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Franceses vibram com vitória na Copa mas lamentam falta do hino

A seleção francesa em campo no estádio Beira-Rio em Porto Alegre, antes do jogo contra Honduras.

A seleção francesa em campo no estádio Beira-Rio em Porto Alegre, antes do jogo contra Honduras|REUTERS/Damir Sagolj|Como era de se esperar, a repercussão da vitória da França contra a Honduras por 3 a 1 monopolizou a imprensa e a opinião pública, que suspirou de alívio com a boa estreia do time no Mundial. Mas o momento de constrangimento pela ausência dos hinos das duas seleções não foi perdoado por aqui.
 

Benzema, o herói

A foto do atacante Karim Benzema comemorando a vitória de 3 a 0 contra Honduras é o grande destaque das capas dos jornais franceses desta segunda-feira (16).

Para a imprensa,  a estreia vitoriosa dos “Bleus” espantou o fantasma da Copa da África do Sul, quando foi eliminada na primeira fase da competição. A performance do time em campo comprovou as chances dos franceses e todos os jornais foram unâmimes ao elogiarem a seleção francesa que viveu um “grande momento em campo” com Benzema “na sua melhor forma”.

Sem a Marselhesa

Antes mesmo de começar, o encontro registrou um momento constrangedor tanto para os torcedores e atletas quanto para os organizadores. Uma falha técnica impediu que fossem entoados os hinos da França e de Honduras.

A falta não foi perdoada pelos jornais: “Os franceses não puderam cantar a Marseillaise,  escreveu o jornal Le Figaro. O diário esportivo L’Equipe publica as reações de alguns esportistas: o titular Mamadou Sakho disse que foi uma “falta de respeito”. Já para o ex-camepão francês de 98 e atual comentarista da televisão, Bixente Lizarrazu, “a situação foi muito estranha e chegou a ser folclórica”.

Sem estardalhaçomas com recorde de audiência

Discreta nas ruas, a empolgação dos franceses pôde ser medida pelos índices de audiência que atingiram um recorde durante a transmissão do jogo: quase 16 milhões de televisores ligados na partida, ou seja, 57% da audiência francesa no horário.

Fotografias nos jornais de hoje também mostram o presidente François Hollande, de terno e gravata, torcendo e vibrando com os três gols da seleção francesa.

Le Monde questiona corte de protesto indígena durante abertura da Copa

Jovem é da aldeia Krukutu, em Parelheiros, São Paulo.

Jovem é da aldeia Krukutu, em Parelheiros, São Paulo.

DR|RFI

O jornal francês Le Monde questionou neste domingo o corte das imagens da transmissão da cerimônia de abertura da Copa do Mundo, no momento em que um jovem indígena abre uma faixa de protesto. O garoto, que participava do evento, tirou do bolso e exibiu uma faixa onde se lia “demarcação”, quando deixava o campo.

A imagem, entretanto, foi cortada durante a transmissão da cerimônia. Junto com uma criança branca e uma adolescente negra, o indígena havia soltado uma pomba branca no centro do campo, antes do início da primeira partida, entre Brasil e Croácia.

Aplaudidos pelos jogadores, os três começam a sair do campo quando o indígena abre a faixa vermelha. “A imagem é forte mas não foi ao ar. O gesto de protesto não foi transmitido para as televisões do mundo inteiro”, relata o correspondente do diário francês no Brasil, no blog sobre a Copa do Mundo no site do jornal.

“Estranha omissão”, constata o jornalista. A faixa era um apelo para o governo brasileiro consolidar a demarcação de terras indígenas no país, “uma luta ancestral que conhece, nos últimos anos, uma mobilização cada vez maior em razão da intensificação dos processos para reduzir ou enfraquecer o direito constitucional dos índios”, afirma o texto.

Até o momento, diz a matéria, os organizadores da cerimônia não comentaram a divulgação das fotos do índio com a faixa, publicadas na internet. 

Número de torcedores franceses que vai para a Copa no Brasil é recorde

Torcedores franceses no Stade de France no dia da qualificação da França para a Copa do Mundo. 19/10/14Torcedores franceses no Stade de France no dia da qualificação da França para a Copa do Mundo|Cíntia Cardoso

Contagem regressiva para a Copa no Brasil. Mas, a julgar pelos jornais franceses, a poucos dias do pontapé inicial, o clima entre os torcedores franceses e os torcedores brasileiros é bem diferente.

 Segundo o jornal Aujourd’hui en France, a empolgação dos franceses com a Copa do Mundo é histórica. Nunca um número tão grande se deslocou para um torneio de futebol que acontece a 10 mil quilômetros do país. Na África do Sul, 6 mil franceses viajaram para a Copa. No Mundial do Japão e da Coreia do Sul, foram 8 mil. E agora, para o Brasil, eles serão 17 mil – um recorde. Agências que fizeram pacotes específicos para a Copa comemoram o sucesso. Um pacote com 5 diárias de hotel, passagem e ingresso custa, em média, € 2.900 (cerca de R$ 9.000). E, segundo profissionais de turismo, eles foram vendidos rapidamente.

Motivos para a empolgação

O primeiro motivo para tanto entusiasmo dos franceses é o “fator Brasil”. O país continua a ser uma viagem dos sonhos para muitos franceses. O outro é a organização da Federação Francesa de Futebol que promete dar “todo apoio” aos torcedores franceses e não deixá-los abandonados. Para isso, a entidade vai construir nas cidades onde na França vai jogar “a casa azul”, um lounge para beber uns drinques, ver os jogos e torcer. E o melhor: a entrada nesses locais é gratuita.

Copa com gosto amargo

Já para o jornal econômico Les Echos: “Em São Paulo, a Copa tem um gosto amargo”. Esse é o título de uma reportagem que aparece com destaque na primeira página. Thierry Ogier, correspondente do jornal no Brasil, acompanhou as últimas manifestações em São Paulo e tenta fazer um balanço do clima social no país. Para o jornalista, a três semanas do começo do Mundial, a tensão social não perde força. Ao contrário, as manifestações têm um tom cada vez mais político e colocam a presidente Dilma Rousseff sob pressão.

Na avaliação do diário, é emblemático o ativismo do  Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que elegeu a construção da Arena Corinthians como símbolo do desperdício de dinheiro público. O palco da abertura da Copa custou R$ 1,2 bilhão. “Com esse dinheiro, dava pra construir casas para todos aqui”, diz um dos líderes do movimento ao jornal.

Segundo Les Echos, as manifestações que aconteceram durante a Copa das Confederações no ano passado foram um teste para a Copa e também para a popularidade da presidente. Na época, Dilma disse ter ouvido a voz do povo.

Resposta de Dilma deixa a desejar

 O referendo sobre a reforma política, uma das promessas da presidente feitas no calor dos protestos no ano passado, simplesmente desapareceu da agenda. Quanto ao “pacto de mobilidade urbana”, também pouco ou nada se sabe.

As obras para a Copa do Mundo, que deveriam deixar um legado de boas infraestruturas para os brasileiros, também são questionáveis. A modernização de vários os aeroportos, como o de Viracopos, em São Paulo, por exemplo, está longe de ser concluída. Segundo dados da imprensa local, diz o jornal Les Echos, menos da metade dos objetivos prometidos foram cumpridos.

Diante de tudo isso, a sorte está lançada. Será que os brasileiros vão se empolgar nessa reta final da Copa? Essa é a pergunta feita pelo jornal. Les Echos conclui que a “febre da Copa” começa a se espalhar pelo Brasil. 

Itaquerão é aprovado pela FIFA, mas imprensa francesa vê problemas

Obras ao redor do estádio Itaquerão, em São Paulo, neste domingo (18).

Obras ao redor do estádio Itaquerão, em São Paulo, neste domingo (18).

REUTERS|Paulo Whitaker|RFI

O primeiro e único teste da Arena Corinthians, o palco da abertura da Copa, em São Paulo, revelou problemas, destaca a imprensa francesa. A menos de um mês para o início do Mundial, o estádio ainda não está totalmente concluído, mas FIFA disse que Itaquerão está “aprovado”.

O site do L’Équipe, o principal jornal esportivo da França, relata as dificuldades encontradas neste domingo (18) na partida entre o Corinthians e o Figueirense, que serviu como teste oficial para a FIFA. “Era praticamente impossível usar o telefone celular” no Itaquerão, diz o texto. Além disso, dois dos quatro elevadores não estavam funcionando e a estrutura de parte das arquibancadas ainda está aparente, noticia a agência AFP.

Do lado de fora, mais relatos de problemas. As imediações do estádio ainda são “um grande canteiro de obras a céu aberto”. Após o jogo, que o Figueirense venceu por 1 a 0, os torcedores tiveram que usar seus próprios telefones para iluminarem o caminho de saída da Arena Corinthians, já que não havia nenhum poste de iluminação pública.

A administração do clube paulistano já admitiu que o acabamento final do estádio será concluído após a Copa do Mundo, mas se diz satisfeita com a nova casa do Corinthians.

Aprovado no teste

Ricardo Trade, diretor do comitê organizador local, afirmou que o teste da Arena Corinthians foi um dos “melhores já realizados” até agora. Segundo a FIFA, na partida deste domingo foram testados alguns aspectos de doze áreas de serviços: Segurança, Voluntários, Serviços ao Espectador, Competições, Limpeza e Resíduos, Transporte (das equipes e da arbitragem), Operações de Imprensa, Operação de TV, Tecnologia, Serviços Médicos, Alimentação e Protocolo.

Apesar das falhas apontadas pela imprensa estrangeira e brasileira, Trade se mantém otimista: “Claro que ainda temos aspectos a melhorar, afinal, este foi um teste para isso mesmo, ver que pontos precisam ser ajustados para que a gente faça uma bela abertura no dia 12 de junho.”

Chuva

O mau tempo também não ajudou. Ontem, São Paulo teve uma intensa tempestade. E, como parte do teto ainda não está terminada, muitos torcedores não tiveram proteção para a chuva, mesmo os que pagaram pelos ingressos mais caros. A Fifa não exige, porém, que os estádios sejam totalmente cobertos.

O Itaquerão custou entre US$ 411milhões (R$  910,5 milhões) e US$ 424 milhões (R$ 939 milhões), informa a AFP. A cifra é 18% acima do estimado inicialmente.

 
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Diferença de renda entre ricos e pobres cresceu nos últimos 30 anos

(Foto: Reuters)
RFI

O jornal econômico Les Echos informa que a França é uma exceção no cenário econômico mundial no que diz respeito às desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres da população. Enquanto nos últimos 30 anos, a concentração de renda nas mãos dos mais ricos aumentou sensivelmente na maioria dos países ocidentais, na França essa situação permaneceu equilibrada.

 

A conclusão é da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) que acaba de publicar um relatório baseado no livro do economista francês Thomas Piketty.

Em “O Capital no Século 21”, um livro de 970 páginas, Piketty procura demonstrar que a partir dos anos 80 a repartição da renda favoreceu os mais ricos em detrimento dos assalariados. Campeão de vendas no site da Amazon, a obra de Piketty tornou-se uma referência nos Estados Unidos, recebendo elogios do prêmio Nobel Paul Krugman e da equipe que assessora Barack Obama.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a concentração de riquezas entre os mais ricos dobrou em 30 anos. A mesma tendência foi registrada na Alemanha, Reino Unido, Canadá, Austrália e Irlanda, enquanto na França, Espanha e Holanda, o fosso entre ricos e pobres permaneceu menor.

Segundo a OCDE, 1% da população mais rica dos países ocidentais detém atualmente uma fatia da renda nacional bem superior em relação há 30 anos atrás. Os americanos mais ricos chegam a deter 20% da renda nacional, enquanto na na Holanda, os mais ricos detêm 7,5%. A e os países escandinavos detêm 8,5%.

De acordo com a OCDE, essa concentração de riqueza entre os mais ricos pode estar relacionada ao acirramento da concorrência internacional por talentos e profissionais qualificados. Outra razão apontada pela OCDE é a redução contínua da carga fiscal sobre os mais ricos.

A principal preocupação da OCDE, agora, é impedir que essas desigualdades evoluam ainda mais em favor dos ricos, em detrimento da imensa maioria da população.