Arquivo da tag: Holocausto

Papa fala em “tragédia incomensurável” do Holocausto

Em Israel, Francisco visitou memorial dedicado às vítimas do nazismo

Em Israel, Francisco visitou memorial dedicado às vítimas do nazismo 
Crédito: Menahem Kahana / AFP / CP

O Papa Francisco denunciou nesta segunda-feira a “tragédia incomensurável” do Holocausto durante uma visita ao Memorial Yad Vashem, dedicado às vítimas do extermínio de seis milhões de judeus cometido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Como em uma oração, cercado pelas enormes pedras do imponente monumento, o pontífice pediu com um tom emocionado: “Senhor, nosso Deus, salve-nos desta monstruosidade”. “Recorde-se de nós em tua misericórdia. Damos graça por nos envergonhamos do que, como homens, fomos capazes de fazer, por noFs envergonhamos desta máxima idolatria, de termos desprezado e destruído nossa carne, esta carne que tu modelaste do barro, que tu vivificaste com teu sopro de vida”, clamou.

O Papa acendeu a chama do monumento e saudou alguns sobreviventes. Nesse domingo, o Papa fez um apelo contra qualquer tipo de discriminação. “Que não exista espaço para antissemitismo, em qualquer de suas formas, nem para manifestações de hostilidade, discriminação ou intolerância com pessoas ou povos”, disse o líder da Igreja Católica em seu primeiro discurso para as autoridades de Israel. A declaração foi bem recebida em Israel, segundo a imprensa local.

Fonte: AFP

 

Sobreviventes do Holocausto vivem quase na miséria em Israel

Uma associação judia "Helpline for Holocaust Survivors", ajuda sobreviventes pobres do Holocausto. Shlomo Ronen sobrevivente e residente israelense.

Uma associação judia “Helpline for Holocaust Survivors”, ajuda sobreviventes pobres do Holocausto. Shlomo Ronen sobrevivente e residente israelense.

Reprodução vídeo France 24

Israel lembra nesta segunda-feira (28) o tradicional dia do Holocausto, homenageando os seis milhões de judeus que morreram durante o regime nazista. Mas um em cada quatro sobreviventes enfrenta a pobreza e a solidão no país criado depois do genocídio.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel-Aviv

Eles têm idade média de 85 anos e um quarto deles, algo em torno de 50 mil, vive abaixo da linha da pobreza e necessita de ajuda de ONGs para receber serviços básicos.

Quase todos os necessitados ganham menos de um salário mínimo e têm dificuldade para comprar comida, remédios e receber tratamentos médicos.

Teoricamente, eles têm direito a benefícios e pensões, mas muitos sofrem com questões burocráticas e não conseguem receber seus direitos.

Fora isso, diversos cortes orçamentários ao longo dos anos afetaram as pensões.

Muitos também sofrem de solidão. Dez por cento não tiveram filhos, por exemplo, outros são viúvos ou perderam contato com a família.

Governo aprova verba adicional para sobreviventes

O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aprovou neste domingo uma verba adicional de US$ 290 milhões para elevar as pensões.

Mas ONGs de direitos humanos reclamam que o montante não é suficiente e que o repasse do dinheiro aos beneficiados pode levar tempo demais.

Afinal, tem ainda que ser aprovado pelo Knesset, o Parlamento israelense, que está em recesso, e enfrentar todo tipo de burocracia para chegar aos bolsos dos sobreviventes.

Mas tempo é algo que eles não têm. Uma média de mil sobreviventes falecem todo mês devido à velhice.

Segundo o rabino Yehiel Ekshtein, do Fundo de Amizade aos sobreviventes do Holocausto, a pobreza e a solidão desses sobreviventes são uma mancha moral na sociedade israelense.

Cerimônias solenes marcam Dia do Holocausto

O tradicional Dia do Holocausto e da Bravura em Israel começou neste domingo à noite e continua a ser lembrado nesta segunda-feira com cerimônias solenes, programação especial nas TVs e rádios e, em geral, com um clima de memória em todo o país.

Pelo judaísmo, os dias começam no anoitecer, então a data solene começou formalmente ontem à tarde com duração de 24 horas. Por um dia, restaurantes, cinemas e outros locais de entretenimento ficam fechados, apesar de não ser feriado para comércio, escritórios e escolas.

Hoje, às 10h horas da manhã, horário local de Israel, uma sirene soou em todo o país e, como manda a tradição, os cidadãos pararam onde estavam, interromperam o que faziam para ficar de pé e lembrar a data.

Mas a primeira cerimônia em memória dos seis milhões de judeus mortos pelo regime nazista aconteceu ontem de noite no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Seis sobreviventes, cada um representando um milhão de pessoas, acenderam velas, revelando suas histórias pessoais.

O presidente israelense Shimon Peres disse que o Estado de Israel é um escudo contra novas tentativas de violência contra o povo judeu.

Para Mahmoud Abbas, Holocausto foi crime hediondo

Porta-vozes do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, divulgaram que ele considerava o Holocausto “o crime mais hediondo cometido pela Humanidade na era moderna”.

Ele afirmou ter simpatia pelos sobreviventes e que os palestinos são contra qualquer tipo de racismo.

Os comentários surpreenderam os israelenses, até porque Abbas nunca prestou condolências oficiais às vítimas do genocídio, que, aliás, não faz parte do currículo escolar palestino.

Fora isso, Abbas escreveu uma dissertação de doutorado, na década de 80, na qual afirmou que, na verdade, a quantidade de judeus mortos não passou de 890 mil e que os nazistas tinham apoio de judeus sionistas numa espécie de pacto sinistro para pressionar o mundo a criar o Estado de Israel.

Talvez por causa disso é que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não tenha se mostrado particularmente emocionado com as palavras do presidente palestino.

Ele se referiu ao fato de Abbas ter assinado, na semana passada, um acordo de união nacional com o grupo islâmico Hamas, que nega o Holocausto e prega a destruição de Israel.

O acordo levou Netanyahu a suspender as negociações de paz com os palestinos.

Erdogan apresenta condolências pelo massacre de arménios ocorrido entre 1915 e 1917

por LusaHoje

 
Primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan
Primeiro-ministro turco Recep Tayyip ErdoganFotografia © Reuters

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, apresentou hoje as condolências da Turquia “aos netos dos arménios mortos em 1915”, numa referência às deportações e massacres desta comunidade cometidos pelo império otomano em plena I Guerra Mundial.

Num comunicado emitido na véspera do 99.º aniversário do início das deportações, o chefe do Governo turco aborda abertamente e pela primeira vez estes acontecimentos ocorridos entre 1915 e 1917, na fase final do império otomano, e reconhecidos como um genocídio por numerosos países.

Pelo contrário, e desde a sua fundação em 1923, a Turquia republicana nunca reconheceu o genocídio arménio.

“É um dever humano compreender e partilhar a vontade dos arménios em comemorar os seus sofrimentos durante essa época”, refere o texto, citado pela agência noticiosa AFP.

“Desejamos que os arménios que perderam a vida no contexto do início do século XX repousem em paz e exprimimos as nossas condolências aos seus netos”, acrescenta a missiva. Na sua mensagem sobre os acontecimentos de 1915, Erdogan também considera “inadmissível” que os acontecimentos de 1915 sejam utilizados como um “pretexto” para hostilizar a Turquia, ou que a questão seja aproveitada para promover o “conflito político”.

“No mundo de hoje, promover a inimizade através da história e criar novos antagonismos não é aceitável nem útil para a construção de um futuro comum”, sublinha o líder turco, que também recorda a necessidade do diálogo “apesar das diferenças”, de compromisso e de promoção do “respeito e tolerância”.

Neste contexto, recorda que a Turquia “apelou para o estabelecimento de uma comissão história conjunta para estudar os acontecimentos de 1915 na perspetiva de uma abordagem académica”.

“Este apelo permanece válido. As investigações, que deverão ser efetuadas por historiadores turcos, arménios e internacionais desempenharão um significativo papel no esclarecimento dos acontecimentos de 1915 e de um correto conhecimento da história”, refere.

O dia 24 de abril de 1915 assinala o início das perseguições à população arménia que há séculos vivia sob domínio otomano, no que é descrito como o primeiro genocídio do século XX. Centenas de milhares de arménios foram na ocasião deportados e a maioria dos seus bens confiscados.

Enquanto as autoridades da Arménia e diversos historiadores se referem a cerca de 1,5 milhões de mortos no decurso das perseguições e deportações, a Turquia argumenta que cerca de 500.000 arménios morreram de fome ou em combates durante o conflito mundial, continuando a rejeitar o termo genocídio.

Como centenas de judeus escaparam do holocausto saltando dos trens nazistas em movimento

Estudo publicado por historiadora alemã conta a história dos 764 que driblaram a morte nas câmaras de gás pulando dos vagões

Na noite de 5 de novembro de 1943, Leo Bretholz estava preso em um trem que partia de Paris em direção à Auschwitz. Ao contrário dos 6 milhões de judeus que seriam mortos pelo nazismo em diversos campos de concentração espalhados pela Europa, Bertholz escapou do holocausto pois nunca chegaria às câmaras de gás que o aguardavam na estação final. O judeu de 21 anos foi um dos poucos que conseguiram, utilizando-se de métodos desesperadores, driblar os guardas nazistas e saltar dos vagões em movimento. Como Bretholz, outros 763 ousaram fazer o mesmo, segundo levantamento recentemente publicado por uma historiadora alemã.

Wikicommons


Após o final da guerra, em junho de 1945, crianças judias deixam o campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha 

Durante horas, Leo Bretholz e seu amigo Manfred Silberstein usaram seus casacos como cordas improvisadas para tentar — em vão — forçar uma abertura entre as barras de ferro de uma pequena janela na parede do vagão lotado. Olhando para um balde utilizado pelos prisioneiros como latrina, alguém sugeriu que eles usassem urina para aumentar a aderência dos suéteres às grades — dessa forma, eles poderiam torcer as roupas e utilizá-las como torniquetes.

“Tive que lutar para superar minha sensação de náusea”, rememora Bretholz. “Me abaixei e encharquei meu pulôver. Tinham pedaços de excremento flutuando ali. Me senti humilhado. Foi a coisa mais nojenta que tive de fazer”, conta. Mas a tática deu certo e cedeu uma pequena fresta, espaço suficiente para que os dois se espremessem por entre as grades da janela e saltassem do trem.

 Após passar o resto da Segunda Guerra Mundial fugindo dos nazistas na Europa, Bretholz viveu até os 93 anos sem aquele número de identificação tatuado no braço que os outros sobreviventes de Auschwitz carregariam para sempre. Sua morte nos Estados Unidos, há um mês, coincidiu com o lançamento de um novo levantamento histórico publicado na Alemanha que contempla 764 histórias de vida semelhantes.

Estudo

Durante quatro anos, a pesquisadora Tanja von Fransecky conduziu entrevistas e consultou acervos em Israel e na Europa para compilar seu estudo, intitulado “Jewish Escapes from Deportation Trains” (“Os judeus que escaparam dos trens de deportação”, em tradução livre).

Em entrevista ao jornal britânico The Independent, a historiadora disse ter se espantado com a quantidade de pessoas que conseguiu o feito. “Sempre achei que esses vagões eram abarrotados de gente no embarque e simplesmente abertos na chegada sem que muita coisa pudesse acontecer nesse meio tempo”, diz. A pesquisa mostrou o contrário: inúmeros prisioneiros judeus protagonizaram cenas dramáticas e emocionantes para tentar escapar dos trens.

“Eles não disseram que nós todos seríamos fuzilados se alguém escapasse?”, questionavam os outros passageiros, assustados com a situação. Além das críticas, a pesquisadora também afirma que muitos tinham que enfrentar um dilema moral ao optar pela fuga e ter de deixar parentes e amigos para trás. “É uma das razões pelas quais muitos sobreviventes mantiveram o silêncio por anos após a guerra”, aponta von Fransecky.

Assista à íntegra, em inglês, do depoimento de Bretholz ao jornal ‘Washington Post’: