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Jihadistas critica instauração do califado

AFP – Agence France-Presse

02/07/2014 

Um dos principais ideólogos jihadistas denunciou nesta quarta-feira a proclamação do califado entre o Iraque e a Síria por um grupo sunita ultra-radical e alertou para um banho de sangue. “Podem todos os muçulmanos achar refúgio neste califado? O que se trata de um sabre afiado contra todos os opositores?”, escreveu no Facebook e nos sites jihadistas Isam Barqawi, ou Abu Mohamed al Makdesi.

Os jihadistas do Estado Islâmico (EI), o novo nome do Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), proclamou no domingo um califado nos territórios conquistados entre Aleppo, no norte da Síria, e a província de Dijalah, no leste do Iraque, e pediu aos muçulmanos de todo mundo que jurem lealdade a seu chefe.

O califado é um regime herdado dos tempos do profeta Maomé e que foi abandonado há quase um século. “Não creiam que podem calar a voz da justiça gritando, proferindo ameaças e cometendo agressões”, afirmou Makdesi dirigindo-se ao EI. Makdesi foi libertado em 16 de junho depois de ter sido preso por recrutar combatentes para os talibãs.

“Reformem-se, arrependam-se e deixem de matar muçulmanos e de desvirtuar a religião”, declarou, condenando todos “os muçulmanos que matam outros muçulmanos”. O avanço dos insurgentes sunitas no Iraque faz temer um contágio na Jordânia.

Primeiros assessores militares americanos já estão no Iraque

AFP – Agence France-Presse

24/06/2014 

Os primeiros assessores militares americanos que terão a missão de ajudar as forças iraquianas a combater os insurgentes sunitas já se encontram em Bagdá, anunciou nesta terça-feira o Pentágono.

“Começamos a enviar as primeiras equipes de avaliação”, indicou o porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, acrescentando que cerca de 40 militares, dos cerca de 300 assessores que Washington prometeu enviar, “começaram sua nova missão”.

Esses 40 soldados estavam até o momento estacionados na embaixada dos Estados Unidos em Bagdá.

Outros 90 soldados das forças Centcom, o comando militar americano responsável pelo Oriente Médio e Ásia central, também começaram a trabalhar em sua missão, que consiste em estabelecer “um centro de comando conjunto”, gerido em parceria com as forças iraquianas, segundo Kirby.

Além disso, 50 outros soldados americanos devem chegar nos próximos dias na capital iraquiana.

“Essas equipes vão avaliar a coesão e o estado da preparação das forças de segurança iraquianas” e transmitir os resultados de suas análises a seu comando “daqui a 2 ou 3 semanas”, ressaltou o almirante.

 

Fatos demonstram fracasso total da política dos EUA no Iraque, diz Rússia

Declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, citado pela agência Itar-Tass

France Presse

12/06/2014 

Moscou – A Rússia afirmou nesta quinta-feira (12/6) que o avanço dos rebeldes islamitas no Iraque ameaça o país e ilustra o fracasso total da intervenção militar americana e britânica. “O que está acontecendo no Iraque ilustra o fracasso total da aventura que empreenderam principalmente os Estados Unidos e o Reino Unido, e na qual perderam o controle definitivamente”, declarou o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, citado pela agência Itar-Tass.

“Há 11 anos, o presidente dos Estados Unidos anunciou a vitória da democracia no Iraque e, desde então, a situação se deteriorou de forma exponencial. Há tempos que advertimos que a aventura lançada pelos americanos e ingleses acabaria mal. Hoje os prognósticos se cumpriram”, acrescentou.

Dois anos e meio depois da retirada das tropas americanas que entraram em 2003 no Iraque, os combatentes jihadistas se apoderaram de partes do território do noroeste do país ante a impotência do exército nacional e se encontram a menos de 100 km da capital.

Jihadistas fazem reféns em universidade do Iraque; forças de segurança lançam ataque

AFP INTERNACIONAL

07. Junho 2014

Jihadistas tomaram neste sábado como reféns estudantes e funcionários de uma universidade iraquiana localizada na cidade de Ramadi, o que provocou um ataque das forças de segurança do país, constatou um jornalista da AFP.

Combatentes do Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), um grupo jihadista extremista, se apoderaram pela manhã da universidade de Anbar, em Ramadi, localizada 100 km a oeste de Bagdá, depois de matar os guardas e destruir uma ponte que conduz ao estabelecimento, segundo a polícia.

Um jornalista da AFP afirmou que as forças de segurança lançaram um ataque para libertar o campus e disse ouvir um forte tiroteio no local.

Cerca de 1.000 estudantes conseguiram fugir mais cedo, enquanto outros escaparam durante a operação militar, que também incluiu soldados e policiais, disse o jornalista.

Não foi informado até o momento quantos estudantes estão matriculados na universidade ou quantos ainda estão em poder dos criminosos.

Uma estudante, que se encontra no interior do edifício, explicou mais cedo por telefone à AFP que os criminosos reuniram as mulheres e que o chefe dos insurgentes falou com elas. 

“Daremos uma lição que vocês nunca vão se esquecer”, afirmou o líder dos jihadistas, segundo a estudante.

Vários bairros de Ramadi estão desde janeiro sob controle dos insurgentes, entre os quais figuram membros do EIIL.

Esta demonstração de força dos jihadistas ocorre um dia depois de combates entre insurgentes e as forças de segurança na província de Nínive e dois dias após um ataque rebelde contra a cidade de Samara, onde conseguiram se apoderar momentaneamente de alguns bairros.

A violência na província de Al-Anbar começou no fim de dezembro, quando as forças de segurança desmantelaram um acampamento de protestos antigovernamentais perto de Ramadi.

Pouco depois, insurgentes e tribos hostis ao governo, dominado pelos xiitas, tomaram o controle de bairros de Ramadi e de toda Fallujah, situados respectivamente a 100 e 60 km de Bagdá, algo que não era visto desde os anos de insurreição que se seguiram à invasão americana de 2003.

Desde então, o exército recuperou a maior parte de Ramadi, mas o ataque à universidade demonstra a impotência das autoridades para tomar completamente o controle da cidade.

A insegurança é um dos principais problemas do Iraque, onde a violência mata todos os dias em média 25 pessoas.

No total, mais de 4.300 pessoas morreram em ataques desde o início do ano, das quais mais de 900 em maio.

As autoridades atribuem esta espiral de violência a fatores externos, principalmente à guerra na vizinha Síria. Mas diplomatas e especialistas afirmam que se deve principalmente ao descontentamento da minoria sunita, que se considera marginalizada.