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Indiciamento de Sarkozy é destaque na imprensa europeia

Capa dos jornais Aujourd'hui en France, Liberation, Le Figaro, El Pais, The Gardian, Il Corriere della Sera, La Reppublica, O Público desta terça-feira, 02 de julho de 2014

Capa dos jornais Aujourd’hui en France, Liberation, Le Figaro, El Pais, The Gardian, Il Corriere della Sera, La Reppublica, O Público desta terça-feira, 02 de julho de 2014|RFI

Os problemas do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy com a Justiça estão nas manchetes dos jornais franceses desta quarta-feira (2) e também ganharam destaque na imprensa europeia. Todos enfatizam que o indiciamento do ex-presidente pode comprometer seus planos de voltar à vida política francesa.

“Ele pode voltar?”, pergunta a manchete de Libération. Em seu editorial, o jornal progressista afirma que a série de problemas com a justiça na qual Sarkozy foi implicado nos últimos meses coloca em evidência uma prática política baseada em manipulações, arranjos, desvio das regras, “e desprezo pelas leis”.

Libération acusa o ex-presidente de ter uma “ética política duvidosa”. “Mesmo se o ex-chefe de Estado nunca fez da moral a primeira virtude de sua ação, ele não pode desprezar certos valores da nossa democracia. Se ele ainda deseja voltar à política e mesmo reconquistar o poder, Nicolas Sarkozy terá que assumir diante dos franceses o que as investigações revelaram”, conclui o diário.

“Sarkozy: a onda de choque” é a manchete de Le Figaro. Em seu editorial, o jornal conservador insinua que o ex-presidente não é tratado pela justiça como um cidadão comum. Segundo Le Figaro, a privacidade, a presunção de inocência e o direito de defesa de Sarkozy não foram respeitados. O diário lembra que, quando era presidente, Sarkozy queria suprimir a função de juiz de instrução, o que lhe valeu a inimizade da categoria.

Os dois jornais não levaram em conta o indiciamento do ex-presidente, que aconteceu somente na madrugada aqui na França. Em seu site, o jornal popular Le Parisien promove uma enquete entre seus leitores. “Você ficou chocado com o indiciamento de Sarkozy?”, é a pergunta do dia. O diário qualifica a medida de “espetacular”.

Repercussão na Europa

A notícia ganhou grande destaque em toda a imprensa europeia. O britânico The Guardianavalia que o indiciamento de Sarkozy é um grande golpe em sua esperança de voltar ao palácio do Eliseu em 2017.

O espanhol El País aponta que a velocidade dos eventos “surpreendeu todas as forças políticas” francesas, que pedem confiança na justiça. Em um artigo opinativo muito crítico contra Sarkozy, outro jornal espanhol, El Mundo, afirma que o ex-presidente foi pego em flagrante com seus próprios métodos. “Ele foi ouvido, exatamente como fazia com sua rede de espionagem sob medida”.

O português O Público lembra que esse caso provoca grande comoção porque a instituição de presidente na França “tem especial prestigío” e goza de uma forte proteção.

O jornal italiano La Reppublica explica a seus leitores que o delito de “tráfico de influência” é típico do direito francês, onde foi introduzido já no final do século 19. O conceito não faz parte da tradição italiana, que só o adotou em 2012 para se conformar a convenções internacionais da ONU e do Conselho Europeu.

“Não há dúvidas, os juízes insistem em perseguir Sarkozy”, comenta outro diário italiano, Il Corriere della Sera, mais à direita.

Jornais analisam batalha judicial sobre eutanásia de paciente francês

Capa dos jornais franceses Libération, Le Figaro e La Croix desta quarta-feira, 25 de junho de 2014.

Capa dos jornais franceses Libération, Le Figaro e La Croix desta quarta-feira, 25 de junho de 2014|RFI

A imprensa francesa desta quarta-feira (25) analisa as duas decisões contraditórias sobre o futuro de Vincent Lambert anunciadas na terça-feira pela justiça francesa e pela Corte Europeia dos Direitos Humanos. Esse francês tetraplégico de 38 anos é mantido vivo por aparelhos em um hospital de Reims, no leste da França.

A mulher e alguns dos irmãos de Vincent Lambert pedem a autorização judicial para interromper a alimentação artificial e deixá-lo morrer, enquanto os pais e dois outros irmãos lutam para mantê-lo em vida. O caso emociona a opinião pública francesa.

Nesta terça-feira, o Conselho de Estado da França validou a legalidade da eutanásia passiva já iniciada duas vezes pelo hospital onde Vincent Lambert está internado. A justiça levou em conta o fato de que ele está em estado vegetativo desde 2008, sem nehuma esperança de melhora. Além disso, vários parentes e amigos de Lambert testemunharam que o francês havia declarado várias vezes, antes de sofrer o acidente que o deixou tetraplégico, que não desejava ser mantido em vida artificialmente.

Um pouco mais tarde, porém, a Corte Europeia dos Direitos Humanos, que havia sido acionada pelaos pais de Lambert, suspendeu a decisão do Conselho de Estado até que possa examinar o caso em detalhes.

Decisão assusta famílias de outros pacientes

Le Figaro aponta que esse caso assusta outras famílias francesas que vivem um drama parecido. As pessoas entrevistadas pelo jornal conservador temem que a decisão do Conselho de Estado francês crie jurisprudência e determine a morte programada de qualquer paciente em estado vegetativo ou de extrema dependência. Isso apesar de os juízes terem lembrado que se trata de uma decisão sobre um caso particular.

Em seu editorial, o jornal conservador aponta que o caso de Vincent Lambert reflete os grandes debates que agitaram a sociedade francesa nos últimos anos sobre a eutanásia e o auxílio ao suicídio.

“Uma vida suspensa entre duas decisões” é o título da reportagem de Libération. O jornal progressista explica que a decisão do Conselho de Estado francês é baseada em uma lei de 2005 sobre o fim da vida. Libération enfatiza que os movimentos integristas decidiram fazer desse caso um símbolo em sua luta contra a eutanásia.

Em seu editorial, La Croix diz que o desacordo entre a mulher e os pais de Vincent Lambert é o conflito entre dois amores. O jornal católico aponta que os pareceres de especialistas e juízes não fazem com que a decisão de deixar um paciente morrer seja mais fácil.

“Não adianta pensar que uma lei que esclareceria ao máximo as coisas (ou preveria formas de eutanásia) evitaria os dilemas e os sofrimentos”, diz La Croix, insistindo que o fim da vida deve ser acompanhado até o fim, “sem dor sobre-humana, mas sem pressa”. “É o que a sociedade deve aos moribundos e aos seus próximos”, conclui o jornal católico.

Brasil contra México foi o jogo mais sem graça da Copa, diz Le Point

Treinador do Brasil, Luiz Felipe Scolari, durante o jogo entre Brasil e México na Arena Castelão, em Fortaleza.

Treinador do Brasil, Luiz Felipe Scolari, durante o jogo entre Brasil e México na Arena Castelão, em Fortaleza|REUTERS/Marcelo del Pozo
Adriana Moysés

Para a imprensa francesa, a situação do Brasil na Copa do Mundo é preocupante. O site da revista Le Point considera que a partida contra o México revelou duas evidências: a forma excepcional do goleiro mexicano Ochoa e a situação particularmente preocupante de Daniel Alves.

Para Le Point, “o lateral direito brasileiro foi inofensivo no ataque e ficou perdido na defesa”. “Bastava um mexicano correr atrás dele ou disputar uma bola no corpo a corpo que Daniel Alves perdia o rumo”, escreve Le Point. O empate entre Brasil e México foi um dos jogos mais sem graça da Copa do Mundo, opina o site da revista semanal francesa.

O jornal Aujourd’hui en France vê uma sombra no horizonte da seleção brasileira depois da “vitória discutível”, segundo o jornal, contra a Croácia (3 a 1), na estreia, e o empate de 0 a 0 com o México. Assim como a imprensa brasileira, o diário francês destaca que desde o Mundial da Argentina, em 1978, o Brasil não chegava até a última rodada sem ter conquistado a vaga para a próxima fase de maneira antecipada. “Em uma Copa do Mundo não é bom começar o torneio com muita força, mas o desempenho da seleção de Luiz Felipe Scolari deixa dúvidas sobre a capacidade do Brasil de levantar a taça no dia 13 de julho, escreve o Aujourd’hui en France.

Dúvidas sobre a equipe de Felipão

O L’Equipe, maior jornal esportivo francês, diz que a defesa do México demonstrou força e solidez. O destaque em campo foi o goleiro Ochoa, que defendeu todos os ataques do Brasil. “A Seleção encontrou um muro no gol”, afirma o diário. Vale lembrar que o goleiro mexicano joga no Campeonato Francês, no clube Ajaccio. Seu contrato acaba de vencer e não foi renovado, mas L’Equipe estima que depois da partida sensacional contra o Brasil, Ochoa vai receber convites de vários clubes.

L’Equipe afirma ainda que Thiago Silva merecia um cartão vermelho pelo lance com Hernandez. “O capitão brasileiro e do PSG cometeu uma falta perigosa que merecia expulsão”, assinala o jornal. Sobre Felipão, L’Equipe diz que o técnico da seleção brasileira foi muito questionado pelos jornalistas na coletiva depois do jogo, mas preferiu não entrar na polêmica.

Neymar “impotente” diante da muralha mexicana

Le Monde afirma que Neymar ficou completamente impotente diante da “muralha Ochoa”. O Brasil bem que tentou criar ocasiões de gol, mas no balanço final, na avaliação do Le Monde, o fato é que a Seleção não cresceu depois da estreia contra a Croácia. O símbolo da inércia da equipe é Fred, que saiu vaiado no segundo tempo, nota Le Monde.

China proíbe cobertura crítica da imprensa no país

18. Junho 2014

PEQUIM (Reuters) – Jornalistas na China estão proibidos de publicar reportagens críticas sem a aprovação de seu empregador, disse um dos principais reguladores chinês de imprensa nesta quarta-feira.

A regra surge após o governo ter intensificado sua repressão à liberdade de expressão, tanto online quanto na mídia tradicional.

A Administração Estatal da Imprensa, Publicação, Rádio, Filme e Televisão publicou a medida em um boletim circular anunciando a repressão sobre falsas notícias e sobre jornalistas que aceitam suborno ou que extorquem dinheiro de suas fontes.

Agências de notícias precisam combater a corrupção e jornalistas que violarem a lei devem ser entregues para as autoridades judiciais, disse o regulador, e perderão sua licença de reportagem.

Jornalistas também estão proibidos de fazer seus próprios websites, sites de vídeos e relatórios internos que contenham conteúdo crítico, acrescentou. O regulador não especificou o que constituía um conteúdo crítico ou quais assuntos em particular os jornalistas não podem criticar.

As regras também proíbem jornalistas de conduzir entrevistas ou escrever reportagens fora de seus campos designados de cobertura.

As agências de notícias precisam solicitar regularmente opiniões “das massas”, assim como de autoridades de propaganda e de outros reguladores de mídia, segundo a circular.

O texto listou diversos escândalos nos quais repórteres de jornais chineses haviam alegadamente aceitado subornos para fazer uma cobertura positiva, ou forçado pessoas a pagá-los para evitar uma história crítica, dizendo que esses incidentes tornaram a regulamentação necessária.

O veículo de mídia que violar essas regras pode perder a licença.

A China adotou duras medidas para combater rumores online no ano passado, mas críticos dizem que a campanha simplesmente significa uma oportunidade para silenciar críticas ao governante Partido Comunista.

A imprensa chinesa é pesadamente censurada e organizações de mídia precisam obter licenças do governo antes de operar.

A imprensa estatal tem sido um veículo essencial para propaganda do partido, mas as reformas na última década permitiram maior comercialização e algumas delas aumentaram sua independência editorial.

(Por Megha Rajagopalan)

Reuters

Mais de 75% dos franceses são contra a greve dos ferroviários

O sétimo dia de greve dos ferroviários na França está estampado nas primeiras páginas dos jornais franceses desta terça-feira (17), dia em que a contestada reforma do setor ferroviário começa a ser votada pelo Parlamento. Pesquisa publicada hoje mostra que a greve dos ferroviários é impopular. Os diários analisam a estratégia do primeiro-ministro Manuel Valls para acabar com a paralisação e as consequências do movimento para o governo. A greve dos profissionais do espetáculo também é uma preocupação. 
 

Três em cada quatro franceses são contra a greve dos ferroviários. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada hoje (17) pelo Aujourd’hui en France. A sondagem também aponta que uma semana após o início da paralisação, a grande maioria dos entrevistados não entende os motivos do movimento que complica a vida dos usuários. Apenas 34% dos franceses sabem que os grevistas protestam contra a reforma do setor que prevê a fusão das duas estatais que administram a rede ferroviária na França.

Estratégias do governo

Les Echos diz que o primeiro-ministro Manuel Valls tenta separar as greves e adota uma estratégia diferente para cada uma delas. O diário econômico escreve que o governo mostra firmeza diante da greve dos ferroviários, que entra em seu sétimo dia, apesar da impopularidade do movimento e da queda do número de grevistas.

“Essa greve não tem sentido, é inútil e irresponsável”, declarou o premiê ao excluir o adiamento da reforma, informa Les Echos. Resultado: como previsto, o projeto, que visa controlar a imensa dívida do setor, começa a ser debatido hoje pelos deputados. Os grevistas esperam influenciar o debate, acredita o jornal.

Em relação à greve dos profissionais do espetáculo, o governo é mais flexível e promete um gesto para compensar o impacto da reforma do salário-desemprego nos benefícios da categoria, informa Les Echos.

Festivais de verão ameaçados pela greve dos artistas

Le Figaro diz que o governo vai agir em dois tempos. O jornal conservador explica que as mudanças nas regras do seguro-desemprego na França, contestadas pelos profissionais do espetáculo em greve, vão ser validadas. Mas o governo prepara medidas para compensar as perdas dos artistas mais precários, que terão que trabalhar mais tempo antes de ter direito ao salário-desemprego.

Para impedir que grandes festivais, como o de Teatro de Avignon, sejam cancelados como em 2006, o primeiro-ministro propõe um grande debate neste verão entre Estado, patrões e sindicatos para reelaborar completamente o sistema. No entanto, Le Figaro alerta que o governo tem poucas alternativas, principalmente neste momento de economias e cortes orçamentários.

Esquerda em perigo

Libération escreve que a esquerda está em perigo. O jornal diz que o primeiro-ministro e dezenas de deputados socialistas estão em conflito sobre a política econômica do governo. No final de junho, os cerca de 40 socialistas revoltados podem não votar a proposta de orçamento, colocando o governo em dificuldade.

Diante da ameaça, o premiê Manuel Valls partiu para a ofensiva e disse que se os deputados não entrassem na linha social-democrata, a esquerda poderia morrer na França.

Jornalistas do Rio irão à Justiça em busca de proteção contra polícia

AGÊNCIA BRASIL

O Sindicato dos Jornalistas do Rio se reúne hoje (16) com um advogado para analisar que medida deverá ser tomada pela entidade após a prisão da jornalista Vera Araújo, do jornal O Globo, quando tentava filmar um torcedor detido por policiais militares por estar urinando na rua. A presidenta do sindicato, Paula Máiran, disse que não vê a prisão como um ato isolado ou um desvio pontual de conduta. “A gente entende que há uma política de estado que justifica um relatório nosso”, disse.

Ela argumentou que de maio do ano passado até maio último, dos 72 jornalistas que respondem por mais de 100 casos de agressão sofridos pela categoria no Rio, “cerca de 80% são de responsabilidade de policiais militares”. Paula Máiran explicou que embora Vera Araújo conte com o apoio da empresa para a qual trabalha, o sindicato pretende tomar uma medida de interesse coletivo, visando a obter prevenção jurídica para esse tipo de episódio.

A sindicalista lembrou que as autoridades foram notificadas em abril deste ano, por ocasião de episódio similar, quando outro jornalista do jornal O Globo, Bruno Amorim, foi detido por policiais militares quando fazia fotos da ação policial na desocupação da Favela da Oi, no Engenho Novo. “A gente tinha encaminhado um ofício e aí, infelizmente, um fato semelhante se repete”. O sindicato não recebeu resposta ao ofício encaminhado às autoridades no caso de Bruno Amorim. Recebeu apenas notificação da 25ª Delegacia Policial, relacionada ao inquérito.  “Mas nenhuma resposta formal ao ofício”, disse.

Paula lembrou que uma conquista obtida pelos jornalistas na semana passada foi a recomendação do Ministério Público do Trabalho com 16 itens relacionados à segurança dos profissionais “que precisam ser observadas pelas empresas”. “A gente vê, por um episódio como esse da Vera Araújo, que a responsabilidade não cabe só às empresas. Há também uma parcela muito importante que é do Estado”, destacou a  presidenta.

Ela avaliou que a punição do policial militar identificado como sargento Edmundo Faria, “que fez o ato de cerceamento contra Vera Araújo”, não é suficiente. “A gente entende que a violência não foi só prender e ferir, foi também torturar. Porque circular com ela de carro, durante algumas horas antes de levar para a delegacia, infere em tortura psicológica. A punição do indivíduo não basta. Os fatos e as estatísticas comprovam que isso não resolve a questão”. Segundo Paula Máiran, é preciso trabalhar o modelo de segurança pública “que tem jornalistas como alvo específico de perseguição”.

De acordo com relato da jornalista Vera Araújo ao jornal O Globo, durante o percurso até a delegacia, seu celular foi tomado pelo sargento Faria, quando ela tentava fazer contato com o jornal e com representantes da Polícia Militar para explicar o mal entendido. Faria decidiu, então, parar o veículo e algemá-la. “Ele apertou tanto que os meus pulsos estão machucados”, relatou Vera ao jornal. Na delegacia, acompanhada por um advogado, a jornalista registrou o caso como abuso de autoridade. Após ser liberada do trabalho nesta segunda-feira, ela não foi encontrada pela Agência Brasil para comentar o caso.

Le Monde questiona corte de protesto indígena durante abertura da Copa

Jovem é da aldeia Krukutu, em Parelheiros, São Paulo.

Jovem é da aldeia Krukutu, em Parelheiros, São Paulo.

DR|RFI

O jornal francês Le Monde questionou neste domingo o corte das imagens da transmissão da cerimônia de abertura da Copa do Mundo, no momento em que um jovem indígena abre uma faixa de protesto. O garoto, que participava do evento, tirou do bolso e exibiu uma faixa onde se lia “demarcação”, quando deixava o campo.

A imagem, entretanto, foi cortada durante a transmissão da cerimônia. Junto com uma criança branca e uma adolescente negra, o indígena havia soltado uma pomba branca no centro do campo, antes do início da primeira partida, entre Brasil e Croácia.

Aplaudidos pelos jogadores, os três começam a sair do campo quando o indígena abre a faixa vermelha. “A imagem é forte mas não foi ao ar. O gesto de protesto não foi transmitido para as televisões do mundo inteiro”, relata o correspondente do diário francês no Brasil, no blog sobre a Copa do Mundo no site do jornal.

“Estranha omissão”, constata o jornalista. A faixa era um apelo para o governo brasileiro consolidar a demarcação de terras indígenas no país, “uma luta ancestral que conhece, nos últimos anos, uma mobilização cada vez maior em razão da intensificação dos processos para reduzir ou enfraquecer o direito constitucional dos índios”, afirma o texto.

Até o momento, diz a matéria, os organizadores da cerimônia não comentaram a divulgação das fotos do índio com a faixa, publicadas na internet. 

A 13 dias da Copa, revista francesa dedica 50 páginas sobre o Brasil

A revista Aujourd'hui en France dedica 50 páginas ao Brasil

A revista Aujourd’hui en France dedica 50 páginas ao Brasil

(Foto: Reprodução)|RFI

Faltam apenas 13 dias para a abertura da Copa do Mundo no Brasil e, para celebrar o evento, a revista francesa Aujourd’hui Magazine chegou às bancas nesta sexta-feira (30) com uma edição especial de 50 páginas sobre o país, com dicas de turismo e entrevistas.

Na capa, o capitão Thiago Silva exibe com orgulho a camisa da seleção brasileira. O zagueiro e capitão do PSG afirma se sentir invencível de verde-amarelo. A revista Aujourd’hui en Francediz que o Brasil gera uma febre entre os artistas franceses.

No ano da Copa, só aqui na França cinco cantores lançaram CDs em homenagem ao país. Entre eles o cantor Sébastien Tellier, que faz música eletrônica. Ele conta que foi inspirado pelo sol, a música, a festa e a “misteriosa floresta” brasileira.

Ao longo das 50 páginas, o leitor da Aujourd’hui Magazine encontra um roteiro com dicas de restaurantes e programas no Rio de Janeiro e é informado de que algumas favelas cariocas se tornaram lugares badalados pela sua produção cultural.

A edição traz entrevistas com Thiago Silva e o ator francês Francis Huster, ex-marido da atriz brasileira Cristiana Reali, que filosofam sobre a paixão dos brasileiros pelo futebol. A revista ainda se interessa pela rede Globo, que vai transmitir os jogos da Copa, descrita como “um império da mídia no Brasil” com sua produção de “séries e novelas açucaradas”.

A edição especial termina falando da moda brasileira, que pode levar o sol ao guarda-roupa das francesas.

Número de torcedores franceses que vai para a Copa no Brasil é recorde

Torcedores franceses no Stade de France no dia da qualificação da França para a Copa do Mundo. 19/10/14Torcedores franceses no Stade de France no dia da qualificação da França para a Copa do Mundo|Cíntia Cardoso

Contagem regressiva para a Copa no Brasil. Mas, a julgar pelos jornais franceses, a poucos dias do pontapé inicial, o clima entre os torcedores franceses e os torcedores brasileiros é bem diferente.

 Segundo o jornal Aujourd’hui en France, a empolgação dos franceses com a Copa do Mundo é histórica. Nunca um número tão grande se deslocou para um torneio de futebol que acontece a 10 mil quilômetros do país. Na África do Sul, 6 mil franceses viajaram para a Copa. No Mundial do Japão e da Coreia do Sul, foram 8 mil. E agora, para o Brasil, eles serão 17 mil – um recorde. Agências que fizeram pacotes específicos para a Copa comemoram o sucesso. Um pacote com 5 diárias de hotel, passagem e ingresso custa, em média, € 2.900 (cerca de R$ 9.000). E, segundo profissionais de turismo, eles foram vendidos rapidamente.

Motivos para a empolgação

O primeiro motivo para tanto entusiasmo dos franceses é o “fator Brasil”. O país continua a ser uma viagem dos sonhos para muitos franceses. O outro é a organização da Federação Francesa de Futebol que promete dar “todo apoio” aos torcedores franceses e não deixá-los abandonados. Para isso, a entidade vai construir nas cidades onde na França vai jogar “a casa azul”, um lounge para beber uns drinques, ver os jogos e torcer. E o melhor: a entrada nesses locais é gratuita.

Copa com gosto amargo

Já para o jornal econômico Les Echos: “Em São Paulo, a Copa tem um gosto amargo”. Esse é o título de uma reportagem que aparece com destaque na primeira página. Thierry Ogier, correspondente do jornal no Brasil, acompanhou as últimas manifestações em São Paulo e tenta fazer um balanço do clima social no país. Para o jornalista, a três semanas do começo do Mundial, a tensão social não perde força. Ao contrário, as manifestações têm um tom cada vez mais político e colocam a presidente Dilma Rousseff sob pressão.

Na avaliação do diário, é emblemático o ativismo do  Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que elegeu a construção da Arena Corinthians como símbolo do desperdício de dinheiro público. O palco da abertura da Copa custou R$ 1,2 bilhão. “Com esse dinheiro, dava pra construir casas para todos aqui”, diz um dos líderes do movimento ao jornal.

Segundo Les Echos, as manifestações que aconteceram durante a Copa das Confederações no ano passado foram um teste para a Copa e também para a popularidade da presidente. Na época, Dilma disse ter ouvido a voz do povo.

Resposta de Dilma deixa a desejar

 O referendo sobre a reforma política, uma das promessas da presidente feitas no calor dos protestos no ano passado, simplesmente desapareceu da agenda. Quanto ao “pacto de mobilidade urbana”, também pouco ou nada se sabe.

As obras para a Copa do Mundo, que deveriam deixar um legado de boas infraestruturas para os brasileiros, também são questionáveis. A modernização de vários os aeroportos, como o de Viracopos, em São Paulo, por exemplo, está longe de ser concluída. Segundo dados da imprensa local, diz o jornal Les Echos, menos da metade dos objetivos prometidos foram cumpridos.

Diante de tudo isso, a sorte está lançada. Será que os brasileiros vão se empolgar nessa reta final da Copa? Essa é a pergunta feita pelo jornal. Les Echos conclui que a “febre da Copa” começa a se espalhar pelo Brasil. 

Diferença de renda entre ricos e pobres cresceu nos últimos 30 anos

(Foto: Reuters)
RFI

O jornal econômico Les Echos informa que a França é uma exceção no cenário econômico mundial no que diz respeito às desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres da população. Enquanto nos últimos 30 anos, a concentração de renda nas mãos dos mais ricos aumentou sensivelmente na maioria dos países ocidentais, na França essa situação permaneceu equilibrada.

 

A conclusão é da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) que acaba de publicar um relatório baseado no livro do economista francês Thomas Piketty.

Em “O Capital no Século 21”, um livro de 970 páginas, Piketty procura demonstrar que a partir dos anos 80 a repartição da renda favoreceu os mais ricos em detrimento dos assalariados. Campeão de vendas no site da Amazon, a obra de Piketty tornou-se uma referência nos Estados Unidos, recebendo elogios do prêmio Nobel Paul Krugman e da equipe que assessora Barack Obama.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a concentração de riquezas entre os mais ricos dobrou em 30 anos. A mesma tendência foi registrada na Alemanha, Reino Unido, Canadá, Austrália e Irlanda, enquanto na França, Espanha e Holanda, o fosso entre ricos e pobres permaneceu menor.

Segundo a OCDE, 1% da população mais rica dos países ocidentais detém atualmente uma fatia da renda nacional bem superior em relação há 30 anos atrás. Os americanos mais ricos chegam a deter 20% da renda nacional, enquanto na na Holanda, os mais ricos detêm 7,5%. A e os países escandinavos detêm 8,5%.

De acordo com a OCDE, essa concentração de riqueza entre os mais ricos pode estar relacionada ao acirramento da concorrência internacional por talentos e profissionais qualificados. Outra razão apontada pela OCDE é a redução contínua da carga fiscal sobre os mais ricos.

A principal preocupação da OCDE, agora, é impedir que essas desigualdades evoluam ainda mais em favor dos ricos, em detrimento da imensa maioria da população.