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Pai de jovem francês que abandonou a Al Qaeda conta o drama da família

Abderazak e seu filho na Turquia, logo depois de ter passado a fronteira com a Síria, 24 de junho de 2014.

Abderazak e seu filho na Turquia, logo depois de ter passado a fronteira com a Síria, 24 de junho de 2014|DR

Um jovem francês de 17 anos, que havia partido para a Síria para se juntar a um grupo ligado à Al Qaeda, voltou à França recentemente e foi preso no aeroporto por associação ao terrorismo e homicídio doloso. Em entrevista exclusiva à Rádio França Internacional, o pai do jovem conta o drama e relança a discussão sobre o recrutamento mundial de jovens por grupos fundamentalistas.

Com a colaboração de Rossane Lemos

No final do ano passado, um jovem francês de Nice decidiu fugir de casa, com o irmão de 23 anos, para se alistar à Frente al-Nosra, ligada à organização fundamentalista islâmica Al Qaeda, na Síria.

O pai dos jovens, Abderazak Cherif, demorou seis meses para convencer o filho mais novo a abandonar a organização e voltar para casa. Eles conversavam pelo Facebook. Na entrevista à RFI, Cherif, que é muçulmano, contou que explicava ao filho que a luta da Al Qaeda não era nem religiosa, nem pacífica. “Eu conheço a religião muçulmana e eu nunca parei de dizer ao meu filho que isso que eles (Al Qaeda) fazem não tem nada a ver com religião. O islã é a paz. E nesse caso há uma batalha de demônios”, critica Cherif.

Baleado no ombro, o jovem decidiu voltar para a França. O pai do rapaz reuniu os poucos recursos financeiros que tinha e embarcou para a Turquia. Lá, ele reencontrou o filho, que conseguiu fugir correndo durante a noite pela fronteira do país com a Síria.

Tiranos ou vítimas?

Ao desembarcar no aeroporto de Nice, o jovem foi detido pela justiça antiterrorista francesa. Pesa sobre ele a acusação de homicídio doloso e associação com grupos terroristas. Segundo uma testemunha, ele teria executado um homem na Síria.

O pai do rapaz se diz chocado com a prisão. “Um menor precisa de ajuda. Acho normal que o interroguem para ter informações sobre as razões do engajamento do meu filho, quem o ajudou a partir, mas eu não compreendo o terem prendido. Precisamos realmente nos questionar: esses jovens são tiranos ou vítimas?”

A história do garoto e o drama da família do sul da França incitam a discussão sobre muitos jovens que são recrutados em todo mundo pela Al Qaeda. Eles passam por treinamentos paramilitares e são convocados para combates e atentados.

Para o governo francês, eles participam de grupos terroristas e por isso são criminosos. Para a família do rapaz, eles são jovens inexperientes que acreditaram numa utopia religiosa e precisam de ajuda. “O coitado estava tão iludido que ele realmente achou que poderia ajudar essas pobres pessoas na Síria”, completa o pai do jovem.

Israel intensifica bombardeios em Gaza

Israel bombardeia alvos múltiplos em Gaza

Israel bombardeia alvos múltiplos em Gaza|REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
RFI

Nas últimas horas, mais de 15 mísseis atingiram Israel e a força aérea israelense atacou Gaza no sábado (28) e domingo (29). As hostilidades entre Israel e a Faixa de Gaza, controlada pelo grupo islâmico Hamas, voltaram a ganhar força neste fim de semana e podem levar a mais um conflito de grandes proporções entre os dois lados.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

Durante a madrugada desta segunda-feira, 16 mísseis de curto e médio alcances, lançados por militantes palestinos de Gaza, caíram em solo israelense, danificando uma casa, mas sem causar feridos.

Eles se somam a mais 25 projéteis lançados nas últimas duas semanas, entre eles o que caiu dentro de uma fábrica de plásticos ao lado da cidade israelense de Sderot, no sábado, deixando dois feridos.

Na madrugada de ontem, segundo informações palestinas, um homem morreu e três ficaram feridos num ataque aéreo israelenses em Gaza.O exército israelense admitiu ter atacado 12 alvos em Gaza, alegando serem galpões de confecção e lançamento de mísseis.

Onda de ataques é retomada depois do desaparecimento de três jovens israelenses

A onda de ataques e contra-ataques foi retomada depois do desaparecimento de três jovens israelenses na Cisjordânia, no dia 12 de junho.

Israel acusa dois militantes do Hamas de terem sequestrado os jovens e soldados têm vasculhado a Cisjordânia em busca deles, detendo cerca de 300 palestinos, muitos deles líderes do Hamas.

Ontem, milhares de israelenses se reuniram em Tel Aviv em manifestação pela volta dos sequestrados.

Ainda para pressionar o Hamas, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que pretende tornar ilegal a filial Norte do Movimento Islâmico israelense, que, segundo ele, apoia abertamente o Hamas.

Jihadistas anunciam criação de califado na Síria e no Iraque

Abou Bakr al-Baghdadi, chef de l'Etat islamique, proclamé calife.

Abou Bakr al-Baghdadi, chef de l’Etat islamique, proclamé calife.

(Foto: AFP PHOTO / HO /US Department of State)|RFI

Os jihadistas do movimento Estado Islâmico do Iraque e do Levante anunciaram neste domingo (29) a criação de um califado nas regiões conquistadas pelos combatentes na Síria e no Iraque. Os extremistas, também presentes em território sírio, lançaram uma ofensiva no Iraque e controlam diversas cidades próximas de Bagdá.

Em uma gravação de áudio divulgada na Internet, o grupo extremista informou que seu líder Abu Bakr al-Baghdadi foi designado o “califa”, “chefe dos muçulmanos em todo o mundo”. A área vai do norte da Síria ao leste do Iraque. De acordo com o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o califado reuniria todos os muçulmanos sob a autoridade de um um líder supremo, que sucederia o profeta Maomé e poderia, assim, governar todos seus seguidores ao redor do mundo, independentemente de fronteiras geográficas.

Por esta razão, o grupo resolveu retirar de seu nome qualquer referência geográfica e se apresentar a partir de agora somente como Estado Islâmico.

Já existem dissidências internas : embora os jihadistas tenham proclamado Abu Bakr al-Baghdadi emir de todos os muçulmanos, a própria comunidade tem suas restrições. Um rebelde sírio, que no início da guerra contra o regime al-Assad lutou ao lado do EIIL, declarou à agência AFP que a “revolução na Síria começou por um estado livre e democrático, não por um califado”.

Este sistema político seria o único aceito pelo Alcorão e regeu a maior parte do mundo muçulmano até a queda do Império Otomano, em 1924. Os primeiros califas eram descendentes diretos de Maomé e reinaram logo após sua morte. Mas o auge do califado foi com os Abássidas, no período de 750 a 1517.

Forças iraquianas lançam ofensiva para conter avanço jihadista

As forças iraquianas lançaram uma ofensiva militar para reconquistar cidades tomadas pelos jihadistas. Neste domingo o exército intensificou os contra-ataques na província de Salahedin, principalmente na cidade estratégica de Tikrit, que fica a 160 quilômetros da capital Bagdá. As forças governistas recebem apoio de drones e conselheiros militares norte-americanos, além de aviões de combate russos.

Neste domingo, testemunhas afirmam que jihadistas derrubaram um helicóptero militar na cidade. De acordo com o porta-voz do exército iraquiano, Qassim Atta, 142 “terroristas” morreram nos combates, 70 deles em Tikrit. O exército também controla a universidade local.

Tikrit tem importância estratégica para as forças de ordem, não apenas por sua proximidade da capital, mas também por ser a capital da região de Nineveh, que concentra a maior diversidade étnica do Iraque. A tomada desta região por um grupo salafista radical é preocupante para os cristãos, curdos, sunitas e as diversas seitas xiitas que ocupam a região há milênios.

Embora os combates ainda não tenham abalado o abastecimento, os preços do petróleo tiveram uma baixa menor do que o esperado, considerando o aumento da demanda norte-americana. Com 3,4 milhões de barris por dia, o Iraque é o segundo maior produtor de petróleo entre os países da OPEP. 

Madonna com burca abre guerra nas redes sociais

Diário de Notícias|Portugal| Carolina MoraisHoje

 
A artista lançou polémica entre os seus seguidores
A artista lançou polémica entre os seus seguidoresFotografia © Instagram Madonna

A cantora publicou uma fotografia sua de burca que só deixa visíveis os olhos. Alguns fãs aplaudiram a imagem e outros condenaram-na.

“É esse tipo de dia! #vadiasemarrependimentos”, escreveu Madonna na suá página oficial do Instagram, junto da fotografia. Sendo uma das celebridades mais ativas nas redes sociais, as reações em massa dos seus fãs não surpreenderam.

“Se a mensagem é “A burca é uma prisão”, estou de acordo”, pode ler-se num dos comentários. No entanto, as mulheres, especialmente, expressaram o seu descontentamento. “Sou uma muçulmana que usa burca e ninguém me forçou a fazê-lo. É uma escolha minha, optei por cobrir-me, porque é que tantas pessoas se incomodam?”, escreveu uma outra seguidora.

A verdadeira intenção de Madonna por trás da imagem não é conhecida, mas a imprensa avança que poderá tratar-se de uma campanha de promoção de um futuro disco, de uma tentativa de denunciar a forma como as mulheres árabes são tratadas ou apenas de uma simples provocação.

Esta não é a primeira vez que a artista pop dá que falar nas redes sociais. Há alguns meses, voltou a aumentar o fluxo de comentários quando publicou uma imagem sua com as axilas por depilar.

100 anos da 1ª Guerra Mundial: As causas profundas da Grande Guerra: a visão de dois historiadores

AFP – Agence France-Presse

24/06/2014 

Quais são as causas profundas da Primeira Guerra Mundial, que retrospectivamente aparece como o suicídio de uma Europa no auge de seu poderio?
 
Explicações de dois historiadores à AFP, o alemão Gerd Krumeich, professor da Universidade de Dusseldorf, e o irlandês John Horne, do Trinity College de Dublin:

Gerd Krumeich:

“O conflito é originado, sem dúvida, nas rivalidades geradas pelo imperialismo das nações europeias. No início do século, todas consideram que um império é vital para seu desenvolvimento, em um mundo regido pela concorrência internacional.

O equilíbrio europeu perturba a vontade da Alemanha, que se tornara a maior potência industrial da Europa, de se dotar de um império colonial na medida de seu dinamismo. Comporta-se com bastante agressividade diante das outras potências: se lança em uma corrida armamentista naval que preocupa a Grã-Bretanha, disputa territórios africanos com a França e ajuda a Turquia otomana, grande rival da Rússia, a modernizar seu Exército.

Essas tentativas são contrabalançadas pelas outras potências e a Alemanha sai frustrada. Sente-se ameaçadas por ingleses, franceses e russos, que, por sua vez, consideram-se ameaçados pelas ambições alemãs e se unem em bloco contra Berlim. Isto acelera uma corrida armamentista em 1912/1913, acompanhada por uma escalada do nacionalismo na Alemanha e na França.

Em Berlim, os militares acreditam que a guerra se aproxima e só pensam que poderão vencê-la se ela eclodir rapidamente, antes que a Rússia possa concluir a consolidação militar que havia iniciado. Isso explica o papel chave da Alemanha no desencadeamento do conflito”.

John Horne:

“Durante décadas, uma rivalidade ideológica opõe o princípio dinástico e multiétnico dos impérios da Europa Oriental ao de nacionalidade, encarnado pelos Estados-nação ocidentais e baseado no princípio de soberania popular. O nacionalismo que toma forma nos Bálcãs e na Europa Oriental ameaça, em particular, a Áustria-Hungria.

Por outro lado, o equilíbrio europeu foi profundamente modificado pela unificação da Alemanha em 1871, que lhe permite se tornar uma grande potência, enquanto a França declina lentamente. As rivalidades coloniais e econômicas exacerbam tensões com outras raízes.

Um equilíbrio entre os dois campos armados se instala progressivamente, regulado por um acordo entre as grandes potências para evitar que as crises regionais incendeiem o continente. Esse acordo ainda vai funcionar durante as guerras balcânicas de 1912-13. Mas em julho de 1914, o mecanismo de segurança é acionado.

Se os responsáveis tivessem entendido a natureza da guerra futura, não teriam se lançado a ela com tanta desenvoltura. Mas consideraram que a guerra era uma opção racional, sem dúvida um desafio, que não transformaria a natureza do mundo em que viviam”.

Novo presidente da Ucrânia promete acabar com “terror” no leste

Caminhão de forças rebeldes ucranianas é visto perto do aeroporto internacional de Donetsk, nesta terça-feira, 27 de maio de 2014.

Caminhão de forças rebeldes ucranianas é visto perto do aeroporto internacional de Donetsk, nesta terça-feira, 27 de maio de 2014|REUTERS/Yannis Behrakis

O presidente eleito da Ucrânia, Petro Porochenko prometeu por um fim ao “terror” e acabar com a guerra no leste da Ucrânia. Na principal cidade da região, Donetsk, onde o movimento separatista pró-russo continua muito ativo, foram registrados novos tiroteiros nesta quarta-feira (28).

Após 48 horas de intensos combates, as forças governamentais da Ucrânia retomaram nesta terça-feira o controle do aeroporto da região rebelde de Donetsk, onde vivem mais de 1 milhão de pessoas. O Exército ucraniano também destruiu um acampamento de treinamento dos separatistas pró-russos na vizinha Lugansk.

O prefeito de Donetsk disse que os enfrentamentos deixaram 40 mortos, entre separatistas e soldados ucranianos, além de dois civis. Ele pediu aos moradores da cidade para evitar saírem de suas casas e até mesmo nas sacadas dos apartamentos. Várias lojas foram fechadas e as vitrines cobertas por placas de madeira ou de metal para evitar pilhagem. Escritórios também permaneceram fechados por medidas de segurança.

A preocupação agora é com o destino de quatro membros da missão de observação da Organizaçao para a Segurança e a Cooperação na Europa, a OSCE, que teriam sido sequestrados pelos separatistas, assim como um padre polonês. Os observadores seriam de nacionalidade dinamarquesa, estoniana, suíça e turca.

Plano para evitar corte de gás

Kiev e Moscou vivem uma tensão devido a chamada “guerra do gás” que preocupa os europeus, muito dependentes do produto russo que para chegar à Europa passa pela Ucrânia. O Kremlin ameaça cortar o envio de gás à Ucrânia caso o governo do país não pague adiantado as notas do mês de junho equivalentes a US$ 1,66 bilhão. Arruinada financeiramente, Kiev já acumula dívidas de mais de US$ 3 bilhões com a gigante fornecedora de gás russo Gazprom.

De acordo com um plano definido pelos europeus, Kiev e Moscou têm até a noite desta quarta-feira para aceitar o compromisso que prevê, num primeiro momento, o pagamento pelo governo ucraniano de 2 bilhões de dólares à empresa Gazprom.

Na terça-feira, os ucranianos disseram que o plano proposto pelos europeus não convém ao país e antes de reembolsar a dívida, exige garantias de uma redução no preço do produto.

 
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Novo presidente da Ucrânia promete acabar com “terror” no leste

Caminhão de forças rebeldes ucranianas é visto perto do aeroporto internacional de Donetsk, nesta terça-feira, 27 de maio de 2014.

Caminhão de forças rebeldes ucranianas é visto perto do aeroporto internacional de Donetsk, nesta terça-feira, 27 de maio de 2014.

REUTERS/Yannis Behrakis

O presidente eleito da Ucrânia, Petro Porochenko prometeu por um fim ao “terror” e acabar com a guerra no leste da Ucrânia. Na principal cidade da região, Donetsk, onde o movimento separatista pró-russo continua muito ativo, foram registrados novos tiroteiros nesta quarta-feira (28).

 

Após 48 horas de intensos combates, as forças governamentais da Ucrânia retomaram nesta terça-feira o controle do aeroporto da região rebelde de Donetsk, onde vivem mais de 1 milhão de pessoas. O Exército ucraniano também destruiu um acampamento de treinamento dos separatistas pró-russos na vizinha Lugansk.

O prefeito de Donetsk disse que os enfrentamentos deixaram 40 mortos, entre separatistas e soldados ucranianos, além de dois civis. Ele pediu aos moradores da cidade para evitar saírem de suas casas e até mesmo nas sacadas dos apartamentos. Várias lojas foram fechadas e as vitrines cobertas por placas de madeira ou de metal para evitar pilhagem. Escritórios também permaneceram fechados por medidas de segurança.

A preocupação agora é com o destino de quatro membros da missão de observação da Organizaçao para a Segurança e a Cooperação na Europa, a OSCE, que teriam sido sequestrados pelos separatistas, assim como um padre polonês. Os observadores seriam de nacionalidade dinamarquesa, estoniana, suíça e turca.

Plano para evitar corte de gás

Kiev e Moscou vivem uma tensão devido a chamada “guerra do gás” que preocupa os europeus, muito dependentes do produto russo que para chegar à Europa passa pela Ucrânia. O Kremlin ameaça cortar o envio de gás à Ucrânia caso o governo do país não pague adiantado as notas do mês de junho equivalentes a US$ 1,66 bilhão. Arruinada financeiramente, Kiev já acumula dívidas de mais de US$ 3 bilhões com a gigante fornecedora de gás russo Gazprom.

De acordo com um plano definido pelos europeus, Kiev e Moscou têm até a noite desta quarta-feira para aceitar o compromisso que prevê, num primeiro momento, o pagamento pelo governo ucraniano de 2 bilhões de dólares à empresa Gazprom.

Na terça-feira, os ucranianos disseram que o plano proposto pelos europeus não convém ao país e antes de reembolsar a dívida, exige garantias de uma redução no preço do produto.

Apple e Google chegam a um acordo e encerram guerra de patentes

As empresas estavam mergulhadas em uma verdadeira guerra de patentes em tribunais de todo o mundo

France Presse

17/05/2014 

Nova York – Os gigantes da informática americana Apple e Google anunciaram na sexta-feira ter alcançado uma trégua em sua guerra de patentes.

 (AFP PHOTO / EMMANUEL DUNAND / LOIC VENANCE )  

“Apple e Google chegaram a um acordo para dar por finalizadas todas as denúncias existentes atualmente entre os dois grupos”, indicaram em um comunicado transmitido por e-mail à AFP.

As duas companhias afirmam que trabalharão juntas em “certos setores da reforma de patentes”, embora tenham deixado claro que a distensão não inclui dar licenças recíprocas pela tecnologia de cada uma.

Apple e Google estavam envolvidas em uma autêntica guerra de patentes nos tribunais de todo o mundo. O conflito havia provocado uma avalanche de processos judiciais nos últimos anos, alguns acompanhados com expectativa pela imprensa.

“As partes entraram em acordo diante de uma posição mútua de debilidade”, considerou o analista em matéria de propriedade intelectual Florian Mueller da fosspatents.com.

“Tinham que reconhecer que, sob as circunstâncias processuais, suas patentes não eram suficientemente fortes para dar a uma das partes uma influência decisiva sobre a outra, ao menos não no curto prazo”, disse Mueller.

– Uma longa guerra –

O fabricante americano de telefones celulares Motorola denunciou a Apple nos Estados Unidos há quatro anos. A Apple respondeu com outra denúncia e o Google herdou o conflito judicial quando comprou o braço de telefonia móvel da Motorola em 2012.

Esta aquisição foi considerada naquele momento como um movimento para utilizar suas patentes para defender o sistema operacional Android nos cada vez mais litigantes mercados dos smartphones e dos tablets.

No início do ano, o Google decidiu vender a Motorola Mobility ao gigante dos computadores chinês Lenovo, embora a operação ainda não tenha sido finalizada.

O Google continua sendo um dos principais atores do mercado da telefonia mundial, já que o Android é utilizado por três quartos dos fabricantes de smartphones e tablets do mundo, impondo-se como o principal concorrente dos iPhones e iPads da Apple.

A Samsung é a usuária do programa do Google que tem a maior parcela de mercado, 35%, segundo as estimativas da consultora IDC. A Apple aparece na segunda posição, embora seu iPhone domine apenas 15,5% do mercado mundial.

Apple e Google afirmaram que a trégua inclui apenas as demandas que os opõem diretamente, o que deixa de fora o litígio entre Apple e Samsung.

No último julgamento entre Samsung e Apple, o tribunal confirmou que o gigante sul-coreano deverá pagar 119,6 milhões de dólares à companhia americana por ter violado algumas patentes de smartphones.

A Samsung já havia sido condenada por este mesmo tribunal em 2012 e 2013 a desembolsar 930 milhões de dólares à Apple, que naquela ocasião exigia uma indenização de mais de 2 bilhões de dólares. Mas a vitória da empresa americana foi parcial, já que a Justiça também constatou violações de patentes de sua parte.

O tribunal condenou a Apple a pagar 158.400 dólares à empresa sul-coreana, que a acusava de infringir suas próprias patentes sobre a tecnologia de transmissão de dados.

O último embate ocorreu na sexta-feira no Japão, onde um tribunal concluiu que a Apple havia violado a propriedade intelectual da Samsung, mas condenou a marca a uma multa de apenas 98.000 dólares. As duas empresas classificaram a sentença de vitória.

França condena referendo anunciado pelos separatistas neste domingo na Ucrânia

Civis ucranianos conversam com integrantes das forças armadas em Slaviansk

Civis ucranianos conversam com integrantes das forças armadas em Slaviansk

REUTERS/Baz Ratner
RFI

A França condenou nesta sexta-feira (9) a realização de referendos ilegais pelos separatistas pró-russos no leste da Ucrânia e fez um apelo para a retomada do diálogo. O chanceler francês Laurent Fabius condenou a decisão dos grupos dissidentes, que mantiveram a consulta popular para a independência da região de Donetsk neste domingo.

 

O chanceler francês conversou pelo telefone com o primeiro-ministro ucraniano Arseni Iatsenouk e disse que neste momento crucial é importante que “todas a partes provem estarem abertas ao diálogo.” Nesta quinta-feira, os líderes separatistas em Donetsk e Slaviansk confirmaram a realização da consulta popular neste domingo, que teve a oposição da Rússia.

O governo provisório ucraniano já anunciou que não reconhecerá o referendo e o classificou de “terrorista.” A tensão entre separatistas e nacionalistas na Ucrânia cresceu nos últimos dias, apesar das declarações do presidente russo Vladimir Putin, aparentemente alinhadas às soluções propostas pelos países ocidentais.

Ele também garantiu ser contrário ao referendo, um cenário parecido com o que resultou na anexação da Crimeia pelos russos. Putin também afirmou que a Rússia havia retirado as tropas da fronteira, apesar da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) não ter notado nenhuma mudança na posição das tropas. O governo ucraniano, entretanto, se disse cético em relação à veracidade das decisões anunciadas. 

Incêndio atinge TV em Kiev

Um incêndio considerado ‘’suspeito’’ atingiu o centro de televisão de Kiev na noite de quinta para sexta-feira, segundo as autoridades ucranianas. O acidente aconteceu às 4h37 da madrugada, na parte externa da torre. De acordo com um comunicado do Ministério das Situações de Emergência, o fogo atingiu os geradores de energia.

A secretária do Conselho de Segurança Nacional e da Defesa, Viktoria Sioumar, denuncia um ato de sabotagem. “De acordo com as primeiras informações, integrantes dos serviços secretos russos colocaram fogo nos cabos jogando coquetéis Molotov”, declarou. Já o chefe da administração de Kiev, Volodymyr Bondarenko, disse que o incêndio havia sido provocado por um curto-circuito.

Rússia testa novos mísseis em manobras militares

O presidente russo Vladimir Putin

Foto: O presidente russo Vladimir Putin

REUTERS/Ilya Naymushin
RFI

A Rússia testou nesta quinta-feira (8) diversos mísseis balísticos durante exercícios militares que foram supervisionados pelo presidente Vladimir Putin. Segundo ele, as manobras estavam previstas desde novembro e não têm relação com a crise na Ucrânia.

 

As forças militares russas testaram o míssil balístico intercontinental Topol. Os tiros foram efetuados na base de Plesetsk, no norte do país. Outros mísseis de curto alcance também foram testados em submarinos posicionados no mar do Norte e no Pacífico, de acordo com as agências russas.

Os exercícios também incluem bombardeios estratégicos com os mísseis Tupolev Tu-95 e a entrada no canal da Mancha da frota posicionada no Norte e do porta-aviões “Amiral Kouznetsov.”

As manobras foram supervisionadas por Putin e quatro presidentes de países aliados da Rússia, que pertenciam à ex-União Soviética : Armênia, Belarus, Tajiquistão e Quirguistão.

De acordo com o presidente russo, o objetivo é assegurar os aliados da preparação e da coesão das forças estratégicas ofensivas e defensivas do país. “Nossas forças armadas são uma garantia da soberania e da integridade territorial de nosso país. Elas têm um papel essencial na manutenção da segurança mundial e regional”, acrescentou.

Putin também disse à TV russa que os exercícios estavam previstos desde novembro e que “não tinham relação com a crise na Ucrânia.”

Putin participará das comemorações no Desembarque da Normandia

O presidente russo Vladimir Putin estará presente no dia 6 de junho nas comemorações do 70° aniversário do Desembarque dos Aliados no Normandia. O anúncio foi feito hoje pelo embaixador da Rússia na França, Alexandre Orlov.

Interrogado pela hipótese de reuniões paralelas com dirigentes ocidentais, o embaixador disse que “alguns encontros estavam previstos”.

Separatistas mantém referendo

As autoridades russas indicaram nesta quinta-feira que estavam ‘’analisando’’ a decisão dos separatistas na Ucrânia de manter o referendo sobre a independência de Donestk, no dia 11 de maio. O presidente Vladimir Putin sugeriu o cancelamento da consulta popular nesta quarta-feira.

Obama terminará mandato com “tensão fria” com a Rússia

 
O Presidente norte-americano, Barack Obama, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Los Cabos, México, 18/06/12.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Los Cabos, México, 18/06/12.

UKRAINE-PUTIN/DIPLOMACY REUTERS/Jason Reed/Files
Alfredo Valladão

Durante um trezentos anos, até o final da Guerra Fria, a Europa foi o centro do mundo. A civilização europeia dominava o planeta. Mas os terríveis enfrentamentos internos no Velho Continente repercutiam de maneira brutal na vida da humanidade inteira. Até durante o grande confronto planetário entre o comunismo e o capitalismo liberal, a União Soviética e os Estados Unidos, a Europa destruída por duas guerras mundiais continuava sendo o campo de batalha central.

A queda do muro de Berlim marcou a derrota definitiva do urso soviético. Até ocupada pelos russos e dependente do guarda-chuva militar americano, a Europa mantinha a sua condição de eixo estratégico do mundo. Só que a implosão do inimigo soviético também acabou com a importância dos assuntos europeus. Claro, o Velho Continente ainda tinha alguma relevância, sobretudo do ponto de vista econômico e comercial (afinal de contas a economia europeia ainda é a segunda maior do mundo).

Mas, do ponto de vista estratégico, os atentados do 11 de setembro em Nova Iorque e Washington transferiram os grandes problemas de segurança para o Oriente Médio. O terrorismo islamita, as intervenções americanas no Afeganistão e no Iraque, o programa nuclear iraniano e a explosão da primavera árabe, tudo isso em volta das maiores reservas petrolíferas do mundo, fortaleceram a ideia de que a Europa como espaço central já era. Sem contar com a “emergência” da China e da Índia.

A Ásia-Pacífico é hoje uma região chave para o bem-estar econômico do planeta inteiro e qualquer tensão mais forte entre os Estados da região pode ter conseqüências catastróficas para o mundo inteiro. Na própria região, os países vizinhos do Sudeste Asiático e a Coreia do Sul estão preocupadíssimos com a volta da rivalidade e das provocações entre Pequim e Tóquio, e a atitude arrogante das Forças Armadas chinesas no Mar da China Meridional.

Novo cenário internacional

Foi nesse novo ambiente internacional que Barack Obama foi eleito presidente – o primeiro presidente americano sem laços históricos e afetivos com a Europa. Herdando um país cansado de guerra, Obama, nascido no Havaí e educado em parte na Indonésia, queria ser o primeiro presidente “asiático” dos Estados Unidos. A sua estratégia diplomática era tirar o corpo fora do Oriente Médio e se voltar para a Ásia. Para isto era necessário neutralizar as tensões no mundo árabe, repatriar as tropas, negociar com o Irã e, paralelamente, garantir a segurança dos vizinhos da China que bradam por uma maior presença militar americana na Ásia-Pacífico.

Obama não queria mais saber de guerras e até inventou o famoso conceito de “liderar na retaguarda”, deixando aos aliados a responsabilidade das intervenções mais musculosas. Para o presidente americano, os grandes problemas da guerra e da paz deviam ser tratados pela cooperação e o diálogo, às vezes com sanções econômicas, e se possível de maneira multilateral. As repetidas tentativas de criar boas relações com a Rússia foram um dos eixos importantes desta nova visão política.

Putin ganha espaço

Só que aí aconteceu a Ucrânia. Com a invasão da Geórgia em 2008, Vladimir Putin fez um teste do tutano de Obama. E não houve nada. O presidente russo decidiu continuar, dando asilo a Edward Snowden e armando e protegendo o carniceiro Bachar Al-Assad. Quando Obama recuou na hora de castigar o presidente sírio por ter usado armas químicas. Putin achou,então, que podia tentar qualquer negócio. A invasão da Crimeia e sua anexação pela Rússia representam o maior desafio de segurança à ordem mundial implantada depois da Segunda Guerra Mundial.

O problema é que este desafio foi feito na Europa. E quando se mexe em fronteiras no Velho Continente tudo – e até o pior – podem acontecer. Hoje, Obama é obrigado a colocar a Europa no topo de suas prioridades e a pensar de novo em termos de relações de força e de contensão da Rússia. A visão de um mundo cooperativo sem grandes ameaças militares está se acabando rapidamente. O fim do mandato de Obama e o começo de mandato do futuro inquilino da Casa Branca serão, no mínimo, de “tensão fria” permanente. Maus tempos para quem ainda acredita no multilateralismo e também para a Europa que volta a ser um espaço de guerra estratégico.