as federações e apoia o projetos, que também inclui, uma pista reservada aos táxis nas rodovias que ligam Paris aos aeroportos de Orly e de Roissy Charles de Gaulle.

Na Grã-Bretanha, a Suprema Corte de Justiça deve anunciar uma decisão em breve, um motivo a mais para os Black Cabs pararem o trânsito, tentando conscientizar o modo operatório da Uber, empresa que consideram agressiva e sem escrúpulos.

Greve perturba o tráfego ferroviário na França

Dois terços dos trens suburbanos não circulam e ficaram estacionados nas estações nesta quarta-feira (11).

Dois terços dos trens suburbanos não circulam e ficaram estacionados nas estações nesta quarta-feira (11)|REUTERS/Christian Hartmann
RFI

Os ferroviários franceses estão em greve nesta quarta-feira (11). O movimento contra o projeto de reforma do setor começou ontem (10) e perturba o tráfego ferroviário, principalmente na região parisiense.

Os ferroviários franceses cruzaram os braços desde a noite de terça-feira para protestar contra a reforma do setor, que será debatida na semana que vem pelo Parlamento. O projeto do governo prevê a fusão das duas empresas que administram a rede ferroviária francesa, visando estabilizar a dívida do setor, atualmente em € 44 bilhões (cerca de 120 milhões de reais), e preparar sua abertura total à concorrência.

Mobilização

Mais de 50% dos ferroviários estão em greve, estima o principal sindicato da categoria. Já a estatal SNCF afirma que esta manhã apenas 27,84% dos trabalhadores de toda a empresa cruzaram os braços, sem dar detalhes sobre a mobilização por categoria. Segundo os sindicatos, condutores e controladores são as duas categorias mais mobilizadas contra o projeto de reforma.

Apesar da guerra de números, o movimento perturba fortemente o tráfego ferroviário. Concretamente, isso significa que um em cada dois trens-bala circulam em direção ao norte e leste da França e apenas um em cada três em direção ao oeste e sudeste. Na região parisiense, os passageiros têm que ter muita paciência. Apenas 30% dos trens suburbanos estão circulando e super lotados. Para piorar a situação, os táxis parisienses também fazem greve nesta quarta-feira.

A paralisação ainda afeta os trens internacionais que ligam a França à Bélgica e à Espanha. Já os trens-bala para Londres e Alemanha circulam normalmente.

Os ferroviários franceses votaram hoje a continuidade da greve por mais 24 horas e ameaçam continuar o movimento por tempo indeterminado se o governo não atender as reivindicações. Eles afirmam que a proposta governamental não vai solucionar o problema do endividamento do setor e pedem uma reunificação total das duas estatais.

Metroviários de São Paulo ameaçam fazer a “maior greve” da história na abertura da Copa

Passageiro em estação de metrô em São Paulo.

Passageiro em estação de metrô em São Paulo|REUTERS/Murad Sezer
Cíntia Cardoso

Depois de decidirem suspender a paralisação por 48 horas nesta segunda-feira (9), os metroviários voltam a fazer ameaças. Em entrevista à RFI, o secretário-geral do sindicato dos metroviários de São Paulo, Alex Fernandes, disse que a categoria exige a readmissão dos grevistas demitidos.

Se as negociações entre os sindicalistas e o governo de São Paulo não avançarem, a capital paulista pode ficar sem metrô na abertura da Copa do Mundo nesta quinta-feira (12). O sindicato, porém, ainda acredita em uma negociação. “Estamos tentando a todo custo uma negociação com o governo. Para além das demissões, queremos garantias do acordo salarial. A linha do sindicato é que se até o dia 11 às 18h (em São Paulo) não houver uma negociação que reintegre os demitidos não haverá metrô dia 12. Faremos uma greve no dia da inauguração da Copa”, declarou Alex Fernandes.

Para o sindicalista, o Geraldo Alckmin (PSDB), é “intransigente” e “não está nem aí para população de São Paulo. Prova disso é que propusemos fazer uma greve com catracas livres e ele rejeitou”, argumentou. Desde segunda-feira, o sindicalista afirma que os contatos com os governos -estadual e federal- foram infrutíferos. Os sindicalistas aceitaram o reajuste salarial de 8,7%, mas eles podem retomar a greve caso não consigam negociar também o cancelamento das demissões.

Diante do impasse, os metroviários de São Paulo ameaçam fazer “a maior greve da história de São Paulo” nesta quinta-feira se as reivindicações não forem atendidas.

Posição oficial

O governador Alckmin prometeu que o metrô irá funcionar na próxima quinta-feira (12). Segundo Alckmin, uma nova manifestação seria “oportunismo” dos metroviários. “Nós teremos, tanto o Metrô, quanto a CPTM”, disse o governador.

Alex Fernandes rejeita as acusações de Alckmin e insiste que as reivindicações salariais sempre acontecem em maio, mês de negociação dos dissídios.

Metroviários ameaçam entrar em greve no Rio a partir desta terça-feira

Categoria pede reajuste de 15% e faz assembleia na segunda-feira para deliberar sobre o movimento. Metrô Rio ainda não apresentou proposta de aumento

O DIA|HELIO ALMEIDA

Rio – Os metroviários do Rio podem entrar em greve a partir de amanhã, terça-feira. Sem chegar a um acordo durante reunião feita com representantes da concessionária Metrô Rio, o Sindicato dos Metroviários do Rio (Simerj) informou que a categoria irá parar caso a empresa não negocie. Com a incerteza, cariocas temem ficar a pé e já pensam em como se locomover pela cidade. 

Metrô do Rio transporta em média 800 mil passageiros por dia em duas linhas que cortam a cidade

Foto:  ABr

A assistente social Mônica Luz, 51 anos, usa o metrô para ir do Centro até a Estação Colégio. Com o indicativo de greve, a rotina irá mudar. “Se tiver greve eu vou ter que ir de ônibus”, disse.

A estudante Angélica Alves, 27, acredita que os próximos dias não serão fáceis, mas afirma que são necessários para que haja mudança. “O transporte público que temos já não consegue atender com dignidade a quem dele precisa, apesar das tarifas absurdas praticadas”. 

Os metroviários reivindicam 15% de correção salarial, referentes às perdas ocorridas com a inflação no período de 1º de maio de 2013 a 30 de abril de 2014. O mesmo percentual vale para a cesta básica e o tíquete-alimentação. As reivindicações fazem parte da tentativa de acordo coletivo até 2016. 

“Apresentamos nossa proposta. A empresa disse que não poderia atender às reivindicações, mas também não apresentou nada. Queremos que a empresa negocie, o que não está acontecendo”, disse o presidente do sindicato, Heber Fernandes da Silva. A Metrô Rio informou apenas que as negociações com a categoria estão em andamento. 

De acordo com o Simerj, a concessionária alegou que não reajustou o preço das passagens no ano passado e por isso não poderia conceder o reajuste pedido.

“O Metrô Rio bate recorde diário de passageiros. A média era de 650 mil por dia, está aumentando para 850 mil usuários por dia. A receita deles só aumenta. Além disso, eles recebem subsídio do governo do estado”, disse o sidncialista Antônio Luis. 

O sindicato não fez estimativa da adesão de funcionários, mas disse que os empregados da área de operações (bilhetagem, manutenção, segurança e condução) apoiam a greve. 

Segundo o diretor Antônio Luis, os metroviários de São Paulo, que já estão em greve, manifestaram apoio ao sindicato do Rio e ofereceram ajuda para a mobilização em outros estados.

Manutenção da greve dos metroviários mergulha São Paulo no caos, diz imprensa francesa

Manifestantes e policiais se enfrentam em mais um dia de greve dos metroviários em São Paulo.

Manifestantes e policiais se enfrentam em mais um dia de greve dos metroviários em São Paulo|REUTERS/Damir Sagolj
RFI

A imprensa francesa mostra preocupação com a queda-de-braço entre a Justiça, o governo e os sindicalistas que tem, como consequência, mais um dia de greve do metrô de São Paulo. A três dias do início do Mundial, a paralisação dos metroviários deve mergulhar a cidade em mais um dia de caos.

Apesar de considerada “ilegal” pela Justiça e “abusiva” pelo governador Geraldo Alckmin, a greve dos metroviários de São Paulo foi mantida. A notícia do novo dia de paralisação e os seus desdobramentos são destaque da mídia francesa desta segunda-feira (9).

O jornal Libération chegou a colocar o assunto na manchete da sua versão eletrônica nesta manhã. A reportagem traz o depoimento de um dos grevistas, um jovem de 28 anos formado em Ciências Sociais. Felipe Guarnieri declara ao jornal que escolheu trabalhar no metrô por acreditar na mobilização política dos trabalhadores da empresa. Atualmente representante sindical da estação Santa Cruz, Felipe Guarnieri afirma que o trabalho dos metroviários é duro e argumenta que a categoria também quer um tratamento “padrão Fifa”.

“Queremos ao menos 10% de aumento que, para nós, é um patamar simbólico”, disse ao jornal o sindicalista. Mas, na sua avaliação, “o salário não é tudo”. Os metroviários também querem um plano de carreira e estão determinados a lutar por suas reivindicações. “O mundo inteiro está nos observando. Se não encontrarmos uma solução, estamos dispostos a continuar. Mesmo durante os dias de jogo”, diz o sindicalista.

São Paulo mergulha no caos

Nos outros jornais, as reportagens destacam o caos que a paralisação provoca no cotidiano dos paulistanos. O site do jornal Le Monde, por exemplo, descreve São Paulo como uma cidade onde, diariamente, os habitantes têm que lidar com um trânsito caótico.

A mídia também se questiona sobre o impacto da greve para os milhares de turistas que já estão na cidade ou que vão chegar nos próximos dias. O movimento dos metroviários “ameaça de perturbar seriamente o acesso à Arena Corinthians onde será disputado o jogo de abertura entre o Brasil e a Croácia diante de 60 mil torcedores, da presidente Dilma Rousseff e de 11 chefes de Estado”, diz a versão eletrônica do Le Monde.

As imagens da população chegando em estações fechadas e a ação da polícia contra os manifestantes também são destaques nas redes de televisão que lembram que o metrô é o meio de transporte “mais prático para chegar à Arena Corinthians, palco da estreia da seleção brasileira no Mundial.

O aspecto político da greve não é esquecido. No final de semana, a imprensa já havia noticiado que, em um ano eleitoral, a chegada do Mundial é um momento propício para pressionar as autoridades. As declarações de Dilma Rousseff também foram citadas. Para a presidente, a greve é “uma campanha sistemática para denegrir o governo e a Copa do Mundo” e esse movimento tem apenas uma finalidade “eleitoreira”.

Após ameaça de Geraldo Alckmin, 60 metroviários são demitidos

Há previsão de mais desligamentos ao longo do dia

O DIA

São Paulo – Após ameaça de demissão do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), 60 trabalhadores do Metrô-SP foram demitidos na manhã desta segunda-feira. De acordo com o Metrô de São Paulo, há ainda previsão de mais demissões ao longo do dia e de afastamento de grevistas ligados ao sindicato, que não podem ser desligados da empresa por estabilidade revista por lei.

Estação de metrô Ana Rosa durante o quinto dia de protesto dos trabalhadores de metrô em São Paulo

Foto:  Reuters

Neste domingo o governador disse que pela decisão judicial, que não fosse trabalhar nesta segunda-feira envolvia a possibilidade de demissão por justa causa. A greve foi mantida pela categoria em decisão durante assembleia realizada após o julgamento, mesmo depois da Justiça aumentar o valor da multa a ser paga pelo sindicato por dia não trabalhado – de R$ 100 mil ela subiu para R$ 500 mil.

O maior entrave na negociação é o índice de reajuste. O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Metroviários de São Paulo pedia, inicialmente, 35,47% de aumento. O valor foi reduzido para 16,5% e, na última audiência, para 12,2%. O Metrô ofereceu 5,2%; 7,98% e, finalmente, 8,7%. Não há sinalização de acordo de ambas as partes.

Quinto dia de greve

Apesar do Tribunal Regional do Trabalho ter considerado a greve abusiva, os metroviários continuam parados na cidade de São Paulo pelo quinto dia seguido. A exemplo do que vem ocorrendo desde a última quinta-feira, a circulação dos trens do Metrô é parcial, dificultando a ida ao trabalho, principalmente, para quem mora na zona norte da cidade, região que tem menos alternativas em relação às demais. Das 65 estações existentes em São Paulo, apenas 34 estão funcionando.

Metroviários caminham em direção à Secretaria de Segurança

Metroviários em greve há cinco dias fazem uma passeata neste momento no bairro do Paraíso, na região da Avenida Paulista, após confronto no início da manhã desta segunda-feira com a Tropa de Choque da Polícia Militar (PM), em frente à Estação Ana Rosa, do metrô. Eles estão na Rua Vergueiro, no sentido centro, e planejam seguir em passeata até a sede da Secretaria de Segurança Pública, no centro da cidade.

Manifestantes fecharam cruzamentos e avenidas da região da estação Ana Rosa e atearam fogo no lixo

Foto:  Reuters

Segundo os metroviários, depois do confronto com a Tropa de Choque, que lançou bombas de gás e balas de borracha, 13 grevistas ficaram detidos dentro da Estação Ana Rosa. Homens da PM fizeram um bloqueio em frente à entrada da estação. Mais cedo, os manifestantes também fizeram barricadas e queimaram lixo em frente à estação.

Os metroviários informaram que a PM permitiu a entrada de dois advogados e que os detidos serão encaminhados ao 26º Distrito Policial.