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House of One pretende ser local de culto de três religiões

Diário de Notícias, por Mariana Pereira com BBC e ‘The Independent’Hoje

 
O pastor Gregor Hohberg, o rabi Tovia Ben Chorin e o imã Kadir Sanci

O pastor Gregor Hohberg, o rabi Tovia Ben Chorin e o imã Kadir SanciFotografia © DR Lia Darjes / House of One

Berlim quer tornar-se pioneira numa nova época da história das religiões: cristãos, judeus e muçulmanos unem esforços para erigir um edifício de culto comum.

A House of One é o nome do primeiro edifício que terá uma igreja, sinagoga e mesquita “sob o mesmo teto”, como dão conta os três organizadores do projeto: o rabi Tovia Ben Chorin, o imã Kadir Sanci e o pastor protestante Gregor Hohberg.

Wilfried Kuehn, o arquiteto escolhido num concurso para eleger o responsável pela obra inédita que terá lugar na Periplatz, centro de Berlim, desenhou um edifício com três áreas distintas, uma para cada religião, cada uma com a mesma área, mas com uma forma diferente. O edifício responderá às necessidades particulares de cada religião — na mesquita, por exemplo, haverá um local onde os muçulmanos possam lavar os pés; e na igreja existirá um órgão.

“Do meu ponto de vista, a cidade onde o sofrimento dos judeus foi planeada é agora a cidade onde o centro está a ser construído pelas três religiões monoteístas que definiram a cultura europeia”, disse o rabi Tovia Ben Choria à britânica BBC. Já o imã Kadir Sanci toma a Casa como “um indício, um sinal para o mundo que a grande maioria dos muçulmanos é pacífica, não violenta.”

O arquiteto chama a atenção para o facto de “quando recuamos muito no tempo, eles [os três diferentes locais de culto] partilham muitas tipologias arquitetónicas. Não são assim tão diferentes.” A partilha de diferentes cultos no mesmo espaço não é, aliás, novidade na História, a única – e enorme – diferença é que essa partilha nunca ocorreu de forma simultânea.

Por exemplo, a Igreja da Nossa Senhora da Anunciação em Mértola foi construída como mesquita no séc XII e só no séc XIII se deu a transformação para igreja. Também a Igreja de Santa Maria, na vila de Óbidos foi transformada em mesquita durante a ocupação árabe. No sul de Espanha, inúmeras mesquitas tornaram-se catedrais depois da conquista cristã. Pelo contrário, na Turquia, várias igrejas se tornaram mesquitas. A mosquita Brick Lane, em Londres, foi erigida como igreja no séc XVIII, mais tarde foi transformada numa sinagoga e hoje em dia é uma das mesquitas mais conhecidas do Reino Unido.

A ideia da arrojada House of One terá partido do lado cristão do grupo. O pastor Gregor Hohberg deu conta do facto da localização do futuro edifício coincidir com o espaço da primeira igreja de Berlim, que data do séc XII, a Petrikirche, destruída na Segunda Guerra Mundial. Em 2009, depois de escavações arqueológicas encontrarem o que sobrou da Petrikirche, a ideia surgia. “Berlim é a cidade das chagas e dos milagres”, disse o rabi Tovia Ben Chorin ao jornal britânico ‘The Independent‘.

No início do mês foi lançada a angariação de fundos que espera conseguir obter os 43,5 milhões de euros necessários. Hoje, o siteda House of One contava 372 doadores e um total de 18 590 mil euros angariados.

França mantém na prisão suspeito da matança no Museu Judaico de Bruxelas

Retrato falado de Mehdi Nemmouche, suspeito de atentado ao Museu Judaico de Bruxelas em 24 de maio de 2014.

Retrato falado de Mehdi Nemmouche, suspeito de atentado ao Museu Judaico de Bruxelas em 24 de maio de 2014|Reprodução Youtube|BFMTV

A detenção para interrogatório do francês Mehdi Nemmouche, principal suspeito de ter matado quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas no mês passado, foi prolongada além dos quatro dias, prazo determinado pela lei da França. A medida, raríssima, foi tomada pela justiça no quadro da investigação antiterrorista.

Na França, a prolongação por mais 24 horas de uma detenção para interrogatório pode ser tomada em apenas dois casos: risco iminente de atentado ou razões ligadas às necessidades de uma cooperação internacional. Este é o caso do suspeito, que deveria ser conduzido diante de um juiz para ser notificado do mandado de prisão europeu em seu nome.

Silencioso desde que foi detido na sexta-feira passada (30 de maio), Mehdi Nemmouche recusou-se a sair de sua cela para ouvir fo mandado do qual é objeto e fazer uma nova deposição. Segundo fontes judiciais, a notificação está prevista para a quarta-feira (4).

Extradição e investigações

A próxima etapa para Mehdi Nemmouche deve ser a detenção durante o período em que aguardará a sua extradição para a Bélgica. O prazo vai depender do suspeito, que deve dar o seu acordo para ser extraditado.

Enquanto isso, as investigações continuam na França e na Bélgica. Em Paris, diante do silêncio do acusado, os investigadores tentam descobrir a razão pela qual ele veio para Marselha. Ele já cumpriu pena de prisão na região, mas as perguntas sem resposta são muitas: “Ele veio ao encontro de alguém?”; “Ele pretendia fugir de navio para a Argélia?”; “Por quê o risco de viajar com as armas?”; “Ele teria a intenção de fazer um novo ataque na França”?

Bélgica

Será em Bruxelas que as investigações devem realmente se completar. A perícia deve confirmar as suspeitas de que as armas apreendidas em Marselha foram as mesmas usadas em Bruxelas para matar as quatro pessoas. 

A polícia belga também vai aprofundar as investigações sobre as relações de Nemmouche na Bélgica, onde os candidatos ao jihad na Síria crescem a cada dia.

Um novo Merah

A questão é saber se Nemmouche é um novo Mohamed Merah. Segundo uma fonte policial, no período em que esteve preso o suspeito demonstrava “um certo fascínio pelos atos de Mohamed Merah”, que assassinou três militares e quatro judeus, dos quais três crianças, em Toulouse e Montbauban, em março de 2012.

Ambos têm o mesmo perfil de delinquente em ruptura social, com a diferença de que Nemmouche nunca se interessou muito pela religião enquanto Merah vivia numa família salafista. Foi na prisão que Nemmouche se radicalizou, inclusive lançando apelos aos gritos aos outros detentos para as orações a Maomé.

Europeus e Jihad

Os estudos dos serviços secretos internacionais indicam que entre 2 mil e 3 mil europeus foram para a Síria, partindo da França, Inglaterra, Dinamarca, Noruega e Bélgica. Eles são treinados por jihadistas, radicais islâmicos que pregam a “Guerra Santa”, para realizar atentados na Europa.

Preso em Marselha o francês suspeito da matança no Museu Judaico de Bruxelas

O procurador-geral da República, François Molins, em coletiva de imprensa no tribunal neste domingo, 1° de junho de 2014.

O procurador-geral da República, François Molins, em coletiva de imprensa no tribunal neste domingo, 1° de junho de 2014.

Reuters/Benoît Tessier

As autoridades francesas divulgaram neste domingo (1°) que um homem foi detido na tarde de sexta-feira ((30) em Marselha, no sul do país, suspeito de ter atirado contra quatro pessoas, no dia 24 de maio, no Museu Judaico da capital belga. Um casal israelense, uma francesa e um belga morreram. O francês teria passado uma temporada com um grupo jihadista na Síria, em 2013.

 

 

Ele se chama Mehdi Nemmouche, nasceu em Roubaix, no norte da França, tem 29 anos e foi preso sete vezes por assaltos entre prisão por assalto entre 2005 e 2012.

Nemmouche foi detido por acaso, em um controle de rotina na estação Saint-Charles, em Marselha. Ele estava em um ônibus vindo de Amsterdam e Bruxelas. Na bagagem, trazia uma metralhadora Kalachnikov, um revólver e uma câmara, objetos que foram imediatamente relacionados aos crimes no Museu Judaico de Bruxelas.

Desde a sua detenção para interrogatório, em Marselha, Nemmouche não disse uma só palavra, porém, a perícia científica das armas, do computador e das imagens da câmera portátil que estavam em seu poder, parecem confirmar o seu envolvimento no ataque de 24 de maio, em Bruxelas. Os resultados oficiais serão divulgados somente no começo da semana, mas o procurador-geral da República, François Molins, confirmou a descoberta de um curto vídeo de 40 segundos na máquina fotográfica Nikon que mostrava as duas armas e as roupas usadas pelo atirador, assim como a câmara GoPro.

“O autor dos tiros não aparece na imagem, mas sua voz parece ser a de Mehdi Nemmouche. Esta voz comenta as imagens, explicando que o vídeo foi feito porque a filmagem da fusilada do Museu Judaico de Bruxelas pela câmara não havia funcionado”, comunicou o procurador.

Radicalismo religioso

Informações sobre o percurso do suspeito também foram divulgadas: “Durante sua última pena, ele chamou a atenção por seu proselitismo extremista, frequentando um grupo de detentos que são islamitas radicais e convocando os outros presos para uma prece coletiva”, disse François Molins.

Em 31 de dezembro de 2012, três semanas depois de ser libertado, Nemmouche foi para a Síria começando a viagem por Bruxelas, passou por Londres, Beirute e Istambul, até chegar ao destino final. Ele se juntou aos combatentes do grupo jihadista “Estado Islâmico do Iraque e Levante”.

De volta à Europa, ele foi visto pela última vez em Frankfurt, na Alemanha, em março de 2014, data em que teve o passaporte controlado na alfândega alemã.

Etapas jurídicas

A partir de agora, as investigações devem continuam em estreita cooperação entre as autoridades judiciárais francesas e belgas. Além das perícias técnicas em matéria genética, capilar, balística e informática, os investigadores vão tentar estabelecer o percurso do suspeito e identificar suas relações mais próximas.

Os dois juízes de instrução de Bruxelas emitiram no sábado um mandato de prisão europeu, que será notificado a Mehdi Nemmouche no final de sua detenção para interrogatório. O mandato será analisado e a justiça decidirá se o suspeito será entregue às autoridades da Bélgica.

Família em estado de choque

A família de Nemmouche declarou estar “muito chocada”, depois de ter ouvido pela televisão a notícia de sua prisão por suspeita de assassinato. “Estamos chocados, não poderíamos imaginar isso”, disse à imprensa uma tia do homem, definido por ela como alguém de “educado, inteligente e que cursou até o primeiro ano da faculdade”. Ela também lembrou que ele sempre foi muito discreto e fechado.

Os parentes de Mehdi Nemmouche não tinham contato com ele desde meados do ano 2000, quando ele foi preso no sul da França por assalto. No fim de 2012 ele apareceu para dar notícias, mas depois não falou mais com os parentes.

Quanto ao extremismo religioso que pode tê-lo motivado a atacar os judeus, um parente disse que ele nunca frequentou a mesquita nem falava de religião. “Certamente ele se converteu ao radicalismo na cadeia para cometer um ato assim terrível”, constatou.

Reações políticas

A prisão de Mehdi Nemmouche traz novamente à tona a questão dos jovens franceses que viajam para a Síria e são treinados por extremistas religiosos para praticar o Jihad Islâmico, usualmente definido como Guerra Santa, mas que, na verdade, significa em árabe “fazer o máximo esforço”.

O presidente da França, François Hollande, declarou que seu governo está determinado a fazer tudo para impedir os jovens radicais de realizar ataques. “Vamos monitorar esses jihadistas e certificar-se de que, quando eles voltarem de uma luta que não é a deles, e definitivamente não é a nossa, eles não façam mal algum”, disse o presidente.

Os serviços secretos franceses estimam que entre 700 e 800 jovens franceses, estiveram ou ainda estão na Síria em contato com jihadistas radicais. Cerca de 200 belgas também teriam tomado o mesmo caminho.

Os fatos

No dia 24 de maio último, um homem armado, de óculos escuros e boné, invadiu o Museu Judaico de Bruxelas, matando um casal de turistas israelenses, uma voluntária francesa e o recepcionista belga do local.

O Congresso Judaico Europeu apontou um novo exemplo de ódio e antissemitismo, lembrando que a matança ocorreu dois anos depois do famoso caso Merah, o jovem franco-argelino que assassinou quatro judeus, dos quais três crianças, e três militares, em Toulouse, no sudoeste da França, em 2012.

Papa pede a judeus, cristãos e muçulmanos para se entenderem

O papa Francisco pediu nesta segunda-feira a judeus, cristãos e muçulmanos que abram seus corações e sua mente para entender ao outro, e pediu que ninguém utilize o nome de Deus para justificar a violência.

Em discurso na Esplanada das Mesquitas, o pontífice pediu a paz e a justiça, e reivindicou a figura de Abraão como exemplo, já que as três religiões monoteístas o reconhecem como pai da fé e exemplo a imitar “apesar de maneira diferente”.

A visita de Francisco acontece em um dia simbólico para os muçulmanos, já que hoje lembram a ascensão de Maomé aos céus que, segundo a tradição, aconteceu a partir deste lugar. “Minha peregrinação não seria completa se não incluísse também o encontro com as pessoas e comunidades que vivem nesta Terra, e por isso, me alegro de poder estar com vocês, amigos muçulmanos”, disse Francisco perante o grande mufti de Jerusalém, Mohamad Ahmad Hussein, e outras autoridades islâmicas.

O papa, que concluiu seu discurso com a palavra paz em árabe, assegurou que a peregrinação de Abraão foi também um apelo de Deus à justiça, “uma ligação a sermos agentes de paz e de justiça”.

Fonte: Terra 

Judeus na Espanha apresentam denúncia por 17.500 tuítes antissemitas

AFP – Agence France-Presse

20/05/2014 

Várias associações judaicas da Catalunha, no nordeste da Espanha, apresentaram nesta terça-feira uma denúncia por 17.500 tuítes com mensagens antissemitas após a vitória do Maccabi de Tel Aviv sobre o Real Madrid na final da Euroliga de basquete.

Depois da disputada partida de domingo, vencida pela equipe israelense na prorrogação (98-96), uma onda de mensagens com conteúdo antissemita inundou a rede social Twitter na Espanha, a ponto de a hashtag ‘#putosjudíos’ se converter em uma das mais populares do país.

“Ao ver reações após a vitória do Maccabi como ‘judeus aos fornos’ ou ‘judeus aos chuveiros’, decidimos apresentar esta denúncia”, explicou à AFP Rubén Noboa, do grupo Israel na Catalunha e impulsionador da ação judicial, à qual 11 associações se somaram.

Os demandantes apresentaram ao Ministério Público mais de 17.500 mensagens supostamente antissemitas enviadas após a partida, cinco delas por usuários que puderam ser identificados com nome e sobrenome.

As associações acusam estas cinco pessoas de “incitação ao ódio e à discriminação”, crime punível com entre um e três anos de prisão na Espanha, e pedem para identificar e ampliar a denúncia aos outros usuários anônimos.

Para Noboa, estas mensagens demonstram o “substrato antissemita” da sociedade espanhola que, segundo um relatório da organização Antidifamation League publicado recentemente, é o terceiro país europeu depois de Grécia e França com maior antissemitismo.

“Aqui quase ninguém conhece um judeu, mas se reproduzem os clichês e esterótipos, também alimentados pelo catolicismo”, afirma Noboa.

Esta polêmica ocorre pouco depois da detenção de três usuários de redes sociais por crimes de apologia ao assassinato, após o assassinato no dia 12 de maio da líder provincial do Partido Popular, conservador, Isabel Carrasco.

Após uma onda de insultos à mulher assassinada e à classe política espanhola em geral, o ministro do Interior, Jorge Fernández Díaz, anunciou uma investigação para perseguir toda “apologia do crime e incitação do ódio” nas redes sociais.

Sobreviventes do Holocausto vivem quase na miséria em Israel

Uma associação judia "Helpline for Holocaust Survivors", ajuda sobreviventes pobres do Holocausto. Shlomo Ronen sobrevivente e residente israelense.

Uma associação judia “Helpline for Holocaust Survivors”, ajuda sobreviventes pobres do Holocausto. Shlomo Ronen sobrevivente e residente israelense.

Reprodução vídeo France 24

Israel lembra nesta segunda-feira (28) o tradicional dia do Holocausto, homenageando os seis milhões de judeus que morreram durante o regime nazista. Mas um em cada quatro sobreviventes enfrenta a pobreza e a solidão no país criado depois do genocídio.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel-Aviv

Eles têm idade média de 85 anos e um quarto deles, algo em torno de 50 mil, vive abaixo da linha da pobreza e necessita de ajuda de ONGs para receber serviços básicos.

Quase todos os necessitados ganham menos de um salário mínimo e têm dificuldade para comprar comida, remédios e receber tratamentos médicos.

Teoricamente, eles têm direito a benefícios e pensões, mas muitos sofrem com questões burocráticas e não conseguem receber seus direitos.

Fora isso, diversos cortes orçamentários ao longo dos anos afetaram as pensões.

Muitos também sofrem de solidão. Dez por cento não tiveram filhos, por exemplo, outros são viúvos ou perderam contato com a família.

Governo aprova verba adicional para sobreviventes

O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aprovou neste domingo uma verba adicional de US$ 290 milhões para elevar as pensões.

Mas ONGs de direitos humanos reclamam que o montante não é suficiente e que o repasse do dinheiro aos beneficiados pode levar tempo demais.

Afinal, tem ainda que ser aprovado pelo Knesset, o Parlamento israelense, que está em recesso, e enfrentar todo tipo de burocracia para chegar aos bolsos dos sobreviventes.

Mas tempo é algo que eles não têm. Uma média de mil sobreviventes falecem todo mês devido à velhice.

Segundo o rabino Yehiel Ekshtein, do Fundo de Amizade aos sobreviventes do Holocausto, a pobreza e a solidão desses sobreviventes são uma mancha moral na sociedade israelense.

Cerimônias solenes marcam Dia do Holocausto

O tradicional Dia do Holocausto e da Bravura em Israel começou neste domingo à noite e continua a ser lembrado nesta segunda-feira com cerimônias solenes, programação especial nas TVs e rádios e, em geral, com um clima de memória em todo o país.

Pelo judaísmo, os dias começam no anoitecer, então a data solene começou formalmente ontem à tarde com duração de 24 horas. Por um dia, restaurantes, cinemas e outros locais de entretenimento ficam fechados, apesar de não ser feriado para comércio, escritórios e escolas.

Hoje, às 10h horas da manhã, horário local de Israel, uma sirene soou em todo o país e, como manda a tradição, os cidadãos pararam onde estavam, interromperam o que faziam para ficar de pé e lembrar a data.

Mas a primeira cerimônia em memória dos seis milhões de judeus mortos pelo regime nazista aconteceu ontem de noite no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Seis sobreviventes, cada um representando um milhão de pessoas, acenderam velas, revelando suas histórias pessoais.

O presidente israelense Shimon Peres disse que o Estado de Israel é um escudo contra novas tentativas de violência contra o povo judeu.

Para Mahmoud Abbas, Holocausto foi crime hediondo

Porta-vozes do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, divulgaram que ele considerava o Holocausto “o crime mais hediondo cometido pela Humanidade na era moderna”.

Ele afirmou ter simpatia pelos sobreviventes e que os palestinos são contra qualquer tipo de racismo.

Os comentários surpreenderam os israelenses, até porque Abbas nunca prestou condolências oficiais às vítimas do genocídio, que, aliás, não faz parte do currículo escolar palestino.

Fora isso, Abbas escreveu uma dissertação de doutorado, na década de 80, na qual afirmou que, na verdade, a quantidade de judeus mortos não passou de 890 mil e que os nazistas tinham apoio de judeus sionistas numa espécie de pacto sinistro para pressionar o mundo a criar o Estado de Israel.

Talvez por causa disso é que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não tenha se mostrado particularmente emocionado com as palavras do presidente palestino.

Ele se referiu ao fato de Abbas ter assinado, na semana passada, um acordo de união nacional com o grupo islâmico Hamas, que nega o Holocausto e prega a destruição de Israel.

O acordo levou Netanyahu a suspender as negociações de paz com os palestinos.

Como centenas de judeus escaparam do holocausto saltando dos trens nazistas em movimento

Estudo publicado por historiadora alemã conta a história dos 764 que driblaram a morte nas câmaras de gás pulando dos vagões

Na noite de 5 de novembro de 1943, Leo Bretholz estava preso em um trem que partia de Paris em direção à Auschwitz. Ao contrário dos 6 milhões de judeus que seriam mortos pelo nazismo em diversos campos de concentração espalhados pela Europa, Bertholz escapou do holocausto pois nunca chegaria às câmaras de gás que o aguardavam na estação final. O judeu de 21 anos foi um dos poucos que conseguiram, utilizando-se de métodos desesperadores, driblar os guardas nazistas e saltar dos vagões em movimento. Como Bretholz, outros 763 ousaram fazer o mesmo, segundo levantamento recentemente publicado por uma historiadora alemã.

Wikicommons


Após o final da guerra, em junho de 1945, crianças judias deixam o campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha 

Durante horas, Leo Bretholz e seu amigo Manfred Silberstein usaram seus casacos como cordas improvisadas para tentar — em vão — forçar uma abertura entre as barras de ferro de uma pequena janela na parede do vagão lotado. Olhando para um balde utilizado pelos prisioneiros como latrina, alguém sugeriu que eles usassem urina para aumentar a aderência dos suéteres às grades — dessa forma, eles poderiam torcer as roupas e utilizá-las como torniquetes.

“Tive que lutar para superar minha sensação de náusea”, rememora Bretholz. “Me abaixei e encharquei meu pulôver. Tinham pedaços de excremento flutuando ali. Me senti humilhado. Foi a coisa mais nojenta que tive de fazer”, conta. Mas a tática deu certo e cedeu uma pequena fresta, espaço suficiente para que os dois se espremessem por entre as grades da janela e saltassem do trem.

 Após passar o resto da Segunda Guerra Mundial fugindo dos nazistas na Europa, Bretholz viveu até os 93 anos sem aquele número de identificação tatuado no braço que os outros sobreviventes de Auschwitz carregariam para sempre. Sua morte nos Estados Unidos, há um mês, coincidiu com o lançamento de um novo levantamento histórico publicado na Alemanha que contempla 764 histórias de vida semelhantes.

Estudo

Durante quatro anos, a pesquisadora Tanja von Fransecky conduziu entrevistas e consultou acervos em Israel e na Europa para compilar seu estudo, intitulado “Jewish Escapes from Deportation Trains” (“Os judeus que escaparam dos trens de deportação”, em tradução livre).

Em entrevista ao jornal britânico The Independent, a historiadora disse ter se espantado com a quantidade de pessoas que conseguiu o feito. “Sempre achei que esses vagões eram abarrotados de gente no embarque e simplesmente abertos na chegada sem que muita coisa pudesse acontecer nesse meio tempo”, diz. A pesquisa mostrou o contrário: inúmeros prisioneiros judeus protagonizaram cenas dramáticas e emocionantes para tentar escapar dos trens.

“Eles não disseram que nós todos seríamos fuzilados se alguém escapasse?”, questionavam os outros passageiros, assustados com a situação. Além das críticas, a pesquisadora também afirma que muitos tinham que enfrentar um dilema moral ao optar pela fuga e ter de deixar parentes e amigos para trás. “É uma das razões pelas quais muitos sobreviventes mantiveram o silêncio por anos após a guerra”, aponta von Fransecky.

Assista à íntegra, em inglês, do depoimento de Bretholz ao jornal ‘Washington Post’: