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Trabalhador filipino sequestrado é encontrado decapitado na Líbia

Segundo o ministério das Relações Exteriores das Filipinas, a suspeita é de que ele tenha sido sequestrado por não ser muçulmano

France Presse

21/07/2014 

Um trabalhador filipino foi sequestrado na Líbia e seu corpo decapitado foi encontrado dias depois em um hospital, indicou nesta segunda-feira (21/7) um porta-voz do ministério das Relações Exteriores das Filipinas.

De acordo com Charles Jose, um funcionário de uma construção foi sequestrado em 15 de julho por um grupo de homens, possíveis milicianos.

“O veículo que dirigia foi detido em um posto de controle. Eram três trabalhadores, um líbio, um paquistanês e um filipino, e parece que o sequestraram porque era o único que não era muçulmano,” explicou o porta-voz.

Cinco dias mais tarde seu corpo, decapitado, foi encontrado em um hospital de Benghazi (leste do país), apesar dos sequestradores estarem negociando sua libertação com a empresa que o empregava.

Aproximadamente 13 mil filipinos trabalham na Líbia. O ministério filipino das Relações Exteriores voltou a pedir nesta segunda-feira que seus cidadãos abandonem o país, onde os confrontos entre milícias nos últimos dias despertam o temor de uma nova guerra civil. Cerca de dez milhões de filipinos trabalham no exterior, muitos deles no Oriente Médio, em busca de melhores salários.

Confrontos pelo controle do aeroporto de Trípoli matam seis

Colunas de fumaça são vistas perto do aeroporto da capital líbia.

Colunas de fumaça são vistas perto do aeroporto da capital líbia.

REUTERS/ Hani Amara
RFI

Pelo menos seis pessoas morreram e 25 ficaram feridas durante confrontos entre grupos armados rivais pelo controle do aeroporto de Trípoli, capital da Líbia, neste domingo (13). No sábado, os Estados Unidos alertaram par ao risco de um “conflito generalizado” no país, três anos após a queda do ex-ditador Muammar Kadafi.

 

Um porta-voz do ministério da Saúde não especificou se os mortos eram civis ou homens armados. A troca de tiros e morteiros começou nesta manhã e resultou no fechamento do aeroporto por pelo menos três dias, de acordo com as autoridades aeroportuárias.

O ataque foi reivindicado por milícias islamistas determinadas a retirar as brigadas de Zintan, que controlam diversos pontos estratégicos do sul da capital, incluindo o aeroporto. O avanço foi combatido pelos zintaneses, mas os confrontos permanecem em outros lugares ocupados por essa tribo, principalmente na estrada que leva até o aeroporto.

As milícias islamistas haviam convocado militantes pelas redes sociais para éliberar a capital” dos ex-rebeldes de Zintan, uma cidade a 170 quilômetros de Trípoli que teve um papel ativo na queda do ditador, em 2011.

Governo frágil

Os confrontos ilustram a fraqueza das autoridades liberais de transição no poder, incapazes de dissolver ou desarmar grupos de ex-rebeldes islamistas. A era pós-Kadafi vem sendo marcada pelo caos e a anarquia.

No sábado, o governo americano alertou que o conflito na Líbia pode se tornar “generalizado” e pediu que um novo Parlamento tome forme rapidamente, depois de contestadas eleições. A porta-voz do Departamento de Estado americano, Jen Psaki, também pediu que o trabalho no rascunho da nova Constituição líbia aconteça “sem interferência ou violência”.

Porto de petróleo

Também ontem, manifestantes fecharam o porto petrolífero de Brega, no leste da Líbia, informou a estatal National Oil Corp (NOC), dias após o governo local comemorar a reabertura da maioria dos portos, passado um ano de bloqueios. O porta-voz da NOC, Mohamed El Harari, disse que a também estatal Sirte Oil CO teria de interromper sua produção de 43 mil barris por dia se os protestos continuarem.

Os manifestantes em Brega são guardas das instalações petrolíferas, uma força integrada principalmente por ex-combatentes das milícias que ajudaram a derrubar o governo de Kadafi.

Premiê confirma libertação de dois tunisianos reféns na Líbia

AFP – Agence France-Presse

29/06/2014

Um diplomata tunisiano e um outro funcionário da embaixada da Tunísia na Líbia, sequestrados há semanas em Trípoli, foram libertados neste domingo, anunciou o primeiro-ministro desse país, Mehdi Jomaa, agora à noite.

“Quero lhes informar que, há alguns minutos, o avião decolou de Trípoli com nossos ‘filhos’ que estavam presos”, declarou Jomaa, em uma entrevista coletiva no Ministério das Relações Exteriores.

O chanceler tunisiano, Mongi Hamdi, descartou que qualquer resgate tenha sido pago pelo governo.

“Nossos interlocutores eram as autoridades líbias. Não sabemos quem eram os sequestradore, nem queremos saber”, disse Hamdi.

O ministro confirmou que os sequestradores tinham motivações políticas e reivindicaram a libertação de líbios condenados em Túnis por terrorismo – “libertação que não aconteceu”, frisou o chanceler.

Em 21 de março, o funcionário da embaixada da Tunísia em Trípoli Mohamed ben Sheikh foi sequestrado na capital líbia. Em 17 de abril, o diplomata tunisiano Al-Arussi Kontassi foi feito refém na mesma cidade.

Em 23 de abril, um grupo “jihadista” desconhecido chamado “Chabab Al-Tawhid” divulgou um vídeo de Mohamed ben Sheikh, no qual o refém pedia ao presidente tunisiano que negociasse com os sequestradores.

A gravação não falava em Al-Arussi Kontassi, que teria sido levado, segundo Túnis, por esse mesmo grupo.

A fonte da embaixada consultada pela AFP relatou que a libertação de ambos aconteceu “graças às negociações” e garantiu que o governo “não cedeu” às demandas dos sequestradores.

Desde a queda do regime de Muammar Kadhafi em 2011, as representações diplomáticas na Líbia têm sido, com frequência, alvo de ataques e de sequestro por parte de milícias.

Líder de milícia líbia suspeito de ataque a Benghazi chega aos EUA, diz mídia

WASHINGTON (Reuters) – O líder da milícia líbia, suspeito do ataque em 2012 à missão diplomática dos Estados Unidos em Benghazi que matou quatro norte-americanos, chegou a Washington no sábado de manhã, segundo relatos da mídia.

Ahmed Abu Khatallah foi trazido para a corte federal em Washington de um navio de guerra da Marinha, onde ficou mantido desde que foi capturado no início deste mês, disseram a CNN e o The New York Times.

(Por Doina Chiacu)

Após ataque a Parlamento, europeus se dizem preocupados com situação na Líbia

Homens armados invadiram o Parlamento da Líbia neste domingo (18).

Homens armados invadiram o Parlamento da Líbia neste domingo (18).

REUTERS|Stringer|RFI

A União Europeia se declarou nesta segunda-feira (19) muito preocupada com a “degradação” da situação na Líbia. No domingo, um grupo armado atacou o Parlamento em Tripoli para reivindicar sua dissolução. As autoridades enfrentam dificuldades para estabilizar o país, dois anos e meio após a queda de Muammar Kadafi.

A situação continua confusa nesta segunda-feira (19) na capital Tripoli, depois que um grupo armado atacou, no domingo, o Parlamento, a mais alta autoridade política no país, para reivindicar sua dissolução.

Testemunhas afirmam que o ataque foi promovido pelas brigadas de Zenten, um grupo armado que combate extremistas islâmicos e já promoveu uma ação semelhante em fevereiro passado. O grupo armado deixou o Parlamento poucos minutos depois do ataque e entrou em confronto com milícias rivais na estrada que leva para o aeroporto da capital líbia. Pelo menos duas pessoas morreram e 55 ficaram feridas, segundo as autoridades.

A União Europeia está “muito preocupada” com a “degradação” da situação na Líbia, disse nesta segunda-feira Michael Mann, porta-voz da chanceler europeia, Catherine Asthon. Os europeus pedem que todas as partes envolvidas “evitam o uso da força” e “trabalhem juntas” a fim de favorecer “uma transição bem-sucedida” na Líbia.

Milícias armadas

Desde a queda de Muammar Kadafi, em outubro de 2011, o governo de transição da Líbia tenta sem sucesso controlar as milícias armadas formadas por ex-rebeldes e dominadas por grupos islâmicos radicais. Essas milícias aproveitam a incapacidade do Estado de garantir a segurança da população para ditar suas próprias regras, criando um clima de anarquia na Líbia.

A situação também é caótica em Benghazi, a principal cidade do leste da Líbia, onde um militar aposentado, que combateu Kadhafi, lançou uma ofensiva na sexta-feira (16) contra rebeldes islâmicos fortemente armados que dominam a cidade. Os combates deixaram 79 mortos e 141 feridos.