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Dois jornalistas russos morrem no leste da Ucrânia

Igor Korneliuk, correspondente da "Rádio Televisão Estatal da Rússia (VGTRK), foi morto no leste da Ucrânia.

Igor Korneliuk, correspondente da “Rádio Televisão Estatal da Rússia (VGTRK), foi morto no leste da Ucrânia|reprodução de imagem do site vesti.ru|RFI

Depois de ficar gravemente ferido por disparos de morteiro no leste da Ucrânia, um jornalista morreu nesta terça-feira (17). O técnico de som que o acompanhava foi morto no local. A informação foi dada por um médico do hospital de Lugansk.

O jornalista, funcionário de uma rede de televisão pública, foi baleado perto de Lugansk, um dos redutos da insurreição separatista pró-russa no leste. “Ao chegar estava inconsciente e morreu quando era levado à sala de cirurgia”, declarou Fedir Solianik, um médico do hospital. Já seu companheiro de equipe, o técnico de som Anton Voloshin, morreu imediatamente após ser ferido.

Igor Korneliuk era correspondente da “Rádio Televisão Estatal da Rússia (VGTRK). O jornalista não foi o primeiro profissional de mídia a ser atingido pela tensão no leste da Ucrânia. No final de maio, um jornalista da rede Russia Today ficou ferido no abdômen durante uma reportagem na região.

A ONG Repórteres Sem Fronteiras afirmou que tem monitorado diariamente os riscos para jornalistas no leste da Ucrânia. Segundo a entidade, “há uma multiplicação de violações à liberdade de imprensa na Ucrânia”. No final de maio, dois jornalistas ucranianos foram mantidos como reféns por três dias por grupos pró-russos em Schtchastie, em Lugansk. Acusados de espionagem, eles foram torturados e sofreram ameaças de morte.

Preocupada com a situação na região, a ONG enviou um comunicado para os governos da Ucrânia e da Rússia. “A organização reitera o apelo às autoridades ucranianas e russas bem como às milícias da região para que elas protejam e respeitem os profissionais de imprensa de qualquer linha editorial”.

França investiga morte de jornalista na República Centro-Africana

A fotógrafa francesa Camille Lepage na República Centro-Africana, em fevereiro deste ano.

A fotógrafa francesa Camille Lepage na República Centro-Africana, em fevereiro deste ano|AFP / FRED DUFOUR|RFI

A Justiça francesa abriu nesta quarta-feira (14) uma investigação para apurar as circunstâncias da morte da repórter fotográfica Camille Lepage, 26 anos, encontrada morta ontem na região de Bouar, oeste da República Centro-Africana. As primeiras informações apuradas apontam que a jovem francesa foi assassinada em uma emboscada de um grupo armado enquanto trabalhava. Ela é 18ª jornalista morta este ano.

O corpo de Camille foi encontrado por tropas francesas, que integram a operação Sangaris, em um veículo da milícia anti-balaka com quatro outros mortos. Ela fazia uma reportagem do grupo quando eles foram vítimas de uma emboscada da rebelião ex-Seleka em Gallo, no Oeste da República Centro-Africana, na fronteira com Camarões.

Um responsável militar explicou que a morte da jornalista data de dois dias. “Os confrontos duraram cerca de meia hora e deixaram ao menos 10 mortos, quatro anti-balaka e seis ex-Seleka”, disse a fonte anônima. Logo depois do combate, o grupo com quem Camille trabalhava recolheu os corpos das vítimas e os transportava no veículo interceptado pelos militares franceses.

O presidente François Hollande anunciou a morte da jovem ontem (13) à noite e prometeu implementar todos os meios necessários para esclarecer as circunstâncias do assassinato e encontrar os responsáveis pelo crime.

De acordo com um responsável do ministério da Comunicação, Camille não utilizava colete à prova de balas. “Ela se arriscava e atraía atenção por se expor tanto”, comentou um militar francês.

Jornalista independente

Camille Lepage nasceu na cidade de Angers, Oeste da França, era jornalista independente e filiada à agência Hans Lucas. Seus trabalhos foram publicados no New York Times, Wall Street Journal, The Guardian, BBC, Washington Post, Le Monde, Libération, AFP,entre outros. Apesar de jovem, ela tinha uma experiência considerável na cobertura de conflitos. A repórter fotográfica trabalhou na revolução egípcia em 2011, nos confitos no Sudão do Sul em 2012 e na República Centro-Africana a partir de dezembro de 2012.

 
A fotógrafa francesa, Camille Lepage, em fevereiro de 2014, durante uma reportagemn em Bangui.

AFP PHOTO / FRED DUFOUR

 

No Sudão do Sul, em 2012, a jornalista colaborou com a AFP, onde era conhecida por seu “entusiasmo e sede de aprender”, como definiu o responsável pelo serviço de fotografia da África do Leste da agência, Carl de Souza. “Ela sabia exatamente o que fazia”, declarou uma das fundadoras da agência Hans Lucas, Virginie Terrasse.

Em carta que escreveu ao se candidatar a uma vaga, ela se definiu como uma “apaixonada pelas causas esquecidas, pelas pessoas que sofrem em silêncio e por aquelas que ninguém presta atenção, as que ninguém ousa falar sobre”. Quando se candidatou à um estágio no site de informação francês Rue89, Camille redigiu: “Eu me dedico ao jornalismo independente porque, antes de tudo, ele é o único digno”.

A mãe da fotógrafa, Maryvonne Lepage, confirma a motivação e a força do caráter da jovem. “Ela tinha a lógica de cobrir os conflitos que as mídias não se interessavam em noticiar. E procurava sempre trabalhar para os meios de comunicação que têm uma filosofia independente”, lembrou.

Palco de violências

O noroeste da África Central, onde a jovem realizava seu último trabalho, é uma das regiões mais perigosas do continente devido aos confrontos de grupos armados. A República Centro-Africana é palco de violências desde que a rebelião ex-Seleka, de maioria muçulmana, intensificou os ataques contra os cristãos no país, que representam 80% da população. O grupo anti-balaka é integrada por cristãos hostis ao ex-Seleka e se formou devido ao terror da população contra esta milícia violenta.

JORNALISTA DA BAHIA É CONDENADO Á PENA DE PRISÃO POR REPORTAGEM

Entidades de defesa dos jornalistas brasileiros receberam com indignação a notícia da condenação do jornalista Aguirre Talento a seis meses e seis dias de detenção em regime aberto por crime de difamação. A decisão da Justiça baiana é favorável ao empresário do setor imobiliário Humberto Riella Sobrinho, que alega haver informações falsas em reportagens publicadas no jornal “A Tarde” em dezembro de 2010.

Para a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a decisão de sentenciar um repórter à prisão por um texto publicado é um atentado à liberdade de imprensa. A Organização das Nações Unidas (ONU), em seu Plano de Ação para Segurança de Jornalistas, recomenda aos países-membros que ações de difamação sejam tratadas no âmbito civil.

No processo 0053404-65.2011.8.05.0001, o juiz da 15ª Vara Criminal – Salvador acatou as acusações de calúnia, injúria e difamação contra Aguirre Talento, determinando a pena base em seis meses e seis dias em regime aberto, revertida para prestação de serviços à comunidade, e pagamento de 10 salários mínimos para reparação dos danos causados pela infração, nos termos do art. 387, IV do CPP.

Os advogados João Daniel Jacobina Brandão de Carvalho e Brenno Cavalcanti Araújo Brandão impetraram recurso contra a decisão, que deverá ser julgado no Tribunal de Justiça da Bahia. O Sindicato afirmou que acredita na Justiça e apelou às entidades do estado e do país que lutam pela democracia para que abracem esta causa, protegendo jornalistas que cumpriram seu dever de informar à sociedade, utilizando de ética e com base em fontes confiáveis como o Ministério Público Federal para produção de seus textos.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba), existem ações similares contra os jornalistas Biaggio Talento, Regina Bochichio, Patrícia França, Vítor Rocha, Felipe Amorim, Marcelo Brandão e Valmar Hupsel Filho. Chama a atenção o fato de o jornal nunca ter sido processado. As ações, que cobram até R$ 1 milhão de indenização, visam sempre o elo mais fraco: o jornalista.

Em parceria com as entidades baianas integrantes do Fórum A Cidade Também é Nossa, o Sinjorba impetrou ações por denunciação caluniosa contra os autores das ações contra os jornalistas.