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Descalço sobre a Terra Vermelha – um filme sobre o Araguaia

AXA

TV BRASIL

Certa vez, Pedro disse que concordou com a realização do filme desde que este não fosse sobre sua vida, mas sim sobre suas causas. As causas de Pedro, sabemos bem, é levar a palavra de Deus aos mais necessitados, é a justiça social, é lutar contra o latifúndio, contra a corrupção e contra a escravidão.

Por isso, o filme não é só sobre Pedro. É sobre tempos em que na região do Araguaia se convivia todos os dias com a morte. O filme é também sobre padre Jentel, sobre Moura, sobre Rosa, sobre Josué…

É sobre padre João Bosco, assassinado por um tiro disparado por um soldado em Ribeirão Bonito (hoje chamado Ribeirão Cascalheira), ao questionar a tortura de duas mulheres e provavelmente, por ter sido confundido com dom Pedro Casaldáliga.

É sobre tia Irene, que se dedicou à educação, à música e foi fundadora da ANSA, marcando para sempre a história do Araguaia com seu carisma.

É sobre as irmãzinhas de Jesus, Genoveva e Odile. Veva passou a maior parte dos seus anos entre os índios Tapirapé, tendo falecido em 2013. Odile segue dedicando sua vida para suas causas, especialmente a causa indígena.

E claro, o filme é sobre dom Pedro Casaldáliga, considerado por muitos que o tinham como inimigo um “padre comunista”. Mas essa definição não lhe contempla, Pedro é um poeta da natureza, Pedro é dedicado às causas sociais, Pedro é amor aos mais pobres.

O filme Descalço sobre a Terra Vermelha foi dirigido pelo cineasta catalão Oriol Ferrer, e realizando em coprodução da TV Brasil com mais duas televisões públicas, a espanhola TVE e a catalã TVC.

Paco disse que a equipe esteve por cinco meses em São Félix, e agradeceu o acolhimento e a maneira que as pessoas participaram do filme. Ele disse que esta participação foi essencial: “o apoio das pessoas daqui fez com que todo mundo colocasse o coração no filme e isso se mostrou no resultado final. Por isso, em todos os festivais que participamos, ganhamos prêmios. Isto é o que fez o filme ser possível. Para nós é um sonho feito realidade”, disse.

Em 2014, a produção ganhou os prêmios de melhor ator (Eduard Fernández que interpreta dom Pedro) e melhor trilha sonora original na 27ª edição do Festival Internacional de Programas Audiovisuais (Fipa), na França. O filme também foi premiado no New York International TV & Film Awards. Mas para Paco, “o melhor prêmio será que o público se sinta orgulhoso do filme”, disse na estréia. Paco pode ficar tranquilo, o público de São Félix saiu satisfeito.

Já estão previstas exibições na Jamaica e na França. A produção será exibida na TV Brasil em três episódios nos dias 13, 20 e 27 de dezembro, sempre às 21h30 (horário de Brasília).

Assista ao filme em três partes:

Padre censurado na Igreja Católica

DIÁRIO DA MANHÃ|HÉMILTON PENTEADO

Pároco César Garcia fica proibido de ministrar sacramentos até conclusão de processo canônico. Bispo de Rubiataba presidirá inquérito

O arcebispo de Goiânia, dom Washington Cruz, suspendeu do ofício sacerdotal o padre César Luis Garcia, vigário da Paróquia São Leopoldo Mandic. Católicos da arquidiocese representaram para o arcebispo acusando o padre César de ter “abençoado” a relação homoafetiva durante uma visita à casa do arquiteto Léo Romano.

“A suspensão do arcebispo é a aplicação do Cânon 1.722 e eu fico proibido de ministrar sacramentos até decisão final. Esta proibição é a pena máxima prevista no Código de Direito Canônico”, comentou o sacerdote.

De acordo com padre César, presbítero desde 1984, formado e ordenado no Seminário Santa Cruz, da Arquidiocese de Goiânia, a origem do problema era conhecida do arcebispo antes mesmo da representação feita pelos fieis. César disse que a visita que fez à casa do arquiteto Léo Romano, que vive com o também arquiteto Marcelo Trento era do conhecimento do arcebispo.

“Antes de ir à casa deles comuniquei ao arcebispo e ele não manifestou qualquer proibição, o que me causou espanto ainda maior quando soube de sua decisão”, explicou. A visita foi para uma confraternização que os arquitetos ofereceram em sua residência, mas que em nada pudesse caracterizar uma “benção” à união homoafetiva dos dois.

Padre César estima que a suspensão da ordem sacerdotal seja como uma prevenção de que ele pudesse “coagir testemunhas” que serão ouvidas durante o processo canônico instaurado por ordem do arcebispo.

A investigação será presidida pelo bispo da diocese de Rubiataba, dom Adair José Guimarães, que na tarde de ontem já começou a ouvir pessoas citadas na representação feita para o arcebispo de Goiânia.

Entrevista com padre César

Em visita ao Diário da Manhã o padre César Garcia disse que lamenta a suspensão das ordens que ele considera violenta, mas que irá recorrer para se manter no ofício sacerdotal até para a Sagrada Congregação para o Clero, no Vaticano.

Diário da Manhã – Qual a razão do arcebispo haver lhe suspendido da função sacerdotal?

Padre César – O arcebispo fez uma interpretação literal do Direito Canônico que outro bispo muito provavelmente não o faria. Qualquer pessoa pode fazer uma interpretação da forma mais pastoral possível do meu ato e considerar que não foi praticado nenhum ato que transgrida a doutrina da Igreja. Mas, o arcebispo optou por uma interpretação mais legalista possível.

DM – O senhor proferiu uma benção ao casal homoafetivo?

Padre César – Não e foi justamente a partir de informações desencontradas, fantasiosas, por “ouvir dizer” que essa questão ganhou corpo e chegou a esse extremo. Foram publicados dados em redes sociais sem comprovação e que induziram terceiros a erros e levaram ao arcebispo a notícia de que eu teria simulado uma benção ao casal. Na verdade isto não ocorreu.

DM – A igreja não aceita a união homoafetiva?

Padre César – O estado é laico e não cabe à Igreja aprovar ou não esse tipo de união. Legalmente isto está regulamentado no Brasil. A Igreja está discutindo essa relação, assim como o direito de mães solteiras frequentarem os ritos e receberem os sacramentos. O papa Francisco tem dito reiteradas vezes que a Igreja precisa acolher e não repudiar. A Igreja é como uma mãe, e como tal precisas acolher e cuidar. O Direito Canônico não admite a união homoafetiva e eu sempre disse que a união correta é entre homem e mulher. Não há dúvida quanto a isto. Na verdade, como eu não ministrei nenhum sacramento e eles não me convidaram para isto, não há que se discutir transgressão doutrinária. É uma insensatez não querer a presença de pessoas homossexuais em liturgias e outros atos da Igreja.

DM – A quem o senhor credita esse procedimento?

Padre César – O arcebispo está sofrendo pressão de setores fundamentalistas católicos. São pessoas que não têm conhecimento da Palavra e que interpretam a Bíblia ao pé da letra, o que é profundamente lastimável. Esse fundamentalismo tem crescido até mesmo entre os jovens, o que é lamentável e preocupante.

Papa admite que celibato não é dogma na Igreja Católica

por Lusa, publicado por Luís Manuel CabralHoje

 
Papa admite que celibato não é dogma na Igreja Católica
Fotografia © Reuters

O papa Francisco afirmou na segunda-feira que o celibato não é um “dogma de fé” na Igreja Católica, que há sacerdotes casados nos ritos orientais e que “a porta está sempre aberta” para tratar o tema.

As declarações foram recolhidas pela agência noticiosa italiana Ansa, durante o voo de regresso a Roma, desde Israel.

“O celibato não é um dogma de fé, é uma regra de vida, que aprecio muito e creio que é uma oferta á Igreja”, disse.

A afirmação do papa Bergoglio foi feita dias depois de se conhecer uma carta a solicitar uma revisão da disciplina do celibato, escrita por um grupo de 26 mulheres, que vivem ou viveram uma relação com um sacerdote e que pretendem fazê-lo á claras.

Até hoje, a Santa Sé não tinha feito qualquer comentário sobre esta carta.

Na Igreja Católica de rito latino, o celibato eclesiástico, isto é, a renúncia ao matrimónio, e a promessa de castidade, são uma obrigação para os sacerdotes desde o II Concílio de Letrán, em 1139.

Ao contrário, nas igrejas católicas de rito oriental esta obrigação não se verifica.

Comissão anti-pedofilia pede regras claras contra abusos sexuais na igreja

Presidente da comissão anti-pedofilia, cardeal Sean O'Malley, neste sábado (3), no Vaticano.

Presidente da comissão anti-pedofilia, cardeal Sean O’Malley, neste sábado (3), no Vaticano.

Reuters
RFI

A comissão de especialistas constituída pelo papa Francisco pede regras claras para lutar contra a pedofilia na igreja católica. A comissão, criada em março, se reuniu pela primeira vez durante três dias no Vaticano e divulgou neste sábado (3) suas primeiras recomendações.

 

A comissão composta por quatro homens e quatro mulheres se reuniu durante três dias e teve encontros com vários responsáveis do Vaticano, entre eles o papa Francisco. O comunicado divulgado neste sábado, no final desses três dias de discussões, pede que os padres pedófilos respondam por seus crimes e sejam punidos.

“O direito da criança é prioritário” indica o texto. Não deve haver nenhuma tolerância para quem comete os crimes nem para quem é negligente diante desses crimes, disse o presidente da comissão, o cardeal americano Sean O’Malley.

Ausência de propostas jurídicas

Os especialistas insistiram sobre a educação do clero, mas não propuseram meios jurídicos punitivos como havia sugerido o comitê de direitos da criança da ONU, em critica contra o Vaticano no inicio do ano.

A grande maioria dos casos de pedofilia envolvendo a igreja católica ocorreu há muitos anos, mas só foi revelada recentemente. Muitos padres culpados foram protegidos pela hierarquia da igreja e não foram denunciados à Justiça.

No mês passado, o papa Francisco pediu publicamente desculpa pelos abusos sexuais cometidos por padres contra crianças.

Morre em Goiânia, aos 91 anos, dom Tomás Balduíno

03/05/2014 1

O bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduíno (Valter Campanato/Agência Brasil )  
O bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduíno

Morreu na sexta-feira (2), às 23h30, em Goiânia, o bispo emérito da cidade de Goiás, Dom Tomás Balduíno. O religioso tinha 91 anos e morreu em decorrência de uma tromboembolia pulmonar.

Ele ficou internado de 14 a 24 de abril no Hospital Anis Rassi, em Goiânia. Teve alta hospitalar no dia 24, mas foi novamente internado no dia seguinte, no Hospital Neurológico, também em Goiânia, onde permaneceu até ontem.

O corpo será velado na Igreja São Judas Tadeu, na capital goiana, até as 10h de amanhã, quando será celebrada uma missa. De lá, segue para a cidade de Goiás, onde será velado na Catedral até as 9h de segunda-feira (5).

Dom Tomás Balduíno nasceu na cidade de Posse, em Goiás, no dia 31 de dezembro de 1922. É filho de José Balduino de Sousa Décio, goiano, e de Felicidade de Sousa Ortiz, paulista. Seu nome de batismo é Paulo Balduino de Sousa Décio. Ao se tornar religioso, o dominicano recebeu o nome de Frei Tomás.

Em 1957, foi nomeado superior da missão dos dominicanos da Prelazia de Conceição do Araguaia (Pará), onde começou a conviver com a realidade de indígenas e camponeses. Na época, a Pastoral da Prelazia acompanhava sete grupos indígenas. Para desenvolver um trabalho mais eficaz com os índios, fez mestrado em antropologia e lingüística na Universidade de Brasília, que concluiu em 1965. Estudou e aprendeu a língua dos índios xicrins, dos grupos Bacajá e Kayapó.

Em 1965, foi nomeado prelado de Conceição do Araguaia. Na região atuou para impedir a invasão de áreas indígenas e a expulsão de pequenos camponeses por parte de grandes empresas agropecuárias.

Foi nomeado bispo da Cidade de Goiás em 1967, onde permaneceu durante 31 anos, até 1999. Ao completar 75 anos, renunciou e mudou-se para Goiânia. Seu ministério episcopal coincidiu, a maior parte do tempo, com a ditadura militar (1964-1985).

Dom Tomás teve papel importante na criação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em 1972, e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1975. Foi presidente do Cimi, de 1980 a 1984, e presidente da CPT, de 1999 a 2005.