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Amazônia venezuelana pode ganhar seu próprio Inpa

Criação de um instituto de pesquisas na Venezuela ajudaria a descobrir potencial da biodiversidade da região

Portal Amazônia

Parceria entre Inpa e Venezuela deve ajudar a descobrir potencial de frutas da região e tratamento para doenças. Foto: Reprodução/Amazônia

MANAUS – Um bioma em comum e experiência de 60 anos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) contribuíram para estabelecer um espaço de diálogo e as diretrizes para a criação futura de um instituto de pesquisas amazônicas na Venezuela. O assunto foi debatido no terceiro Seminário Nacional da Comissão Nacional Permanente do Tratado de Cooperação Amazônica, Ciência e Tecnologia, que ocorreu na Amazônia venezuelana, em Puerto Ayacucho, na calha do rio Orinoco, divisa entre Venezuela e Colômbia.

Representante do Inpa no evento, o coordenador de extensão Carlos Bueno, disse que o instituto sediado em Manaus está disponível para ajudar a Venezuela em estabelecer seu próprio centro de pesquisas sobre a Amazônia.

“Certamente os cursos de pós-graduação do Inpa e as tecnologias sociais disponíveis poderão ser um caminho importante em curto prazo de apoio à criação de um instituto de pesquisas amazônicas da Venezuela. Isso é de grande importância para o Inpa nas perspectivas de compartilhamento de pesquisas e treinamento de pessoal”, completou.

Segundo o coordenador, a biodiversidade venezuelana tem muitas semelhanças com a da Amazônia Brasileira e muitas soluções de problemas podem ser natureza semelhante, como em relação a doenças (malária, dengue, leishmaniose, oncocercose conhecida como cegueira dos rios) e potencial econômico de frutas que eles desconhecem, como cupuaçu, abacaxi, açaí, camu-camu, cubiu e mapati (uva-da-amazônia).

 

Filhote de peixe-boi é resgatado no Amazonas

 

Mamífero é macho e pesa 18kg; este é o quinto animal resgatado em 2014 pela Associação Amigos do Peixe-boi

Veterinário pesam filhote de peixe-boi resgatado pelo Inpa

MANAUS – O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) ganhou mais um hóspede. O filhote de peixe-boi é macho, pesa 18kg, mede 1 metro e está com boa saúde.  A Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) já resgatou, somente neste ano, cinco mamíferos. O animal estava em Nova Olinda do Norte (a 126 quilômetros da capital amazonense) e chegou na cidade nesta quinta-feira (5), às 17h45.

Veterinário medem filhote resgatado

O filhote foi encontrado sozinho, próximo a um flutuante. “Era um local de remanso, mas como aparentemente ele estiva perdido, é provável que a mãe tenha sido caçada”, disse o veterinário Anselmo D’Affonsêca ao Portal Amazônia.

Tratamento

Assim que chegou, o pequeno recebeu os cuidados necessários para a reabilitação através da equipe de veterinários e biólogos da Ampa. O animal passará por um período de quarentena para se adaptar à vida em cativeiro. De acordo com D’Affonsêca, esse é um período importante para o sucesso da reabilitação.

O peixe-boi ainda está sem nome. “Ele só ganhará um nome quando estiver devidamente adaptado. A preferência é por nomes que remetam à localidade de procedência do animal, ou um nome indígena”, comentou D’Affonsêca. É provável que o animal seja enviado para o Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos Aquáticos (CPPMA), em Balbina, onde o Inpa mantém parceria.

Filhote peixe-boi resgatado em Nova Olinda do Norte (AM), passa por avaliação da Ampa

Alerta

O veterinário Anselmo D’Affonsêca pede atenção quanto ao resgate de filhotes de peixe-boi na região. D’Affonsêca cita como exemplo os filhotes que ficam presos em redes de malhadeira durante atividades de pesca. “É preciso verificar se há a possibilidade de a mãe estar por perto, é mais importante ainda evitar retirar o filhote do local”, explica. “Quando o filhote está preso da malhadeira normalmente a mãe está próxima, pois ela não abonda o filhote”, finaliza.

 

Drones auxiliam na captação de dados para inventário de florestas da Amazônia

Objetivo da pesquisa é estimar o nível de carbono na floresta e tentar extrapolar esse número para uma área maior

O modelo de drone utilizado nas pesquisas é o Md4-1000. O drone tem o corpo feito de fibra de carbono e capacidade para voar cerca de 80 minutos. Foto: Henrique Lima/Inpa

MANAUS – Os Veículos Aéreos Não Tripulados (Vant), mais conhecidos como drones (que no inglês significa zangão), são aeronaves que não precisam de pilotos embarcados para ser guiada. Para aproveitar as vantagens dos drones, desde julho de 2013, o estudante de doutorado do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Carlos Celes, utiliza o aparelho para obter dados e estimar o nível de carbono da floresta.

A pesquisa de doutorando em Ciências de Florestas Tropicais foi apresentada durante o Seminário Final do Projeto Cadaf (Carbon Dynamics of Amazonian Forest), realizado no auditório da Ciência, de 27 a 29 de abril. O trabalho foi iniciado em julho de 2013 e já foram realizados 150 voos, a maioria na Estação Experimental de Silvicultura Florestal e Reserva Florestal do Inpa (ZF2). Também foram realizados voos na Reserva Adolpho Ducke e em Itacoatiara (município a 176 quilômetros de Manaus). Os voos atingiam um raio de 500 metros.

O objetivo da pesquisa de Celes é “estimar o nível de carbono na floresta e tentar extrapolar esse número para uma área maior”. Ao fazer esse extrapolamento, o objetivo é chegar à dinâmica desse elemento para entender como esse carbono está mudando dentro da floresta com as árvores caindo, morrendo e nascendo

O modelo de drone utilizado nas pesquisas é o Md4-1000. O drone tem o corpo feito de fibra de carbono e capacidade para voar cerca de 80 minutos. Entre as vantagens de se utilizar esse equipamento estão o baixo custo de manutenção e operação, além da alta resistência à variação de temperatura (resiste temperaturas de -20°C a 50°C), chuva e poeira.

De acordo com Celes o quadricóptero é mais versátil se comparados com os aviões, que são utilizados pra fazer esse tipo de mapeamento. “O avião precisa de uma infraestrutura muito maior para sua operação. O drone não consegue fazer essa cobertura tão grande, mas ele apresenta essa vantagem de ser versátil, então se você falar ‘eu preciso voar agora’ em 15 minutos eu faço o plano de voo, a gente coloca o drone onde ele tem que ir e já está voando”, disse Celes.

Fotografias

Durante o voo, uma câmera fotográfica digital é acoplada ao drone para a captura das sequências de imagens que serão sobrepostas para que se façam modelagens em 3 dimensões das áreas sobrevoadas. Outros trabalhos possíveis de se desenvolver são os de clareira, sombra, textura, dendrologia (estudo de plantas lenhosas como árvores e arbustos), fenologia (estudo dos fenômenos periódicos dos seres vivos e relações com o ambiente), dendometria, hidrologia, além de permitir o acompanhamento desses dados.

Além da câmera, é acoplado ao drone um sensor Lidar (Light Detection and Raging), que é uma caixa que emite pulsos a laser infravermelho e tira fotos para controle da área que o laser atinge. Esse laser faz um mapeamento em quatro planos perpendiculares e permite melhor captura de dados.