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Bombardeio mata oito crianças palestinas que brincavam num parquinho em Gaza

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza, espera por atendimento no hospital.

Criança palestina, vítima do ataque israelense contra uma escola da ONU em Gaza, espera por atendimento no hospital.

REUTERS/Finbarr O’Reilly/Files

Dez palestinos, incluindo oito crianças, morreram nesta segunda-feira (28) em um bombardeio ao campo de refugiados de Al Chati, na cidade de Gaza. As crianças teriam sido atingidas quando brincavam no parquinho do campo, na beira da praia. Quatro civis israelenses morreram, por sua vez, devido à explosão de um morteiro lançado de Gaza. O artefato caiu perto da fronteira, na região de Eshkol, no sul de Israel.

 

O bombardeio ao campo de refufiados de Al Chati deixou 40 feridos. Os corpos das crianças e de dois adultos foram levados para o hospital de Chifa, o maior do enclave palestino, que também foi alvo de uma explosão. Apenas um muro do estabelecimento foi danificado. O Exército de Israel acusa o Hamas pelos dois incidentes. Um comunicado militar afirma que eles foram provocados por “foguetes mal direcionados pelos terroristas de Gaza”.

Durante a madrugada e o período da manhã, os bombardeios diminuíram de ambos os lados, dando a impressão que havia uma trégua não-declarada entre os beligerantes. Porém, à tarde, os disparos recomeçaram.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a declaração do Conselho de Segurança da ONU exigindo um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza “não atende às exigências de segurança de Israel, principalmente no que diz respeito à desmilitarização” do território palestino.

Netanyahu conversou por telefone com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e lamentou que o texto do Conselho não faça alusão “aos ataques contra a população civil israelense nem ao uso dos palestinos como escudos humanos pelo Hamas”.

Ban Ki-Moon pede “humanidade” aos dirigentes

Ban Ki-Moon reiterou o apelo para que Israel e o Hamas ponham um fim ao conflito em Gaza, insistindo na necessidade de ambas as partes “honrarem” os pedidos de cessar-fogo da comunidade internacional. “Em nome da humanidade, a violência tem de parar”, disse o secretário-geral da ONU.

Ontem, reunidos emergencialmente em Nova York, os 15 países do Conselho de Segurança da ONU pediram que Israel e o Hamas aplicassem uma trégua humanitária durante e depois da festa muçulmana do Eid al-Fitr, que marca, nesta segunda-feira, o fim do jejum do Ramadã. O Conselho pediu assistência humanitária à população de Gaza, com o aumento das contribuições ao escritório da ONU para os refugiados palestinos.

Palestinos de Jerusalém pedem fim da ofensiva

Cerca de 45 mil palestinos se reuniram na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, para manifestar neste último dia do Ramadã um fervoroso apoio aos moradores de Gaza.

Muitos participantes usavam camisetas com frases de solidariedade aos vizinhos, como “estamos com vocês nesta festa do Eid al-Fitr” e “daremos nosso sangue por Gaza”. Outros vestiam camisetas de apoio ao braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, com dizeres do tipo “sequestrem mais soldados israelenses”.

A polícia israelense se manteve à distância dos manifestantes.

“Esperamos pela nossa bomba”, relatam moradores de Gaza

Centenas de famílias palestinas fugiram depois de Israel ter intensificado seus ataques aéreos contra alvos do Hamas.

Centenas de famílias palestinas fugiram depois de Israel ter intensificado seus ataques aéreos contra alvos do Hamas.

REUTERS/Finbarr O’Reilly
RFI

Depois de 14 dias da ofensiva militar israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza, a população civil é a mais afetada. Segundo a ONU, mais de 100 mil palestinos estão refugiados. E, aos jornalistas da RFI, Nicolas Ropert e Véronique Gaymard, moradores da região relatam o temor constante de novos ataques.
 

 

O dia de segunda-feira e as primeiras horas desta terça-feira (22) foram novamente marcados por ataques. Ontem, cerca de 50 pessoas morreram. O hospital Al-Aqsa, situado ao sul da Faixa de Gaza, foi atingido e quatro pessoas morreram. Um outro prédio residencial também foi alvo de um bombardeio que deixou 11 mortos, sendo 5 crianças.

Entrevistado pela RFI, Anal Charwan, um médico do hospital Al-Shifa, também localizado em Gaza, relata o cotidiano sob os ataques de Israel. “Domingo, muitas pessoas chegaram de Al-Shuja’iyeh, onde havia ataques de mísseis israelenses. Havia muitos mortos, muitos feridos. Não havia mais lugar para ninguém. Nem para os mortos. Os serviços de cirurgia estão cheios. Não temos instrumentos cirúrgicos. Faltam médicos, especialistas em queimaduras e em ferimentos causados por mísseis. No hospital Al-Aqsa, que foi atingido [ontem], havia serviços de cirurgia, de reanimação e de ginecologia. Mas tudo foi destruído”, contou.

“Esperando pela nossa bomba”

No sul de Gaza, em Rafah, nove palestinos da mesma família foram mortos em um ataque aéreo israelense. Islam Adhaïr mora no mesmo bairro com a mãe, a mulher e três filhos. Ele conta sobre o medo diário. « Aqui é horrível porque ficamos sempre à espera da nossa bomba. A bomba que vai destruir a nossa casa. Temos problemas de infraestrutura, como esgoto, e problemas de abastecimento de água e de eletricidade. Temos apenas quatro horas de eletricidade por dia. Aproveitamos esse tempo para carregar os celulares, ver informações na internet e na televisão », relatou.

Sobre a possibilidade de fugir de Gaza, como já fizeram cerca de 100 mil pessoas, segundo a ONU, Islam Adhaïr responde: “Deixar minha casa para ir para onde? Não há mais lugar nenhum para ir. Não temos abrigo”.

Wahiba, habitante de Gaza, também diz que todos estão aterrorizados: ” Há bombardeios 24 horas por dia. Vivemos num quarto nos fundos do apartamento. Para nós, esse é o lugar mais seguro. Mas nada é seguro diante dos bombardeios de Israel. Eu e meus filhos dormimos 3 horas por noite. Não podemos sair de casa.O medo não faz parte da nossa vida, o medo é a nossa vida atualmente”, disse à RFI.

 

Medo em Israel

Do lado israelense, a ofensiva também deixa mortos. Segundo o exército, 27 soldados morreram desde o começo do conflito. O deputado Shimon Salomon esteve na cerimônia fúnebre dos militares e lamentou o confronto em Gaza. “Queremos a paz. Estamos tocados [pelo sofrimento] da população, mas o Hamas usa os civis como escudos humanos. Há dez anos, eles nos lançam mísseis. Somos a favor de um cessar-fogo, mas, do outro lado, eles não querem”.

Enquanto um cessar-fogo definitivo não é acertado, os esforços diplomáticos se concentram no Egito. No Cairo, o secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, se reuniram ontem à noite. Ao término do encontro, Kerry anunciou uma ajuda de US$ 47 milhões (R$ 104 milhões) para os moradores de Gaza.

Mais de 60 palestinos morrem e 200 ficam feridos em ataque israelense na periferia de Gaza

Vista da periferia de Gaza após o violento ataque do exército israelense neste domingo (20) contra o bairro de Shajaya.

Vista da periferia de Gaza após o violento ataque do exército israelense neste domingo (20) contra o bairro de Shajaya.

REUTERS/Mohammed Salem
RFI

Pelo menos 60 palestinos morreram e mais de 200 ficaram feridos na manhã deste domingo (20) em ataques do exército israelense na periferia de Gaza. No começo da tarde, um bombardeio no sul da região deixou mais cinco mortos. De acordo com os serviços de socorro, 425 palestinos morreram e cerca de 3 mil ficaram feridos durante os 13 dias de ofensiva israelense.

 

O ataque deste domingo é o pior desde que Israel deu início à operação Limite Protetor na Faixa de Gaza, há 13 dias. Ao menos 60 palestinos morreram no ataque do exército israelense no bairro Shajaya, na periferia de Gaza hoje. De acordo com fontes médicas, o filho, a nora e os dois netos de um alto responsável do movimento radical Hamas, Khalil al-Hayya, morreram na ofensiva.

Durante o ataque, milhares de moradores em pânico fugiram do bairro como puderam, a pé, de carro ou mesmo empilhando-se em caçambas de caminhões. Muitos feridos se dirigiram diretamente ao hospital Chifa de Gaza, que em poucos minutos foi invadido por centenas de pessoas feridas. Idosos contaram aos jornalistas no local que este foi o ataque mais violento que viveram desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Interrogada sobre a violenta ofensiva, uma porta-voz dos militares respondeu que os palestinos de Shajaya haviam sido avisados há dois dias por Israel para deixarem suas casas e se protegerem em abrigos. Mas o Hamas pediu que as ordens de evacuação fossem ignoradas.

Bombardeio no sul

Um bombardeio no início desta tarde em Khan Younes, no sul da Faixa de Gaza, matou mais cinco palestinos. Três pessoas de uma mesma família, entre elas, uma mulher de 33 anos e um garoto de 12 anos, estão entre as vítimas. Intensos ataques também foram registrados no leste da cidade de Gaza e em Jabaliya, no norte.

O porta-voz do serviço de urgências medicais da Faixa de Gaza, Achraf al-Qodra, disse esperar que o número de vítimas aumente neste domingo. “A maioria das pessoas mortas e feridas até o momento são civis”, informou, contabilizando mais de 3 mil feridos nos últimos 13 dias.

Do lado de Israel, sete pessoas morreram desde o início da ofensiva, no dia 8 de julho: dois civis e cinco soldados.

Trégua humanitária

Após os violentos ataques em Shajaya, a Cruz Vermelha fez um pedido de trégua a Israel e ao Hamas, que aceitaram pausar a ofensiva na região durante duas horas, entre 13h30 e 15h30 locais. No entanto, o cessar-fogo não durou o tempo previsto e o exército israelense deu seqüência aos ataques argumentando que o Hamas não respeitou o acordo.

No plano diplomático, os esforços que envolvem especialmente o Egito, o Qatar, a França e a ONU não obtiveram nenhum resultado nos últimos dias.

Neste domingo, o presidente palestino Mahmoud Abbas se encontra com o chefe do Hamas no exílio, Khaled Mechaal, no Qatar. Logo depois, Abbas se reúne também com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Ontem (19), o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, encontrou o premiê israelense Benjamin Netanyahu, após participar de reuniões sobre a questão israelo-palestina no Egito e na Jordânia. Decepcionado, após o encontro com Netanyahu, Fabius declarou: “Neste momento, a sensação que paira é que os pedidos para um cessar-fogo não estão sendo considerados e que há um risco ainda maior que civis morram nos próximos dias, e isso nos assusta muito”.

Ataques israelenses matam quatro crianças em praia de Gaza

Ataques aéreos israelenses matam quatro crianças em praia de Gaza.

Ataques aéreos israelenses matam quatro crianças em praia de Gaza.

REUTERS/Mohammed Salem

Dois morteiros israelenses atingiram um grupo de crianças na tarde desta quarta-feira (16), em uma praia de Gaza, diante dos olhos de vários jornalistas. Quatro menores, com idades entre 9 e 11 anos, todos primos, morreram. Pelo menos cinco outras crianças ficaram feridas.

 

Os ataques aconteceram em um porto pesqueiro. Assustadas com as bombas, as crianças, várias ensanguentadas e queimadas, saíram em direção a um hotel perto da praia, onde jornalistas estão hospedados. Um responsável pelos serviços médicos de emergência em Gaza confirmou quatro mortes e quatro feridos à Agência France Presse.

Os corpos dos meninos foram entregues às famílias e encaminhados, em seguida, a uma mesquita da vizinhança. Depois, os meninos foram enterrados com bandeiras amarelas do Fatah, o movimento nacionalista do presidente Mahmoud Abbas. Questionado, o exército israelense não se manifestou.

Os ataques israelenses já fizeram 220 mortos entre os palestinos desde o início da operação “Limite Protetor”, no dia 8 de julho, segundo os serviços palestinos de emergência médica. A maioria das vítimas são civis, incluindo dezenas de mulheres e crianças, de acordo com a ONU e ONGs humanitárias.

Paralelamente, grupos armados de Gaza já lançaram cerca de 1.200 foguetes contra Israel, matando um civil.

Protesto em Paris

Centenas de pessoas se reuniram no final da tarde na praça dos Inválidos, em Paris, para protestar contra a violência em Gaza. A manifestação foi organizada pelo Coletivo nacional por uma paz justa e durável entre palestinos e israelenses.

A iniciativa teve apoio do sindicato CGT, do partido Frente de Esquerda e dos ecologistas. Os manifestantes denunciaram a “passividade” dos governos, enquanto os bombardeios contra Gaza aumentam em intensidade. 

Ofensiva israelense em Gaza já matou mais de 100 palestinos

Ataques de Israel continuam durante a noite desta sexta-feira (11) na Faixa de Gaza.

Ataques de Israel continuam durante a noite desta sexta-feira (11) na Faixa de Gaza.

REUTERS/ Amir Cohen
RFI

Ao menos 13 palestinos morreram nesta sexta-feira (11) nos ataques de Israel contra a Faixa de Gaza, o que aumenta para 105 o número mortos e 600 feridos desde terça-feira. Ao todo, 73 civis morreram até o momento, entre eles 23 crianças. Hoje foi o quarto dia da operação militar israelense “Limite Protetor”, intensamente criticada pela comunidade internacional.

 

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou hoje, durante uma coletiva de imprensa no Ministério da Defesa de Tel Aviv, que nenhuma pressão internacional vai impedir seu país de combater os terroristas. “Nós continuaremos [os ataques] enquanto não tivermos certeza que os cidadãos israelenses poderão viver em calma”, disse.

Pelo segundo dia consecutivo, Netanyahu não excluiu a possibilidade de realizar uma ofensiva terrestre, já que a operação atual conta com a participação apenas da aviação e da marinha. “Nós estamos estudando todas as possibilidades, nos preparando para todas as eventualidades”, completou.

Barack Obama oferece mediação

Em uma reunião telefônica com o premiê israelense, o presidente norte-americano Barack Obama expressou o medo da escalada da violência e propôs ser o mediador entre as duas partes. “Os Estados Unidos estão prontos para ajudar nas negociações pelo fim das hostilidades, inclusive no retorno dos diálogos sobre o cessar-fogo”, anunciou um comunicado da Casa Branca, completando que considera a facção islâmica Hamas como “uma organização terrorista”.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que selou um acordo de reconciliação com o Hamas no fim de abril, fez um apelo ao Conselho de Segurança da ONU para que articule o cessar-fogo na região e condene a agressão israelense.

Ontem, durante uma região de urgência no Conselho de Segurança, representantes das duas partes trocaram acusações e não chegaram a nenhuma conclusão sobre a questão. Nem Netanyahu, nem o dirigente do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, pareceram dispostos a realizar uma trégua.

Ameaças

Diante de uma possível invasão israelense por terra anunciada pelo premiê israelense, o Hamas ameaçou hoje disparar foguetes contra o principal aeroporto de Tel Aviv. O movimento também alertou as companhias aéreas estrangeiras de aterrissarem em Israel. A ameaça interrompeu as operações no aeroporto de Ben Gourion durante alguns minutos, mas muitas empresas aéreas confirmaram que irão manter seus voos.

As duas principais facções radicais palestinas, o Hamas e a Jihad Islâmica, dispararam 550 foguetes e morteiros a partir de Gaza contra Israel nos últimos dias, segundo a ONU. Uma explosão causada por um foguete do Hamas deixou uma israelense gravemente ferido hoje em Ashdod, ao norte de Gaza.

O conflito é o mais violento desde novembro de 2012, que matou 177 palestinos e seis israelenses. Os confrontos recomeçaram após o sequestro e o assassinato de três estudantes de Israel na Cisjordânia, que Tel Aviv atribui ao Hamas. Extremistas judeus responderam queimando vivo um jovem palestino.

Israel promete punir Hamas por morte de três adolescentes

Protesto em Nova York, diante da sede da ONU, pela morte dos três jovens israelenses.

Protesto em Nova York, diante da sede da ONU, pela morte dos três jovens israelenses|REUTERS/Lucas Jackson

Os três jovens israelenses sequestrados no dia 12 de junho foram encontrados mortos em Halhoul, no sul da Cisjordânia ocupada. O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, reforçou nesta terça-feira (1°), as ameaças de retaliação feitas na véspera pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

“Vamos continuar a caçar os assassinos, não vamos descansar ou nos silenciar até colocarmos as mãos nos responsáveis”, disse Yaalon. “O Hamas é responsável e o Hamas irá pagar”, declarou Netanyahu . Ele convocou uma sessão do seu gabinete de segurança para decidir manobras militares contra o grupo islâmico, que nem confirmou nem negou as alegações de Israel.

Os corpos de Gil-Ad Shaer, Naftali Fraenkel, ambos de 16 anos, e Eyal Yifrah, de 19 anos, foram encontrados em um campo próximo de Hebron, um reduto de militantes e cidade-natal de dois membros do Hamas identificados por Israel como os sequestradores. Os suspeitos ainda estão foragidos, informaram fontes de segurança.

Aparentemente, os adolescentes foram mortos a tiros pouco depois de serem raptados enquanto pediam carona, disseram as autoridades. “Estavam sob uma pilha de rochas, em um campo aberto”, declarou o tenente-coronel Peter Lerner, um porta-voz dos militares.

Na noite de ontem, milhares de militares israelenses cercaram Halhoul e a cidade de Hebron. O exército destruiu as casas dos dois principais suspeitos em Hebron.

Repúdio

Netanyahu aproveitou para exigir que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, revogue o acordo de reconciliação firmado em abril com o Hamas, adversário de longa data, e que levou à formação de um governo de unidade em 2 de junho.

Abbas repudiou o sequestro e pediu a cooperação de suas forças de segurança, atraindo críticas do Hamas. O presidente americano, Barack Obama, condenou o que chamou de “ato de terrorismo absurdo contra jovens inocentes”. 

Israel prende 80 palestinos em buscas por jovens desaparecidos

Primeiro-ministro ministro israelense, Benjamin Netanyahu (segundo à esquerda), acusou o grupo palestino armado Hamas de estar por trás do sequestro.

Primeiro-ministro ministro israelense, Benjamin Netanyahu (segundo à esquerda), acusou o grupo palestino armado Hamas de estar por trás do sequestro|REUTERS/Abir Sultan/Pool|RFI

O Exército israelense prendeu cerca de 80 palestinos na Cisjordânia e impôs um bloqueio completo da cidade de Bebron, na tentativa de encontrar três jovens israelenses que Tel Aviv afirma terem sido sequestrados pelo grupo Hamas. O sumiço dos adolescentes, há três dias, aumenta a tensão na região, uma semana depois de o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ter se encontrado com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, no Vaticano.

Neste domingo (15), soldados israelenses realizam buscas intensas nas ruas de Hebron, no sul da Cisjordânia. Foram instaladas barreiras na entrada da cidade, a maior localidade palestina na região. Nenhum carro está autorizado a entrar ou sair de Hebron.

A operação militar mobiliza milhares de homens e se concentra em Tafuh, no leste de Hebron, onde os soldados vistoriam casas com cães farejadores. Entre os palestinos presos está uma maioria de membros do Hamas, entre eles Hassan Youssef, deputado do movimento islamita na Cisjordânia. Outros são membros do grupo radical Jihad Islâmica e do Fatah, o partido nacionalista dirigido pelo presidente Mahmoud Abbas.

“Como parte dos esforços para encontrar os três adolescentes sequestrados, cerca de 80 palestinos foram presos durante uma operação militar”, indicou o exército em um comunicado, no qual acrescenta que vai “utilizar todos os meios para resolver este caso”.

Israel acusa o Hamas

O premiê Netanyahu acusou neste domingo o movimento islamita Hamas de ser o responsável pelo sequestro de três adolescentes israelenses na Cisjordânia. “São gente do Hamas, o mesmo Hamas com o qual Abu Mazen (Mahmud Abbas) assinou para formar um governo de unidade”, declarou neste domingo, ao entrar em uma reunião de seu gabinete no ministério da Defesa, em Tel Aviv. “Isto tem repercussões graves”, disse.

O Hamas e a Organização de Libertação da Palestina (OLP), dirigida por Abbas, assinaram um acordo de reconciliação no dia 23 de abril que propiciou, no início de junho, um governo de “consenso nacional” apoiado pelo Hamas e formado por personalidades independentes.

“Neste momento multiplicamos os esforços para trazer para casa estes reféns”, acrescentou Netanyahu.

Jovens

Segundo a imprensa israelense, os adolescentes, estudantes de escolas talmúdicas, desapareceram na noite de quinta-feira quando pediam carona perto de Gush Etzion, um bloco de colônias situado entre as cidades palestinas de Belém e Hebron para ir a Jerusalém. Os desaparecidos foram identificados como Eyal Yifrach, de 19 anos, originário de Elad (Israel), Naftali Frenkel (16 anos), de Nof Ayalon (Israel), e Gilad Shaer (16 anos), da colônia Talmon, na Cisjordânia ocupada. Um deles seria de nacionalidade americana, segundo a rádio israelense.

Novo governo palestino deverá ‘rejeitar violência e terrorismo’, diz Abbas

Mahmoud Abbas preside reunião da OLP neste sábado, 26 de abril de 2014, em Ramallah, na Cisjordânia.

Mahmoud Abbas preside reunião da OLP neste sábado, 26 de abril de 2014, em Ramallah, na Cisjordânia.

REUTERS/Mohamad Torokman

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirmou neste sábado (26) que o governo de consenso nacional acertado com o movimento islamita Hamas deverá “rejeitar a violência e o terrorismo”, e também reconhecer o Estado de Israel e os acordos assinados com o país.

 

“O próximo governo obedecerá a minha política”, declarou Abbas aos membros do Conselho Central Palestino, órgão dirigente da Organização para a Libertação da Palestina, reunido neste fim de semana em Ramallah, na Cisjordânia. Abbas sublinhou que o novo governo palestino vai cuidar prioritariamente de assuntos internos.

“Reconheço o Estado de Israel, rejeito a violência e o terrorismo e respeito os compromissos internacionais”, acrescentou o líder palestino.

Por outro lado, Abbas deixou claro que os palestinos “nunca aceitarão reconhecer um Estado judeu”, uma exigência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Abbas ressaltou que Israel não fez esse tipo de exigência à Jordânia e ao Egito, países que assinaram acordos de paz com o Estado hebreu. Ele também lembrou que os palestinos reconheceram o Estado de Israel em 1993.

O Hamas considerou “positivo” o discurso de Abbas. “Nós apoiamos as posições da OLP sobre Jerusalém, sobre a reconcliliação interpalestina e o não reconhecimento do estado judeu”, declarou Bassem Naim, um dos dirigentes do Hamas na Faixa de Gaza.

Naim disse que o novo governo de consenso nacional terá basicamente três missões: reunificar as organizações palestinas, preparar novas eleições e reconstruir Gaza. Segundo Naim, “não cabe a esse governo tratar de questões políticas”.

Israel suspende negociações

O acordo de reconciliação fechado nesta semana entre as forças políticas palestinas enfureceu Israel, que considera o Hamas uma “organização terrorista”.

O Hamas rejeita as negociações de paz empreendidas pela Autoridade Palestina de Abbas com Israel e defende a resistência armada contra o país.

Em resposta ao acordo interpalestino, Israel suspendeu as negociações que estavam sendo mediadas pelo secretário de Estado americano, John Kerry.

Obama considera “inútil” acordo com o Hamas

Confrontado a mais um fracasso de sua administração no processo de negociações israelo-palestino, o presidente americano, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, durante visita a Seul, que uma “pausa” era necessária no diálogo entre israelenses e palestinos.

Obama criticou o acordo interpalestino, qualificando de “inútil” a aproximação do Fatah (partido de Abbas) com o Hamas. Na avaliação de Obama, tanto o governo de Israel quanto os dirigentes palestinos tomaram uma série de iniciativas nas últimas semanas “infelizes”, que não acrescentaram nada de bom aos esforços diplomáticos para se chegar a um acordo de paz duradouro no Oriente Médio.

Hamas anuncia acordo com OLP e Israel bombardeia Faixa de Gaza

O movimento islamita Hamas e o nacionalista palestino Fatah concordaram em formar um governo de união nacional.

O movimento islamita Hamas e o nacionalista palestino Fatah concordaram em formar um governo de união nacional.

REUTERS/Mohammed Salem
RFI

O movimento Hamas e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) anunciaram um acordo nesta quarta-feira (23) para a formação de um governo de união nas próximas semanas. Pouco depois do comunicado ser divulgado, a aviação israelense bombardeou o norte da faixa de Gaza, ferindo seis palestinos.

 

O acordo prevê a formação de um governo de união dentro de cinco semanas e a realização de eleições legislativas e presidenciais seis meses depois do voto de confiança do Parlamento. O último pleito nos territórios ocupados aconteceu em 2006 e as últimas eleições presidenciais foram vencidas por Mahmoud Abbas em 2005.

O Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, e o Fatah, movimento de Mahmoud Abbas predominante dentro da OLP, divergiam sobre maneiras de aplicar o acordo de reconciliação, assinado em 2011 no Egito e em Doha, em fevereiro de 2012. O objetivo era colocar um fim à divisão política entre Gaza e a Cisjordânia.

Ambos os lados temiam gerar novas tensões nas relações com Israel, mas acabaram chegando a um acordo. “É uma boa novidade que anunciamos para nosso povo: o tempo das divisões chegou ao fim”, disse Ismaïl Hanieyhn, chefe do governo de Hamas em Gaza.

Premiê israelense acusa palestinos de “abortar processo de paz”

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou os palestinos nesta quarta-feira de abortar o processo de paz. “Em vez de escolher a paz com Israel, Abbas optou pela paz com o Hamas”, disse o premiê. O negociador para a Palestina, Saëb Erakat, respondeu que seria difícil obter a paz sem uma reconciliação prévia.

Em resposta à decisão palestina, a aviação israelense bombardeou o norte da Faixa de Gaza, deixando seis palestinos feridos, um em estado grave. O governo israelense também cancelou a próxima sessão de negociações com a Autoridade Palestina.

O processo de paz entre Israel e os palestinos foi relançado em julho passado pelo chefe da diplomacia americana, John Kerry. Nesta terça-feira, o nono encontro entre os negociadores israelenses e palestinos, na presença do mediador americano Martin Indyk, não trouxe nenhum resultado.

“Continuaremos a nos encontrar com a delegação israelense até o dia 29 de abril. Mas está claro que Israel não tem interesse em alavancar o processo de paz”, disse o negociador palestino. Ambas as partes pedem um prolongamento do prazo para as negociações de paz, estabelecido até o dia 29 de abril.

O presidente palestino aceitou dar continuidade às discussões, desde que Israel libere os prisioneiros, suspenda a construção de novos assentamentos e aceite discutir a delimitação das fronteiras do futuro Estado palestino.